Entre mentiras e chantagens, Esquerda Amarela sempre esteve em sintonia com o golpe imperialista

Maio de 2019, os direitos do povo massacrados e a economia brasileira completamente destruída. O espectro da guerra ronda o continente latino-americano, e nossa principal liderança popular está enjaulada. Nossa soberania foi saqueada pelos EUA e a União Europeia, que encontram nos seus lacaios a subserviência de um cão adestrado. Mas, curiosamente, não são os ataques dos golpistas que mais atrasam a organização dos trabalhadores, mas os da própria esquerda.

O editorial do Voz Operária RJ já publicou dezenas de análises e teses sobre as intenções do imperialismo na América Latina, então essas linhas não são dedicadas à explicar os porquês da geopolítica, mas tentar elucidar por quais maneiras os países centrais atuam no Brasil, sob a ótica das Guerras de Quarta Geração (do inglês Fourth Generation War ou 4GW) no contexto das Guerras Híbridas. No geral, a Guerra Híbrida se destaca por duas características emblemáticas: um primeiro momento de preparação da Revolução Colorida — que pretende derrubar um governo não-alinhado ao eixo EUA-UE, e um segundo momento onde são utilizados grupos insurgentes em Guerras Assimétricas, caso a Revolução Colorida seja insuficiente para cumprir os objetivos dos agentes externos agressores.

O alvo dos ataques da esquerda amarela é o mesmo dos militares golpistas

Ante os ataques de Bolsonaro à educação, o candidato ao governo do Estado do Rio de Janeiro pelo Partido Socialismo e Liberdade, derrotado nas urnas em 2014 e 2018, Tarcísio Motta, publicou uma carta nas suas redes sociais “explicando” o que eram esses cortes, e propondo um diálogo com supostos eleitores do Bolsonaro. A carta encontra-se na íntegra ao final dessas linhas.

O texto propõe uma conversa, uma troca de ideias, entre o quadro do PSOL e os supostos eleitores de Bolsonaro. Ao responder o suposto primeiro argumento dos eleitores (” Argumento 1: O corte/bloqueio de Bolsonaro não é novidade. O PT também fez cortes.), Tarcísio não tarda em começar suas confusões. Diz que:

“Desde o governo Dilma, o MEC tem sido alvo de importantes cortes (…) entre 2014 e 2018, as verbas de custeio discricionárias caíram de 31,1 bilhões para 20,6 bilhões e os investimentos caíram de 11,2 para 4,9 bilhões.”

Tarcísio falseia os fatos ao tenta associar os cortes do golpista Temer à Dilma, presidente reeleita por 54 milhões de votos que não terminou seu mandato por ter sido golpeada em 2016. A verdade é que Dilma, assim como Lula, investiu maciçamente em educação. É só lembrar do decreto de setembro de 2013 que destinava 75% do royalties do petróleo à educação. À época, isso significava “um investimento de R$112 bilhões na educação em dez anos e R$362 bilhões em 30 anos”. Obviamente, com os ataques da Lava Jato à Petrobras, esses investimentos foram reduzidos, mas não por culpa do Governo Dilma.

Mas Tarcísio continua sem esconder seu lado quando responde o “Argumento 2” do suposto eleitor (Na época do corte da Dilma, ninguém fez nada.):

“(…) Os setores que faziam oposição ao governo Dilma (de Cristovão Buarque ao PSOL, passando até por setores do PSDB) fizeram pesadas críticas, que também não tiveram força para modificar a política traçada e mantida posteriormente pelo governo Temer.”

Vemos aqui que Tarcísio prefere atacar o Partido dos Trabalhadores e se associar com os golpistas do PSDB, responsáveis diretos pela crise que o Brasil se encontra hoje — e então aliados do então presidente de câmara, Eduardo Cunha (PMDB), que sabotaram o governo Dilma desde a revolução colorida das “jornadas de junho” de 2013. Quer dizer, para além das diferenças entre a direita, extrema direita e a “esquerda amarela”, o fator unificador desses setores é o antipetismo. Precisamos lembrar do fatídico episódio do Chico Alencar beijando a mão do golpista Aécio Neves ao diferenciá-lo de Renan e Jucá?

