A política de balcanização e a ameaça de divisão do território brasileiro

Os Estados Unidos sabem que a única maneira de manter sua hegemonia é continuar a ter controle militar, científico e econômico em todo o mundo, seu plano de longo prazo é dividir o mundo como um todo. Criando conflitos étnicos, políticos e religiosos, lembrando a guerra nos Balcãs na extinta Iugoslávia. A existência de Estados nacionais consolidados tem se tornado um problema constante para dominação imperialista neoliberal, em especial na periferia do mundo. Este plano que os estadunidenses querem replicar em todo planeta não se restringe as experiências recentes no Oriente Médio e Norte da África, eles querem balcanizar-lo e então continuar com a Europa, África, América Latina, China e Rússia.

A balcanização dos países não é imposta somente através de guerras e “revoluções coloridas”. Desde à década de 1990, mas em especial após a crise econômica de 2008, em diversos países [podemos citar o Brasil atual, Argentina, Haiti, Honduras, Colômbia, Paraguai entre outros], o imperialismo impõem Regimes de destruição nacional. Governos, militares, judiciário e parlamento estão voltados à aplicar um programa neoliberal e antinacional, visando destruir a capacidade tecnológica e produtiva da economia nacional e estabelecer relações de trabalho análogas à escravidão, para posteriormente transferir a riqueza nacional as transnacionais.

O território nacional também é violado. Através da privatização da terra, entrega de riquezas, recursos energéticos, florestais e minerais e de pontos estratégicos aos EUA, são estimulados conflitos artificiais que buscam quebrar a unidade nacional e destroem a soberania nacional.

O Estado Nacional Brasileiro sempre foi uma ameaça aos Estados Unidos. No golpe militar de 1964, havia um plano de dividir o Brasil em dois países. Antes disso, o “democrático” Franklin Roosevelt, havia estabelecido um plano para invadir o nordeste brasileiro caso Getúlio permanecesse neutro ou declarasse apoio ao Eixo. O plano elaborado em 1941, foi abortado após a realização da Conferência do Potengi. Tais documentos da CIA são públicos e podem ser lidos no livro de Lenine Pinto , “Natal, USA”.

Estabelecer o caos para dividir e governar

O jornalista e escritor francês, Thierry Meyssan, avalia que o plano dos Estados Unidos é criar uma área composta de “nações desintegradas”, chamadas de núcleo e outros territórios anarquizado, onde os conflitos e o caos serão dia a dia. No entanto, para chegar a este ponto, é necessário um pré-requisito: a destruição dos Estados nacionais

Oriente Médio e Norte da África: início do experimento geopolítico de balcanização

Redesenhar todas as fronteiras do Oriente Médio novamente, é o principal objetivo de Israel, da OTAN e dos Estados Unidos. O Imperialismo quer criar o “Curdistão” (uma segunda Israel na área), anexando parte dos territórios da Síria, Turquia, Irã, Armênia e Iraque.

Outro objetivo é balcanizar a República Islâmica do Irã, aguçando e estimulando as diferenças linguísticas, culturais, religiosas e étnicas. Estimulando assim movimentos artificias de minorias. Do Irã, eles procuram fragmentar os países membros da União Econômica Eurasiática [Em especial o Azerbaijão, o Turcomenistão, o Quirguistão]. Há hoje o movimento de dividir o Iraque em três estados: curdos, sunitas e xiitas. O Iêmen em dois estados, Afeganistão, Líbia, Paquistão e Egito, também sofreria mutilação de seus territórios. E mesmo países como a Jordânia aliada dos Estados Unidos se tornariam o novo lar dos palestinos, Israel pretende anexar toda a Cisjordânia e expulsar os palestinos para a Jordânia.

Em vermelho indicasse a fronteira de novos países no Oriente Médio. Linhas brancas representam as fronteiras atuais.

