74 ANOS DA BATALHA DE STALINGRADO. ALGUNS DADOS SOBRE O EXÉRCITO QUE FULMINOU O FASCISMO

Lembramos os 74 anos da Batalha de Stalingrado, um marco na luta da libertação dos povos em todo o mundo. O alcance histórico mundial da Batalha de Stalingrado deveria ser evidente para todos seres humanos racionais. Mas a imprensa e a historiografia burguesa fazem um esforço desesperado para minimizar o seu papel histórico. Procuram, em primeiro lugar diminuir a escala dessa batalha, equiparando-a a batalhas menores ocorridas em frentes periféricas, esforçam-se por calar as conquistas soviéticas, fazendo o possível para difamar (até mesmo moralmente) os soldados, oficiais e líderes soviéticos. Assim como o Vietnã, Stalingrado é um exemplo perigoso da luta dos povos para evitar a escravização nacional por uma potência imperialista.

Para entender essa batalha plenamente devemos levar em conta alguns fatos históricos. No início da Guerra, a URSS enfrentou momentos difíceis que a fizeram perder momentaneamente parte do seu território. As causas dos revezes que sofreram as Forças Armadas da União Soviética nos primeiros meses da invasão alemã (entre 22 de junho de 1941 até 2 de outubro de 1941 na Batalha de Moscou) tiveram um caráter complexo, tendo sido determinante por uma série de fatores políticos, econômicos e militares. Os erros de cálculo do Comando das Forças Armadas que buscavam determinar a altura da provável invasão da Alemanha e as falhas cometidas foram fatos negativos, porém os preparativos para repelir a agressão nazista desempenharam o seu papel.

Quando começou a guerra, na URSS, as regiões militares de fronteira ainda não haviam terminado o deslocamento de tropas e nem tinham conseguido fazer entrar de prontidão todas as tropas. A Alemanha por sua vez obteve uma vantagem dupla em homens (5,5 milhões contra 2,68 milhões) e grande superioridade na artilharia (47,2 mil contra 37,5 mil). Embora os soviéticos possuíssem mais tanques e aviões, somente 18,2% dos tanques e 21,3% dos aviões eram do tipo moderno, sendo o restante de tipos antiquados. O Exércitos nazistas tinham experiência de condução na guerra moderna, estavam totalmente mobilizados e desfrutavam de superioridade em mobilidade e capacidade de manobra, enquanto a doutrina militar soviética não estava preparada para a guerra de 3° Geração (termo da ciência militar)

Para explicar o assunto, destacamos que segundo a própria Ciência Militar atual, todas as Escolas Militares do mundo dividem as fases da guerra em 4 gerações, seriam essas:

a) Guerra de 1° Geração. Exemplo as Guerras Napoleônicas. Configurada por combates corpo a corpo, com uso de espadas, lanças e baionetas, a guerra fica restrita ao campo de batalha;

b) Guerra de 2° Geração. Os estrategistas perceberam que deveriam ir além, por tanto, essa fase é inaugurada na Primeira Guerra Mundial, ondesurgiu o emprego militar dos aviões, metralhadoras, tanques, submarinos e balões;

c) Guerra de 3° Geração. Foi iniciada com a Segunda Guerra Mundial, onde realmente os países foram em profundidade na estratégia, atacando as indústrias e as cidades. A guerra sai do campo de batalha e a população civil passa a ser o alvo da guerra. Tivemos a utilização dos aviões bombardeiros de largo alcance e da bomba atômica (usada contra a população civil de Hiroshima e Nagasaki).

d) Guerra de 4° Geração. É a guerra usada atualmente. Após a guerra do Vietnã e a queda da URSS, os países capitalistas centrais fizeram com que a guerra se desenvolva dentro dos países.Utilizando forças militares de mercenários e/ou o emprego de uma guerra econômica. As grandes empresas imperialistas se infiltram dentro dos países com o objetivo de impedir o desenvolvimento do país e o povoamento das grandes áreas.

Os êxitos das Forças Armadas da Alemanha derivaram-se, antes de mais nada, das grandes vantagem que a Alemanha conseguiu ao ter se preparado durante muito tempo para agredir a URSS, e também pelo fato dela ter se servido de todos recursos econômicos e militares da Europa ocupada. Nos fins dos anos da década de 1930, a economia da Alemanha já trabalhava completamente para a guerra, o que lhe permitiu muito antes da URSS alcançar a produção de equipamentos modernos. Durante a Blitzkrieg ou guerra-relâmpago, a Alemanha havia se apoderado de armamentos e equipamentos de 92 divisões francesas, 22 belgas, 18 holandesas, 12 inglesas, 6 norueguesas e 30 divisões checoslovacas. Somente na França eles apreenderam 4 930 tanques modernos e blindados, assim como 3 mil aviões.

