O “forismo” e seus problemas – Por Christiane Granha

Há algum tempo tenho sido provocada a sistematizar um conjunto de reflexões sobre um fenômeno que, entre nós, está começando a ser chamado de “forismo”. Mais recentemente, compartilho a preocupação de tirar as discussões do terreno dos conceitos e dar a elas uma narrativa mais descritiva. O uso de uma nova palavra no presente momento não tem, portanto, o objetivo de fazer desta reflexão que partilhamos uma discussão conceitual. Pois para discorrer sobre isso precisaríamos agrupar sob um nome comum um conjunto de fenômenos, que decorrem de um tipo de abordagem ao problema da luta de classes em relação aos governos. Não encontramos outro nome. Às companheiras e companheiros que têm me instigado, desejo que o texto seja útil, fornecendo argumentos ao debate paciente, e não ultimatista, sobre um problema que enfrentamos no nosso dia-a-dia. 

No “Fora Temer” essa discussão tomou corpo, tendo voltado à tona, nos últimos meses, com o “Fora Bolsonaro”. E daí a generalização foi inevitável. Como isso se desenvolveu?

Desde o impeachment, havia entre os que lutavam pela volta de Dilma uma compreensão intuitiva de que o “Fora Temer” não era a luta contra o golpe, mas, sim, seu abandono, ao não dizer que era preciso anulá-lo. Temer sair e Dilma não voltar não nos contemplava. A defesa do voto popular em Dilma era a condição para eleições livres. Partilhamos, observando e analisando, mês a mês, não sem muita aflição, o “Fora Temer” – que num primeiro momento expressava o repúdio ao Golpe –tornar-se um “Fica Temer”, dando notoriedade e reconhecimento ao rato como presidente.  Essa posição dos movimentos de resistência no pós-golpe, na nossa avaliação coletiva, não oferecia nenhuma resistência ao Golpe, porque era impotente. Ter sido a palavra de ordem da “unidade” negociada pelas forças progressistas depois do Golpe, tornou tudo mais confuso e angustiante.

De forma que, em águas turvas e turbulentas, fomos avançando para a compreensão comum de que não bastava dizer quem sai, tudo se define por quem entra. E aqui está o nó. Esse problema tem até implicações filosóficas: Kuhn afirma que um novo paradigma nunca é substituído por nenhum. O “fora alguém” dialoga com o vazio, nunca podendo substituir aquilo que nega. Para superar essa dificuldade ontológica do “fora” – a não ser a turma do fim da história alegando que um paradigma poderia ser substituído por um não-paradigma, o que, em outras palavras, significaria deixar tudo como está – quem formula o “fora alguém” costuma acrescentar, depois da palavra de ordem, algo mais. O problema que esse algo mais tenta resolver é o que precisa ser feito depois que o “fora alguém” for vitorioso. Em geral, são duas ou mais ações: primeiro tirar o Temer e depois convocar eleições diretas. Ou primeiro tirar Bolsonaro, depois tirar os golpistas e depois convocar Constituinte. O problema de uma sequência de palavras de ordem é quando elas aparecem como etapas a serem conquistadas, uma de cada vez, mas não colocam o guiso no gato sobre quem vai fazer a transição entre esses momentos. Quem conduziria o governo entre o momento em que Temer caísse e a realização de eleições diretas? 

Há que sermos fraternos no debate e reconhecermos o direito de qualquer um defender o que pensa. Mas, se continuarmos pensando como vínhamos, e não temos ainda nenhum motivo para mudar, o “Fora Bolsonaro” ajuda Bolsonaro e silencia sobre a necessidade de um governo de emergência encabeçado pelo PT. Pode até se discutir se é hora de levantar a exigência de um novo governo. Mas não se pode dizer que Bolsonaro, deve cair sem dizer que o partido golpeado deve voltar. E é por isso que o “Fora Bolsonaro” é uma unidade que inclui também aqueles que eram contra a eleição de Haddad. Não há nenhum motivo para recuarmos disso. 

