ELEMENTOS PARA ENTENDER O GOLPE FRACASSADO NA VENEZUELA

No dia 30 de abril, sob ordens de John Bolton e da administração Trump, o “títere” da CIA, Juan Guaidó, convocou os militares venezuelanos a se levantarem contra o governo em vídeo divulgado durante a madrugada.

Nas primeiras horas do dia 30 de abril, funcionários de vários corpos militares venezuelanos, cerca de 30 funcionários, facilitaram a fuga do líder fascista, Leopoldo López [mentor responsável pela morte de mais de 40 pessoas], que então acompanha o ex-deputado Juan Guaidó para fazer chamadas as Força Armada Nacional Bolivariana [FANB] para agir contra a institucionalidade.

Lopez e Guaidó concentraram-se na distribuidora rodoviária de Altamira, no leste de Caracas, um lugar emblemático das concentrações antichavistas. Lá, eles fazem vídeos nas redes sociais para os militares e a população civil para sair às ruas e dar origem à chamada “Operação Liberdade”, que, para fins práticos, consiste na derrubada do presidente Maduro. Guaidó faz o falso anúncio da captura da base aérea de La Carlota, adjacente ao distribuidor de Altamira, para alimentar a ilusão dos partidários antichavistas e os fatores militares que supostamente apoiavam o golpe.

A tentativa de golpe foi baseada em um esquema de guerra híbrida empregando poucas tropas, com um poder de fogo reduzido, através de uma operação de natureza midiática e internacional. Implicava o ponto de partida de uma armadilha militar que não ocorria à medida que as horas passavam.

Cara da derrota. Guaidó e Leopoldo López completamente sozinhos e derrotados.

ESTADOS UNIDOS O CHEFES DO GOLPE FRACASSADO

Dias antes da tentativa de golpe, porta-vozes do governo imperial dos Estados Unidos deram o sinal verde para o golpe fracassado na Venezuela, fizeram novas chamadas para o FANB para prosseguir apoio contra o presidente Maduro. Essas chamadas foram conduzidas por Marco Rubio, John Bolton e Mike Pompeo como figuras de destaque, traziam consigo uma narrativa particularmente tóxica.

A ênfase entre o apelo, a ameaça e a promessa de suspender sanções e emitir anistias aos militares que se envolvessem no golpe, caracterizaram a narrativa e marcou o contexto antes deste 30 de abril.

A comoção fora da Venezuela pode ser considerada maior do que a percepção dos venezuelanos sobre os eventos acerca do golpe. A desproporcionalidade da mídia de um “país em caos total” moldou a abordagem dos grandes meios de comunicação. Os Estados Unidos e outros governos lacaios da região, como os da Colômbia, Brasil e da Argentina, propiciaram o papel dos porta-vozes em tempo real, legitimando o golpe e violando o direito internacional de maneira flagrante.

Em uma aparição pública, John Bolton assumiu o papel de controlador de danos pelo governo dos EUA, em momentos em que o golpe não tinha chance de alcançar os objetivos.

Em sincronia com o aparecimento de Bolton, a dispersão do grupo de golpistas no distribuidor de Altamira foi iniciado, o terrorista Leopoldo López, fugiu para embaixada chilena e posteriormente se mudou para a embaixada espanhola. Já o grupo de 25 militares traidores pediu refugio na embaixada do Brasil.

COMO O GOLPE NORTE-AMERICANO SE DESMANCHOU?

O golpe de Estado começou a entrar em colapso quando os militares, mobilizados para o ponto de encontro da direita, perceberam que se tratava de um golpe de Estado e que tinham sido enganados. De imediato, 80% dos militares mobilizados pelos golpistas dispersaram e se reportaram as suas autoridades militares legítimas. A base aérea de La Carlota não foi tomada por elementos armados, nem por civis, nem foram relatados relatos de motins em qualquer quartel no país.

A própria direita golpista não atendeu as convocatórias para manifestações feitas por Guaidó, mesmo estando em redutos históricos da direita, mostrando que está totalmente desmoralizado e esvaziado. No final da tarde de 30 de abril, atos violentos focalizados não tiveram apoio e com a caída da noite foram totalmente dispersados.

Várias considerações do chavismo e da oposição, dentro e fora da Venezuela, concordam em qualificar o evento como um fracasso monumental, um ato “medíocre” que esgotou às pressas a via do golpe militar na Venezuela. Por causa do “improviso” que o evento foi, ele dá conta da possibilidade de que havia comandantes militares que, em teoria, teriam apoiado as ações, mas recuaram.

No entanto, também é um fato indiscutível que os comandantes militares estão alinhados com o presidente Maduro e que as instituições militares não foram compradas ou fragmentadas, apesar das pressões da Casa Branca. Esta é, sem dúvida, a causa principal do fracasso do golpe de Estado.

GOLPE TÃO INCOMPETENTE QUE DEVEMOS DESCONFIAR

A estupidez da tentativa de golpe chamam a atenção. Se por um lado é flagrantemente torpe essa operação golpista, pelo outro devemos permanecer muito em alerta quando o tema é Venezuela.

