Entrevista com Alí, membro da juventude socialista da Venezuela

“Para o povo brasileiro e venezuelano, companheiros e companheiras vamos nos juntar, somos um povo latino americano, temos que voltar as nossas raízes. Nós precisamos do povo brasileiro para desmentir todas essas informações falsas, se não contamos com o Estado brasileiro, precisamos do respaldo do povo brasileiros.” Alí do PSUV

O membro da juventude do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), companheiro Alí Alvarez, concedeu entrevista ao jornal Voz Operária RJ. Na entrevista, o jovem bolivariano explicou a situação interna da Venezuela e a política imperialista que ataca sua pátria. Confira a entrevista.

Alí Alvarez militante do Partido Socialista Unido da Venezuela, está no Brasil em intercâmbio com a Universidade Federal do Rio de Janeiro cursando mestrado.

VORJ: Qual o limite da revolução bolivariana? Ela já se esgotou ou ela ainda tem chances de se reerguer ?

Alí: A nossa revolução ainda é uma criança, ela só tem 20 anos, e ela inicialmente não se declara socialista, ela se declara socialista com o comandante Hugo Chávez, mas essa declaração não nasce pelo apego dele, e sim nos anos durante a década de 90 nas comunidades e associações de moradores onde já se discutia qual o modelo de trabalho e de sociedade que nós queríamos construir.

Neste momento, a Venezuela estava inserida em um sistema egoísta, patriarcal, machista, racista e capitalista. Então, a sociedade em assembleias de bairro começa a estudar o projeto bolivariano e discutir os rumos do movimento bolivariano, e a partir de 1998 os rumos da nossa revolução.

No ano de 2002, teve um filme chamado “ A revolução não será televisionada”, essa curto-metragem só da uma demonstração de que naquele tempo as nossas condições subjetivas, objetivas e materiais não são apenas de agora. Nesse anos de 2002, o povo venezuelano, o povo de Caracas não saiu às ruas para defender apenas um governo ou seu presidente, mas o que eles queriam defender mais que tudo era um projeto de futuro e de vida que eles iam construir, que a gente ia construir nosso próprio modelo de trabalho e nossa própria gestão de governo.

E hoje em dia, duvido que a nossa revolução saia facilmente, sabemos que nós temos muitas contradições dentro da nossa revolução, e se não tivéssemos em revolução nós não estaríamos envolvidos nessa crise induzida, uma crise onde a nossa maioria interna foi alterada, onde nossos produtos internos de consumo foram alterados pelas próprias empresas privadas que existem ainda, alguns sistemas educativos privados que ainda existem controlados na maioria pela Igreja Católica e possuem um modelo estruturado de educação que não conseguimos lidar, como conseguiríamos mudar esse sistema sem violar as normas estabelecidas, teria que ser uma reestruturação total. Mas a revolução agora por exemplo, deu uma demonstração clara e não foi nem mesmo dado, acho que poderia dar os méritos para a população venezuelana, no dia 30 de abril tentaram fazer um golpe de Estado na Venezuela, 3 horas da manhã já tinham levado alguns militares enganados, militares esses que faziam parte do corpo de defesa do palácio presidencial, foram levados os companheiros que faziam parte da base militar da Carlota, e alguns outros companheiros das forças armadas que fazem parte do forte de Tiuna, que é um forte militar nosso de Caracas. Alguns foram enganados por militares vendidos falando que iam fazer algumas operações especiais no Conselho Nacional Eleitoral, outro grupo foi enganado para que eles fossem fazer algumas operações especiais de congratulações que fazem as forças armadas bolivarianas, e um terceiro grupo declarou que eles iam intervir em prisões da Venezuela porque tinham roubado 300 fuzis.

Os militares fiéis à constituição e crentes que tinham que defender nossa pátria saíram para resolver essa questão. Quando eles chegam em Miraflores dão conta que um carro tirou Leopoldo López da prisão com Juan Guaidó, aquele fantoche da direita, e os próprios militares patrióticos disseram que não iam fazer parte disso e negar nossos princípios patrióticos e revolucionários, juraram defender nossa pátria e não traí-la.

