General Heleno não responde como não sabia dos 39 kg de cocaína no avião presidencial

Na manhã do último dia 10 de julho, o General Augusto Heleno, chefe do Gabinete de Segurança Institucional – GSI, foi chamado à Câmara dos Deputados para prestar esclarecimentos sobre o episódio envolvendo o tráfico de 39 kg cocaína no avião da comitiva presidencial.

A audiência pública foi convocada durante a votação da Reforma da Previdência, com o objetivo de abafar sua repercussão na imprensa. Mesmo se utilizando de várias manobras, tais como: censura aos deputados da esquerda, restrição ao público e imprensa, redução do tempo de fala do general e outros artífices, o general Heleno não respondeu os questionamentos. Pelo contrário, encobriu o crime e saiu pela tangente com a retórica: “o caso está sob investigação”. Não respondeu como um chefe da inteligência não sabia que um traficante transportava 39 kg de cocaína no avião presidencial.

Sabemos como terminam (ou não) as investigações conduzidas pela nova Ditadura Militar. Basta vermos, dentre tantos outros, os casos da execução da vereadora Marielle Franco ainda sem resposta, dos crimes de tortura conta jovens em quartéis no Rio de Janeiro e do músico negro que foi fuzilado com oitenta tiros.

Os 39kg de cocaína continuam sem resposta.

Mesmo com o circo montado na Audiência para que o General Heleno se saísse bem, ele acabou se expondo ao usar o espaço para atacar o PT, Lula e a esquerda. Achincalhou o povo brasileiro ao dizer que sente vergonha de ganhar 19 mil reais. Não respondeu da sua condenação por desvio de recurso e nem o super-salário que ganhava no Comitê Olímpico. Sem dúvida deve sentir vergonha, já que ganha muito mais dinheiro vendendo a Embraer e traficando cocaína, porque esse é o modo de operar das ditaduras.

Infelizmente, os deputados da esquerda tiveram uma postura republicana e conciliadora com os militares, em vez de utilizar o espaço para denunciar o entreguismo e a traição das Forças Armadas.

Como em 2014, os deputados da esquerda usam a mesma retórica. Na época muitos falavam: “Não somos contra a Lava-Jato, mas há excessos”. Retórica que não serviu para nada, além de gerar confusão na população. Hoje falam: “Respeitamos as Forças Armadas, mas há militares que são entreguista”. A questão é que não se trata de um ou outro general: o projeto das Forças Armadas Brasileiras que vigorou durante a ditadura de 1964-1989 foi o projeto entreguista.

O discurso parlamentar republicano não irá constranger os generais golpistas. Esses psicopatas passaram 25 anos torturando, matando e assaltando o Brasil e, durante 31 anos, foram formados dentro da doutrina de segurança nacional e de Golbery*. Heleno já chegou ao ponto de enviar um general brasileiro para ser funcionário de Washington.

É importante que a esquerda e suas lideranças entendam que o Brasil está em guerra. Os Estados Unidos derrubaram o nosso governo e regime constitucional para pilhar nossas riquezas. Diferentemente de outros países onde os EUA invadem, aqui eles usaram o próprio Exército Brasileiro para declarar guerra ao Brasil.

*Doutrina Golbery é o pensamento militar do general Golbery do Couto e Silva (1911- 1987). Responsável pela fundação do Serviço Nacional de Informações (SNI), atualmente conhecido como Gabinete de Segurança Institucional (GSI), tinha como objetivo a eliminação de inimigos do regime. Sob forte influência entreguista, Golbery afirma que “parte do pressuposto de que, devido a sua posição geográfica, o Brasil não pode escapar da influência estadunidense. Nessa situação, não lhe resta outra alternativa além de “aceitar conscientemente” a sua missão de se associar a política dos “Estados Unidos do Sul”. A contrapartida dessa “escolha consciente” seria o reconhecimento, por parte dos Estados Unidos, de que “o quase monopólio” da dominação naquela área deve ser exercido pelo Brasil exclusivamente. Essa expressão, “quase monopólio” resulta, igualmente, da impossibilidade de ignorar as pretensões que a burguesia argentina também alimenta no terreno.” (Golbery, Aspectos geopolíticos do Brasil)

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