 A polarização real é sobre a prisão de Lula, que também é a campanha que pode organizar a luta contra o fascismo em suas ações concretas, como o sequestro da maior liderança brasileira. Incentivar a polarização sobre Bolsonaro, um mico adestrado, que ainda acaba desfrutando dos privilégios da popularidade pela aplicação do “falem mal mas falem de mim” que o ajudou a eleger, seria repetir a mesma tática errada e impotente (não impediu a prisão de Lula) da época do golpe, ajudando a mascarar a verdadeira polarização. É compreensível que organizações pequenas queiram surfar na popularidade negativa do sujeito. Mas ninguém mais que o próprio Bolsonaro está preparado para sua popularidade negativa, já tendo dado passos concretos para dar uma configuração organizada a uma ideologia que justifica a ação da milícia com a qual seus filhos têm ligação. O assunto é sério. E tirar Bolsonaro tampouco o resolveria. As relações de poder do estado brasileiro com o Tio Sam, por sua vez, nos levam a acreditar que os setores mais organizados do Golpe já tenham em gestação um “plano B” pós-Bolsonaro. Ou alguém imagina que depois que fulano cair, os golpistas vão esperar o povo decidir o que fazer num democrático debate, que inclua todas as posições “legítimas” da esquerda? Num outro planeta, numa outra dimensão. Aqui tem o dia seguinte da queda. O dia seguinte dos que diziam “Fora Dilma” ou “Fora Todos” foi Temer. O dia seguinte do “Fora Temer” seria Maia? O dia seguinte do “Fora Bolsonaro” é Mourão? 

O “fora alguém” cria para todos um novo problema. O dia seguinte. As forças populares – desorganizadas para assumirem elas mesmas a gestão do dia seguinte, com a política do “fora alguém” ou “fora todos”- delegam a outros essa gestão, favorecendo a ação dos setores capitalistas mais organizados. Cria-se, ao mesmo tempo, uma etapa intermediária para as forças progressistas – desnecessária – porque, se já teríamos entre nós que estar discutindo o dia seguinte, porque já não colocar o problema diretamente desde agora?

 Por quantos dias os militantes do PSTU comemoraram a queda de Dilma antes de se confrontarem com a dura realidade de que tinha ficado muito pior sem ela? Como comemorar a queda de um presidente pela ação das massas na Argélia, por exemplo, se na guerra da sucessão, Louisa Hanoune, principal parlamentar de oposição, foi presa?  De fato, não é um problema brasileiro. Nem do ponto de vista prático, nem do ponto de vista teórico. Naomi Klein, que se tornou muito reverenciada na esquerda mundial, é uma das porta-vozes do “que se vayan todos”, popularizado a partir de massivas manifestações na Argentina. A glorificação que se faz a essa palavra de ordem merece atenção. Constatar que uma grande maioria da sociedade teria interesse, e a juventude desejo, de se livrar de políticos corruptos, governos não soberanos e instituições violentas não é exatamente novo. E entre isso e o que fazer para mudar isso vai uma longa distância. O “fora todos” ou “fora alguém” mobiliza a esperança de que a vida melhore, mas a conduz para um precipício, porque não organiza o dia seguinte. Ou alguém acredita que vai ficar todo mundo eternamente ocupando as ruas, enquanto não aparece um governo que preste, sem pensar no que colocar no lugar? Essa etapa intermediária, que é a queda de alguém – que pode ser facilmente substituído por outro dentre eles – não muda a natureza do poder. O que tampouco seria resolvido com o “fora todos”. Sem dizer o que colocar no lugar das atuais instituições, elas continuam. 

