Os rumos da política genocida de Witzel

Nesse mês de agosto, tivemos uma demonstração-relâmpago das intenções do governo Witzel com a segurança pública, e, na prática, tivemos mais uma confirmação da função das polícias neste governo.

Em um curto período de tempo, vimos a morte de seis jovens em diferentes áreas da região metropolitana, de perfis e características diferentes, e bem contrárias ao perfil criminalizado pelo próprio governador Wilson Witzel, que, em sua lógica, acredita ser um juiz de inquisição (assim como todos os outros juízes golpistas), acima do que são, de fato, as leis e a garantia de direitos em nosso país. Em comum, tudo o que esses jovens tinham era a pele de cor preta.

Há hoje em curso no Brasil um verdadeiro genocídio da população negra, que tem, como teria, afinal, um genocídio, alvo principal na juventude. Homens negros são diariamente assassinados em nosso país pelas mais diversas razões, e ocupam o topo dos índices de letalidade violenta. Não obstante, são também os maiores números vítimas de violência policial, em uma perseguição que culmina também em torná-los os mais encarcerados, enquadrados em crimes do tráfico de drogas, em grande parte dos casos por quantidades pífias de ilícitos.

As declarações do governador não atendem a nenhum propósito, a não ser o de reiterar e legitimar a narrativa que transforma jovens negros em inimigos internos do Estado Nacional, tal qual um dia foram os ciganos e judeus para o Nazismo. Apesar de toda sua bravata e pose de mandão, como toda e qualquer outra “política” de segurança pública do campo dos golpistas, suas falas são incapazes de sequer arranhar a superfície do real problema de segurança pública do Rio de Janeiro, por serem construídas na base do “achismo”, anticientíficas, ignorando dados propositalmente para alimentar narrativas interesseiras do que há de mais desprezível no pensamento social direitista brasileiro, como a eugenia.

Quando fala, o governador deixa claro que realmente não conhece o estado que governa, pois é incapaz até mesmo de raciocinar sobre questões simples e apoiar-se em dados estatísticos, ou seja, na concretude desse lugar que ele fala. Por exemplo, quando ele fala que o problema do Rio são indivíduos andando de fuzil por favelas da cidade, ele se esquece de coisas básicas, como por exemplo: Não há nenhum dado contabilizando o número de fuzis de assalto dentro do estado do Rio, nem ao menos uma estimativa baseada no número de apreensões por ano. Menos ainda, existem estatísticas sobre a distribuição geográfica dessas armas no nosso território, o que significa, por suposto, que a maioria dos fuzis dentro da região metropolitana podem não estar nas favelas. Podem estar, por exemplo, em um condomínio da Barra da Tijuca, como no caso da apreensão de 117 fuzis de um miliciano que residia no mesmo condomínio do presidente Jair Bolsonaro, essa sim, que é sabida como a maior da história do estado. Mas é claro, são apenas suposições.

Não obstante, como não existe nenhum tipo de registro público em forma de estatísticas, estimativas e afins desses fuzis, não é possível nem afirmar quantos homicídios podem ser atribuídos a essas armas e seus portadores. Ou seja, em um outro exercício ousado de imaginação, nós poderíamos presumir que os fuzis da Polícia matam muito mais que os do tráfico, já que temos acesso a índices de letalidade policial. Mas esse não é o nosso objetivo, pois sem os dados faltantes, são apenas suposições. E de conversa de bar já bastam as declarações do sr. Witzel.

Por fim, todas as declarações do governador nesse mesmo sentido não são apenas um desrespeito a todos os profissionais dos mais variados tipos, sociólogos, antropólogos, geógrafos etc; que dedicam-se a décadas aos estudos de segurança pública no Brasil, mas a toda a população negra brasileira, porque toda a sua bravata e demonstração de “macheza” não passam de mentiras que têm como objetivo fortalecer a narrativa que criminaliza e mata os negros brasileiros, principais alvos das polícias nas periferias, e do encarceramento, quando não são mortos nessas injustas agressões.

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