Uma sucessão de erros

1. A “Revolução Colorida” de junho de 2013

Mas o lado golpista do PSOL não é novidade. Lembremos de junho de 2013, quando o governo Dilma começou a sofrer as primeiras sabotagens. Naquele mês, setores da oposição “de esquerda” — composta por organizações legais e seitas virtuais e universitárias —, iniciaram movimentos sintonizados com a mídia funcionária de Washington para tentar derrubar um governo que não se curvou aos mandos neoliberais do FMI e do Banco Mundial. Foi a partir do recuo do Movimento Passe Livre que esses setores (esquerdistas e direitistas) transformaram a pauta contra o aumento da passagem em algo difuso, o que facilitou a condução de uma massa amorfa pela ingerência imperialista e fez a opinião pública se voltar contra Dilma.

Não acreditamos em coincidências. A perseguição entre os ultraesquerdistas era tanta que, acusados de “governismo” durante a coleta de assinaturas para a Constituinte proposta pela presidente Dilma para superar os limites impostos pelas pretensões golpistas, o Partido dos Trabalhadores e o Partido Comunista do Brasil chegaram a ser expulsos pela oposição “de esquerda” do Fórum de Lutas Contra o Aumento da Passagem no Rio de Janeiro, fórum esse tido como um espaço amplo, plural e democrático pela ultraesquerda carioca. Toda vez que os militantes do campo democrático-popular tentavam disputar a “revolução colorida”, os ultraesquerdistas chamavam os blackblocs para agredi-los fisicamente.

Os ultraesquerdistas agiram conscientemente e estavam dispostos a derrubar o governo Dilma. Estes setores transformaram a luta estudantil, que tinha um alvo específico contra o aumento da passagem no Estado, em um conjunto de pautas contra o governo Dilma. Eram agentes, intencionalmente ou não, da Guerra Hídrida imposta contra o Brasil. O próprio ex-ministro e militante do PT, Celso Amorim, confessou que, à época, o presidente da República da Turquia, Recep Tayyip Erdoğan, havia alertado a presidente Dilma sobre a ação de agentes externos nas comunicações virtuais, fato que levou o governo a montar um gabinete para monitorar as manifestações de junho.

A preocupação tinha precedente, uma vez que em 2008, pouco menos de dois anos depois da descoberta do pré-sal pelo Brasil, os EUA haviam reativado a Quarta-Frota, que estava inativa desde o final da segunda-guerra. A quarta-frota é responsável pela patrulha do Mar do Caribe e das águas que cercam a América do Sul. Operações semelhantes no Oriente Médio haviam levado às primeiras “Revoluções Coloridas” da década de 2010.

2. Entusiastas do surgimento do Estado Policial

Contrariando as previsões da oposição (de direita de “de esquerda”) em uma virada histórica, a presidente Dilma e o nosso Partido conseguiram reeleger pela quarta vez o governo dos trabalhadores, o que representou o fracasso da Revolução Colorida de junho de 2013. Era necessário então que os ataques do imperialismo e seus agentes não cessassem, mas pelo contrário que se intensificassem. Foi assim que, no primeiro dia do novo mandato da presidente Dilma, a oposição (que Tarcísio prefere se associar) do PSDB e seus asseclas começaram a sabotar diretamente o governo com as pautas-bomba para impor um impeachment contra a governante legítima do país.

Junto à guerra parlamentar, ainda no primeiro ano do quarto mandato do PT, foi iniciada uma operação preparada em e orientada por Washington, a Lava Jato, em março de 2014. Naquele momento o Partido dos Trabalhadores começou uma batalha que perdura até hoje.

Devem ter percebido que atacar o PT e suas lideranças era ineficaz, uma vez que cada porrada dada, o PT saia fortalecido. Passaram então a atacar a organização dos trabalhadores pelas bases: passaram a querer destruir o emprego e a renda no país. Então a batalha que o PT trava até hoje contra a operação golpista Lava Jato não é só pela sobrevivência do partido, mas para conter os danos dessa operação que a todo momento se esforça para destruir a soberania nacional.

Os ataques da Lava Jato se concentraram em setores-chave da economia brasileira, como a indústria nuclear, petroquímica e a agricultura, além de destruir as maiores empresas nacionais, como a Odebretch e a Petrobras, que perderam espaço na América Latina para empresas norte-americanas e europeias. Todas as áreas que os governos do PT criaram ou recuperaram foram alvo de ataque da Lava Jato. Chegaram até a prender o almirante Othon Silva, cidadão emérito do Rio de Janeiro e pai do programa nuclear brasileiro e responsável pelo projeto do submarino nuclear. No Rio de Janeiro o estrago é calamitoso, digno de uma verdadeira operação de terra arrasada (tática militar que consiste em destruir todos os recursos e infraestruturas disponíveis de uma determinada área para impedir que o inimigo se aposse deles).

