Neopentecostais, narcotráfico e milícias: Como os militares brasileiros deram o golpe de Estado na Bolívia

O miliciano, seu Chanceler olavete e toda a escória traidora continuam falseando a realidade, bradando que “não houve golpe de Estado na Bolívia”. Essa tática dissimulada e medíocre tenta esconder a própria participação do governo do GSI e da Lava-Jato no golpe que derrubou o presidente democraticamente eleito, Evo Morales.

A POLÍTICA SUBALTERNA DOS MILITARES AOS EUA

Desde que o energúmeno chegou no Palácio do Planalto, o Brasil vem adotando a política externa de subserviência total à política norte-americana. O Brasil tornou-se a ponte pela qual os EUA conseguem golpear todo o continente. Esse processo, iniciado já em 2014 com a exportação da Lava-Jato — para o Peru, Equador, Guatemala etc —, ganha novos contornos com a participação direta do Brasil na derrubada violenta do Presidente Evo.

O anuncio da renúncia forçada do Presidente democraticamente eleito Evo Morales nesse último domingo (10), foi recebida com entusiasmo tanto pelo miliciano quanto pelos seus ministros militares. O miliciano chegou a declarar na sua conta do Twitter que seria um “grande dia”.

REUNIÕES CONSTANTES ENTRE MEMBROS DO GOVERNO DO GSI E OPOSITORES DA DIREITA FASCISTA BOLIVIANA

Dois meses antes do golpe, o filho do miliciano, Eduardo Bolsonaro, apresentou requerimento na Comissão de “Defesa Nacional” — um nome hipócrita para uma comissão presidida por um entreguista — para aderir a Bolívia no Mercosul. O convite da comissão foi feito aos opositores do governo, incluindo Luis Fernando Camacho, líder da direita fascista neopentecostal boliviana.

Segundo áudios divulgados pelo jornal boliviano El Perídico, opositores da direita fascista dizem que o Itamaraty está desde maio do ano em curso em conversas frequentes com o líder opositor Luis Fernando Camacho. Nesses áudios, opositores afirmam que um assessor do miliciano foi enviado para Bolívia para orientar o candidato derrotado à presidencia, Carlos Mesa.

O envolvimento dos milicianos e militares brasileiros no golpe de Estado na Bolívia é tão explícito que não fazem questão de esconder. Camacho se reuniu com Ernesto Araújo em diversas ocasiões, no inicio do ano e no mês passado.

MESMA REDE DE DESINFORMAÇÃO VISTA NO BRASIL ATUA NO GOLPE NA BOLÍVIA

O apoio dos milicianos e militares no golpe se deram de quatro maneiras. A primeira delas, e a mais evidente, foi a utilização da rede de “robôs” cedida por Steve Bannon à campanha da extrema-direita nas eleições fraudadas de 2018 no Brasil. Desde os incêndios da Amazônia Boliviana que avalanches de mensagens, mudanças de algoritmos, exércitos de perfis clonados atacando a figura do Presidente Evo Morales e massificando notícias falsas. Essa campanha de calúnias se intensificou na campanha eleitoral onde, mesmo assim, Evo triunfou. Essa campanha continua até hoje para esconder a narrativa do golpe de Estado.

APOIO DAS IGREJAS NEOPENTECOSTAIS BRASILEIRAS À GUERRA RELIGIOSA NA BOLÍVIA

A segunda fonte de apoio explícita é a participação de igrejas neopentecostais brasileiras no apoio aos golpistas bolivianos. As igrejas evangélicas brasileiras traçaram a mesma estratégia de assalto ao poder utilizada no Brasil, transformaram suas sedes em comitês contra Evo Morales, colocaram seus bispos e pastores para fazer propaganda pró-golpe.

A guerra religiosa se manifesta a todo momento no movimento golpista boliviano, seja na invasão de Camacho com a Bíblia em mãos no Palácio do Governo, na queima da bandeira de wiphala — que representa os povos indígenas dos Andes — ao som de “viva a Bíblia, carajo” e “Bíblia Sí, Constituición No”, e na perseguição aberta aos católicos e religiões indígenas.

