União Europeia financia campos de concentração na Líbia

O presidente do Parlamento Europeu, Antonio Tajani, disse após uma viagem ao Níger, uma das principais rotas para migrantes na Líbia, que a União Europeia [UE] precisa investir mais dinheiro na região do Sahel [costa litorânea do norte africano] para reduzir a necessidade de patrulhar a região. Hoje, a UE aplica 450 milhões de euros para controlar a migração na região. Ele disse que o número de pessoas que chegam da Líbia a partir do Níger está em colapso.

Tajani avalia que o investimento é positivo: “90% dos migrantes irregulares viajaram pelo Níger até a Líbia e a Europa. Em apenas nos dois últimos anos, o Níger reduziu os fluxos migratórios em 95%, de mais de 300.000 para cerca de 10.000 em 2018.

O acordo de dezenas de milhões de euros financia a guarda costeira da Líbia, que intercepta barcos que se dirigem para a Itália e retorna refugiados e migrantes para zona de guerra. Na Líbia, os migrantes são enviados para “Campos de Refugiados” onde são presos por tempo indeterminado.

A rota do Mediterrâneo, é a rota marítima mais perigosa do mundo. Segundo dados da Organização Internacional para as Migrações das Nações Unidas (OIM-ONU), em 2018, 1491 migrantes morreram afogados na travessia. Porém, ninguém parece estar rastreando o número de refugiados e migrantes morrendo em horríveis condições após o regresso à Líbia como resultado direto da política da UE.

Segundo a ACNUR [ Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados], 15 mil pessoas foram devolvidos à Líbia no ano passado depois de tentar atravessar o Mediterrâneo. Os refugiados e migrantes, trazidos pela guarda costeira para a cidade portuária de Khoms, na Líbia, foram forçados a voltar para os contrabandistas pelos guardas líbios no centro de detenção Souq al-Khamis.

Tanto a Human Rights Watch quanto a Anistia Internacional divulgaram relatórios condenando as condições em que os refugiados estão sendo mantidos. Mais de 50 organizações importantes, incluindo a Oxfam e a Médicos Sem Fronteiras, escreveram uma carta aberta: acusando a UE de tornar-se cúmplice da tragédia que se desenrola diante de seus olhos”.

Desde a invasão norte-americana, sob a desculpa da “ajuda humanitária”, o governo de Muammar al-Gaddafi foi derrubado e a Líbia entrou no mais profundo caos. Não existe mais Estado Nação. A guerra financiada e promovida pelos EUA levaram a morte de 100 mil mortes e 2 milhões de refugiados internos, segundo a ONU. O país está dividido entre dois governos e milhares de milícias e grupos armados, que se dedicam a todo tipo de crime e tráfico.

Nesse caos, a Líbia se converteu na principal ponte para imigração da África para Europa. Desde 2014, 800 mil pessoas atravessaram a Líbia para migrar até a Europa.

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