Ditadura neoliberal declara guerra ao povo chileno

No Chile, os protestos iniciados há mais de uma semana estão sendo brutalmente reprimidos pelo governo neoliberal de Sebastián Piñera, elevando o saldo de mortos para quinze (15), até o momento. As manifestações contra o governo no Chile explodiram e se tornaram mais radicalizadas com a declaração do estado de exceção e o toque de recolher, sob ordens dos Estados Unidos.

O “DEMOCRÁTICO” GOVERNO DO CHILE INSTAURA A CENSURA, ESTADO DE SÍTIO E TOQUE DE RECOLHER

Essa foi a primeira, desde 1986 na Ditadura de Pinochet, que é declarado Estado de Exceção por motivações políticas. A última se deu em função do terremoto, ocorrido em 2014, quando se declarou Estado de Emergência.

No dia 18 de outubro, estudantes secundaristas chilenos ocuparam estações do Metrô de Santiago contra o aumento da tarifa do transporte. Em resposta, o governo desencadeou uma brutal repressão contra o movimento que estimulou uma resposta de amplos setores da sociedade.

Assim como ocorreu no Brasil em 2013, pequenos “grupos violentos não identificados”, dissonantes com o restante das manifestações, iniciaram incêndios a prédios públicos e privados. Assista:

Em combinação com a mídia empresarial, que iniciou uma campanha para justificar a violência Estatal contra o povo, o governo neoliberal lançou os militares nas ruas da capital. Se trata, portanto, de mais uma operação de deslegitimação e de criminalização das manifestações populares. É importante lembrar que aqueles que manipulam a violência e o crime organizado são justamente o Estado e a direita golpista.

O que vemos, desde a primeira Revolução Colorida em 2000 na Iugoslávia — a “Revolução de Bulldozer” que levou à derrubada de Slobodan Milošević em 5 de outubro e a desintegração territorial do país —, é que o espontaneísmo das massas não passa de um mito acadêmico. Em uma realidade informatizada e integrada globalmente, ou os levantes se dão pela via legítima da organização popular dos povos oprimidos (como vemos no Equador e Haiti), ou pela via do fomento das agências de informação internacionais (como no Brasil de 2013), ainda que por interesses diversos, visando ou o recrudescimento das ditaduras na América Latina, ou a derrubada de governos não-alinhados no Oriente Médio e Europa Oriental.

Segundo um venezuelano residente do Chile e amigo do editorial VO, o governo de Piñera estaria utilizando setores desorganizados e imersos na extrema pobreza para criar condições que justifiquem uma repressão mais violenta, apresentando sua ditadura como a “salvaguarda da ordem”. Em meio à convulsão social, o povo chileno pede, dentre outras coisas, a estatização dos serviços básicos e uma nova Assembleia Constituinte.

Nesse sentido, Piñera decretou Estado de Emergência nesse último sábado (19) e, posteriormente, o Exército tomou as ruas de Santiago e de outras partes do país. No mesmo dia, o governo chileno estendeu a medida de toque de recolher na região metropolitana de Santiago para outras cidades do país. Logo, a população reagiu ocupando as ruas contra o toque de recolher.

O que inicialmente teve como estopim o aumento da tarifa de transportes do metrô se converteu em uma revolta popular contra as medidas neoliberais do governo. As pautas do movimento também sinalizam saídas políticas: uma nova assembleia constituinte; estatização dos serviços básicos; nacionalização de recursos naturais; maior participação através de plebiscitos; respeito e devolução de terras aos povos originários; seguridade social digna.

Indignados pela presença do Exército nas ruas, diversos segmentos da sociedade entraram em conflito com a polícia, que usou canhões de gás lacrimogêneo, bombas e disparos de fuzil para dispersá-los. É noticiado que em diversas regiões do país o Exército realizou sequestros seletivos. Há também denúncias de abuso sexual e tortura em delegacias e quartéis.

EUA E GOVERNOS GOLPISTAS DO GRUPO DE LIMA APOIAM REPRESSÃO CONTRA POVO CHINELO

“Estamos em guerra”. Essa foi a declaração do energúmeno que ocupa a cadeira presidencial do Palácio de La Moneda, sede do governo do Chile, após uma reunião com o general do exército, Javier Iturriaga, responsável pela ocupação militar de Santiago e que assume as funções de governador local.

No entanto, diferentemente de outros momentos, quando a vigilância dos organismos internacionais se fez presente para condenar a Venezuela, há um claro bloqueio informativo e conivência com a repressão. Vimos essa “política” de “dois pesos e duas medidas” sendo aplicada no Equador e agora no Chile, onde revela que a menor preocupação dos EUA e de seus governos lacaios na região é com a democracia e direitos humanos.