No passado há grandes antecedentes de tentativa de golpe torpes. Dois meses antes do golpe de 11 de setembro, houve uma tentativa de golpe de Estado pequeno, torpe e que foi facilmente desarticulado por Forças Armadas “leais”, tratasse do Tanquetazo, ocorrido no Chile em 1973.

Um desses generais “leais” que derrotaram o Tanquetazo era Augusto Pinochet. Muitos anos depois, em um livro de memórias, Pinochet declarou que o Tanquetazo foi mentalizado e dirigido por ele mesmo. O objetivo era colher informações de inteligencia em um cenário simulado. Criaram o Tanquetazo para medir a capacidade de reação do presidente Allende e da Unidade Popular, medir a capacidade de comunicação entre os dirigente, ou seja, medir o tiro antes de disparar-lo.

Logicamente não se trata aqui de fazer uma comparação contextual, histórica, social, politica etc entre Chine de 1973 e Venezuela atual, pois é absolutamente claro que são conjunturas completamente diferentes.

Nas Escolas Militares se ensinam a realizar provas de vulnerabilidade. Através delas se permite determinar as probabilidades de exito de uma operação. Possivelmente, o Imperialismo realizou uma prova de vulnerabilidade para uma agressão em larga escala. Já que o Imperialismo vem de derrota atrás de derrota, por não conseguir concessionar uma direita interna que leve ao êxito de seus objetivos.

Esteamos vendo uma “cortina de fumaça”. Para capitar a tenção da opinião publica internacional para Venezuela e desviar a atenção do desastre que causado pelo bloqueio ao petróleo ao Irã. Com o bloqueio do petróleo, o Irã que deu uma resposta ao fechar o estreito de Ormuz e os EUA escalaram a violência movimentando duas frotas. A ação do imperialismo não só prejudicou a Rússia, China, Turquia e Cazaquistão, mas também prejudicou França, Alemanha, Itália e o restante da União Europeia que logo protestou.

VENEZUELA ESTÁ EM GUERRA

A análise política deve levar em conta o contexto histórico, conjuntural, causa e efeito entre outros fatores científicos. É absolutamente claro que a Venezuela e Estados Unidos estão em guerra. As guerras atuais não são mais como os conflitos realizados no início do século XX. Hoje não é mais necessário um memorando formal para um país declarar uma guerra. Os ataques dos Estados Unidos contra a Venezuela reúne todos os elementos de guerra de quarta geração.

É claro também que os Estados Unidos e os seus vassalos no continente estão conspirando, por isso, a Venezuela tem todo o direito [ e o dever] de defender sua soberania nacional, inclusive pela força. O uso da força militar para conter os traidores da pátria deve ser apoiado, por sabemos que a derrubada da Revolução Bolivariana pelo Imperialismo geraria uma onda de repressão, conflitos e morte no continente incalculáveis.

A desmoralização completa da direita ocorre quando fazemos uma comparação bem simples. Imaginem o que aconteceria se militares armados tentassem dar um golpe de Estado nos Estados Unidos ou no Brasil. Sem dúvida a resposta seria extremamente brutal. Da mesma forma, a hipocrisia é tão grande quando pegamos o histórico de violência polícial do Estado brasileiro contra manifestações pacíficas de estudantes e trabalhadores. Bombas que estraçalham e amputam pés e mão de manifestantes, balas de borracha que arrancam olhos etc.

Policial brasileiro que quebrou cassetete na cabeça de estudante durante a greve geral de 2017

FIM DE GUAIDÓ

O destino político de Leopoldo López e Juan Guaidó foi comprometido. Na mesma jogada falsa, os dois principais operadores do Partido Voluntad Popular, os fascistas favoritos de Washington, conseguiram ficar inabilitados de manobrar abertamente dentro da Venezuela.

Guaidó, que antes desses eventos estava em uma posição irrelevante na trama política interna e serviu apenas como um fator de “legitimação” das ações de Washington contra a Venezuela. Agora, com o golpe fracassado, ele passa para uma posição de ponto zero e foi entregue para ser preso pela justiça venezuelana.

Diante do fracasso do “golpe mais medíocre da história”, segundo as palavras do Presidente Nicolás Maduro, muitas “cartas sobre a mesa” já perderam o fator surpresa. Guaidó não disse nada sobre Leopoldo Lopez, a figura central do golpe, que não conseguiu acionar o ponto de viragem esperada: as “multidões” que levaria-no a “coroa” no Palácio de Miraflores, o caos e o apoio das Forças Armadas. Por outro lado, o antichavismo expressa ceticismo e rejeição própria direita por sua fuga para a sede diplomática do Chile e Espanha.

O CHAVISMO RESISTE NOVAMENTE

Mais uma vez, o chavismo anunciou sua sólida coesão política e institucional. A coesão cívico-militar do chavismo é um elemento indispensável para levar em conta em qualquer análise. O senso de coerência do chavismo como uma entidade política e social revitaliza, moralizando sua base e retendo a posição do presidente Maduro, como um contraste óbvio para o rosto fracassado e medíocre da direita. Ambas as variáveis ​​revelam e caracterizam o momento político da Venezuela.

As gigantescas manifestações do 1º de maio, consolidaram a vitória sobre o golpe de Estado, ratifica o chavismo como a única opção para manter a sua a paz, a soberania e a existência do Estado nacional venezuelano.

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