Em todos os casos, seja para organizar novas eleições, eleições constituintes, outra forma de organização comunal ou mesmo para debater sobre uma saída, é necessário que a maioria que não suporta mais o atual “poder” se expresse sob a forma da exigência de um governo de transição que tome posse depois da queda e assegure a liberdade do debate entre as forças populares. Quem não consegue organizar o que colocar no lugar quando tirar alguém e nem consegue organizar a defesa daqueles que colocar neste lugar pode, sem saber, estar ajudando o lado inimigo. O “vamos que vamos”, primeiro a gente tira um depois tira os outros, não encontra materialidade na vida real, nem na história, nem na ficção. Compreende-se essa ilusão apenas nas camadas mais jovens que viram menos dos jogos dos tronos e dos golpes. Direcionar a rebeldia e a potência da juventude para um beco sem saída, negando-lhe o direito de se apoiar nos partidos que existem ou até outros que possam vir a ser criados para discutir e organizar o dia seguinte da vitória de um dos “fora”, não me parece mais só ingenuidade dos que diagnosticam que a juventude não quer mais saber de partidos. E isso nem é a pura verdade. Do que a juventude, as mulheres, os negros, os índios, os operários no chão-de-fábrica, a população LBGT, todos que sofrem opressão, estão cansados é dos burocratas, novos ou velhos, que ficam acusando-se uns aos outros e tentando dizer como devemos lutar. E, para isso, não precisamos de partidos; esses tipos brotam do chão, em todos os lugares, para vetar a livre expressão de um partido ou outro e lá na frente se descobre que sempre estiveram a serviço de alguém. De modo que, o “que se vayan todos”, quando inclui neste “todos” os partidos, não é apenas impotente, é obscurantista. O problema dos partidos que a gente cria é eles se burocratizarem, não é existirem. Eles existirem é muito bom. Mas partidos disputam a base popular, inclusive nas manifestações; e aqueles partidos que estão disputando a base do partido mais forte, e se opõem à formulação de um governo encabeçado por ele, encontram no “forismo” um álibi perfeito para não precisarem dizer o que fazer no dia seguinte da queda.

A impotência do “forismo”, porém, fica mais evidente quando se expande para ministros, políticos e até gerentes. Levy caiu, Cunha caiu e a vida de ninguém melhorou. O que comemorar quando um “fora alguém” é vitorioso? Do ponto de vista da consciência das massas e do povo sobre seus problemas, a personalização, além de tudo, é deseducativa. Há apenas um caso em que sua aplicação se justificaria nos acontecimentos que presenciei – e que pode estar colocado de outras formas em outros momentos. No caso de um governo de coalizão em que as forças de direita dentro do Governo sabotam as aspirações populares e preparam um golpe. Desde as manifestações de 2013 e a sabotagem de Temer à Constituinte proposta por Dilma teria sido útil levantar o “Fora Temer” como medida preventiva de defesa contra a reação golpista e expressão concreta da composição do governo necessário para poder convocar a Constituinte. Infelizmente, não vimos isto à epóca. 

E nem quando chega a ser bem-sucedida na presidência fica menos impotente. O Fora Collor é um exemplo. Se os organizadores dos protestos tivessem dito a verdade desde o início, que estavam defendendo Itamar presidente, as manifestações teriam enchido? Eu estava lá e não lembro de ninguém gritando “que Itamar governe!”, mas lembro da gente quase toda gritando “Brasil Urgente, Lula Presidente!”. A queda calculada de Collor, por sua vez, possibilitou ao sistema político se rearranjar e, a partir do governo Itamar, construir um novo nome mais palatável que Lula, FHC, atrasando ainda mais a chegada do PT ao governo. A gente pode ser feita de boba uma vez, mas pode aprender com a experiência e não repetir os mesmos erros.

Quando uma coisa está errada, por onde quer que se olhe, ela não resolve nenhum problema. E isto se aplica ao “forismo”. O repúdio a indivíduos ou ao conjunto de indivíduos simbólicos de tudo o que lutamos contra, por sua vez, é real. E isso se aplica inclusive a Trump. Não encontramos hoje ninguém com mais legitimidade no mundo inteiro para ser odiado pelas camadas populares em todos os países. Mas tirar Trump bastaria para as tropas e bombas estadunidenses se retirarem dos países com os quais entraram em guerra? Bastaria tirar Trump para os EUA deixarem de patrocinar golpes no mundo todo? A resposta é obvia. Se é verdade que, de um lado, Trump demonstra a disposição de levar essa política de guerra cada vez mais longe, de outro lado, nada disso começou em seu governo e vem se desenvolvendo com décadas de ingerência na vida dos povos. A reivindicação de respeito a autodeterminação dos povos, ainda que seja expressão das aspirações populares, se diluiria no “Fora Trump”, sem afetar a continuidade da política de ingerência aplicada de comum acordo entre os dois partidos que se alternam na presidência. E nem mesmo o fato das forças populares nos EUA estarem começando a se agrupar em torno de Bernie Sanders é garantia de uma mudança no sistema imperialista mundial, se esse movimento não carregar bandeiras concretas que incluam o fim da guerra contra os povos.