Diante desse quadro, a política da URSS foi no sentido de adotar medidas de emergência para mobilizar todos recursos do país. Essas medidas se baseavam no principio marxista-leninista do Partido Bolchevique de que a luta armada contra o Imperialismo só pode ser travada se todos trabalhadores do país estiverem unidos e se este se transformar num campo único de batalha.Esse campo único, dizia Lênin, deve representar a unidade do poder soviético no campo econômico, politico, militar e moral, das descobertas científicas e técnicas do Estado socialista, exigindo, ainda, a máxima mobilização das forças de todo o povo soviético.

No início da guerra, os dirigentes do Estado e do Partido Bolchevique traçaram um programa de mobilização de todas as forças do povo para luta contra o invasor nazista. Em 30 de junho de 1941, foi fundado o Comitê de Estado para Defesa (CED). O sistema era composto de órgãos do partido e do Estado adaptados rapidamente para as condições da guerra. À sua frente elegeu-se Josef Vissariónovitch Stalin, Secretário-Geral do Partido Comunista da URSS. O trabalho pesado e constante do Comitê fez com que em apenas 8 dias de guerra, fossem convocados 5,3 milhões de pessoas para guerra. Ao CED competia resolver os problemas estatais e econômicos relacionados ao curso da guerra. O maior problema era a mobilização de recursos humanos e materiais, reorganizar a economia para servir à guerra.

O CED elaborou plano onde transferiu-se para o leste toda a potência industrial do país.Durante a segunda metade de 1941, 2 593 empresas industriais foram transferidas para o leste (em seu transporte eram atingida constantemente por bombardeios da aviação alemã). Em 1 à 2 meses todas as empresas começavam a funcionar. Nesse período foram evacuadas milhões de pessoas, centenas de milhares de toneladas de matérias-primas e outros objetos de valor. A economia soviética não só conseguiu resistir a invasão, mas também superar o nível de produção bélica do inimigo nazista. Durante a guerra fabricaram-se 102, 8 mil tanques e carros de combate, 112,1 mil aviões, 482,2 mil canhões, 351 mil morteiros e uma quantidade colossal de material bélico. Esses indicadores comprovam a grande mobilidade da economia socialista.

A direção das Forças Armadas estava a cargo do Quartel General (QG). O QG avaliava a situação estratégica política-militar e realizava planejamentos de campanhas e operações. Os generais eram enviados para as frentes de batalha para esclarecer a situação e proporcionar uma ajuda eficaz. Nomes tais como Gueórgui Júkov, Aleksandr Vasilevsky, Konstantin Rokossóvski, Ivan Kónev, Nikolai Vatútin, Fiódor Tolbúkhin, Rodion Malinóvski, Ivan Tcherniakhóvski e outros que conquistaram a admiração de todo povo soviético.

Durante toda a guerra, as Forças Armadas da URSS realizaram mais de 50 operações de grupos de frentes, cerca de 250 operações dentro de uma frente, milhares de batalhas e combates. Entre as mais importantes, estão A Batalha de Moscou (1941-1942), Stalingrado (1942-1943), Kursk (1943), as ofensivas de Bielo-Rússia (1944), Iassi-Kichiniov (1944), Vístula-Oder (1945) e Berlin (1945). Enfrentando sozinha 80% do contingente militar do Eixo na Europa.

Os historiadores burgueses frequentemente exageram o alcance dos Ingleses na cidade de El-Alamein, ou do Desembarque do Dia D, apresentando esses fatos como o começo da virada em toda guerra e equiparando-a à Batalha de Stalingrado, ou até mesmo, não sitando Stalingrado como relevante.

Os acontecimentos em Stalingrado nem de longe podem ser comparados à batalha de El-Alamein (1942). A luta contra agrupamentos insignificantes do inimigo no deserto (apenas cerca de 80 mil homens) teve um caráter local, não ultrapassando as fronteiras do respectivo campo de batalha. Em Stalingrado, em novembro de 1942, o total das tropas nazifascistas alemães somavam 1 milhão de homens! Na Batalha de Normandia (em meados de 1944, quando a Alemanha já estava agonizando e a URSS já tinha ocupado as principais cidades da Europa), as forças da Alemanha somavam 50 350 mil homens e 170 canhões.

