Governador terrorista nomeou responsável pela tragédia de Mariana como Presidente da Cedae

Desde o dia 7 de janeiro a população da região metropolitana do Rio de Janeiro está consumindo uma água escura, com forte odor e sabor alterado. Os fluminenses criticam a qualidade da água fornecida pela Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae).

O medo de contaminação faz às famílias comprometerem seu orçamento comprando água mineral. Nos supermercados da capital há redução nos estoques. Em apenas três dias, as prateleiras ficaram vazias e os preços dispararam.

Órgãos de fiscalizações tem recebido denúncias de comerciantes que praticam preços abusivos. Em alguns estabelecimentos na cidade, uma garrafa de água mineral de 500 ml tem sido vendida à 5 reais. Um aumento de 500%.

A qualidade da água fornecida pela Cedae também está na mira das autoridades públicas. O MPRJ e Procon investigam denúncias de consumidores. A companhia tem até o dia 20 para se pronunciar, caso contrário, a multa aplicada pode ser de até 10 milhões de reais. Consumidores que sentirem lesados podem mover ação na justiça comum para cobrar por danos materiais em função do impedimento de consumo da água.

Associações profissionais e Alerj alertaram sobre o risco de contaminação na água

Em março do ano passado, o presidente da Cedae, Hélio Cabral moreira demitiu 54 profissionais da companhia. Foram 38 engenheiros, 5 analistas de qualidade de água, 3 contadores, 2 administradores, 1 economista, 1 arquiteto e 1 geólogo.


As demissões geraram descontentamento, e as associações se manifestaram contrárias a decisão. A grande maioria dos trabalhadores demitidos exerciam as suas atividades na Cedae há mais de 25 anos.

Uma falha na capacidade técnica pode ter sido determinante para má qualidade da água. O presidente Hélio Cabral e o governador Witzel foram alertados pelas Associação dos Empregados da Cedae e Associação brasileira de engenharia ambiental. A decisão de demitir os funcionários de alto escalão da companhia afetou o tratamento da água e esgoto do Rio de Janeiro e colocou em risco a população fluminense.

A Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental – Seção Rio de Janeiro (Abes-RJ) e associação de trabalhadores da Cedae dizem:

“Medidas como essas, de redução de custos e majoração imediata de lucros nos serviços de engenharia, nos levaram a desastres como a queda das barragens de Mariana e Brumadinho. O desmonte do corpo técnico qualificado da CEDAE, incluindo a área de controle de qualidade da água, coloca em risco a saúde da população do estado do Rio de Janeiro. A ABES-Rio se posiciona contraria à decisão da CEDAE de demitir importante parte de seu corpo técnico e apela aos membros de bom senso do governo a atuarem para que seja revista esta decisão”, afirmou a Abes-RJ.

De acordo com a Associação dos Empregados de Nível Universitário da Cedae, é “inconcebível ver profissionais de alta qualificação que, somente após 25 anos, foram promovidos pela empresa e dois meses depois demitidos com o argumento falso, covarde e inescrupuloso de que ganham altos salários.

A decisão do presidente da Cedae de demitir 54 funcionários sem qualquer justificativa também foi tema em audiência pública na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).


Helio Cabral foi nomeado pelo governo de Wilson Witzel para gerir a estatal. A versão apresentada pelo governo atribuiu às demissões aos “altos salários” dos trabalhadores. Segundo o próprio Witzel, eles receberiam salários de R$ 80 mil, apesar de serem parte importante de projetos em andamento.

Durante a audiência, o ex-diretor de Operação Edes Oliveira afirmou que Cabral pediu aos diretores listas de funcionários que “não estavam contribuindo com o trabalho”. Na lista dos demitidos estaria até um engenheiro com 30 anos de dedicação pela companhia e recebendo R$ 25 mil um salário perfeitamente compatível com o plano de cargos e salários da empresa. Revelou que as demissões foram motivadas por indicações políticas dentro da companhia. O Ministério Público aponta o Pastor Everaldo, líder do PSC como responsável pela indicação. Após as demissões, o presidente da Cedae contratou Alexandre Bianchini, ex diretor da Aegea, empresa privada com diversas concessões de água e esgoto no Brasil. Numa clara intenção de privatizar a estatal.

Segundo nota Associação dos Empregados de Nível Universitário da Cedae:

“O prejuízo que essas ações temerárias causarão aos serviços prestados pela CEDAE é enorme, pelo desmonte da memória técnica da empresa, inviabilizando o bom desempenho operacional dos serviços, dos projetos, das obras, das fiscalizações, da qualidade da água produzida e distribuída, do processo de tratamento e coleta de esgoto. Como consequência, afetará diretamente a saúde, o conforto e a qualidade de vida da população do Estado do Rio de Janeiro”.

O atual Presidente da Cedae foi responsável pelo crime ambiental cometido pela Samarco em Mariana

O atual presidente Cedae, Hélio Cabral Moreira, era conselheiro de administração da Samarco, indicado pela Vale, quando houve o rompimento da barragem de Fundão, em novembro de 2015, em Mariana (MG). O Ministério Público Federal (MPF) acusa Cabral de saber dos riscos de vazamento de rejeitos de mineração. O executivo é um dos 22 réus do maior crime ambiental da história do país.

Segundo o Ministério Público Federal, ele sabia dos riscos de vazamento de rejeitos de mineração. Mesmo assim, nada fez para evitar a tragédia que matou 19 pessoas, deixou centenas de desabrigados e destruiu o Rio Doce.

Para os procuradores, Hélio recebeu informações sobre a disposição dos rejeitos da Samarco na barragem de Fundão numa reunião realizada em 4 de abril de 2013 com outros conselheiros. Hélio e 22 pessoas foram denunciados em 2016. O caso ainda não tem conclusão. “Hélio teve conhecimento e consciência do incremento de situações típicas de riscos não permitidos relacionados aos problemas, falhas ou não conformidades operacionais ocorridos na barragem”.

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