A atuação internacional do Brasil em 2019

O ano de 2019 é um ano importante para a política externa brasileira: o país assume a presidência da UNASUL (União das Nações Sul-americanas), do MERCOSUL (Mercado Comum do Sul) e do BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul).

Os governos petistas procuraram intensificar as relações sul-sul. Como exemplo desta orientação, temos a expansão do MERCOSUL, com a entrada da Venezuela em 2012, a criação, em 2008, da UNASUL – criada a partir das articulações políticas de Lula, Hugo Chávez e Nestor Kirchner –, além da entrada brasileira nos BRICS. Contudo, com o golpe de 2016 há uma reorientação da política externa brasileira, orientada sob a Doutrina Monroe, e a volta de uma diplomacia, orientada pela Doutrina Golbery, voltada para velhos parceiros, como os EUA, impactando fortemente o arranjo político formado nos governos petistas.

Neste ano, o Brasil assumiu pro-tempore (temporariamente) a presidência da UNASUL, MERCOSUL e do BRICS. Um ano importantíssimo para a inserção internacional do país, em que as decisões tomadas impactarão os destinos futuros de nossa política externa.

Unasul

A UNASUL é um caso dramático. Em abril deste ano, o Brasil – juntamente
com outros países – saiu da instituição que, segundo o governo Bolsonaro, “é cúmplice do regime chavista”, anunciando sua adesão ao PROSUL, bloco de orientação neoliberal, capitaneado por iniciativas brasileiras e do Chile.
A UNASUL representa um esforço histórico na integração dos doze países da América do Sul. Assim, um dos principais objetivos da instituição é contrabalancear o poderio dos EUA e a ingerência de sua OEA (Organização dos Estados Americanos) nos assuntos internos do subcontinente sul-americano.

Através da UNASUL, e com forte mediação política do Brasil, a possibilidade de conflito armado entre Colômbia e Venezuela em 2008 foi evitada através do Conselho de Defesa Sul-Americano (CDS). A Colômbia, aliada de longa data dos EUA, violou o território equatoriano para atacar combatentes das FARCs, situação condenada pela Venezuela, gerando uma grave crise diplomática entre os países. Além disso, a UNASUL também mediou o conflito de Meia Luna, na Bolívia, onde um levante separatista da região mais rica do país poderia ter gerado uma guerra civil também em 2008. A saída brasileira da instituição, portanto, representa um enorme retrocesso político e a volta das ingerências dos Estados Unidos em assuntos da América do Sul.

Mercosul

A situação do MERCOSUL, após a suspensão da Venezuela em 2017, encontra-se marcada por incertezas quanto ao seu futuro. Entretanto, o que parece ser certo é um enfraquecimento do bloco econômico composto por Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai, por conta da defesa brasileira em privilegiar relações bilaterais e a ênfase no livre comércio com outros blocos. Outra questão decisiva para o destino do bloco é o acordo com a União Europeia, que aumentará o já alto grau de desindustrialização das economias sul-americanas, contribuindo para reforçar a dependência e a reprimarização das economias do subcontinente. As relações entre o governo Bolsonaro e o governo popular de Alberto Fernández e Cristina Kirchner terão um enorme peso para o futuro do bloco econômico.

Brics

O Brasil entregou a presidência do bloco para a Rússia em novembro de 2019. Quando articulado pelo nosso país, no contexto da crise mundial de 2008, o BRICS objetivava uma reforma das instituições internacionais, criadas sob uma perspectiva norte-americana, e um rearranjo geopolítico do mundo em uma perspectiva multipolar.

A agenda Bolsonaro, com sua submissão aos EUA e suas posições pró-OEA
acerca das crises na Venezuela e Bolívia, isolam o Brasil dentro do bloco e limita as possibilidades do nosso país. A diplomacia brasileira parece demonstrar interesse apenas nos aspectos comerciais do BRICS, ignorando o peso político do bloco. Um isolamento político que foi anunciado a partir da “nova política externa” de José Serra, o primeiro chanceler do golpe de 2016.

Como se vê, os desafios internacionais para nosso país são inúmeros. Entender como o Brasil joga o jogo da política internacional é fundamental. A ação internacional de um Estado nacional reflete seu projeto de poder ou de nação internos, bem como as forças políticas que estão em disputa, suas ideologias e visões sobre a inserção internacional.

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