A Amazônia Azul está perigosamente desguarnecida – Por Fabiano Brum

Com o recente corte anunciado pelo governo federal de 44% para as forças armadas, o equivalente à 5,8 bilhões projetos de pesquisa e desenvolvimento ficam em risco. Uma indústria dedicada à defesa trás vários benefícios para a economia de um país: como geração de empregos diretos e indiretos, desenvolvimento científico e tecnológico, bem como ajuda na balança comercial exportando assim produtos e serviços de alto valor agregado.

Temos hoje em desenvolvimento projetos interessantíssimos como: o cargueiro da Embraer o KC-390, os radares Saber do exército e submarino nuclear Álvaro Alberto. Esses são os principais projetos que dão ao país autonomias em áreas que antes não dominávamos e como já dito têm um potencial enorme de exportação.

Claro que esse corte não afeta apenas a vanguarda de P&D das nossas forças armadas. Afeta também a atual capacidade das mesmas de patrulhar o vasto território nacional. Vivemos num cenário geopolítico estabilidade na América do Sul, não temos inimigos históricos, problemas de territórios não resolvidos ou algum de nossos vizinhos de olho em nossos recursos naturais. Mas temos reservas naturais que há tempo são cobiçadas pelas potências mundiais. Vemos com certa frequência aviões da FAB interceptando aviões carregando drogas ou armamentos, forçando-os a pousar depois de alguns tiros de advertência. Tempos atrás o exército já mostrou a grupos de narcotraficantes que a floresta amazônica está na medida do possível bem guarnecida contra ataque e incursões de tropas não regulares.

Por falar em Amazônia, a nossa Amazônia Azul está perigosamente desguarnecida. A atual frota da marinha está envelhecida e com um número baixo de meios de superfície para patrulhar toda a imensidão azul. A Marinha até 2025 vai deixar de operar seis navios de patrulha (corvetas e fragatas) que são aqueles que “põe medo” em qualquer invasor ou aproveitador das nossas águas. Temos  como mencionado, o projeto do submarino nuclear, que segundo WikiLeaks, foi alvo de espionagem por parte dos norte americanos. Em breve teremos 4 submarinos convencionais (disiel-elétricos). O problema é que esses vem para substituir os outros 4 submarinos convencionais da classe Tupi e um da classe Tikuna, que pela a idade já apresentam alguns problemas. Um número insuficiente para patrulhar as nossas águas jurisdicionais. Inclusive para levantar algum dinheiro a Marinha pode ter que vender 2 submarinos da classe Tupi para marinhas amigas.

Por falar em marinhas amigas, recentemente a nossa Marinha adquiriu o ex HMS Ocean da marinha britânica um porta-helicóptero com uma grande capacidade operacional de carga e autonomia, assim como o seu radar que é sem dúvida um dos melhores do mundo hoje. Porém a guerra naval moderna que embarcações desse tipo precisam de escolta, pois pelo tamanho são alvos fáceis e não possuem certas defesas tanto navais quanto antiaéreas. Essas escoltas são feitas por corvetas ou fragatas.

Sabendo disso a Marinha lançou uma licitação para construção de 4 corvetas da classe Tamandaré. Com algumas controvérsias a licitação teve um short listde 4 concorrentes. Alemãs, italianos, suecos/dinamarqueses e franceses. A primeira controvérsia que eu cito é como russos e chineses ficaram de fora de tal concorrência!? Os primeiros são simplesmente os que mais utilizam corvetas hoje. A corveta russa Steregushchy é reconhecida como top 3 das corvetas de todo o mundo. Já os Chineses são atualmente o país que mais lança navios de guerra ao mar. Lançaram nada mais nada menos que 20 embarcações de guerra em 7 anos! Não precisa lembrá-los de que Rússia e China fazem parte dos BRICS e que os mesmos antes do golpe sempre convidaram o Brasil para projetos na área de equipamentos militares. Como esses dois países ficaram de fora da concorrência das nossas corvetas é no mínimo estranho.

Pois bem, a segunda controvérsia fica a cargo do vencedor da concorrência: a alemã Thyssenkrupp Marine num consórcio em que a Embraer participa. O problema é que essa mesma empresa alemã entregou uma fragata para a própria marinha alemã com defeitos! A embarcação aderna a estibordo (lado direito), ou seja, um problema estrutural. Problemas com os sistemas da embarcação também apareceram por meios dos seus software ehardware. A embarcação foi devolvida ao estaleiro para o acerto do problema estrutural, assim como para a resolução dos problemas com os seus sistemas. A proposta da empresa alemã para o Brasil é uma variação dessa mesma fragata recheada de problemas.

Foi esse o estaleiro escolhido para construir os navios que irão patrulhar e defender a Amazônia Azul nos próximos 30/40 anos. Os franceses estão nos transferindo tecnologia por meio dos submarinos diesel-elétricos e o nuclear perderam, os suecos estão fazendo o mesmo com os caças Gripen NG ficaram de fora e os italianos representados pelo estaleiro Fincantieri um dos maiores estaleiros do mundo, queriam construir uma corveta do “zero” que atendesse todas as necessidades da nossa marinha e ainda poderia ser exportada saiu derrotado. Venceu o concorrente com histórico de problemas em seu produto vendido para o seu próprio país.   

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