Conheça os principais criminosos do golpe contra a Bolívia

Para vencer os golpes na América Latina é necessário levar a crise gerada pelos golpistas para os Estados Unidos, expondo ao povo norte-americano as relações entre as oligarquias prostituídas da região e seus cafetões instalados no aparato de Estado norte-americano. O objetivo é simples, criar o ambiente de conflito interno nos EUA que possibilite o fim do suporte de Wahsington aos golpes de Estado, já que as oligarquias e máfias locais já demostraram incapacidade de manter o controle sobre a população sem apoio do imperialismo.

ESTADOS UNIDOS ESTÃO EM GUERRA NÃO DECLARADA CONTRA A AMÉRICA LATINA

O golpe de Estado, consumado no último dia 10 de novembro, contou com a conjunção de vários poderes dentro e fora da Bolívia. É certo que os Estados Unidos são os donos desse golpe, mas ele não teria ter sido possível sem a aliança entre igrejas neopentecostais, mídia, militares, policiais, narcotraficantes, oligarquias e governos lacaios do imperialismo na região.

Encabeçado pela polícia e Forças Armada, a derrubada violenta do governo Evo Morales é fundamental para o realinhamento colonial da América Latina, isso porque é um país estrategicamente localizado no coração da América do Sul. Através do seu posicionamento é possível o controle entre Atlântico e Pacifico e a Amazônia.

O golpe é mais uma peça da guerra suja dos Estados Unidos contra os povos da América Latina. O povo da latino ainda não despertou que está em uma guerra pelo controle das reservas minerais, energéticas e estrutura econômica dos países.

Logo, o golpe de Estado na Bolívia não tem nada a ver com “fraude”, “esquerda e direita” ou qualquer bobagem ideológica propagada pelos golpistas. O fator econômico determinante nas relações de poder, tendo em vista que os Estados Unidos estão metidos em uma crise desde 2008. É fundamental expulsar a presença chinesa e russa do continente, além de sufocar o desenvolvimento da Bolívia na mais brutal aplicação da doutrina Monroe.

Essa guerra suja dos EUA visa o controle das fontes energéticas, afim de suprir a máquina de guerra imperialista. Além disso, com a retirada da Bolívia do jogo geopolítico político, o imperialismo fecha o cerco contra a Venezuela, que continua sendo o principal alvo da máquina de guerra.

Nos últimos anos, a partir da nacionalização dos recursos naturais, a Bolívia empreendeu um processo de desenvolvimento econômico e adesão ao projeto de integração à nova Rota da Seda, promovido pela China e Rússia. A industrialização da exploração do lítio confrontou os interesses das transnacionais e seus aliados vende-pátria internos.

Foram uma série de 16 áudios vazados relatados no site de notícias boliviano La Época que revelou-se uma coordenação secreta entre polícia, exército, oposição golpista e governo dos Estados Unidos para derrubar o Presidente Evo Morales à força.

Ao longo das décadas, os comandantes do Exército e da Polícia bolivianos ajudaram a planejar o golpe e garantiram seu sucesso (processo que é identificado em todas as colônias da América Latina). Todos esses militares foram treinados e doutrinados pelos Estados Unidos para táticas de insurreição por meio de programas de treinamento da Escola das Américas e da Pesquisa Federal dos EUA (FBI).

AS CARAS DOS PRINCIPAIS CRIMINOSOS GOLPISTAS

General Williams Kaliman foi empossado como comandante em chefe das Forças Armadas da Bolívia em dezembro de 2018. Anteriormente, atuou como Comandante Geral do Exército e parte de seu treinamento militar foi realizado nos Estados Unidos.

Seu nome é registrado entre os graduados de Fort Benning, conhecida como Escola das Américas, informação que foi confirmada posteriormente pelo site Whinsec, que exibe uma fotografia do mercenário Kaliman entre os Graduados do curso de Estratégia e Política de Defesa do Instituto de Cooperação para a Segurança Hemisférica em Fort Benning, Geórgia.

O golpista Kaliman foi uma peça chave na última etapa do golpe contra Evo Morales, pela “sugestão” forçada das Forças Armadas ao presidente para deixar o cargo em exercício e sua posse como presidente eleito.

