Festival Lula Livre reúne mais 80 mil pessoas em SP

Rumo a um “colapso social” nesse domingo (02), trinta artistas se apresentaram para aproximadamente 80 mil pessoas na Praça da República, na capital de São Paulo, em mais uma edição do festival lula livre.

Nomes consagrados do rap nacional, como Thaíde,Criolo, Emicida, Rael e o produtor Daniel Ganjaman, estiveram presentes. Representando a MPB Chico Cesar, Arnaldo Antunes, Otto, Tulipa Ruiz e Fernanda Takai, que mandou seu recado ao rei Roberto Carlos, quanto a sua ausência nos acontecimentos do país. O rock nacional foi marcado pela Dead Fish, banda de peso no hardcore. Nação Zumbi, Baiana System e Mombojo trouxeram suas referências da música nordestina de vanguarda e, como não podemos deixar de falar do “Bob Dylan da Central do Brasil”, o cantor romântico Odair José também esteve presente.

Já com umas oito horas de festival, o rapper Emicida anuncia a presença de Thiago Lula da Silva, sobrinho de Lula. O rapaz leu uma carta escrita pelo presidente para todos que lá estavam. Nesse momento, houve uma falha no sistema Google, o que prejudicou a transmissão virtual da leitura da carta. Mas a gravação está disponível, veja:

Na carta publicada pelo Voz Operária RJ na íntegra ao fim da matéria, como de costume Lula agradece a todos e tenta expressar a sua felicidade por todas as demonstrações de apoio a ele. Também comenta sua imensa vontade de estar na rua junto ao povo, mas deixa sempre claro que a luta não gira apenas em torno dele e de sua prisão, mas sim no que ela significa: mais uma etapa do golpe imperialista que está em curso no Brasil. Sua prisão, injusta e arbitrária, é apenas mais uma ação para acabar com nossa liberdade, democracia, soberania e todas as conquistas do povo brasileiro.

Mesmo com o problema na transmissão virtual, o festival encontra-se gravado em domínio público, uma vez que inúmeros momentos foram registrados pelos participantes e internautas. Vale a pena conferir cenas marcantes, como os nos quais o ex-senador pelo Partido dos Trabalhadores de São Paulo, Eduardo Suplicy, se manifestou pulando e dançando no meio do público, mesmo debaixo de chuva.

Assim seguiu mais essa edição do Festival LULA LIVRE, onde foi possível perceber que cada vez mais o povo toma consciência da prisão política de Lula. Sua imediata liberdade e prova de inocência são os únicos caminhos para voltarmos a caminhar numa democracia. Só então deixaremos de sermos “prisioneiros do ódio, da ganância e do obscurantismo” (Lula).

Carta na íntegra do presidente Lula aos participantes do Festival Lula Livre:

“Agradeço de coração a cada uma e a cada um de vocês, artistas e público, que nesse 2 de junho fazem da praça da República a Praça da Democracia. Embora tenha o nome de “Festival Lula Livre”, sei que esse é muito mais que um ato de solidariedade a um preso político. O que vocês exigem é muito mais que a liberdade do Lula. É a liberdade de um povo que não aceita mais ser prisioneiro do ódio, da ganância e do obscurantismo. 

Esse ato é na verdade um grito de liberdade que estava preso em nossas gargantas. Mais que um grito, um canto de liberdade. O canto dos trabalhadores que não aceitam mais o desemprego e a perda de seus direitos. O cantos dos estudantes, que não aceitam nenhum retrocesso na educação. O canto das mulheres, que não aceitam abrir mão de nenhuma conquista histórica. O canto da juventude, que não aceita que lhe roubem os sonhos, e da juventude negra em particular, que não aceita mais ser exterminada. O canto dos que ousam sonhar, e transformam sonhos em realidade. 

Boa parte de vocês que aí estão, artistas e público, felizmente não viveram os horrores da ditadura civil e militar instalada em 1964, essa que alguns querem implantar de novo no Brasil. Foi um tempo em que a luta contra a censura podia ser traduzida em canções que diziam assim: “Você corta um verso, eu escrevo outro”. 

Foi com muita luta que conseguimos acabar com a censura neste país. E não vamos aceitar essa outra forma de censura, que é a tentativa de acabar com as fontes de financiamento da arte e da cultura. Que não vamos aceitar a tentativa de censurar o pensamento crítico, estrangulando as universidades. 

Se eles arrancam nossas faixas, nós escrevemos e botamos outras no lugar. E vamos continuar ocupando as ruas em defesa da educação, da saúde, públicas e de qualidade; das oportunidades para todas e todos; contra todas as formas de desigualdade e de retrocesso. 

Nossos adversários querem mais armas e menos livros, menos música, menos dança, menos teatro e menos cinema. E nós insistimos em ler, escrever, cantar e dançar, insistimos em ir ao teatro e fazer cinema. 

Nada mais perigoso para nossos adversários que um povo que canta e é feliz. Que faz da arte e da cultura instrumentos de resistência. Vamos então à luta, sem medo de sermos felizes, com a certeza que o amor sempre vence. 

Um abraço, com muita saudade e a vontade imensa de estar aí, 

Lula”

Anúncios

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s