General Villas Boas: O símbolo da decrepitude e traição do Exército

General Villas Bôas foi um dos principais articulistas do golpe de Estado de 2016, da Intervenção Militar no Rio de Janeiro, das operações da Lava-Jato e sustentáculo do governo do GSI. Sua figura é o retrato da degeneração e da fraqueza das Forças Armadas no Brasil.

VILLAS BOAS O COMANDANTE DA FRAUDE ELEITORAL QUE LEVOU O MILICIANO AO GOVERNO

O general Eduardo Villas Bôas, Ex-Comandante das Forças Armadas, ficou conhecido pelo seu twitter criminoso à véspera do julgamento dos habeas corpus do Presidente Lula. Posteriormente, em entrevista ao jornal golpista Folha de São Paulo, o general confessou que pretendia intervir caso o Supremo Tribunal Federal libertasse o Presidente Lula, em abril do ano passado. Na ocasião, ele afirmou: “O agravamento da situação depois cai no nosso colo. É melhor prevenir do que remediar”.

Como apontavam todas as pesquisas eleitorais da época, o Presidente Lula seria eleito com folga no primeiro turno, a diferença de Lula para o segundo colocado era superior à 20%. A ameaça das Forças Armadas contra o STF garantiu que Lula permanecesse fora da disputa eleitoral [lembrando que na época não emergiu nenhuma voz dissonaste do golpismo dentro do Exército].

Tirar o principal concorrente da disputa eleitoral não foi o único golpe dos militares e seus sócios no judiciário e parlamento. Em toque de caixa aprovaram uma “reforma eleitoral” que praticamente acabaram com a campanha eleitoral [reduzindo o tempo e proibindo praticamente tudo para candidaturas do PT], caçaram 6 milhões de votos do nordeste, fizeram caixa dois e uma guerra de desinformação. Com todo esse quadro, as eleições foram fraudadas, dando a “vitória” ao miliciano.

Após deixar o Alto Comando, Villas Boas vai integrar o governo do candidato que ele beneficiou, participando como “secretário” especial do Gabinete de Segurança Institucional, que na realidade é o verdadeiro poder executivo do país.

Sem a atuação criminosa de Villas Boas a situação do Brasil seria outra. A Embraer não teria sido entregue para Boeing, não teríamos a destruição da Previdência, a entrega da Base de Alcântara e todos o desmonte do país que estamos sofrendo.

VILLAS BOAS ENTRARÁ PARA HISTÓRIA COMO A MEMORIA DE UM TRAIDOR

Apesar do general ter ficado conhecido por ser o principal articulista da fraude eleitoral, de fato, ele entrará para história como o traidor que golpeou e derrubou o governo democraticamente eleito da Presidente Dilma, numa conspiração com uma potência estrangeira [Estados Unidos].

Em 2016, era divulgado o áudio do ex-senador Jucá, revelando pela primeira vez a participação das Forças Armadas no golpe de 2016. Na época, setores “confusos” da esquerda defendiam que Villas Bôas representava a “ala legalista” do Exército [setor que só existe no imaginário pequeno-burgues] e que estava em curso um “golpe parlamentar”. Evidentemente, não existe outro tipo de golpe que não seja o golpe militar, pois o exercício do poder requer a aplicação da força.

Parte do diálogo de Jucá amplamente divulgado nacionalmente

Villas Bôas, unificou em torno do golpe de Estado de 2016 os generais herdeiros dos golpistas de 1964 [general Mourão, Etchegoyen etc], que estavam conspirando contra o governo Dilma desde a criação da Comissão Nacional da Verdade, e a nova geração de militares, que foram treinados nas missões de “paz” da ONU [Heleno, Santos Cruz, Ajax entre outros] e conspiravam dia e noite com os generais norte-americanos. Agora, todos unidos sob o mesmo objetivo: entregar o Brasil para os Estados Unidos.

VILLAS BÔAS FOI O ARTICULADOR DA INTERVENÇÃO MILITAR NO RIO DE JANEIRO

O Ex-Comandante foi peça fundamental no planejamento da Intervenção Militar no Rio de Janeiro, tanto que designou um general de sua confiança para prestar esse serviço, tratasse do general Braga Netto.

A intervenção militar no Rio de Janeiro foi uma tragédia que custou aos cofres públicos mais de 12 bilhões de reais e não melhorou nenhum índice de violência no estado. Ao contrário, vimos na gestão da segurança pública pelo general Braga Netto a explosão do poder das milícias, que ocuparam novos territórios. Essa expansão no território não teria sido possível sem a cumplicidade das Forças Armadas, que priorizava operações em áreas comandadas por facções criminosas rivais as milícias.

Em campo, a intervenção militar mostrou a covardia das Forças Armadas, a Defensoria Pública do Rio de Janeiro denunciou inúmeros casos de tortura, assassinatos e sequestros praticadas por militares.

Villas Boas, com a intervenção militar, coordenou conjuntamente com o general Augusto Heleno a criação do “excludente de licitude”, ou seja, dar carta branca para esse Exército traficante e corrupto matar a população sem nenhuma punição.

