A Cruzada do lavajateiro Witzel contra o povo do Rio

O genocida Witzel, durante discurso na sexta-feira (14) na Câmara de Nova Iguaçu, ameaçou lançar um míssil contra a Cidade de Deus e por em risco de morte mais de 47 mil pessoas. Disse ele ” (…) se fosse com autorização da ONU, em outros lugares do mundo, nós teríamos autorização para mandar um míssil naquele local e explodir aquelas pessoas”.

Cumprindo seu mandato, o juiz é membro ativo do plano golpista de deteriorar a integridade de nossa nação e nosso povo. E não poderia ser mais óbvio que potencializar o massacre ao povo favelado das nossas periferias é parte do pacote. O povo, condenado ao desemprego, ou o subemprego, à miséria, ao desespero, se vê agora sob constante, e crescente, ameaça de vida.

A criminalização das favelas e a Ditadura Militar (1964-1985)

A militarização da vida social nas favelas não é de hoje, é claro. Criminalizar a favela é um dos projetos de longo prazo das partes mais desprezíveis da elite carioca e brasileira como um todo. Simbolicamente, é possível pensar que as favelas, os favelado e a pobreza como um todo são criminalizados desde que surgiram. Mas, se fôssemos definir um marco significativo pro crescimento exponencial dessa realidade, não há dúvidas de que seria no período da Ditadura Militar.

Quando, nas décadas de 70 e 80, a inflação aumentava (e com ela o custo de vida), a cidade do Rio viu crescer em uma velocidade absurda os crimes cotidianos, fossem furtos ou assaltos, e na última categoria, as mais variadas modalidades, fossem a pedestres, carros, joalherias ou bancos – era muito comum pois todo o dinheiro vivo ficava nas agências, e é claro, a imprensa reacionária noticiando de forma a criar pânico na população.

Usando do discurso que utiliza até hoje, a imprensa dos grandes veículos decidiu que, ao invés de de discutir as razões sociais pelas quais a criminalidade cresce, iria abordar a questão como um vírus incontrolável na atmosfera urbana do Rio; como uma questão de índole, raiz, sangue-ruim, coisa que se carrega no que é e não há como fugir. Como sempre, o alvo dessa elite reacionária era (e é) o negro brasileiro. Mas também, a comunidade migrante nordestina, que abarrotava a cidade em ritmo acelerado, fugindo da miséria e à procura de mais oportunidades de emprego. Com isso, o ódio reacionário foi direcionado às favelas, onde sempre se concentrou grande parte dessas duas populações.

Com o apelo da época, o reacionarismo adotou a sua “Solução Final”, à moda hitlerista, massacrando a população favelada com o aparato policial. Foi um projeto crescente que refinou-se à moda de matar: Os grupos de extermínio, muito comuns na capital e na Baixada Fluminense, eram compostos por pequenos grupos de policiais civis, em sua maioria. Mas, depois de décadas, o serviço mortal foi institucionalizado através das operações da Polícia Militar.

O resultado prático é o mesmo, mas cada vez mais eficiente. Desde então, surgiram marcos cada vez mais claros sobre a intenção dessa elite em exterminar: fuzis de assalto nas mãos da PM. Depois de um tempo, surgiu o “Caveirão”, que é um verdadeiro instrumento de guerra, e como numa guerra, se há inimigo, há território de inimigo, a ocupação física do espaço do “inimigo” da elite: As UPPs e as ocupações militares. O poder burguês trava uma guerra contra a favela — e não uma guerra abstrata “contra as drogas”.

O genocida Witzel se inspira na experiência sionista para a sua cruzada contra o povo do Rio de Janeiro

O governador Witzel, comprometido com o golpe, quer garantir mais um passo desse processo. Podemos traçar um paralelo disso com a situação da Palestina, país ocupado pelo estado genocida de Israel. Lá, o estado já faz uso de tanques, bombas e mísseis contra pessoas, sem nenhum tipo de nivelamento na correlação de forças. Todas as pessoas sãs entendem que isso não é uma guerra, é genocídio. E é o que querem reproduzir aqui, com a gravidade de sequer estarmos falando de algum tipo de estado com direito à soberania própria ou poder paralelo. Afinal, não existe poder paralelo no Brasil, onde todo o crime organizado é legitimado e tem participação do Estado. Então, o que Witzel e os reacionários que o apoiam pretendem, é exterminar, a passos largos, o nosso próprio povo.

