EUA financiaram ditaduras na América Latina com dinheiro do narcotráfico

Não é mera coincidência que após o golpe de Estado dos Estados Unidos contra o Brasil, em 2016, seja flagrado um militar utilizando o avião da Força Aérea para traficar cocaína. Ao longo da história, os EUA sempre deram apoio à ditaduras, guerras e golpe de Estado com o dinheiro do narcotráfico. Também não é um fato isolado ou um debate novo o envolvimento das Forças Armadas — em toda a America Latina —, nos esquemas do narcotráfico.

No Brasil, o esquema de tráfico e armas montado durante a Ditadura Militar permaneceu durante os anos da Nova República (1988-2016). Não houve ruptura na estrutura entreguista e criminosa montada durante a Ditadura. Pelo contrário, os militares criminosos receberam anistia. Hoje, sem ter acertado as contas históricas, os militares voltam a dar um golpe e seus velhos esquemas com o narcotráfico são novamente desvendados.

Relembremos outros exemplos pelo mundo:

Durante as décadas de 1970, 80 e 90, o regime estadunidense financiou as ditaduras na América Latina com dinheiro do narcotráfico. O narcotráfico é controlado pela Agência Central de Inteligência – CIA, e o Drug Enforcement Agency – DEA, que lava o dinheiro do narcotráfico no sistema financeiro mundial.

Indochina: Durante os governos dos presidentes Richard Nixon até George H. W. Bush (pai), os EUA desenvolveram o corredor do tráfico de heroína no Sudeste Asiático, criando a rota da heroína produzida no Triângulo de Ouro. O propósito da operação era financiar suas operações militares nessa região, em especial a Guerra do Vietnã. Na época, os cidadãos norte-americanos protestavam contra a guerra e não queria mais pagar por ela. Milícias fascistas no Camboja, Tailândia, Laos e Vietnã eram aliadas dos EUA, e a única maneira de dar apoio financeiro à eles era vendendo heroína para o resto do mundo.

A heroína era transportada em aviões da “Air America” (airline), de propriedade da CIA e DEA. A companhia laranja também fazia transporte de ópio e outras drogas para outros países do sudeste asiáticos, além de carregar tropas, milícias, armamentos e bombas — incluindo o terrível agente laranja utilizado largamente contra a população civil do Vietnã.

Pouco tempo depois os resultados foram catastróficos. Os EUA se converteram no país que mais consome drogas no mundo. Em 2015, dois milhões de norte-americanos tiveram problemas com opiáceos de prescrição e 591.000 com heroína. Além do vício, a violência é outro aspecto da devastação social.

Na China, antes da vitória revolucionária do presidente Mao Tsé-Tung, haviam 70 milhões de viciados em heroína e ópio. Em três anos, não havia mais nenhum. Ocorreram 27 execuções nesse período. Em comparação com os países capitalistas, no mesmo período, só no México, 60 mil foram mortos, por exemplo.

A cooperação dos EUA com as Ditaduras Militares impostas por eles aos países da América Latina foram além da conhecida Operação Condor. Descaradamente apoiaram a governos latino americanos envolvidos diretamente no tráfico de cocaína.

Caso do Panamá: O ex-ditador do Panamá, Manuel Noriega, foi um operador importante dos EUA durante décadas, até que o presidente George H. W. Bush invadiu o Panamá e assassinou 2 mil pessoas, em 1989.

Sua carreira política começou como agente da CIA, na década de 1970, colaborando para que os norte-americanos usassem o país como base de apoio aos “Contras” na Nicarágua e El Salvador. Sua função era lavar o dinheiro do tráfico de drogas e facilitar os voos de armas e drogas para os “Contras” nicaraguenses.

O ex-diretor da CIA, William Webster em conjunto com oficiais da DEA, elogiaram a postura do ditador Noriega pelo seu “combate ao tráfico de drogas”, isto porque Noriega havia desbancado os concorrentes da CIA no Cartel de Medellin. Quando os EUA invadiram o Panamá, em nome do combate aos drogas, o tráfico de cocaína através do Panamá aumentou.

Ronald Reagan e seu conselho de Segurança deram assistência direta aos “Contras” nicaraguenses. Operando o apoio a organização terrorista com recursos do tráfico de drogas.