Segundo dados oficiais, 70% da população boliviana se reivindica católica, e 60% é o catolicismo associado a religiões originárias. Nas últimas décadas, os neopentecostais tem se concentrado na conversão de fiéis, fato que Evo tentou proibir com uma lei editada em 2018.

MILITARES USAM NARCOTRÁFICO PARA FINANCIAR O GOLPE

Outra fonte de sustentação do golpe na Bolívia é através do tráfico de cocaína. A Bolívia é o terceiro maior produtor de cocaína do mundo e o Brasil o maior entreposto de drogas do mundo. É impossível realizar o tráfico de drogas sem a participação dos militares, uma vez que eles são os únicos a possuírem uma logística capaz de dar conta ao imenso volume das drogas. Além disso, é sabido que os militares utilizam o tráfico de drogas para financiar suas operações golpistas no Brasil e no mundo.

No Acre, uma das principais rotas das drogas que vem da Bolívia, o crescimento da taxa de homicídios foi de 42,1% desde quando Bolsonaro assumiu, segundo o Atlas da Violência. Isso se deve ao fato o PCC, facção alidada dos militares, e outras organizações criminosas locais disputarem a rota das drogas naquele estado. Ou seja, além de uma aplicação do tráfico de cocaína na fronteira com a Bolívia, os militares brasileiros, através do PCC e milícias, reorganizam o controle do tráfico na região.

A polícia boliviana participou com prontidão no golpe justamente por ser sócia dos militares brasileiros no negócio de tráfico de drogas. Evo, porém, expulsou a DEA do seu país, reduziu a produção de folhas de coca em 16% e descriminalizou o cultivo para uso doméstico.

MILITARES USAM OEA E GRUPO DE LIMA PARA EXPORTAR O NEOLIBERALISMO FASCISTA

A direita brasileira pratica aquilo que acusa os outros de fazer. Ela articula a direita no continente para conspirar, reprimir e dar golpes de Estado em todo continente em uma estratégia de assalto ao poder.

O governo golpista do Brasil manobrou junto o que Fidel chama de “o ministério das Colônias”, a OEA, para promover uma campanha de desestabilização da Bolívia. Elaboraram um documento mentiroso, que contradiz os próprios observadores da OEA e da União Europeia, usando de malabarismos estatísticos, sem apresentar provas para solicitar uma nova eleição.

A OEA e o Grupo de Lima, que são tão “vigilantes” quando se trata da Venezuela, Nicarágua ou Cuba, mostraram seu silêncio cúmplice e sua dupla moral ao se calar diante dos atos de barbárie praticados pela oposição fascista na Bolívia, que linchou partidários de Evo, incendiaram prédios privados e públicos, assaltaram, mataram, pilharam e sequestraram mais de uma centena de pessoas, dentre as quais crianças e idosos. O estado físico dos sequestrados ainda é desconhecido.

A NARRATIVA IMBECIL DO “NÃO TEVE GOLPE”

A política requer, as vezes, um pouco de cinismo, mas o que vemos nesses militares é uma postura doentia. Os golpistas fraudam a realidade, acreditam naquela realidade fraudada por eles mesmos e querem impor suas mentiras ao conjunto da população.

Os mesmos que dizem que “1964 não foi golpe” e que praticam revisionismo histórico a todo momento querem dizer que não aconteceu golpe na Bolívia, quando todos sabem que se trata disso e que eles participaram.

Como muito bem explicou o ex-Presidente do Equador, Rafael Correa: “Um Comandante Militar, ao dizer que o Presidente eleito deve renunciar, é golpe. Seja na Bolívia ou em qualquer lugar do mundo. Essa atitude é o mesmo que um assaltante te roubar na rua, solicitar sua carteira e você ser obrigado a dá-la para salvar sua vida. Isso não pode se chamar outra coisa que não um assalto. Os militares colocaram uma arma na cabeça do Evo e ele teve que renunciar. Já imaginaram o que poderia ter acontecido se ele não renunciasse?”

A insistência nessa narrativa de que “não houve golpe” evidencia a campanha articulada dos lacaios do imperialismo do norte-americano.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s