Se em 2013, o PSOL atacava as oligarquias regionais por seus supostos escândalos, onde estava o PSOL quando a máfia da Lava Jato, de 2014 pra frente, empurrou a pior crise que o Rio de Janeiro já viu? Estava saudando-a em nome do combate à corrupção, e rendendo loas ao justiceiro Marcelo Bretas.

Em 2016, vendo o governo Dilma ser sabotado e as tentativas de contenção da crise criada pelas pautas-bombas da oposição (que o Tarcísio agora se associa na carta do facebook), o PSOL decidiu incorporar a campanha golpistas sob o mote “a saída é pela esquerda”, ao invés de defender o voto de 54 milhões de Brasileiros, rachando a construção da Frente Brasil Popular e a campanha “Não vai ter golpe”, fundando a Frente Povo Sem Medo, que priorizou a luta contra o ajuste fiscal ao invés de defender o mandato petista. Atuaram como uma verdadeira quinta-coluna no movimento democrático.

Logo depois da consolidação do golpe, foram às ruas legitimar o governo golpista com sua palavra de ordem “Fora Temer e Diretas Já”, ao invés de defender o voto popular na campanha Volta Dilma. Aliás, até hoje perseguem militantes que apoiaram a campanha Volta Dilma, como visto na expulsão de Indianara Siqueira no último mês.

Ainda em 2016, não satisfeitos em saudar, apoiar e fazer campanha para a Lava Jato e suas prisões políticas — que já haviam chegado ao Almirante Othon Pinheiro e resultado na sua tentativa de suicídio, o partido do socialismo amarelo iniciou uma campanha reacionária pelo fim do “Foro Privilegiado”, mecanismo criado na Revolução Francesa e proposto no Brasil por Carlos Marighella prevendo justamente as perseguições políticas pelas ditaduras. Quer dizer, o socialismo amarelo é menos socialista que a constituição da burguesia.

Também foram os primeiros a comemorar a operação Cadeia Velha, que à época denunciamos que seria o prelúdio para uma intervenção federal no Estado do Rio de Janeiro. A operação cadeia velha teve início em novembro de 2016, e em fevereiro de 2017, estava decretada a intervenção militar, que resultou inclusive no assassinato da vereadora militante negra, Marielle Franco. O eterno candidato a prefeito, Marcelo Freixo, à época, dizia que a intervenção era uma medida eleitoreira desesperada do presidente do primeiro governo golpista, Michel Temer, e que os militares, coitados, não tinham nada com isso. Estariam, na verdade, sendo usados por Temer.

No final, a intervenção teve como desdobramento a reorganização do crime no Rio de Janeiro. O PCC chegou ao Rio em toda área por onde passava a intervenção, e as milícias passaram a se associar e terceirizar o tráfico. Vimos aqui um processo parecido com o Colombiano e Mexicano, que resultou na criação de grandes cartéis criminosos, com participação de agentes do Estado em associação com agentes privados do tráfico internacional de armas e de drogas. São os chamados “Narcoestados”. A recente apreensão de 117 fuzis em posse de um amigo do presidente do segundo governo golpista, Jair Bolsonaro, nos faz verificar que essa tese é correta.

3. O oportunismo eleitoreiro psolista

Em 2013, diziam que Dilma era impopular e indefensável, mas em 2016, depois da vitória petista nas urnas, decidiram se posicionar, na câmara dos deputados, contra o impeachment. Diziam “o PT morreu”, e, já em 2018, semanas antes daquele fatídico dia em São Bernardo que levou à prisão do nosso presidente Lula, como um bando de abutres, rondavam o corpo político supostamente moribundo do presidente Lula no Circo Voador (Lapa) aguardando ansiosamente sua prisão para tomar para si seu capital político. Chegaram a recusar o pedido do velho para a composição de uma chapa única para o Governo do Estado. O evento serviu única e exclusivamente para o deputado federal Marcelo Freixo pagar de bom moço e tirar foto com o velho.

Agora com Lula já preso, e depois de rejeitarem a Frente Antifascista eleitoral e a chapa com o PT no Estado do Rio a pedido de Lula, Freixo e outros quadros do PSOL foram diversas vezes à público dizer que Lula Livre não unifica, que teríamos outras coisas para tocar, etc. Tarcísio, por sua vez, além de mentir até hoje, deu entrevista dizendo que não dava para chamar Lula de inocente. Ora pois, se Lula é culpado, então o golpe de estado ainda não aconteceu na cabeça do socialista amarelo, mesmo depois de assassinarem a vereadora Marielle.