Eles voltaram para as suas funções e anunciaram para a presidência da república que estava em andamento um golpe de Estado. Juan Guaidó faz um chamado à população venezuelana entrar em conflito, para os militares entrarem em conflito com os próprios militares, e a população se encontrar em uma guerra civil. O povo crente da paz, povo que aspira uma sociedade que garanta sustentabilidade por conta da paz, harmonia e o diálogo, o povo se acostumou ao diálogo, não entrou nesse chamado de Guaidó.

Após o anúncio, nosso povo revolucionário e bolivariano reagiu e costuma reagir muito rápido para questões violentas, o ato de reagir já é uma questão cultural, o povo brasileiro é bem pacífico com essas questões, mas nosso povo reage muito rápido para defender sua soberania politica. E foi uma demonstração, no dia 30 de abril os militares não saíram para defender os que estavam tentando fazer os EUA ingressarem novamente na Venezuela.

VORJ: Como é que nasceu a crise ?

Alí: Como é que nasce a crise? Por culpa de Chávez nós assumimos a responsabilidade de criar uma sociedade socialista, revolucionária com princípios éticos e valores fundamentados na carta bolivariana, onde começa-se a desarticular o Estado capitalista.

Começamos a desapropriar as empresas que não estavam produzindo, estavam ociosas e não queriam se estabelecer como articuladores das políticas econômicas que nós estávamos tentando construir. A partir daí já começa uma crise econômica forte como a de 2002, quando eles começaram a sumir com os alimentos que chegavam pela Colômbia, alterar os preços, e já pelos últimos anos, quando o presidente Chávez morreu em 2013, a grande mídia venezuelana e as corporações capitalistas já indicavam o fim do projeto bolivariano, dizendo que as transnacionais iriam voltar para a Venezuela gerando desenvolvimento e prosperidade econômica, porém não foi desse jeito.

Quando eles começaram a tentar desarticular midiaticamente o presidente da república, aproveitando-se que os países da américa dependem do dólar, eles criaram o Dólar Today, que é uma página que contém o dólar paralelo, mercado ilegal do dólar. E o dólar estabelecido pelo Estado venezuelano que existe na Venezuela tinha o valor de 3,90, para o Dólar Today começou em 4,50 no horário da manhã e ia mudando de valor de acordo com o horário do dia e a grande mídia ia fazendo propagando e criando valor em cima dessa moeda ilegal. E a população parou de acreditar nesse dólar e começou a dar mais força para o dólar do Estado venezuelano.

Os grandes comerciantes disseram que iam seguir os preços estabelecidos pelo dólar daqui. O quilo da farinha estabelecido pelo governo, que tinha o preço de 150 bolívares, estabelecidos de acordo com o fluxo de capital no mercado socialista, no fluxo de capital do mercado capitalista teria outro preço, determinado pelo mercado ilegal do dólar, e assim começou nossa crise.

Quando as pessoas começaram a se dar conta de que os preços estavam aumentando muito, elas começaram a comprar muita coisa porque amanhã já teria outro preço, começou com a farinha, produtos de limpeza e os produtos de saúde. E quando o governo deu uma meia estabilizada, começaram agora a cortar os alimentos, os empresários que tinham muito dinheiro começaram a contrabandear os produtos para a Colômbia, eles pegavam as comidas e deixavam guardadas em estoque e vendiam duas ou três semanas depois com outros preços, eles compravam por um preço e vendiam mais caro de acordo com a valorização do dólar no mercado ilegal. A mesma situação começou a ser feita com impostos (IPVA) para carros, com a gasolina, eletricidade e um monte de coisas.

Como o Estado Venezuelano é proprietário da gasolina e eletricidade, o preço não foi elevado, porém o serviço é prejudicado pelo contrabando. O governo venezuelano tenta controlar a situação negociando com as empresas privadas e fornecendo fundos em dólar para aumentar a produção e funcionar aos 100%, só que um caminhão sai de uma empresa como por exemplo a empresa Polar, que é a maior empresa na produção de alimentos, quando essa caminhão sai, os trabalhadores recebem um salário mínimo ou um salário de acordo com sua atividade, algumas pessoas com muito dinheiro só comprava com dólares esse caminhão e desviava o mesmo para a Colômbia.