A solução “fora alguém” como solução insurrecional é ainda mais inútil do que como solução eleitoral, ainda que eleitoralmente também não seja, tampouco, uma solução de unidade dos oprimidos. Ou alguém acha que o movimento “ele não” no Brasil conseguiu dialogar com todos que batem cartão para se defenderem da reforma trabalhista?

A substituição da formulação de exigências concretas pela formulação da negação de símbolos não tem nos feito avançar, a vida tem comprovado. Uma política que se afirma apenas pelo que nega, pode até servir a partidos que disputam a presidência, criando um ambiente propício para a vitória eleitoral da oposição, quando esta oposição está unificada. Quando existe disputa na oposição sobre quem deveria ocupar a presidência, nem isso, como se viu nas eleições presidenciais de 2018 no Brasil.

Este problema estava colocado no Brasil de FHC, o “Fora FHC”, sem dizer quando, como e quem entra, apenas serviu para criar um clima favorável à vitória da oposição nas eleições, neste caso, encabeçada pelo PT. Na prática, nos anos não eleitorais, o debate sobre o “Fora FHC ” acabou ocupando o tempo e o esforço que poderia ter sido usado para debater os limites que o PT encontraria na presidência e quais as possíveis soluções para eles. Dentre as soluções, olhando retrospectivamente, faltou mobilização e organização pró-Constituinte, que tem dado certo na Venezuela como medida preventiva a golpes.

A impotência do “forismo” não diz respeito, como já demonstramos antes, à sua capacidade de efetivamente conquistar a queda daquele que se quer fora. As massas na rua têm esse poder de derrubar presidentes, sobre isso não há dúvidas. Mas já que têm esse poder, porque negar-lhes o direito de discutir o que fazer depois da queda? Do contrário, se torna um cheque em branco para outro alguém decidir. Ou nos colocamos de acordo sobre o que fazer depois da queda do sujeito que recebe a nossa justa indignação ou estamos delegando a responsabilidade sobre isso para outros. Quem? Numa eleição, as cartas estão na mesa, é possível saber quem seriam os possíveis outros que lhe substituiriam porque os nomes aparecem na cédula. Numa insurreição, nem isso. O que aumenta ainda mais a necessidade de concretude nas exigências sobre qual o tipo, a composição e as tarefas do novo governo que assumiria. Sem fazer isso, num quadro de crise institucional, a transição após a queda apenas manteria o poder nas mãos do mesmo condomínio de forças –  na maioria das vezes gerando apenas a mudança do síndico – o que, em geral, representa apenas um rearranjo no equilíbrio das forças imperialistas em disputa. E o mesmo problema ontológico se coloca com formulações mais amplas que incluem não só a queda do governo, do regime, mas também do sistema econômico. Obviamente que os socialistas se opõem ao capitalismo e só podem desejar o seu fim, mas sem sermos capazes de colocar o guiso no gato: o que lhe substituiria, que medidas concretas seriam tomadas, quando, como e onde, a consciência de que esse sistema nos oprime é insuficiente para acabar com sua opressão. Há toda uma série de problemas suscitados pelos movimentos anticapitalista e pela alterglobalização, e poderemos voltar a isso depois; por hora, nos basta estabelecer que todos problemas se ligam, nos diversos países, com a aplicação do que estamos chamando de “forismo”.  Sem um nova solução que resolva os problemas, há sempre o risco de que a negação do paradigma atual acabe dando evidência no debate a um paradigma ainda pior que esteja organizado. Nesse caso, um planeta sem partidos ou sem indústria não é um pós-capitalismo possível, mas uma distópica volta à Idade Média. 