Depois da nova derrota no governo do Estado em 2018, o PSOL foi surpreendido com uma votação inacreditavelmente expressiva da candidata do Partido dos Trabalhadores, Marcia Tiburi. Diferente da capilaridade do PSOL que não se estende por muito mais do que o Centro e a Zona Sul carioca, o número de votos do PT alcançou um número acima de 5% em mais da metade dos municípios do Estado, passando de 10% em Carmo, Itaboraí, Rio Claro, Porciúncula e Pinheiral, e quase 20% em Maricá, locais que o PSOL sequer sonhava em conseguir algo assim. Foi aí que o partido amarelo passou a cortejar o Partido dos Trabalhadores por descobrir que, mesmo depois de anos de recuo, o maior partido do Brasil ainda é forte no Rio. Hoje, o PSOL voltou atrás do seu antipetismo e força a barra para conseguir uma chapa com o PT para a prefeitura em 2020. Mas não temos memória curta: o que o PSOL pretende hoje é usar o PT como trampolim político.

Na passada da Caravana Lula Livre pelo RJ, na última sexta (10), Tarcísio, que cinco dias antes escrevia as mentiras que escreveu e confessava seu alinhamento com o PSDB durante o golpe de Estado, subiu no palanque junto com outros oportunistas para falar em união. Esse sujeito que dizia que Lula não é inocente, que atacou duramente o PT durante as eleições para o governo do Estado e que saúda a Lava Jato até hoje não merece confiança. E muito menos o princeso lavajateiro Marcelo Freixo.

O nível é tão baixo que, durante o evento, Freixo chegou a constranger Jandira Feghali publicamente. A deputada federal e liderança histórica do PCdoB, durante a sua fala, pediu que se evitasse discutir eleições naquele momento, já que ainda não é o momento para isso. Freixo foi então recebido por seus asseclas que gritavam “uh é o Freixo” da plateia e respondeu com “guardem isso que precisaremos logo em breve”, em clara alusão à sua disputa do município no ano que vem. Não parou por aí: sua pretensão eleitoreira repetiu inúmeras vezes sobre “ganhar essa cidade” em um evento que tratava 1) da liberdade do Lula e 2) do combate aos cortes FEDERAIS da educação. Ou seja, com ou sem a prefeitura, os cortes do golpe não cessarão. Mas Freixo lança sua batalha pela prefeitura do RJ como a grande esperança da esquerda.

O ápice do seu cretinismo parlamentar foi ao chamar as lideranças cariocas dos partidos que lá estavam para dar um passo a frente, incluindo Jandira, para registrar a grande união eleitoral da esquerda. Só que essa união eleitoral não existe! Fez isso para jogar sua base contra o PCdoB e o PT caso estes não venham a endossar sua campanha amarela para a prefeitura em 2020. Isso é prática de um estelionatário eleitoral, de um representante covarde de um partido que não tem o menor escrúpulo em tentar manter uma posição política até às últimas consequências. Freixo e Tarcísio não são melhores que Ciro Gomes e seus giros políticos de 360º de uma entrevista para a outra.

Vale lembrar também do oportunismo eleitoreiro do PSOL quando, durante as eleições para o governo do Estado em 2018, o mesmo Tarcísio que dizia que Lula não era inocente, comemorou a prisão sem crime e sem provas do ex-governador do Rio, Anthony Garotinho. Não apenas comemorou como ainda disse que “agora só falta o Paes”. Com isso, Tarcísio não só mostrou seu comprometimento com o Estado Policial como mostrou sua incapacidade de fazer política de outra forma que não seja aguardar feito um abutre que seus adversários se tornem cadáveres.

Naquele momento, Paes se encontrava com 24% das intenções de voto, Romário com 18% e Garotinho com 12%. Depois, Tarcísio e Índio da Costa, ambos com 4%, Pedro Fernades, Márcia Tiburi e Wilson Witzel com 2%. Já no cenário sem Garotinho, Wilson Witzel e Tarcísio subiriam para 11%. E assim foi. Assim como Lula, Garotinho representava um escudo nas camadas populares contra as ideologias reacionárias. O ex-governador foi o único, além da candidata do PT, a criticar a Lava Jato por sua atuação no Rio de Janeiro que levou à situação de calamidade, a qual nos encontramos até hoje. Uma vez que Garotinho estava fora do páreo, sobrava sua base social para figuras espúrias como o fascista Wilson Witzel, que ganhou as eleições, e Tarcísio Motta.

