Militares financiam extrema direita na Espanha com o tráfico de cocaína

SOB ORDENS DOS MILITARES, EDUARDO BOLSONARO NEGA O DEPOIMENTO DO TRAFICANTE DO AEROCOCA

Nesta terça-feira (01/10), a comissão de relações exteriores e defesa nacional (CREDN) presidida pelo deputado Eduardo Bolsonaro negou o pedido dos advogados do sargento Manoel Silva Rodrigues acusado de transportar 39 quilos de cocaína em avião da comitiva da presidência. A defesa do réu enviou e-mails para o deputado solicitando prestar depoimento que não foram atendidos pelo presidente da comissão. Após tentativas frustradas, os advogados ajuizaram o pedido reclamando por direito de resposta, assegurado na Constituição, sobre o processo. O militar que se encontra preso na Espanha afirma que o presidente da comissão convidou o general Augusto Heleno do Gabinete de Segurança Institucional e membros da Força Aérea Brasileira para se manifestarem sobre o episódio de sua prisão. O militar alega que ele também tem o direito de se manifestar sobre o caso. O réu que responde em inquérito militar pede que seja representado pelo seu advogado. No entanto, A juíza de primeira instância da vara Cível de Taquatinga (DF), Carina Leite Macedo indeferiu o pedido pois “[…] referidas comissões não constituem veículos de comunicação e tampouco são competentes para tramitação de processo criminal, no qual o requerente terá oportunidade de defesa assegurada […]”.

O deputado Alexandre Padilha (PT-SP) apresentou requerimento na Comissão de Relações Exteriores para ouvir o sargento da Manoel Silva Rodrigues, acusado de transportar 39 quilos de cocaína em avião da comitiva de Jair Bolsonaro. 

O também deputado, Alex Manente (CIDADANIA/SP) emitiu requerimento de informação N.º 797, DE 2019 (do Sr. Alex Manente) ao Ministro-Chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República sobre a detenção do militar Manoel Silva Rodrigues por tráfico internacional de drogas em avião da Força Aérea Brasileira que integra a comitiva presidencial. Das 5 perguntas feitas no requerimento destacamos 2 respostas absurdas do ministro da defesa Fernando Azevedo e Silva. A primeira diz que “a FAB utiliza rigoroso controle, com cães farejadores e raio-X das bagagens da tripulação”. E a quinta e última, ao ser indagado “Existem outras ocorrências de tráfico internacional de entorpecentes, armas e/ou outros tipos de contrabando nas Forças Armadas? Anexar íntegra dos eventuais inquéritos e lista dos militares envolvidos nos feitos”. O Ministro mentiu descaradamente “Não existem”.

Sargento preso traficando é bolsonarista e viajou 18 vezes em comitivas presidenciais

HELENO MANDA BOLSONARO MUDAR ROTA PARA O G20

Consultamos a agenda presidencial entre os dias, que antecederam e se sucederam, ao escândalo do Aerococa. No Dia 24 de junho, às 11h45, o general Augusto Heleno, Ministro-Chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, se reuniu com Bolsonaro no Palácio do Planalto. A duração do encontro foi de 35 minutos, tempo suficiente para instrução sobre os planos para o encontro do G20 e sua escala programada em Sevilha. No mesmo dia, às 14h45, o general Fernando Azevedo, Ministro de Estado da Defesa também se reuniu com Bolsonaro no Palácio do Planalto. Na ocasião conversaram por 45 minutos. Bolsonaro seguiu sua agenda de encontros, e o voo do avião da comitiva partiu às 22h da base aérea de brasília. Fez uma parada técnica em cabo verde e seguiu para Sevilha chegando no aeroporto de San Paolo às 13h  (8h horário de brasília).

As autoridades espanholas detiveram o militar e comunicaram o ocorrido às autoridades brasileiras. Imediatamente, o general Heleno se reuniu às 10h30 com o Bolsonaro para alterar a rota da comitiva ao G-20. De acordo com a agenda da presidência, a comitiva iria para Sevilha e após o escândalo transferiu a parada para Lisboa, na tentativa de desassociar a presidência da república ao tráfico de cocaína. 

ANDALUCIA É REDUTO DO PARTIDO DE EXTREMA DIREITA

Foi a partir de Andalucia que o Vox (partido de extrema-direita espanhol) traçou sua estratégia de “reconquista” do poder. Quando fundado em 2013, foi nessa província que o partido obteve a maior votação em todo o país. Elegeram em 2018, 12 deputados entre 109 vagas, representado (10%). 

O Vox é a resultante da aplicação do projeto neoliberal imposto nas últimas décadas. Tal política jogou o povo espanhol, e sobretudo a juventude no desemprego e no crescimento exponencial da pobreza. Em resposta demagógica, o Vox apresenta uma plataforma protecionista e “nacionalista”. Contudo defende o neoliberalismo. 

STEVEN BANNON ESTEVE REUNIDO COM SANTIAGO ABASCAL, PRESIDENTE DO VOX

Steven Bannon e Rafael Bardají, líder do Vox

Nessa estratégia de “reconquista” de poder, o ex-agente da CIA, Steven Bannon, elaborou uma poderosa política de contrainformação nas redes sociais e na imprensa. Nesse sentido se reuniu, uma semana antes da apreensão do Aerococa, com Santiago Abascal (presidente do Vox). O objetivo era traçar a estratégia de financiamento e desinformação para as eleições do parlamento europeu. O Vox íntegra uma rede de partidos de extrema-direita que atuam em diversos países que são impulsionados pelo eixo de dominação dos Estados Unidos e Israel (CIA e MOSSAD) que inclui o PSL no Brasil. 

MILITARES BRASILEIROS FINANCIAM COM COCAÍNA AS ELEIÇÕES DA EXTREMA DIREITA

Não é mera coincidência que após o golpe de Estado dos Estados Unidos contra o Brasil, em 2016, seja flagrado um militar utilizando o avião da Força Aérea para traficar cocaína. Ao longo da história, os EUA sempre deram apoio à ditaduras, guerras e golpe de Estado com o dinheiro do narcotráfico. Também não é um fato isolado ou um debate novo o envolvimento das Forças Armadas — em toda a America Latina —, nos esquemas do narcotráfico.

No Brasil, o esquema de tráfico e armas montado durante a Ditadura Militar permaneceu durante os anos da Nova República (1988-2016). Não houve ruptura na estrutura entreguista e criminosa montada durante a Ditadura. Pelo contrário, os militares criminosos receberam anistia. Hoje, sem ter acertado as contas históricas, pela Comissão Nacional da Verdade, do governo Dilma, os militares voltam a dar um golpe e seus velhos esquemas com o narcotráfico são novamente desvendados.

 O crime denunciado, na última terça-feira [dia 25], donde um sargento da FAB foi pego traficando 39 kg cocaína por autoridades espanholas, revela que o militar traficante tinha a certeza da impunidade e o apoio dos militares brasileiros. O militar já traficava por um longo tempo, tendo viajado 18 vezes em comitivas com o miliciano presidente eleito na fraude.

Em segundo a Perícia da Polícia espanhola, a cotação mínima para 39 kg de cocaína, revelou ser 80% de pureza, está estimada em 5 milhões de dólares, ou seja a nova Ditadura Militar está financiando suas operações através do tráfico de drogas.

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