Lava-jato é derrotada e presos políticos tiveram sua liberdade decretada na Alerj

Nessa última terça-feira (22) foi colocado em votação na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro – ALERJ à liberdade dos cinco deputados estaduais que tiveram seus mandatos cassados em novembro de 2017 pela operação “cadeia-velha”.

O QUE FOI A OPERAÇÃO CADEIA VELHA?

A operação cadeia-velha é um desdobramento da Lava-jato no Rio de Janeiro. Supostamente tem como objetivo prender acusados de envolvimento no esquema de venda de votos . Condenou, cassou e prendeu cinco deputados estaduais a partir de delação premiada, ilações e sem provas. A tese sustentada pelo Ministério Público e Polícia Federal dizia que o ex- governador Sérgio Cabral, [Em outubro desse ano, sentenciado pela 12ª vez, pelo golpista Marcelo Bretas. Penas que acumulam 267 anos de prisão] diz que foram pagos cerca de R$ 54,5 milhões em propinas aos parlamentares desde o segundo mandato de Cabral, em 2011.

Segundo delação premiada, parte desse dinheiro foi obtido por meio de superfaturamento de contratos e os parlamentares recebiam de cargos públicos em troca votavam a favor do governo. Afirma o procurador regional da República [de Curitiba] Carlos Aguiar – A Alerj se transformou numa verdadeira propinolândia, tamanho eram os benefícios passados a esses deputados em troca de apoio .

De acordo com o MP e PF, Os beneficiados com as contribuições mensais foram André Corrêa (R$ 100 mil); Edson Albertassi (R$ 80 mil); Coronel Jairo (R$ 50 mil); Luiz Antônio Martins (R$ 80 mil); Marcelo Simão (R$ 20 mil); Marcos Abrahão (R$ 80 mil) e Marcos Vinicius Neskau (R$ 50 mil). Além disso, Albertassi, Luiz Antônio Martins e Marcos Abrahão também receberam contribuições para as campanhas eleitorais de 2014, recursos desviados de diversas fontes nos valores de R$ 1 milhão, R$ 1,2 milhão e R$ 1,5 milhão, respectivamente.

CADEIA VELHA COMO INSTRUMENTO DE CONSOLIDAÇÃO DO PODER DAS MILÍCIAS E DA LAVA-JATO NO RIO DE JANEIRO

O Editorial do Voz Operária foi a única organização política do Rio de Janeiro a se colocar publicamente contra a Operação Cadeia Velha. Naquele momento, avaliamos que a Operação Cadeia Velha era um instrumento da Lava-Jato para perseguir as oligarquias locais e preparar a intervenção militar no estado, como de fato ocorreu em 2018, levando ao assassinato da vereadora Marielle, do músico Evaldo (fuzilado pelo Exército com mais de 100 tiros), da menina Eduarda e milhares de outros cidadãos fluminenses.

Os ataques às oligarquias locais levaram ao poder político do estado as milícias e a Lava-Jato, que elegeram Witzel, Bolsonaro e uma bancada de extrema-direita. Sem a Lava-Jato não teria sido possível a ocupação militar do Rio de janeiro, que abriu terreno para o assalto ao poder político pelos militares.

A Lava-Jato desmontou o poder do MDB e do centrão no estado. Em 2018, pela primeira vez na história do Rio, o partido não lançou candidato, perdeu dezenas de prefeituras e bancada parlamentar. Colocou na cadeia, sem provas, os principais dirigentes do MDB do estado. Fortalecendo com seu discurso demagógico “anticorrupção” a campanha posterior do PSL e Bolsonaro.

Já a intervenção militar, ocupou os territórios. Levando ao poder local as milícias, as igrejas neopentecostais e organizações criminosas (PCC e TCP) que são veiculadas ao projeto de carterização do crime pelos militares.

LAVA-JATO É RESPONSÁVEL PELA DESTRUIÇÃO DO RIO DE JANEIRO

Enquanto o MP de Bretas e o Exército do general Braga Netto se vangloriam por terem “desarticulado” o “mensalinho da alerj”, que teria desviado 54,5 milhões, nacionalmente o prejuízo econômico da Lava-Jato atingiu entre 2,5% e 3,9% do PIB. Representando 142,6 bilhões de reais de danos ao país (dados da FGV). A Consultoria Tendências aponta que o prejuízo nos investimentos de todas as empresas envolvidas chegam em 5% do PIB.

Foi exatamente no Rio de Janeiro, estado que concentra o maior número de estatais, que esse impacto se fez mais presente. Obras paralisadas, demissões, cortes em investimentos, endividamento das famílias, crise financeira, fechamento de empresas e entre outros são alguns dos efeitos das ações antinacionais da Lava-Jato.

