Propaganda do AI 5 serve para ocultar que já vivemos uma Ditadura

O General Augusto Heleno, Chefe do Gabinete Institucional (GSI), usou Eduardo Bolsonaro para ameaçar a nação com uma reedição do Ato Institucional nº 5, o AI-5. Depois de cogitar utilizar o AI-5 contra o povo brasileiro, o deputado Eduardo foi endossado pelo general Heleno: “tem que estudar como fazer”, disse o general.

Tudo que o miliciano e seus filhos falam, na verdade, é dito pelo general Heleno. Ele usa a milícia para impor seus discursos. Ou seja, o clã é um “escudo” dos militares, pelo qual os Bolsonaro sofrem as represálias e os militares passam despercebidos. Esse papel mediocre é interpretado com toda satisfação por eles, porque são todos milicianos, vaidosos, assassinos, psicopatas e traidores.

Eduardo, o miliciano, Olavo de Carvalho, Steve Bannon, general Heleno, general Villas Bôas, Mourão e esses militares golpistas atuam dentro de um padrão para criar operações de distração, onde todas semanas surgem declarações criminosas, que por um lado ocultam os verdadeiros problemas nacionais e por outro tentam “resgatar” a Ditadura Militar de 1964.

A implementação de uma Ditadura requer, no mínimo, apoio social. Por isso, eles deram o golpe de 2016 disfarçado de “impeachment”. O governo nacionalista do Partido dos Trabalhadores foi derrubado e, a partir disso, se criou o GSI. A principal tarefa dos militares desde o golpe é construir os elementos para sustentar a transição entre a República de 1988 e novo Regime, militar, autoritário e neoliberal.

Não existe golpe sem a participação das Forças Armadas, uma vez que o exercício do poder vem da força. Isso não quer dizer que os militares sejam uma força real, afinal, em inúmeras situações, ficou claro que seu controle político vem a partir de operações publicitárias e focalizadas.

Já vemos uma ditadura e o golpe militar foi dado progressivamente, em um processo de aproximações sucessivas. Em uma escalada de avanços, os militares ocuparam o Espirito Santo, decretaram GLO (Garantia da Lei e da Ordem) na Rocinha, articularam e operaram a Intervenção no Rio de Janeiro por decreto, tomaram controle da administração de todas as cadeias, aplicaram uma GLO nacional, manobras com nações estrangeiras, ameaçaram algumas vezes com intervenção no STF, intervenção no Parlamento e a fraude eleitoral. Esse processo continua mesmo depois do assalto ao Governo Federal. Todas as principais pastas estão subordinadas ao GSI: Relações Institucionais, Secretaria Geral da República, assuntos militares e de segurança, informação e espionagem, Casa Civil, Programa Nuclear Brasileiro, Relações Exteriores, Programa Espacial, Infraestrutura, etc. Portanto, quem manda no Brasil, no controle das pastas, nos ministérios, nas Forças Armadas e na Inteligência, é o GSI. Ou seja, está sob controle do Heleno e dos militares do Alto Comando. Heleno é o Ditador do Brasil, que usa Bolsonaro como holograma para projetar a falsa ideia de que houve uma eleição em 2018.

O objetivo de declarar a “volta do AI5” é fazer com que o povo se esqueça que já vivemos sobre a tutela dos militares, que derrubaram o governo nacionalista da Presidente Dilma e instalaram o governo do Gabinete de Segurança Institucional [GSI], primeiro com o general Etchegoyen e agora com o general Heleno. A intenção é fazer parecer que o regime militar esteja distante, e não que ele já seja uma realidade.

Foram esses militares que deram cobertura para que a operação do FBI no Brasil, a Lava-Jato, destruísse a economia nacional e entregasse a renda das empresas nacionais ao imperialismo norte-americano. Já é proibido fazer greve no Brasil contra as privatizações, lideranças populares são assassinadas em todo o país, os militares ocupam todos os postos fundamentais no Estado e o principal líder de oposição [Lula] seque sequestrado nas masmorras de Curitiba. Então, de que democracia podemos falar? Estão esperando uma declaração formal de autoritarismo dos militares? Nunca nenhuma ditadura se assumiu enquanto ditadura. No Brasil, foi necessário que Carlos Marighella sequestrasse o embaixador dos EUA para que os militares se assumissem enquanto Ditadura.

Essas declarações também tentam assustar as pessoas, porém são operações que não funcionam mais e geram o efeito inverso. Após o massacre promovido pela Intervenção Militar no Rio de Janeiro, o ódio popular contra as Forças Armadas cresceu e essas declarações intensificam ainda mais o conflito com o povo. Vimos diversas vezes que eles não tem controle sobre o povo e tentam jogar com Operações de Distração para ganhar tempo. Eles buscam ganhar tempo justamente para preparar a contraofensiva.

Para complicar a situação dos militares, não existe logística militar no Brasil. Não existe mais espaço cívico para implantar um “golpe aberto” (utilizaremos esse termo apenas por ser dito muitas vezes nas confusões da esquerda, uma vez que nenhum golpe se autodeclara como golpe). AI-5 é “ditadura aberta”, mas essa Ditadura já é escancarada. Temos Pacote Anticrime, Lava-Jato, Intervenção Militar no Rio, tortura institucionalizada e outros crimes para provar. Porém, se os militares acham que há essa possibilidade, o povo deve desmascarar e desafiar os militares com mobilização constantes e organização massiva.

Graças à traição desses militares, o Brasil corre o risco de ficar sem Exército. Apesar de que esse Exército é um traste que sempre está conspirando contra o povo e servindo como Gestapo. Sem o Exército, os EUA ou a Europa irão criar uma operação similar com a ocorrida no Panamá.

A saber, os Estados Unidos impuseram uma Ditadura contra o Panamá, posteriormente acusaram a Ditadura de narcotraficante (de fato, Noriega era sócio da CIA no tráfico) e então usaram isso como pretexto para invadir o país, com a justificativa de que o Canal do Panamá era muito importante para estar nas mãos do Exército “corrupto” do Panamá.

Deve estar claro que o Brasil está em guerra não declarada com os Estados Unidos. Só que, no modelo de guerra para o século XXI, os EUA não precisam declarar oficialmente guerra. Aqui eles armaram a Lava-Jato e os nossos militares para sabotarem e ocuparem o país. O objetivo dos EUA é acabar com o nacionalismo brasileiro, destruir o Estado nacional, já que somos a única nação capaz de mudar a correlação de Forças no Continente, depois do próprio EUA.

Essa manobra está sendo construída no Brasil e terá, sem nenhuma dúvida, apoio de setores da sociedade. O imperialismo já preparou inúmeras narrativas para fazer esse assalto: salvar a Amazônia, salvar a água, cuidar dos índios, tirar o Bolsonaro ou qualquer outra falácia.

Muitos dizem que é a Venezuela mas, na realidade, o centro da luta política na América Latina está no Brasil. E o PT joga papel central nessa disputa. Por isso, a Direita quer destruir-lo.

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