MILICIANOS DESTROEM SÍMBOLO CRISTÃO EM ATAQUE CRIMINOSO

Em mais uma empreitada miliciana ao morro do 18, na região de Água Santa e Piedade, soldados de grupos paramilitares, usando uniformes pretos sem identificação e outras roupas civis, marcharam em direção ao alto do morro em pleno final de manhã, próximo ao meio dia, na última quarta-feira (26).

Depois da fracassada tentativa de expulsar os traficantes do morro do 18 (ADA), em uma elaborada operação paramilitar, que coincidentemente ou não, ocorreu ao mesmo tempo de uma operação da própria PMERJ, o clima de tensão permaneceu na região, em um hiato nos conflitos entre milicianos e traficantes.

Mas, em uma situação no mínimo surpresa, os milicianos tentaram mais uma invasão, de acordo com moradores, com o apoio de traficantes da Serrinha (TCP). Como já vem sido noticiado em alguns portais e noticiários independentes, sabe-se de uma união entre milicianos e traficantes do TCP, conhecida e propagandeada pelos próprios como “União 5.3”.

Como o mundo é lotado de coincidências, mais uma vez foi vista a presença policial ao mesmo tempo do ocorrido, utilizando-se inclusive do “Caveirão” em ruas principais do bairro. Ainda sim, o próprio 3º BPM (Méier) afirmou que não houve nenhuma participação policial nos conflitos.

O que há de mais surpreendente na situação como um todo é que os grupos milicianos unidos, ao subir à parte campada no topo do morro, destruíram um símbolo da região, o cruzeiro do Morro do 18. Assim como em outros morros da Zona Norte da cidade, que também possuem cruzeiros, o cruzeiro do 18 é um tradicional símbolo cristão construído no passado. Não podemos esquecer, é claro, que um cruzeiro é uma cruz cristã. Diversos cruzeiros podem ser encontrados pela cidade e também no interior do estado, em geral erguidos pela própria Igreja Católica Apostólica Romana.

Na lógica interpretativa dos criminosos, o cruzeiro é um símbolo da comunidade, e logo, dos traficantes da região. Por conta disso, o içaram com cordas e derrubaram, com direito a comemorar em cima de suas ruínas.

Em meio à invasão, um jovem de 24 anos, Luciano da Costa, morador da Água Santa, foi morto baleado dentro de sua própria casa. Seu corpo foi encontrado por seu pai, Francisco da Costa, de 57 anos, em cima de sua própria cama. Por ordem dos paramilitares, seu pai teve que levar seu corpo, já desfalecido, para a Rua da Pátria, uma das principais do bairro da Água Santa, para que pudesse ser realizada a perícia.

Após esse ocorrido, jovens da região decidiram construir um ato contra a violência. Esse ato foi marcado para o dia seguinte à morte do rapaz (27), às 16h, na Rua da Pátria, local para onde seu corpo foi levado.

O destino da região ainda é incerto. No momento só nos resta aguardar para saber os desdobramentos dessa invasão. Conforme relatado em uma reportagem anterior do Voz Operária RJ, existem muitos interesses envolvidos na empreitada miliciana, que cresce em ritmo acelerado desde o início do governo Witzel.

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