Após o presidente da República ter outra reunião com esse pessoal das empresas privadas, os empresários disseram que estavam produzindo 100%, mas se tinha funcionários corruptos dentro da empresa não poderiam demiti-los porque existe uma lei de imobilidade do trabalho. Um Estado em crise não pode permitir que se demita um trabalhador e ele fique sem emprego. Então criou-se um mercado paralelo diretamente relacionado ao Dólar Today, com os preços aumentando durante o dia inteiro, então parou-se de dar valor ao dólar estabelecido pelo Estado venezuelano.

Os Estados Unidos ainda dão muito valor para o Dólar Today, com a intenção de desestabilizar nossa economia. Quando os empresários e o governo dos Estados Unidos queriam comprar ativos venezuelanos como o petróleo, queriam comprar pelo valor do dólar estabelecido pelo governo e no caso do petróleo pela OPEP (Organização dos Estados Produtores de Petróleo). Inclusive, a nossa economia está relacionada com a queda do preço do petróleo, quando os preços tem uma queda, está relacionado com a maneira com que os EUA começam a fazer a produção de petróleo por fratura hidráulica, isso alterou todas as economias mundiais com produção de petróleo. Só que a Venezuela infelizmente tem mais de cem anos de dependência da exportação do petróleo.

VORJ: O Chávez não tentou romper com essa dependência ?

Alí: O Chávez tentou muitas vezes e até deu algum resultado, mas as pessoas que moravam no campo saíram para as cidades e as periferias começaram a crescer muito, aí o governo teve que começar a fazer projetos habitacionais, existia muitas pessoas morando na rua, já foram entregues mais de dois milhões e quinhentas mil casas e apartamentos. E ainda nós temos problemas habitacionais nas nossas periferias urbanas, problemas que já estão sendo mapeados e cuidados.

Quando os preços do petróleo caíram por causa da fratura hidráulica, o Estado teve que reajustar os preços internos e entramos numa crise também. E aqueles países que mantinham relações com a Venezuela pelo petróleo e que mantinham relações com os EUA, eles obedecem os EUA, eles começaram a criar os bloqueios econômicos. Começaram a roubar as contas de empresas filiadas à pdvsa nos EUA, nos roubaram 1, 300 bilhões de dólares apenas no banco da Inglaterra, somente em 2019 usando o argumento de que Maduro é usurpador. Porque eles são da Mesa de Unidade Democrática (MUD), um conjunto de partidos da direita venezuelana, e eles acabaram se dividindo em 2014.

VORJ: O que causou essa divisão na oposição ?

Alí: Os interesses, em 2012 contra Chávez e 2013 contra Maduro eles tiveram o Capriles como candidato.

VORJ: Onde está o Capriles agora ?

Ali: Ele está inabilitado politicamente, ele estava nos EUA e não sei se ele está na Venezuela. Ele era governador do Estado de Miranda. E a MUD não tinha opção majoritária para candidato após 2015, tinham alguns nomes. Após 2015 quando eles ganharam a assembleia nacional, eles começaram a desagregar internamente, porque quem assume o poder na assembleia assume o poder político, mas o financiamento vem de fora e não criou-se uma unidade para encontrar os interesses em comum.

VORJ: Uma coisa que é visível nos venezuelanos é que vocês debatem mais economia e vocês debatem mais a história da Venezuela, coisa que não tem tanto no Brasil, aqui se faz mais o debate moral, com o debate de costumes. Qual o motivo da militância e da população venezuelana entender tão bem sobre política, questões econômicas e aqui no Brasil nós termos a dificuldade de ter uma esquerda nacionalista?

Alí: A esquerda brasileira é muito romântica e fica no romanticismo muitas das vezes. Nós tivemos um avanço porque tivemos o Estado a nosso favor, foi decidido por meio da constituição que as questões nacionais e econômicas seriam debatidas nos conselhos comunitários. Isso passa por um processo de eleição, escolhe-se quais pessoas são mais capacitadas para assumir as responsabilidades desses debates comunitários.