Nesse sentido, o juiz lavajateiro pede apoio aos setores reacionários da sociedade para dar sustentação política para pôr em prática os planos de desacreditar as lutas povo diante da crise. As condições objetivas para dar cabo aos planos estão garantidas pois a nova ditadura militar tem uma retaguarda jurídica e midiática.

Witzel já demonstrou que sua atuação na área de segurança pública será de violação dos direitos e garantias elementares da vida e condição humana ao instaurar a execução sumária com uso de sniper nas favelas, ação policial com uso de helicópteros contra moradores de favelas, drones equipado com arma letal, e agora uso de mísseis.

A atuação de Wilson Witzel (PSC) foi denunciada à Organização das Nações Unidas (ONU) e à Organização dos Estados Americanos (OEA). A autora da denúncia, a deputada estadual Renata Souza (PSOL), agora é alvo de um processo de cassação movido pelos deputados do partido de Witzel.

Levantamento sobre a Cidade de Deus

O Instituto Pereira Passos (IPP) , órgão do município do Rio de Janeiro responsável por elaborar projetos de desenvolvimento econômico e a produção de estudos para formular e acompanhar as políticas públicas. Em estudo de 2017, intitulado “Panorama dos Territórios: UPP Cidade de Deus”, o IPP sistematizou dados sobre a localização, condição de ocupação, saneamento básico, coleta de lixo, fornecimento de energia elétrica, educação e renda. E apontou os seguintes indicadores:

A Cidade de Deus, situada na zona oeste do Rio de Janeiro, abrange uma área de 2.083.217 m². Em números absolutos, tem população de 47.795 habitantes, 14.742 domicílios, e densidade demográfica de 229,4 habitantes por hectares.

O Estudo apresenta a proporção da população residente no território da UPP Cidade de Deus, segundo residências localizadas em áreas formais ou informais. Pode-se constatar que a grande maioria dos moradores reside em áreas formais, o que altera significativamente o conteúdo das ações do setor público neste espaço. Uma questão a ser notada na Tabela 4 é a diferença de densidade entre as áreas formais e as áreas de comunidades da UPP Cidade de Deus. A densidade populacional no território é bem mais baixa nas áreas formais (218,7 habitantes por hectares), bastante acima da taxa observada para a cidade do Rio de Janeiro (110 hab/ha).

Segundo o estudo, mais de 33% da população da Cidade de Deus recebe entre meio e um salário mínimo. Outros 36% recebem até 2 salários mínimos.

As ações de Witzel são coordenadas com as ações das milícias

Constantemente derrotadas na Cidade de Deus, os grupos paramilitares e facções do tráfico associadas ao PCC e ao Estado não conseguem diminuir a influência do Comando Vermelho (CV) na região. A milícia que hoje controla regiões da Praça Seca e mais recentemente tem se expandido para a Zona Norte do Rio, tenta desesperadamente se apossar da Cidade de Deus para avançar seu mecanismo sofisticado de controle social.

A ameaça de bombardeio da Cidade de Deus representa mais do que uma simples ameaça: deixa claro que mesmo com a superioridade bélica e uma gigantesca rede criminosa e paramilitar, o Estado de Exceção tem sérias dificuldades em lidar com grupos armados organizados em território urbano. O desespero do governador miliciano é tanto que já se cogita empregar o uso da tática de Terra Arrasada contra sua própria área administrativa.

A operação lava jato ao destruir a economia nacional foi responsável pelo desemprego no Rio

Segundo dados publicados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), no primeiro semestre 2019, a taxa de desemprego no estado do Rio de Janeiro bateu o recorde histórico e atingiu 15,3%, ou seja, 1,4 milhão de fluminenses.

Após a operação golpista Lava Jato, a economia do estado foi destruída. As principais bases econômicas do estado, alicerçadas na construção civil, petroquímica e construção naval foram duramente atingidas pelas operações golpistas promovidas pela Lava-Jato. Especialmente voltada para destruir as empresas nacionais e transferir sua renda para fora do Brasil. Confira no nosso artigo sobre a Crise no Rio.

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