Povo de Porto Rico derruba o governo fantoche dos EUA

Desde 1972, a Organização das Nações Unidas (ONU) tem aprovado resoluções à favor da descolonização da ilha de Porto Rico. Na ilha, ao total foram realizados 25 plebiscitos consultivos à população referente ao fim da colonização. O último foi em fevereiro de 2017, dos 2.260.804 eleitores porto-riquenhos registrados, apenas 502.801 eleitores votaram pela continuação da colonização. Isso representa 22,24% dos moradores de Porto Rico registrados para votar.

Os Estados Unidos nunca manifestaram o interesse de anexar Porto Rico como um estado na sua federação, mas converteu o país no “paraíso” para a exploração das empresas norte-americanas. As empresa que chegam na ilha buscam mão de obra barata e sem se preocupar com os direitos ambientais ou trabalhistas.

Desde de 2018, ocorrem protestos contra o governo de Porto Rico, porém os mesmos não encontram divulgação na mídia empresarial, até que recentemente os protestos massivos tornaram-se quase que diários.

A grande mídia aponta que o estopim para os protestos se refere conversas vazadas pelo governador da ilha, Ricardo Roselló, com 11 de seus funcionários mais próximos, nos quais casos de corrupção, “piadas” sexuais e racistas foram ao ar.

A ilha caribenha enfrenta uma grave crise econômica. A dívida pública subiu para 70 bilhões de dólares. Naturalmente, a crise econômica se desdobra em uma crise social e política profunda. Com 12,4% de desemprego, com 45% de sua população vivendo em estado de pobreza, e uma migração generalizada, a ilha tem 3,4 milhões de habitantes, enquanto mais de 5 milhões de porto-riquenhos vivem nos EUA.

Em 2017, o furacão Maria, mas especialmente o tratamento de suas conseqüências, seria outra peça no quera-cabeças da crise atual. Porto Rico perdeu quase 6% de sua população devido ao desastre; uma porcentagem de mortes e outro resultado da migração devido ao fato de que as áreas afetadas nunca foram recuperadas pelas autoridades.

Por exemplo, o governo Roselló diz que cerca de 1.400 pessoas morreram com o furacão Maria, no entanto, outras investigações independentes anunciam que o número de mortes chegam a quase 3 mil pessoas. Isso causou indignação entre a população, que nos protestos atuais tem como exigência uma investigação sobre as mortes.

Em maio deste ano, a Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou o Plano de Recuperação fiscal de Porto Rico. Foi aprovado o envio de U$ 17.200 milhões e, apesar da oposição de Donald Trump, mais o desembolso de cerca de U$ 40 bilhões para a reconstrução da ilha (dinheiro ainda pendente).  Porém, não se trata de uma “ajuda”, mas é uma armadilha. Para ter aceso ao dinheiro, Porto Rico foi obrigado a aceitar uma Junta de controle fiscal imposta por Washington. A junta tem poderes executivos e legislativos na ilha.

Em um acordo unilateral, onde os porto-riquenhos não discutinham os seus termos, a ilha é obrigada à aplicar um duro plano de ajuste fiscal, que levou ao fechamento de metade das escolas da ilha, cortes nas aposentadorias e no orçamento de saúde. O objetivo da Junta é assegurar o pagamento dos U$ 70 bilhões aos credores de Wall Street.

Essa situação de crise levou à renúncia do governador Roselló, no último dia 25 de julho, que foi amplamente celebrado por milhares de manifestantes que se concentraram desde a noite de terça-feira nos arredores da La Fortaleza, sede oficial do governo de Porto Rico, apesar do fato de que a polícia tentou dispersá-los com gás lacrimogêneo e bombas.

Artistas da indústria norte-americana, como Bad Bunny, René Pérez e Ricky Martin e outros surgiram nas manifestações para referendar o establishment colonial nas ruas e confundir a reivindicação dos porto-riquenhos dendo enfoque nas pautas morais e difusas.

Os mesmos artistas que surgem para ser o tampão da revolta popular que se direciona para a luta contra a ocupação colonial norte-americana, apoiaram e são que são sustentados pelo grupo político que domina a política da ilha e a máfia de cocaína do triângulo Colômbia, Miami e Porto Rico.

É importante ressaltar a importância geopolítica que tem Porto Rico para América Latina e Caribe. De San Juan, capital da ilha, é necessário apenas 1 hora de voo para Caracas, capital da Venezuela. Por essa razão, a ilha é fundamental para estratégia de guerra dos EUA contra a Venezuela. Porto Rico tem um longo histórico de ser utilizado como base do Imperialismo estadunidense para agredir os povos da região, por exemplo, de lá partiram os ataques contra Cuba em 1961 e operações dos homens-rãs.

Se nos interessa a libertação nacional do Brasil, é importante defender a libertação nacional de Porto Rico, pois o país acabando com a fronteira estadunidense no caribe e sua vitória é uma derrota dos EUA na Região.

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