A população começou a se dar conta de que eles tinham que ir se formando, e as próprias comunidades começaram a criar planos de formação política, econômica e ideológica. Isso facilitou nossa situação, além de que tínhamos clareza de que estávamos e estamos tentando chegar ao socialismo.

O socialismo tem que ir criando novas metodologias de trabalho e articulação de questões para a apropriação dos meios de produção. Caso não tivéssemos essa clareza, jamais construiríamos o socialismo. O socialismo precisa de um motor econômico produtivo, auto-sustentável por meio das próprias ações diretas das comunidades. São elas que vão criar as novas instâncias de autogestão, e isso passa pela formação econômica e cultural.

Nas nossas universidades nós estudamos economia, e dentro da minha comunidade eu fazia parte do conselho comunal, eu era da comissão de autogoverno de uma comunidade, que junto a outros conselhos comunais fazem parte de uma comuna. A comissão era responsável por passar para a comunidade todas as orientações e informações importantes para o funcionamento da comuna. Nós fortalecemos muito o mercado popular, e para isso era necessário estabelecer os preços dos produtos e compreender como funciona o fluxo de capital dentro do sistema capitalistas e entender como são essas relações de trabalho e essas relações de troca, qual o valor das mercadorias que estamos criando.

A UNASUR, CELAC e outras organizações sociais da América Latina foram discutidas com organizações brasileiras como o MST, apenas movimentos sociais participaram dessas discussões. Agora, o povo venezuelano está inserido no congresso dos povos e estão sendo feitas jornadas de discussões e de ação, essas jornadas de diálogo e ação, estão marcadas dentro do plano da pátria 2019-2025, plano de governo do presidente.

VORJ: Aqui no Brasil muita gente acusa o Maduro de ter fraudado a última eleição, como você vê a mídia brasileira como formadora de opinião pública ?

Alí: A mídia brasileira me parece muito irresponsável, assim como a mídia venezuelana também é, e a própria direita também é muito irresponsável nessa história.. A MUD, ou pelo menos um dos seus fragmentos candidataram um cara chamado Henry Falcon, ele foi candidato em 2018 e já foi governador e prefeito na Venezuela pelo próprio PSUV. Ele dizia que era progressista, um “chavista moderado”. Quem estava fraudando a candidatura dele era a galera da MUD, a parte mais reacionária e conservadora que apoia hoje o Juan Guaidó.

VORJ: Você consegue fazer um paralelo com o Brasil atual? A MUD seria o PSDB ou o PSL ?

Alí: O partido de extrema direita é a Vontade Popular, partido fascista tipo o partido do Bolsonaro, e o Juan Guaidó faz parte desse partido. Eles nascem de problemas internos do Primeira Justiça, outro partido da direita venezuelana. O presidente do Vontade Popular se chama Leopoldo López, Juan Guaidó é somente deputado da Assembleia Nacional, que se auto-declarou presidente. É um doido que se auto-declarou e um grupo da direita respaldou. Mas a maior parte da direita não está dando respaldo político para Guaidó. Guaidó não consegue coordenar e ser a vanguarda dos partidos de direita na Venezuela, não vai conseguir, dia 30 foi uma demonstração disso. As manifestações do governo no dia primeiro de maio foram muito maiores que as da oposição.

VORJ: Você acha que o Equador dando apoio ao Maduro e a Bolívia indo a posse de Bolsonaro isolam a Venezuela na América do Sul ?

Alí: A Bolívia nos respalda, mas nós precisamos ver as condições da Bolívia, que inclusive por condições territoriais não pode ser tão radical como nós na Venezuela, inclusive nós temos declarada uma revolução. Mas a Bolívia está passando por grandes mudanças e precisa ser mais parceira de outros países por causas econômicas. Nossos parceiros na América são México (ainda não declarado), Bolívia, Uruguai, Cuba que agora está sofrendo mais bloqueios por dar apoio para nós e a Nicarágua. Um companheiro me perguntou: Por que vocês não trocam o Maduro ? Porque nossa revolução não depende do Maduro, nossa economia não depende do Maduro. Nós ainda temos mil contradições no governo, e a revolução não vai embora facilmente. As mulheres conseguem ser o ator número um da revolução e conseguem serem inseridas dentro dos principais cargos e posições da nossa revolução.