O curioso é que, durante os debates eleitorais, Tarcísio e Witzel não tinham grandes contradições. Com a prisão de Garotinho pela operação “chequinho”, o discurso punitivista novamente ganhou força e foi amálgma para os golpistas alavancarem o juiz do Espírito Santo que repentinamente entrou para o cenário político. Durante o processo eleitoral, Witzel e Tarcísio, dois lavajateiros — sendo um fascista e o outro amarelo — não escondiam as dobradinhas, que sempre se escolhiam para as perguntas e não cansavam de bater na tecla do combate à corrupção, o apresentando como o grande salvador da economia fluminense, se aproveitando da onda punitivista em função da prisão do ex-governador Garotinho. Não nos surpreenderia se a próxima chapa do PSOL fosse algum de seus quadros junto ao outro lavajateiro carioca, Marcelo Bretas.

4. Teses congressuais do PSOL

O que se espera de um partido de esquerda, ao ver o surgimento de um Estado de Exceção é combatê-lo e girar sua militância para tal. Logo, as teses congressuais do PSOL são para combater a Lava Jato, a nova ditadura militar e conter o avanço do fascismo, correto? Pois separamos algumas das teses congressuais do Partido Socialismo e Liberdade, referentes ao 6º congresso do PSOL, realizado entre os 2 e 3 de dezembro de 2017, disponíveis no site da fundação Lauro Campos:
1) A saída da crise é pela esquerda: é preciso superar o PT para o PSOL se consolidar como alternativa de poder para o povo brasileiro;
3) Construir nas ruas uma alternativa de esquerda e independente do lulismo;
4) Construir um programa e uma estratégia para o novo ciclo na esquerda brasileira;
5) É hora de fazer do PSOL uma alternativa;
6) Em defesa dos direitos, reorganizar a esquerda e transformar o Brasil;
7) Organizar a Resistência Popular e construir o PSOL como alternativa programática de esquerda;
8) Por uma Frente de Esquerda Socialista no Brasil;
10) Reafirmar o PSOL como parte da construção de uma alternativa de direção política para a Classe Trabalhadora Brasileira;
11) Reformas Estruturais e Revolução Brasileira: é preciso romper com o atual sistema e organizar uma real alternativa de poder.

Quer dizer, das 12 teses congressuais do PSOL, 9 são sobre como superar o maior partido do Brasil, o PT. O maior inimigo do PSOL não é o golpe ou algo que o valha, mas o Partido dos Trabalhadores. Os métodos pelos quais eles pretendem fazer isso, se é afirmando seu programa ou o diluindo para caber qualquer coisa, como já é de praxe, pouco importa. O fato é que não podemos cair no canto da sereia do belo socialismo amarelo e das revoluções coloridas que eles insistem em endossar.

5. A Revolução Colorida é a estratégia militar dos EUA para o século XXI

Afirmamos por diversas vezes os motivos pelo qual o golpe no Brasil foi imperialista. Na estratégia golpista de realinhamento de Brasília com Washignton se utilizaram de fraudes e mentiras jurídicas — o chamado lawfare — em associação com meios de comunicação tradicionais e mecanismos de propagação massiva em redes sociais para manipular a opinião pública e conseguirem cumprir seu objetivo sem precisar dar um único tiro. Tem sido assim no Brasil desde 2013, mas essa tática não é exclusiva do Brasil: vem sendo utilizada na América Latina e em todo o mundo.

Na Venezuela, os ataques de soft power do imperialismo tem fracassado constantemente: Maduro continua eleito e exercendo seu mandato, e Guaidó já vale mais morto do que vivo para a causa do golpe. A tentativa de Revolução Colorida falhou miseravelmente, e a organização de grupos paramilitares insurgentes também tem sido evitada, com a antecipação e rastreamento dos mercenários que tentam entrar no território venezuelano. Por isso, a única opção que resta é a guerra.

E o PSOL, o que faz? Como sempre e fica ao lado do imperialismo. Foi assim na Ucrânia, em 2014, quando a esquerda amarela chamou de “revolução popular” os ataques de neonazistas que combatiam Yanukóvytch e resultaram num golpe e na divisão do páis em duas regiões em guerra; ou no caso líbio, em 2011, que em nome da “democracia” ficaram ao lado dos EUA no ataque que resultou no assassinato de Kaddafi e na guerra civil que literalmente escraviza o povo líbio, com a volta do mercado de pessoas à céu aberto, e dividiu em quatro o país que antes dos ataques tinha o maior IDH de todo o continente africano. Também ficaram ao lado dos golpistas, mercenários, e funcionários dos EUA na Síria, contra Assad. São contra Cuba, contra Nicarágua, por que seria diferente no Brasil?