Não podemos deixar passar despercebido a falta de moral política da Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, que após uma semana de violações dos direitos humanos em seu país que até o momento já deixou 15 pessoas mortas e mais de 2.000 presos, emitiu uma declaração titubeante onde condena a “violência” (não explicando se dos manifestantes ou do Estado) e chama ao “diálogo”. Para condenar a Venezuela, a senhora Bachelet foi “enérgica” e mentirosa, mas para defender seu povo da repressão da ditadura pinochetista de Piñera, ela faz ouvidos surdos. A pergunta que fica é: que tipo de diálogo pode ser possível quando o Exército está nas ruas massacrando o povo?

Assim como ocorreu no Equador, Piñera tenta manobrar com as mobilizações chamando para um diálogo infrutífero. Seu objetivo é conter a mobilização e reorganizar os aparatos repressivos do Estado para promover uma ofensiva ainda mais dura contra o povo chileno.

Novamente a direita continental, através do Grupo de Lima, acusa a Venezuela, Cuba e o Foro de São Paulo pelas manifestações no Chile e Equador, como se tivesse algum controle sobre a América Latina. Querem acusar a esquerda nacionalista e os povos de uma prática que é permanente do Imperialismo: coordenar operações golpistas simultâneas no continente. O único responsável pelas explosão social no Chile e no restante da América Latina são as políticas neoliberais e neocoloniais do imperialismo norte-americano e dos banqueiros internacionais (FMI).

CONTEXTO DA REVOLTA POPULAR

Muitos analistas apontam que essas revoltas sociais não encontram precedentes desde o fim da Ditadura do general Augusto Pinochet (1974-1990). Esse fato, coloca em crise a propaganda do imperialismo que a presenta o regime neoliberal no Chile como “modelo exitoso”. A direita latino americana sempre pregou que era um “exemplo de democracia” e “estabilidade econômica”. Esse era uma mentira que escondia uma realidade de gigantesca injustiça social e um projeto neoliberal, efetivamente consolidado pela ditadura fascista de Pinochet.

Hoje, em um país onde tudo é absolutamente privatizado, 52% dos chilenos vivem com menos de 500 dólares mensais. Cerca de 2 milhões de chilenos estão aposentados no sistema privado, que impõem uma pensão de fome de U$ 250 por mês (com constante atrasos e cortes). O sistema de saúde privado é outro grande drama da população. As consultas médicas no Chile estão em cerca de 100 dólares, o valor do medicamento está 2.000% acima do valor do mercado mundial, 25 mil crianças estão na lista de espera para ter atendimento médico e, apenas no ano de 2018, 10.800 pessoas morreram sem acesso médico nas filas de espera.

Igualmente, o Estado chileno não assegura nenhum outro direito. O Direito à greve não existe e a Constituição atual é a mesma do ditador Pinochet, que é usada de maneira permanente contra o povo chileno.

Esse modelo neoliberal imposto pelo Imperialismo em toda América Latina jogou o subcontinente em uma profunda crise política, social e econômica. No Chile, esse modelo já gerou inúmeras crises, que já se expressaram nas mobilizações estudantis de 2011, a luta pela gratuidade na educação e pela estatização da aposentadoria pública.

A TENDÊNCIA EXPLOSIVA NA AMÉRICA LATINA

As oligarquias locais e o Imperialismo tiraram lições das experiências neoliberais aplicadas na América Latina durante as décadas de 80 e 90 do século passado. Dessa vez, eles estão mais preparados para responder a revolta social gerada pela aplicação dessas políticas gerais e estão indispostos de permitirem o retorno da esquerda nacionalista aos governos.

Por essa razão, o retorno da esquerda nacionalista aos governos dependerá de uma dura, radical e organizada mobilização popular. É urgente entender a necessidade de coordenar ações de solidariedade, mobilização e campanhas contra as perseguições políticas na América Latina, fortalecendo os organismos populares latino-americanos de articulação política.

A luta pela liberdade de Jorge Glas no Equador, dos estudantes chilenos presos e do Presidente Lula no Brasil é uma só, que se expressa na luta dos povos contra as ditaduras neoliberais subordinadas ao imperialismo. Nesse sentido, a mobilização do povo brasileiro pela liberdade do presidente Lula e contra o regime militar, é a maior prova de solidariedade que podemos ter com o povo chileno em luta.

É hora de reagir a ocupação colonial dos EUA no Brasil, Chile e toda América Latina!
Fora militares das ruas do Chile e do Brasil!
Liberdade para Lula e todos os presos políticos do imperialismo!
Solidariedade ao povo chileno em luta!

Anúncios

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s