VORJ: E o povo negro na Venezuela ?

Ali: Lá não tem essa disparidade como aqui no Brasil, lá nós temos muito mestiços, e a nossa sociedade não é tão racista como a brasileira. E ela consegue lidar melhor com essas questões das discussões raciais. Aqui no Brasil existe o sistema de cotas, lá na Venezuela isso não existe, e nosso negros participam das políticas de trabalho como qualquer outra pessoa.

A Venezuela formou, desde maio mais de 20 mil pessoas na missão Rivas, que é uma educação média, as pessoas que são formadas dentro dessas missões são as pessoas de baixo recurso econômico. Toda educação na Venezuela é gratuita, na Venezuela você pode ter mais de 50 anos e se inserir na missão Rivas para ter acesso à educação básica e média.

Em 26 de abril, em uma missão chamada Rodrigues, foram formados mais de 3 mil especialistas em estudos avançados dentro da formação popular, dentre elas a medicina. Dentro das universidades tradicionais, nós formamos mais de 3 mil pessoas, e tem um número importante, dos mais de 2 mil médicos formados no dia 9 de maio de 2019 em medicina. Somente neste ano, mais de 25 mil pessoas já foram formadas na educação venezuelana, entre brancos e negros.

VORJ: No Brasil nós temos dificuldades no diálogo com os trabalhadores e na renovação de quadros. Na Venezuela essa renovação acontece mais frequentemente ?

Alí: Em 2017 quando tivemos a eleição da assembleia constituinte, tivemos uma renovação de quadros muito alta, onde grande parte dos quadros é de negros e mulheres negras. Essa discussão tem que ser mais aprofundada.

VORJ: O Brasil não teve isso, essa renovação de militância e quadros.

Alí: Isso é uma das coisas que precisam ser mais discutidas na esquerda brasileira. Os processos de formação não estão sendo levados como nós fazemos na Venezuela, vocês deveriam ter outras metodologias e questões para trabalhar. A poder popular tem que ser discutido entre vocês.

VORJ: Você acha que vai ter a guerra entre Brasil e Venezuela ?

Alí: Economicamente para Brasil e Colômbia não seria vantajoso ter guerra com a Venezuela. Porque China nunca tinha deslocado tropas para a Venezuela, e agora no caribe venezuelano tem um navio chinês, com hospital. Em uma ilha venezuelana temos militares chinês, e no nosso território temos respaldo russo também. Nós não queremos a guerra.

VORJ: Mas você sabe que a guerra aqui vai ser terceirizada? A guerra não será pelo Bolsonaro, será pelos EUA.

Alí: Eles (EUA) não atuam diretamente, eles aguardam que os próprios países da américa do sul entrem em conflito, eles vão acumular mais-valia política e econômica. Os que vão ser exterminados são os 2 milhões de milicianos, quando eu falo miliciano é a milícia bolivariana. As pessoas pobres no Brasil serão obrigadas a se apresentarem nas fileiras militares e serão as primeiras a serem enviadas para a guerra.

VORJ: Você acha que a guerra está próxima ?

Alí: A guerra bélica não é possível afirmar ainda, mas estamos em guerra econômica já.

VORJ: A nossa visão é de que para resolver a crise é necessário uma guerra para a queima de capital.

Alí: Não deveria, ontem o ministro do Irã disse que se os EUA tentam colocar o dedo na Venezuela eles iriam sofrer a consequência. Rússia, Irã e China estão defendendo nossa revolução. Sugiro os brasileiros a não entrarem nesse conflito.

VORJ: O Eduardo Bolsonaro disse que a primeira medida do governo seria entrar em guerra com a Venezuela e tirar o Maduro do poder.

Alí: Mas eles dizem isso porque essas coisas são orientações políticas. Por exemplo Colômbia, todas as ameaças tomadas contra a Venezuela foram de orientações políticas, como as do Ivan Duque, no Equador com Lenin Moreno e na Argentina com Macri também.

VORJ: O Bolsonaro falou que tá com medo da eleição na Argentina, da Cristina voltar. Você acha que a Cristina voltando as relações com a Venezuela melhoram ?