Quando você ler a notícia que uma criança foi assassinada pela Polícia, lembre-se que tudo isso não teria sido possível sem a participação do General Villas Boas.

VILLAS BOAS DEU TOTAL APOIO A LAVA-JATO

O general foi um fiel defensor da Lava-Jato como “bastião” moral da nação, quando em pouco tempo se revelou que a Operação foi o maior esquema de corrupção institucionalizado da história da República.

O conluio entre Forças Armadas e Lava-Jato não era ocultado, ao contrário, era exibido como um troféu até as mensagens do The Intercept serem reveladas. Na primeira fase desse conluio, a Lava-Jato perseguia empresas nacionais através de processos judiciais fraudulentos e posteriormente, o Exército, instrumentalizando o governo do GSI, vendia as mesmas empresas para o capital norte-americano. Essa combinação aconteceu em toda a cadeia produtiva nacional, mas para evidenciar o conluio podemos mencionar a entrega do Pré-Sal ou da Embraer.

VILLAS BOAS SE TORNA O “SEMI DEUS” DOS GOLPISTAS

Por não possuir uma história de conquistas, já que nossas Forças Armadas são uma espécie de polícia colonial dedicada à reprimir seu próprio povo, os generais são forçados a inventar uma história de “glória” que não existiu, em eventos que exibem uma autofagia derrotista. O legado das Forças Armadas é de traição à pátria [em dois golpes 1964 e 2016], de uma ditadura de 21 anos e de devoção convicta ao imperialismo norte-americano.

No auge da sua petulância e narcisismo, Villas Bôas encarna o arquétipo dos generais das Forças Armadas. Por essa razão, o Alto Comando “elevou” o general ao nível de “mascote” dos golpistas.

NESSE MOMENTO, O EXÉRCITO É INCAPAZ DE CONTROLAR A SITUAÇÃO POLÍTICA ATRAVÉS DA REPRESSÃO

A explosão social no Chile, Equador, Honduras, Haiti e Porto Rico revela uma tendência de aprofundamento das contradições entre os Regimes neoliberais e os povos da América Latina. As ameças de recrudescimento da legislação, monitoramento das Forças Armadas contra movimentos sociais e de GLO, sinalizam o receio dos golpistas da explosão social chegar ao Brasil.

Os sucessivos ataques dos golpistas contra a população criaram o ambiente objetivo para a explosão social, apesar de não haver ainda nesse momento os elementos organizativos e políticos que canalizem o descontentamento do povo trabalhador num enfrentamento aos golpistas.

Para complicar ainda mais a situação dos golpistas, a “janela” reacionária que possibilitou a eleição de Bolsonaro está se fechando em todo o mundo: Trump sofre ameaça de impeachment e Netanyahu, Savini e outros caíram. Porém, isso não quer dizer um “retorno” a situação “democrática” anterior, todos os regimes políticos estão em crise e necessitam do fascismo para ampliar seus ataques contra os povos.

Também no fator externo, avaliando as posições internacionais da Ditadura militar, percebemos um recuo notório quando esses militares ameaçaram invadir a Venezuela no episódio da suposta “ajuda humanitária”, em fevereiro desse ano. Outro recuo foi na campanha do imperialismo com relação à Amazônia, no momento que houve pressão o governo golpista correu para nomear os Estados Unidos como porta-voz dos “interesses” brasileiros no G20. Ambas as crises ajudaram a desmoralizar o regime e criar uma opinião publica internacional contra os militares.

Por essa razão, para desencadear uma operação repressiva é necessário apoio interno e externo, e ambas as coisas estão cada vez mais reduzidas para o atual regime. Somasse à este fato, que o Exército carece de instrumentos logísticos para ampliar uma repressão de larga escala ou estabelecer uma GLO em território nacional.

Um ano atrás, no Rio de Janeiro, a Intervenção Militar foi muito custosa e não conseguiu diretamente estabelecer o controle de nenhum território, necessitando da terceirização do controle via milicias. Na Rocinha, os militares foram expulsos e na Villa Kennedy foi necessária uma gigantesca máquina, que também não conseguiu controlar o território.

A FARSA DEMOCRÁTICA É O ÚNICO FATOR QUE AINDA SUSTENTA O REGIME

O que ainda sustenta esse atual regime é a farsa democrática, se o verniz institucional não fosse útil eles não teriam aplicado a “operação Bolsonaro”. Porém, é estrutural a vocação ditatorial do nosso Exército, que se expressa nas chantagens e ameaças constantes de Villas Boas contra todo o país.

É fato que essas “ameças” consistem em operações de distração para mover a opinião pública em defesa de uma “democracia” que não existe mais, mas devemos analisar até que ponto os Forças Armadas tem a capacidade de aplicar suas ameças.

Temos um exército fraco, desmoralizado, odiado e desrespeitado pelo povo. Com todo o quadro de crise das Forças Armadas é inaceitável que ainda existam setores nacionalistas que expressão receio de realizar um enfrentamento com os generais.

Caso o Villas Boas tente colocar em pratica suas ameaças, será a oportunidade que o povo brasileiro terá para se livrar de uma vez por todas desses covardes.

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