Acidente de Brumadinho era estratégia do capital

Documentos presentes na ANM (Agência Nacional de Mineração) comprovam que a mineradora Vale, responsável pelo crime ambiental ocorrido em Brumadinho, tinha conhecimento prévio de que uma grande parte da área de Brumadinho atingida pelo rompimento da barragem possui potencial de no mínimo 430 mil toneladas de minério.

As informações passadas pela própria mineradora confirma esse conhecimento desde 2006, isso significa que a Vale possui 13 anos de conhecimento sobre o potencial da área.

“Em 2006 a Vale fez um requerimento de pesquisa mineral em área próxima à mina do Córrego do Feijão. Foram realizados três furos de sonda na parte noroeste da área do processo, culminando com a cubagem de um recurso total extremamente pequeno, de aproximadamente 430 mil toneladas somente. O relatório final de pesquisa positivo foi então apresentado ao então DNPM em 29/10/2010 e até o presente momento não foi analisado pela ANM.”

A omissão dessa informação tanto as famílias quanto a Defensoria Pública, onde está ocorrendo a homologação dos acordos de indenização individual, atrapalha o devido processo legal que as famílias atingidas pelo desmoronamento da barragem já que impede que as famílias possam pedir maior indenização, já que há lucratividade no terreno em questão.

No entanto em nada do dito acima causaria o estranhamento da Defensoria Pública se nos acordos de indenização a Vale não tivesse colocado uma clausula onde para as famílias receberem a indenização deveriam abrir mãos dos terrenos atingidos.

Fica claro que antes a área de Brumadinho era fonte de renda de várias famílias rurais, ou seja, era uma área de grande potencial de venda; após o “Acidente” ocorrido a área se tornou uma área improdutiva e com baixo potencial de venda. São 905 hectares que ficam perto do Córrego do Feijão. Uma área equivalente a 900 campos de futebol.

O MAB disse que a falta de transparência nas informações prejudica as famílias.

“É uma postura de um criminoso que amplia cada vez mais o seu crime na medida em que ele sonega as informações à população e, com isso, consegue retirar direitos dessa população. Esses fatos de ter uma região com uma concessão, e justamente essa região atingida, de já ter tido pedido de concessão de lavra nessa região, isso poderia ter um valor das terras muito maior do que o valor que a Vale está pagando”, afirmou Joceli Andreoli, membro da Coordenação Nacional do MAB.

A ação feita pela mineradora se junta com os dados antigos de que a mesma tinha conhecimento prévio sobre a situação de risco da barragem de Brumadinho e com o fato de que a mineradora entrou com sigilo processual sobre a situação dessa área de mineração 4 dias após a entrada com os processos de indenização as famílias.

Deve entender qual foi a intenção da Vale em impedir o acesso a informação dessa situação e do por que pediu direitos aos terrenos atingidos sem informar que o terreno possui valor econômico a empresa, sobre uma matéria-prima que possui capacidade de aumento de preço de venda, ou seja, os recursos não mudam em quantidade mas no entanto podem gerar mais lucros do que os definidos hoje pela empresa.

Uma mineradora de grande porte nascida estatal e vendida a preço abaixo do valor de mercado de forma criminosa pelo PSDB ao capital privado precisa ter seus acionistas julgados com rigor e ter seu capital reestatizado para gerar fundos ao estado, indenizar as famílias atingidas e reorganizar a indústria nacional.

Brumadinho foi um crime premeditado pela Vale para poder comprar a área de mineração com aval do estado brasileiro.

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