A Arábia Saudita, aliada dos EUA, por sua vez, não escaparia do caos da balcanização, três novos países poderiam emergir de seu território. A guerra do país com o Iêmen agudizaram as contradições e a crise interna. Meca e Medina (as duas cidades mais importantes do Islã) formariam um estado “autônomo” e “independente” que protegeria os lugares mais importantes para o Islã e seria um ponto neutro. Um estado separada e menor xiita em Riad que controlar os seus próprios recursos, e iria escapar da opressão da Casa Saud, e um estado sunita no resto do território e Arábia Saudita.

O Oriente Médio e Norte da África, principalmente, Líbia, Argélia e Sudão, estão em processo de balcanização. Processo que já vem se consolidando no Chifre africano, como aconteceu com a Etiópia e a Eritreia, e o que acontece agora na Somália, onde a autoproclamada república da Somalilândia quer independência total. A velha estratégia imperialista de dividir para conquistar.

Vale ressaltar, que tais movimentos independentistas são artificiais e estimulados por potências imperialistas. No caso da Somália, por exemplo, o Líder do movimento pela independência da Somalilândia, Muse Bihi foi ex-militar e agente da CIA no país, participando do movimento golpista que derrubou o governo socialista de Siad Barre.

Balcanização da Europa

Na Espanha, as regiões autônomas da Catalunha, Galiza e País Basco estão articulando movimentos para a independência de Madrid, as três regiões têm sua própria língua, cultura e tradições, e por causa da força dos movimentos de independência, a balcanização da Espanha está mais perto dada a crise permanente do Estado autocrático espanhol.

Os Estados Unidos seriam os principais beneficiários do desaparecimento da Europa, uma vez que não teriam rival na esfera internacional. Escócia, quer se tornar independente do Reino Unido há várias décadas, a Bélgica quer deixar em dois estados um é Flandres que fala holandês e Valônia que fala francês, com relação a Bruxelas seria um ponto neutro multicultural europeu. A Bélgica é o coração da União Europeia, há a sede da NATO, balcanizando a Bélgica seria um golpe direto para os valores da integridade dos europeus.

Da mesma forma, na Itália, as regiões da Lombardia e do Vêneto buscam maior autonomia e depois independência, e na Alemanha já existem movimentos que buscam autonomia da Baviera, uma das cidades mais ricas do país.

China e Rússia: ameaçados por movimentos secessionistas

Na China há muçulmanos, budistas, cristãos, taoístas, ateus e outras religiões minoritárias por causa de toda essa diversidade cultural, há várias regiões que tiveram problemas com Pequim, pedindo mais autonomia e, em alguns casos independência. O Tibete (budista), há várias décadas busca sua independência e conta com o total apoio dos Estados Unidos. Hong Kong, parte da China procura a sua independência, e é uma região onde houve avanços econômicos significativos, como na região de Macau que na sua época era colônia portuguesa, agora em assim como Hong Kong quer ser um país independente. Taiwan, como província chinesa rebelada, apoia esses mais movimentos de independência com os EUA, sendo o foco da crescente tensão militar. Obviamente, há interferência estrangeira para dividir o território chinês e enfraquecê-la a nível internacional. Por outro lado, a ameaça terrorista penetrou no território chinês sofrendo múltiplos ataques em parte do seu território. A região de Xinjiang (uma região rica em recursos de hidrocarbonetos) e um grande número de ataques ocorreu lá. Pelo menos há cinco regiões da China que querem se tornar independentes, a interferência estrangeira usa tudo isso para promover a balcanização e trazer o caos para o gigante asiático.

Em relação à federação russa, o plano é semelhante ao do Oriente Médio. O principal objetivo da OTAN no momento, é dar independência à Chechênia, ou criar o Emirado do Cáucaso, dar independência à República da Carélia para enfraquecer Moscou. Para os EUA, a dissolução da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) não terminou, só entrou em um período de espera. Rússia e China são os maiores países do mundo, as suas economias em expansão, a sua defesa por um modelo político-econômico alternativo, levar a uma escalada de tensões. A balcanização para esses dois territórios será a tentativa dos EUA de acabar com suas duas principais “ameaças” para o estabelecimento sua hegemonia global.