PSOL E PSL VOTAM PELA CONTINUIDADE DO PROJETO DA LAVA-JATO E GSI NO RIO DE JANEIRO

A Lava-Jato, que nos últimos meses vem sendo desmoralizada pelos seus crimes revelados pelo site The Intercept, tenta manobrar com a opinião pública, para reabilitar seu poder através da soltura dos 5 deputados. Segundo a Constituição, membros do legislativo apenas podem ser presos com autorização do Legislativo, exceto em casos de prisão em flagrante delito.

Apenas para saciar a opinião pública de direita, a bancada do PSOL do Rio de Janeiro votou com o fascismo pela permanência das prisões ilegais dos deputados. Dessa forma, fica mais uma vez provado que o “enfrentamento” desse partido ao golpe de Estado é performático e publicitário, pois nas grandes questões que se referem ao enfrentamento com a Lava-Jato, o PSOL se associa para manutenção do poder da quadrilha de Curitiba.

Além disso, o PSOL sustenta a tese mentirosa da Lava-Jato, que busca culpar a “má gestão” do MDB no estado e suas exonerações fiscais pelo desmonte da economia e do tecido social fluminense. Quando na realidade, os dados comprovam que o grande culpado da crise atual no Rio é a própria Lava-Jato, que o PSOL apoiou e seque apoiando, conforme visto na votação da Alerj.

Marcelo Freixo, que se diz contra o pacote do Moro (mas que meses atrás dizia que haviam aspectos positivos no projeto), só se coloca em oposição porque na Câmara já não há maioria para passar o pacote “anticrime”, mas aqui no Rio de Janeiro vota favorável à Lava-Jato. Cínicos!

Parabenizamos a bancada do Partido dos Trabalhadores, na figura do seu líder André Ceciliano, Zeidan e Waldeck Carneiro pela coragem em manter a coerência ao votar contra a Lava-Jato e na defesa dos direitos políticos da população fluminense, desafiando a ditadura e a política pequeno burguesa dos setores esquerdistas que tentam usar o PT como trampolim de carreira.

Confira a lista de votantes:

Sim:

André Ceciliano (PT); Waldeck Carneiro (PT) Zeidan (PT); Anderson Alexandre (SDD); Bagueira (SDD); Brazão (PL); Bruno Dauaire (PSC); Carlos Minc (PSB); Chico Machado (PSD); Coronel Salema (PSL); Delegado Carlos Augusto (PSD); Dr. Deodalto (DEM); Enfermeira Rejane (PCdoB); Franciane Motta (MDB); Gil Vianna (PSL); Giovani Ratinho (PTC); Gustavo Schmidt (PSL); Gustavo Tutuca (MDB); Jair Bittencourt (PP); João Peixoto (PSDC); Jorge Felippe Neto (PSD); Leo Vieira (PRTB); Lucinha (PSDB); Marcelo Cabeleireiro (DC); Márcio Canella (MDB); Márcio Pacheco (PSC); Max Lemos (MDB); Marcos Muller (PHS); Renato Cozzolino (PRP); Renato Zaca (PSL); Rodrigo Bacellar (SDD); Rosenverg Reis (MDB); Samuel Malafaia (DEM); Sergio Fernandes (PDT); Sergio Louback (PSC); Thiago Pampolha (PDT); Val Ceasa (Patriota); Valdecy da Saúde (PHS); Vandro Família (SDD).

Não:

Alana Passos (PSL); Alexandre Freitas (NOVO); Anderson Moraes (PSL); Bebeto (PODE); Carlos Macedo (PRB); Chicão Bulhões (NOVO); Dani Monteiro (PSOL); Daniel Librelon (PRB); Dr. Serginho (PSL); Eliomar Coelho (PSOL); Filipe Soares (DEM); Filippe Poubel (PSL); Flavio Serafini (PSOL); Luiz Paulo (PSDB); Marcelo do Seu Dino (PSL); Márcio Gualberto (PSL); Marina Rocha (PMB); Martha Rocha (PDT); Mônica Francisco (PSOL); Renan Ferreirinha (PSB); Renata Souza (PSOL); Rodrigo Amorim (PSL); Rosane Felix (PSD); Subtenente Bernardo (PROS); Welberth Rezende (PPS).

Não votaram

Capitão Nelson (Avante); Carlo Caiado (DEM) – Faltou; Dionisio Lins (PP) – Faltou; Fabio Silva (DEM) – Faltou; Alexandre Knoploch (PSL) – Licenciado; Tia Ju (PRB) – Licenciada.

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