O general traidor Kaliman também apenas 72 horas após dar o golpe de Estado, recebeu seu suborno em um milhão de dólares, uma aposentadoria mensal de US$ 150 mil e foi morar em Washington.

Vladimir Yuri Calderón Mariscal, foi o Comandante Geral da polícia boliviana, que quebrou a ordem de comando ao trazer grande parte da força policial ao amotinamento, no dia 9 de novembro, apenas um dia antes do golpe contra Evo Morales.

Na Polícia Boliviana, Calderón Mariscal e os principais comandantes que ajudaram a orquestrar o golpe de Estado passaram pelo programa de intercâmbio da Polícia Latino-Americana nos Estados Unidos (APALA). A APALA trabalha para construir relacionamentos entre as autoridades norte-americanas e os policiais dos estados latino-americanos.

A APALA é uma das centenas das organizações de fachada usadas pela CIA, FBI, USAID, DEA e outras agências governamentais para realizar suas atividades clandestinas sem deixar impressões digitais. Hoje ela treina policiais mercenários em 10 países: Brasil, Bolívia, Colômbia, Chile, Equador, El Salvador, Panamá, Peru, México e República Dominicana.

Luis Almagro, atualmente Secretário Geral da OEA (“Ministério das Colônias dos EUA”, como dizia o comandante Fidel). Almagro foi uma das peças que articularam o golpe na Bolívia, sob ordens de Pompeo.

Desde que assumiu a presidência da OEA, em 2015, ele foi criticado pelos membros de seu partido no Uruguai, a Frente Ampla, e que apoiaram sua candidatura devido à mudança radical de sua postura política em relação a governos progressistas e em favor aos Estados Unidos.

Almagro fez da sabotagem ao governo de Nicolás Maduro o centro de sua administração, uma posição que foi contrastada com outras posições coniventes diante de crimes de lesa humanidade cometidos por governos de direita na região [Em especial no Haiti, Chile, Colômbia, Peru e Honduras]. Por promover uma intervenção militar na Venezuela, ele foi expulso de seu partido.

Nas recentes eleições presidenciais da Bolívia, a OEA apresentou um relatório, baseado em dados de boca de urna, que “recomendava” que ocorressem novas eleições e a mudança do órgão eleitoral, mesmo que os votos não tivessem sido totalmente contados. A posição política adotada pela OEA o gatilho que disparou o golpe contra Evo Morales para justificar a violência contra as instituições e os seguidores do MAS, que jogou o país no caos.

Mike Pompeo, Secretário de Estado dos Estados Unidos, quando o golpe foi disparado, em 29 de outubro, Pompeo disse no Twitter: “Estamos profundamente preocupados com as irregularidades no processo de contagem de votos das eleições de 20 de outubro na Bolívia (…) Apelamos à Bolívia para restaurar a integridade eleitoral, procedendo a um segundo turno de eleições livres, justas, transparentes e credíveis com os dois principais vencedores dos votos “, afirmou.

Pompeo ordenou a política externa dos EUA em uma linha definida em favor dos golpes de Estado na Bolívia incentivar a narrativa de fraude, acusando o governo de Evo Morales de “antidemocrático” e não “permitindo” o candidato da Casa Branca Carlos Mesa disputar um segundo turno.

Outros norte-americanos, como é o caso dos senadores Marco Rubio, Bob Menéndez e Ted Cruz, que aparecem nos áudio vazados, estiveram à frente do golpe. Esses três nomes mencionados são a chave para o golpe de Estado, segundo o líder da oposição boliviana Manfred Reyes Villa, isso viabilizaria várias pressões dos EUA sobre Evo Morales.

Luis Fernando Camacho é líder da União Juvenil Cruceñista (UJC), uma organização paramilitar fascista vinculada a planos de assassinato contra Evo Morales. Ele e sua família fazem parte do Grupo Empresarial de Investimento Nacional Vida S.A., empresas ligadas a seguros, gás e serviços.

Sua organização tem raízes abertamente no neonazismo. Por exemplo, sua organização colaborou com o fugitivo e criminoso de guerra nazista Klaus Barbie, “o carniceiro de Lyon”, que após a Segunda Guerra viveu na Bolívia e trabalhou para o Ditador Boliviano García Meza, ajudando da formulação da Polícia Boliviana. Durante a Operação Condor, o Especialista em torturas da Gestapo foi contratado pela CIA para perseguir os opositores das ditaduras na América do Sul.