Em busca de conflitos inexistentes na nossa América:

O plano para a América Latina eo Caribe é semelhante, do México à Argentina buscam criar “micro-estados”, especialmente na América do Sul, onde há uma grande extensão de território e “existem apenas 14 países” neo-imperialismo visa a criação de pelo menos Mais 10 países. A fim de conseguir mais divisão e pilhar terra e riqueza de maneira mais equitativa entre as multinacionais. Afogando o sentimento de integração e unidade da nossa América. Venezuela, Nicarágua ou Bolívia seriam os gatilhos, para criar uma situação semelhante ao Oriente Médio.

Na Bolívia, o estado de Santa Cruz de la Sierra, alguns anos atrás pediu sua independência de La Paz, uma estratégia que fracassou, e que o governo de Evo Morales havia denunciado várias vezes. No Equador, por sua vez, a região de Guayaquil queria ser uma potência e a oligarquia dessa área queria ser autônoma, o ex-presidente Rafael Correa denunciou os planos contra o Equador. Algumas outras áreas da América do Sul também buscam independência são: No Brasil, somada a frágil identidade nacional, governos de direitas destrutivos e a crise econômica há um estímulo para divisão nacional. No Sul, fronteira com o Paraguai, São Paulo e até um estimulo vindo do nordeste podem gerar conflitos futuros conforme a crise institucional e política se aprofundam. Na Colômbia, o departamento que mais contribui com os royalties para a economia colombiana é Antioquia, e a oligarquia dessa área propôs a criação do Antioquia federal. Além disso, como observou o escritor Gustavo Álvarez Gardeazábal, Colômbia poderia perder o Sul, como ele perdeu o Panamá em 1903, devido à exclusão do centralismo com os departamentos de Cauca, Nariño e Putumayo, onde a maioria da população é origem indígena Na Venezuela, a região mais rica do país é Zulia, e onde soaram as vozes de separação, porque os poderosos desta área não compartilham a ideologia chavista e tem os recursos para ser independente. Os mapuches na Argentina e no Chile pedem territórios ancestrais, e alguns teóricos acreditam que o surgimento de um estado mapuche pode ocorrer. E por último mas não menos importante região de Arequipa, no Peru, este é o segundo maior país após a cidade de Lima, e os separatistas afirmam que eles devem criar uma república de Arequipa, pois teria os meios para subsistir , embora não seja um movimento com muita força no país inca.

Balcanização da Venezuela pode levar a fragmentação de todos os países da região

A ameaça de guerra na Venezuela pode levar a desintegração da nação e de todos países da Região. Ainda em 2008, o então presidente da Venezuela Hugo Chávez havia denunciado o “plano meia lua”, onde os EUA planejava invadir o território venezuelano pela Colômbia e criar um país composto pelos estados de estados, Zulia, Táchira e Mérida.

Recentemente, outro plano de divisão da Venezuela foi elaborado pelo Comando Sul do Exército Norte Americano. Há alguns meses, o general venezuelano Roberto González Cárdenas, especialista em geopolítica, denunciou que o governo de Washington, por meio de organizações religiosas, estava usando os índios para obter acesso privilegiado aos recursos minerais contidos nos estados do sul da Venezuela. Outros documentos aprendidos da oposição golpista revelaram o plano de estabelecer um governo pró-EUA ao sul do país.

Empresas britânicas e norte-americanas estimula conflitos artificiais para dividir o território nacional da Venezuela.

Nos últimos 25 anos, surgiram “novos” países e outros que reivindicaram a independência. A lista de países independentes aumenta de forma vertiginosa. No início dos anos noventa, o bloco soviético “entrou em colapso” e 15 nações conquistaram sua independência. Nas últimas duas décadas, temos Timor Leste (2002), Montenegro (2006), Kosovo (2008) e Sudão do Sul (2011). Tomando isso como referência, a divisão geopolítica que está chegando é muito grande. O século 21 poderá ser o período do surgimento dos microestados. Um passo fundamental para estabelecer a humanidade dividida e garantir a hegemonia daqueles que nos controlam nas sombras para dominar o mundo: o imperialismo.

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