Alí: Sim, sempre tivemos boa relação com a Argentina, inclusive a Cristina esteve na Venezuela em seu último mandato. Isso também serve como ameaça, qualquer país que ajude a Venezuela sofre ameaça dos EUA. E a Argentina está mergulhada numa recessão econômica muito grande, vão utilizar isso para deslegitimar a Cristina no poder. Isso aconteceria com Haddad caso ganhasse as eleições.

VORJ: Você acha que a esquerda tá fugindo do debate da Venezuela ?

Alí: Acontece que pra vocês não chega às informações verdadeiras, para nós dia 30 de abril estava ocorrendo uma guerra na Venezuela. Chega a informação de que a esquerda brasileira apoia uma ditadura na Venezuela e não é bem assim, caso fosse uma ditadura eu não estaria aqui e as pessoas não deixariam a Venezuela.

VORJ: Você acha que algum dirigente da esquerda brasileira vai levar a bandeira da paz e da soberania nacional para discutir com a população ?

Alí: Os companheiros dos movimentos sociais podem sim. Nas discussões que tem dentro da base popular brasileira, dentro dos movimentos sociais que estão no seu ponto de ebulição, essa é a esperança.

VORJ: Nós tivemos a Dilma e a Gleise, que foi na Venezuela, e o nosso maior quadro está preso.

Ali: Vocês aqui tem uma divisão de poderes que não dialogam, lá na Venezuela todos os poderes são de esquerda, menos a assembleia nacional, mas eles estão em desacato. Faltaram essas mudanças nas estruturas de poder no Brasil. As relações entre o governo e os militares na chamada união cívico-militar, isso fortaleceu muito nossa revolução, os militares defendem os interesses do Estado e da população. Com a revolução passam a ingressar pessoas pobres e indígenas nas forças armadas.

VORJ: Mas o Chávez mudou o currículo das escolas militares ?

Alí: Sim, mudou muito, os militares eram formados para matar a população, agora existe a doutrina bolivariana e o estudo para fazer parte do processo revolucionário, das comunas, e das missões socialistas. Eles estão inseridos em muitos organismos, dentro dos governos e processos eleitorais tem que ter militares, mas não é obrigatório, é um processo de inclusão social. A governadora do meu Estado é a primeira mulher almirante da Venezuela, é militar.

VORJ: Você é de qual Estado na Venezuela, tem quantos Estados e quantos são governados pela direita ?

Alí: Sou do Estado de Lara, temos 23 Estados e apenas 5 são governados pela direita.

VORJ: Você acha que a falta da industrialização na Venezuela e a falta de uma América Latina integrada atrapalharam o desenvolvimento do socialismo na Venezuela ?

Alí: O organismo chama Mercosul estava andando muito bem nas discussões a independência e soberania industrial dentro da América, e isso repercute muito para a Venezuela, que industrialmente estava começando a se desenvolver. Fortalecemos empresas capitalistas e empresas que foram criadas para serem de propriedade social, sendo algumas desapropriadas por ferirem regras trabalhistas ou a soberania agro-alimentar do nosso país. Um dos erros da nossa revolução foi não ter conseguido criar as condições subjetivas dos trabalhadores de manter a produção que abastece as necessidades da maior parte da população.

VORJ: Você tem alguma mensagem para o povo brasileiro e pro povo venezuelano ?

Alí: Para o povo brasileiro e venezuelano, companheiros e companheiras vamos nos juntar, somos um povo latino americano, temos que voltar as nossas raízes. Mas nós temos descoberto novas reservas minerais que servem para a produção de bombas nucleares, temos mais de 800 milhões de barris de petróleo em reserva, são os maiores interesses dos EUA e dos meios de comunicação que estão desinformando nosso povos. Vamos nos formar, trabalhar e estudar para formar o poder popular, que não se constrói de uma hora pra outra. Nós precisamos do povo brasileiro para desmentir todas essas informações falsas, se não contamos com o Estado brasileiro, precisamos do respaldo do povo brasileiros. Nosso problemas são os mesmos e nossos inimigos são os mesmos. Esse é nosso chamado à juventude, às mulheres, crianças, vamos seguir construindo nossa pátria, nossa independência e o socialismo.

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