Los Contras” Nicaraguenses: Com a vitória da Revolução Sandinista, o imperialismo estadunidense criou uma operação de “mudança de regimes” para trazer a “democracia” à Nicarágua. Nessa operação, que incluía bombardeios e assassinatos de dirigentes políticos e civis, foi criada o grupo criminoso chamado de “Los Contras”.

Estes foram armados com equipamentos da CIA, comprado com o dinheiro do tráfico de cocaína. Especialmente para apoio ao tráfico na América Central, a CIA criou a companhia aérea secreta, o NSC, que foi o principal meio para transportar as drogas.

O apoio do governo Reagan aos “Contras” nicaraguenses foi revelado pelo próprio Senado dos Estados Unidos. Em 1989, o Subcomitê do Senado sobre Terrorismo, Narcóticos e Operações Internacionais (o comitê Kerry) concluiu uma investigação de três anos afirmando o apoio da CIA aos “Contras” com dinheiro das drogas.

CIA-Contras em Costa Rica e Honduras: Nestes países, a agencia de inteligência dos EUA criaram uma rede envolvida no tráfico de drogas. Costa Rica era chamada de “Frente Sul” e Honduras era a “Frente Norte”, além da operação Meneses-Blandon e Operação Noriega para apoiar os “Contras” Nicaraguenses.

Em 1989, na investigação que explodiu no Senado dos EUA e na Costa Rica, um ex-piloto norte-americano e traficante de drogas, George Morales, confessou que teria operado 3 milhões de dólares para contratar aviões da DEA para transportar cocaína. Outros aviões para transporte eram alugados pela empresa costa riquenha, SHNMP, com dinheiro lavado da CIA.

Quando preso o narcotraficante Ramon Milian Rodriguez, membro do cartel de Medellín, e operador do grupo Cuban-American, confessou ao Senado dos EUA que havia lavado US$ 10 milhões para os “Contras” nicaraguenses por intermédio do ex-agente da CIA, Felix Rodriguez. A empresa aérea Southern Air Transport fazia as viagens dessas drogas para bases norte-americanas em Louisiana e Flórida.

O Golpe da Cocaína na Bolívia: Durante décadas a Bolívia foi uma importe base de operações para o tráfico de drogas no continente. No governo Carter, os norte-americanos libertaram dois chefes do cartel do rei da cocaína e os enviaram à Bolívia. Na Bolívia, esses traficantes foram fundamentais para o golpe de Estado de 17 de julho de 1980, conhecido como o “Golpe da Cocaína”, que levou ao poder a Ditadura general Luis García Meza.

Todos os acontecimentos desse golpe estão contidos no Livro “The Big White Lie”, que foi usado pelo atual presidente Evo Morales para expulsar a DEA da Bolívia. Em 2008, na ocasião, Morales levantou uma cópia do livro e disse: “É por isso que estou expulsando a DEA do meu país”.

Presidente Evo Morales expulsa os narcotraficantes da DEA da Bolívia.

Narcotráfico sustentou a Ditadura Stroessner no Paraguai. “Então, aqui está minha homenagem ao nosso general Alfredo Stroessner”, disse o miliciano Jair Bolsonaro este ano em visita ao Paraguai.

Localizado em uma posição estrategicamente importante, o Paraguai tornou-se um ponto chave para a distribuição da droga na América do Sul. Descarado como de costume, Stroessner confessava abertamente o envolvimento das Forças Armadas no tráfico internacional de drogas. O tráfico comandado Cúpula das Forças Armadas possibilitava grandes lucros para o Ditador e seus generais.

Pinochet e o tráfico de cocaína no Chile: outro país onde a CIA financiava suas operações com o dinheiro da cocaína era no Chile. Elogiado pela direita golpista no Brasil, Pinochet montou um esquema onde enriqueceu sua cúpula militar e seus familiares. Milhões de dólares em cocaína eram enviados para Europa e Estados Unidos através de aviões das Forças Armadas Chilenas.

Para tentar esconder a cocaína, Pinochet pediu a ajuda do químico Eugenio Berríos, suspeito do envenenamento do ex-presidente, o chileno Eduardo Frei Montalva, em 1982, e do Presidente João Goulart, em 1976, durante a Operação Condor.

Esquemas semelhantes foram montados durante os Regimes Militares na Argentina, Uruguai, México, Peru, dentre outros.

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