A família de Camacho também manteve apoio aos croatas-bolivianos Eduardo Rózsa Flores e Branko Marinkovic, que estiveram envolvidos no levantamento armado pelo Separatismo do departamento de Santa Cruz. Essas famílias oligarcas estavam envolvidos com o poderoso movimento fascista chamado ustacha, que colaborou com os nazistas.

Camacho está relacionado aos Documentos do Panamá Papers  através da criação de empresas offshore para sonegar impostos e ocultar fortunas em paraísos fiscais. Como presidente do Comitê Pró-Santa Cruz, ele empreendeu uma espécie de cruzada da área mais rica do país e o bastião da oposição à Evo Morales.

Ele também está ligado ao narcotráfico. Ele elogiou e citou Pablo Escobar como exemplo do que deveria ser feito na Bolívia, ele sugeriu que escrevessem os nomes dos apoiadores do governo Evo Morales em uma lista, no estilo dos narco-traficantes, para depois serem perseguidos e assassinados. Método criminoso que está sendo aplicado nesse momento.

Usando o fanatismo evangélico impulsionado pela CIA, Camacho lidera a infiltração neopentecostal nas Forças Armadas e Polícia. Usa a religião para formar milícias e expandir o controle do narcotráfico por essas instituições, impulsionando assim a guerra religiosa e a desintegração nacional da Bolívia.

Carlos Mesa, foi eleito vice-presidente da Bolívia em 2002; 15 meses depois, ele assumiu a presidência após a renúncia de Gonzalo Sánchez de Lozada aplicando um programa neoliberal. Ele governou de 2003 a 2005 e, como Sánchez de Lozada, ele também não encerrou seu mandato devido à instabilidade política.

Ele se apresentou novamente como candidato nas eleições presidenciais de 2019 e perdeu para Evo Morales com a margem necessária para evitar um segundo turno.

Na realidade, Mesa era um candidato falso que servia unicamente para a estratégia norte-americana de desacreditar o processo eleitoral na Bolívia e iniciar a transição de Regime.

Como já estava no script do Senado Norte-Americano em abril desse ano, Mesa não reconheceu os resultados eleitorais e convocou protestos para forçar outras eleições. Esse pronunciamento antecipado ignorando à contagem final dos votos gerou a tensão dos setores da oposição, cujo foco de violência foi dirigido contra os centros eleitorais, a sede do partido de Morales e os indígenas. Logo, com o apoio de milícias formadas policiais, iniciaram atentados contra sedes de governo e representantes do Estado.

Carlos De Mesa foi parte da estratégia que utilizam os Estados Unidos para desestabilizar os governos progressistas. Seu partido, a Comunidade Cidadã, recebeu ao longo dos anos recursos da USAID e da “Organização pelo Desenvolvimento da Democracia”, organização essa que atua hoje financiando as manifestações em Hong Kong, para “formar” ativistas.

Jeanine Áñez, proclamou-se presidente da Bolívia ocupando a segunda cadeira do Senado, um evento realizado sem quorum para discutir a “renúncia” de Evo Morales.

Sua autoproclamação foi de prontidão reconhecido pelos Estados Unidos e seus governos lacaios do Brasil e da Colômbia. Evidenciando o conluio internacional para derrubar o governo Evo Morales.

Com família envolvida em narcotráfico, em 2017, seu sobrinho Carlos Andrés Áñez foi capturado no Brasil por tráfico de drogas. Ele foi preso pela Polícia em outubro daquele ano na cidade de Mato Grosso, com 480 quilos de cocaína que foram carregados em um avião da Bolívia.

Nas eleições presidenciais de outubro passado, onde Evo Morales venceu, Áñez apoiou a candidatura de Óscar Ortiz, que ficou em quarto lugar. Desde sua aparição no cenário político, ela mostrou uma narrativa supremacista protegida por uma propaganda fundamentalista religiosa.

Sua autoproclamação tenta dar uma aparência de “legalidade” para ocultar a Ditadura mantida pelas Forças Armadas e Policiais, que são os verdadeiros chefes do poder.

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