A propaganda burguesa procura minimizar os méritos da ciência da guerra soviética, atribuindo a vitória das tropas soviéticas à sua superioridade numérica e às “falhas” dos dirigentes nazistas. Essa narrativa ganhou o mundo através de Hollywood, onde retrata soldados soviéticos indo aos milhares à batalha, “armado com pedras” e na mira dos “terríveis” comissários que atiravam nos que recuavam. Essa manobra é velha. Os cientistas soviéticos desmascararam essa manobra pois são idênticas de historiadores e generais hitlerianos que pregavam exatamente a mesma coisa. Procuraram deste modo fugir à responsabilidade pelas derrotas nos campos de batalha na URSS. Mas contra fatos não há argumentos. O nível da arte da guerra soviética é comprovado pelos seguintes dados irrefutáveis: contando com forças quase que iguais (1 milhão 103 mil homens, 15 500 canhões, 1 463 tanques, 1 350 aviões de guerra contra 1 milhão 11,5 mil homens, 10 290 canhões, 675 tanques e 1216 aviões), o comando soviético planejou e realizou brilhantemente uma operação com resultado da qual 22 divisões e mais de 160 unidades especiais inimigas, num total de 330 mil homens, foram cercadas e, a seguir, totalmente destruídas.

Durante a Batalha de Stalingrado, que durou 200 dias, foram destruídos cerca de 2 mil tanques e canhões de assalto inimigo, mais de 10 mil canhões e morteiros de assalto do inimigo,cerca de 3 mil aviões de combate. O Exército Nazista perdeu 32 divisões e 3 brigadas completas, tendo sido infligido uma derrota a outras 16 divisões inimigas. O eco da derrota esmagadora repercutiu em todos países do Eixo. O Japão renunciou, temporariamente, aos planos de uma guerra com a URSS, Turquia abandonou qualquer ideia de entrar no conflito ao lado do Eixo, intensificou-se a luta dos povos da Europa contra os ocupantes fascistas e abalou-se política e moralmente a Alemanha nazista até aos alicerces.

Outra campanha de calúnia é a propaganda feita por historiadores burgueses para difamar os combatentes soviéticos. Não tem consistência as afirmações desses historiadores, de que os “soldados russos” só combatiam bem, porque tinham medo da disciplina de ferro dos comissários e comandos punitivos. Camarada Stalin dizia, “o medo não cria heróis”. Ora, a batalha de Stalingrado foi marcada por heroísmo em massa de soldados e oficiais soviéticos, que praticaram conscientemente façanhas plenas de abnegação. Pelo heroísmo com que se portaram nos combates 183 unidades do exército obtiveram títulos de “distintas”, 55 fizeram jus a condecorações e 44 ganharam títulos de honra. Dezenas de milhares de combatentes foram condecorados pelo Governo Soviético e 112 fizeram jus ao títulos de Heróis da União Soviética. Esses são os fatos.

O próprio Presidente dos Estados Unidos na época, Franklin Roosevelt escreveu em nome do povo dos EUA, que a vitória brilhante dos defensores da cidade de Stalingrado deteve a onda da investida, marcando uma viragem na guerra das Nações Aliadas contra as forças regressivas (Ver opinião dos EUA na época nesse filme clicando aquino link).

Um exemplo deste heroísmo foi quando 30 tanques KV-1 soviéticos, saíram vencedores de um embate entre 70 tanques e um batalhão de infantaria alemão. O heroísmo do povo soviético era ilimitado. A firmeza de espírito e a profunda consciência política e histórica fazia que superioridade moral diante do inimigo, mesmo quando era capturados. As bestas nazistas torturavam barbaramente, dominados por uma fúria desumana. Eles crucificaram o jovem comunista Iúri Smirnov, pregando pregos nos pés e nas mãos, mataram a guerrilheira Vera Lessovaia, fazendo uma fogueira. A guerra mostrou que só a coragem baseada no cumprimento consciente do dever e um excelente treinamento militar torna o soldado herói.

Ao cabo da contra ofensiva, a URSS, entre 1944-1945, libertaram 13 países da Europa e Ásia, com uma superfície conjunta de 2,2 milhões de km² e uma população de 147 milhões de habitantes. Mais de 20 milhões de combatentes soviéticos sacrificaram suas vidas pela luta de libertação nacional desses povos escravizados. Onde passava, o Estado Soviético promovia grande ajuda econômica, pois entendia que a liberdade só é plena quando se efetiva dignas condições de vida.

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