Quando o presidente Lula soube da reativação da Quarta-Frota dos EUA em 2008, sua resposta não foi submissão, mas a defesa da soberania dos povos da América do Sul: propôs a criação de um Conselho de Defesa Sul Americano da UNASUL. Alguns anos depois, em 2011, ante às ameaças dos EUA à Líbia, Dilma foi ao Conselho de Segurança da ONU e se absteve na votação que pedia a aprovação de uma “intervenção humanitária”, o que desagradou o então presidente dos EUA, Obama. Aliás, foi durante a sua visita ao Brasil que o bombardeio da OTAN à Líbia foi autorizado, em tom de provocação. Dois anos depois, estava articulada a tentativa de Revolução Colorida no Brasil.

6. Considerações Finais

Voltando às mentiras do Tarcísio, este continua a provocação:

“se ele [Bolsonaro] vai sufocar a educação em nome de um tal superávit primário, como fizeram Dilma e Temer, ele é diferente de quem?”

e finaliza dizendo que “precisamos sair do Fla x Flu”. Ora, o projeto golpista de destruição nacional não é um mero corte de verbas, mas é um projeto político que, como já demonstramos, o PSOL apoia indiretamente via Lava Jato (que destruiu as indústrias) e com o entusiasmo com as formas de execução penal de exceção, etc. O Partido dos Trabalhadores tem um projeto que é diametralmente contra, e com esse projeto confrontamos o projeto do Golpe. Mas, se na cabeça do militante amarelo isso tudo é um Fla x Flu, então que ele apresente como ele é diferente dos golpistas, apresente um projeto à nação. Mas um projeto político e econômico sério, que visem a recuperação da soberania brasileira, e não meros moralismos dos consensos da esquerda liberal.

O golpe e a sua preparação foram muito próximos do ocorrido na Líbia em certo grau, uma vez que o líder Kaddafi propôs, em 2009, a criação de um exército panafricano, no âmbito de defesa à integração continental soberana pela União Africana, proposta análoga àquela de Lula apresentada à UNASUL. À época, a resposta do PSOL foi sintonizada com a do imperialismo, que iniciou uma campanha de difamação internacional e, anos depois, os “bombardeios humanitários” de 2011. Agora, se você chegou até aqui, propomos a reflexão. Se em todo o mundo a posição do PSOL tem sido a mesma que a da OTAN, e com a experiência que já tivemos no Brasil, repetimos e parafraseamos a pergunta do Tarcísio: se nem nas suas teses congressuais apontam para outro caminho que não o do oportunismo, do divisionismo e do cretinismo parlamentar, em quê, daqui pra frente, a Esquerda Amarela seria diferente?

As movimentações que estão em curso para que a militância petista se esqueça do histórico reacionário do PSOL para viabilizar uma aliança para a prefeitura do Rio, tendo Freixo como cabeça de chapa, são no mínimo preocupantes. Isso é ainda mais grave em um momento no qual o Partido dos Trabalhadores se encontra em fase de reorganização no Rio de Janeiro. Como vimos na campanha da companheira Marcia Tiburi ao governo do Estado no ano passado, a militância se mobiliza e se une para tocar as tarefas comuns, e defender o seu partido. Por tanto, pleitearemos pelo direito do Partido dos Trabalhadores de lançar uma candidatura própria à prefeitura do Rio em 2020, autônoma e independente, que busque alianças por suas próprias capacidades, afim de reafirmar o projeto patriótico do Partido dos Trabalhadores, o que nos dá oportunidade de denunciar e responder os ataques de quem realmente fez o Rio mergulhar nesse estado de calamidade pública: a operação Lava Jato e seus algozes, como Moro e Bretas. No Rio não precisamos de mais e mais recuos, precisamos avançar!

Em anexo, carta mentirosa sobre os “cortes” na educação do ex-candidato pelo PSOL ao Governo do Estado do Rio de Janeiro em 2014 e 2018, Tarcísio Motta, que hoje busca desesperadamente pelo apoio da base eleitoral do Partido dos Trabalhadores:

Disponível em: https://www.facebook.com/228384804002466/posts/1245088312332105/ Acesso em: 15 de maio de 2019

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