Polícia Federal encerra investigação, sem provas, contra o ex-reitor da UFSC

O desdobramento da operação golpista Lava Jato, intitulada “Ouvidos Moucos”, foi encerrada pela Polícia Federal. A ação repercutiu após o suicídio do ex- reitor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Luiz Carlos Cancellier de Olivo preso e depois proibido de retornar às suas atividades junto com outros seis professores também suspeitos de participar de supostos desvios de recursos de dois cursos de Educação a Distância da Universidade Aberta do Brasil.

Luiz Carlos Cancellier cometeu suicídio em outubro de 2017, ao pular do sétimo andar de um shopping em Florianópolis. Ele foi algemado, acorrentado pelos pés e levado a um presídio de segurança máxima, onde permaneceu detido por 30 horas. Foi solto após um habeas corpus, mas continuou proibido de entrar na universidade. Tamanha humilhação e injustiça o levaria ao suicídio 18 dias depois. No bolso havia uma carta, escreveu que sua morte “foi decretada quando fui banido da universidade.”

A operação foi chefiada pela delegada Erika Marena, amiga de Sérgio Moro, que hoje chefia o Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional do Ministério da Justiça.

Após requerimento favorável à Polícia Federal/SC a justiça Federal de Santa Catarina despachou o pedido de busca e apreensão aos acusados:

Fundação de Amparo à Pesquisa e Extensão Universitária (FAPEU); Fundação José Arthur Boiteux; Fundação de Estudos e Pesquisas sócio econômicas ; e Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) foi encerrada às investigações. Segue abaixo:

DESPACHO/DECISÃO
OPERAÇÃO OUVIDOS MOUCOS
5018469-32.2016.4.04.7200 Inquérito policial
5013372-17.2017.4.04.7200 Pedido de busca e apreensão
5013374-84.2017.4.04..7200 Pedido de Quebra de Sigilo de Dados
5013375-69.2017.4.04.7200 Pedido de Prisão temporária
Após realizar consulta pública junto a justiça Federal do pedido de busca e apreensão criminal n° 5013372-17.2017.4.04.7200/SC  TRF-4, constatou que o processo está sob segredo de justiça e o MPF não concluiu o inquérito.

Ex delegada responsabilizada pela morte do reitor Cancellier processa e censura críticos à lava jato

Ao Ministério Público Federal e da Justiça Federal, a ex- delegada determinou a prisão preventiva do reitor por obstrução da investigação — o que também não ficou comprovado —, o sensacionalismo midiático e as ilegalidades cometidas pelos agentes da lava jato  propiciaram um ambiente de “linchamento público” ao ex-reitor Cancellier acusado, sem provas, pelo “desvio” de R$ 80 milhões na universidade.

Sem nunca ter sido ouvido pela delegada, Cancellier foi descrito como o chefe da organização criminosa que teria comandado o esquema. À época da prisão, Erika afirmou que a Polícia Federal agia com responsabilidade e que não faria um pedido desses se não tivesse “convicção da sua necessidade”. A responsabilidade era tanta, que, mais tarde, a própria polícia desmentiu a informação que havia dado: não houve desvio de R$ 80 milhões. Este valor se referia ao total dos repasses entre 2008 e 2016 para o programa de ensino a distância, alvo da investigação. A PF, aliás, até hoje não foi capaz de informar qual é o valor total dos desvios. Mas já era tarde demais, o reitor já havia sido condenado no noticiário como chefe desse milionário esquema de corrupção. Júlio Cancellier, irmão do reitor compelido pela lava jato à cometer o suicídio, revelou que ele “tinha medo de sair à rua e alguém lhe dizer: ‘O senhor não é o reitor dos 80 milhões?’”

Júlio Cancellier reforça a inocência do irmão, e advertiu que “Nada disso aconteceu na gestão do reitor Cancellier. Não teria sido mais justo, em vez de prendê-lo, levando-o ao suicídio, terem concedido um prazo de 180 dias para apurar as possíveis irregularidades ou 90 dias para a UFSC disciplinar o sistema de ensino a distância, como agora tardiamente foi sugerido?”

Também foram alvos de perseguição e censura o jornalista Marcelo Auler, os servidores da UFS, o reitor Ubaldo Cesar Balthazar e o chefe de gabinete Áureo Mafra de Moraes.

A 1ª Turma Recursal dos Juizados Especiais de Curitiba acolheu, por unanimidade, condenou o blog do jornalista Marcelo Auler a pagar R$ 10 mil à ex-delegada federal Erika Mialiki Marena por danos morais e a censurar o blog. Após 3 anos foi comprovado que as denúncias apresentadas pelo jornalista eram verídicas, a justiça do Paraná derrubou a censura.

Já o Ministério Público Federal determinou multa de 15 mil reais à favor da ex-delegada por ofensa moral e até 8 meses detenção após os denunciados o reitor Ubaldo Cesar Balthazar e o chefe de gabinete Áureo Mafra de Moraes por participarem de evento em homenagem póstuma ao ex- reitor Luiz Carlos Cancellier.

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