Enquanto as forças progressivas não se reorganizam de forma unitária sob um novo paradigma que não seja o da propriedade privada dos meios de produção, não há lugar seguro para nenhum de nós, nem para os que conseguem ir mais longe em sua influência de massas e luta por melhorias para o povo. É o caso de Lula, que se encontra sequestrado pelo golpe no Brasil, ou mesmo de Louisa Hanoune, encarcerada pelo governo de transição na Argélia. Mas é justamente pelo combate concreto por questões específicas entre os que resistem e pela unidade organizativa em torno destas questões muito precisas, como a Liberdade de Lula ou de Louisa, que podem ser construídos os verdadeiros laços de solidariedade. Uma vez que apenas estes dariam consistência possível ao paradigma destinado a substituir o que desaba, pois traduzem, de forma concreta, a luta pelo direito dos trabalhadores construírem seus partidos e com eles governarem, com a certeza que não será um vôo em céu azul. O fato de governos de partidos construídos pelos trabalhadores possuírem limites legais, institucionais, econômicos, políticos ou ideológicos para o atendimento às reivindicações concretas e às aspirações democráticas da maioria oprimida é um verdadeiro problema. E não é um debate fácil. Mas há que fazê-lo, tendo paciência, escuta e organização ao redor de soluções muito concretas. O “fora” alguém não é um atalho válido e tem consequências concretas negativas na própria consciência da necessidade de auto-organização, pois a luta contra símbolos da opressão ao invés de fomentar a luta contra a opressão a substitui pela performance, que ao não ter ainda rompido com os paradigmas atuais, pode também ser opressora. Os exemplos são muitos, mas para ficarmos no nosso quintal, o grito “Bolsonaro, vai tomar no cu” pode até valer como catarse coletiva da indignação que Bolsonaro provoca, mas qual a utilidade de apontar o estupro corretivo como uma possível solução para os problemas que Bolsonaro cria? A performance catártica é compreensível e não se trata de reprimi-la, tampouco aos jovens que quebram vidraças; ou aos parlamentares que cospem, acorrentam-se, fazem greve de fome, retiram-se ou  jogam-se no chão; ou aos sindicalistas que abaixam as calças ou mesmos aos militantes que organizam ‘escrachos’ contra fulano e beltrano. É direito de cada um lutar como acha que deve, mas seria ilusão achar que o lançamento de bombas semióticas é suficiente, ao contrário. No terreno da utilização de imagens e símbolos como armas de propaganda de massa, “eles”, que são mais experientes e poderosos que nós, têm o poder para usar todas as bombas semióticas que lançarmos contra eles em benefício de si próprios. Para terem alguma utilidade real, as mensagens simbólicas que lançarmos precisam ser fruto da construção de laços orgânicos entre os que resistem, sendo expressão de relações de companheirismo e solidariedade. O parlamentar solidário à presidenta deposta. As mulheres que se postam todas as semanas exigindo dos tribunais justiça para Lula. A parlamentar que se recusa a uma transição sem o povo na Argélia. A parlamentar que se recusa a ser platéia para os assassinatos de Witzel. A escritora que arrisca sua carreira para ser candidata em defesa de Lula. As mães e avós que acampam na praça por seus filhos. A performance política é expressão das relações de solidariedade contidas na mensagem que passa. Quem decide só por si o que fazer ou quem decide apenas contra quem, não tem lado. A unidade como expressão da força que os oprimidos têm, por estarem em maioria na sociedade, se não for a materialização de relações de companheirismo e organização entre aqueles que sofrem injustiças, ainda não escolheu seu lado e pode acabar derrotada em seus propósitos originais.


De forma que posso ter ido mais longe do que fui chamada a argumentar e espero que minha resposta, provocativa, ao entrar em questões polêmicas, não seja entendida como condição para concordar que este negócio de ficar toda hora falando “fora alguém” é uma tremenda bobagem, cansativa, que não tem dado em nada, nem quando dá certo, podendo até piorar. A solução dos problemas do Brasil passa por batalhas muito concretas: É preciso derrotar a Reforma da Previdência. É preciso impedir os cortes na educação. E, acima de tudo, é preciso libertar Lula. Sobre estas coisas é preciso organizar a vitória. Enquanto isso, vamos continuar pedindo, em nome da clareza do debate, àqueles que gritam “Fora Bolsonaro”: mostrem todas as suas cartas e digam qual a composição do governo de transição, porque senão, na melhor das hipóteses, estarão dizendo a mesma coisa que “Viva o General Mourão!”

Texto original em Ciência e Revolução

Anúncios

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s