Governos golpistas do Brasil e Paraguai facilitam fuga de membros do PCC

O Golpe de estado derrubou o presidente legítimo Fernando Lugo e fez emergir o PCC no Paraguai 

Em junho de 2012, em menos de 48 horas, o Congresso Nacional votou pelo impeachment relâmpago de Fernando Lugo. Os parlamentares acusaram o Presidente com um argumento sem fundamento. Alegaram que o motivo do afastamento foi por causa do “fraco desempenho de suas funções”. O estopim foi um conflitos entre latifundiários e camponeses sem terra. O governo golpista do vice-presidente Luis Franco foi reconhecido de imediato pelos EUA. E o partido Colorado manteve no poder Horacio Cartes e o atual presidente Mario Abdo Benítez, apelidado de “Marito”. 

“Marito” é filho do ex-secretário do ditador Alfredo Stroessner. Herdeiro de uma grande fortuna acumulada por todo tipo de crimes cometidos pela Ditadura Militar. Seu pai, Mario Abdo Benítez morreu em 2013 e teve seus processos por corrupção e abuso de autoridade arquivados. 

Segundo relatório da comissão da verdade e justiça, a ditadura militar que durou no Paraguai entre 1954 e 1989, matou mais de 400 pessoas e estima-se que outras 20.000 sofreram prisões e torturas. A Mesa de Memória Histórica estabeleceu que de 448 repressores investigados, apenas oito foram processados pela Justiça.

O Narcotráfico sustentou a Ditadura no Paraguai. Descarado como de costume, Stroessner confessava abertamente o envolvimento das Forças Armadas no tráfico internacional de drogas. O tráfico comandado Cúpula das Forças Armadas possibilitava grandes lucros para o Ditador e seus generais. 

Ano passado, em visita ao Paraguai, o miliciano Jair Bolsonaro elogiou em público o ditador Stroessner, na cerimônia de nomeação de autoridades da Hidrelétrica de Itaipu, disse:  “Então, aqui está minha homenagem ao nosso general Alfredo Stroessner”. O alinhamento entre Bolsonaro e Benítez não é apenas ideológico, envolve também negociatas para roubar o patrimônio público de ambas empresas a eletrobrás  e ANDE (agência pública de energia do Paraguai).

PCC domina presídios e controla a rota do tráfico no Paraguai

Localizado em uma posição estrategicamente, o Paraguai tornou-se um ponto chave para a distribuição de drogas e armas na América do Sul.

Na região, a disputa pelo controle do tráfico se intensificou após o Primeiro Comando da Capital (PCC) formar o Narcosul.  O Narcosul é a rede de comercialização ilícita de (armas, drogas, produtos contrabandeados). O PCC passou a integrar a rede após a morte de Jorge Rafaat, conhecido como “Rei da Fronteira” e tomou o controle da rota do tráfico no Paraguai da facção rival comando vermelho (CV). Integrantes do PCC realizaram um atentado contra Rafaat em meados de 2016 na cidade de Pedro Juan Caballero.  A polícia local acusa a facção paulista de ter se aliado ao também traficante brasileiro Jarvis Gimenez Pavão para eliminar Rafaat. Ele foi morto a tiros de armamento antiaéreo calibre.50 de uso exclusivo das Forças armadas.  

Segundo a Polícia Federal e autoridades colombianas, o PCC formou o Narcosul, que é uma articulação entre os cartéis na Colômbia e no México. Com apoio destes cartéis, o PCC iniciou um processo de tomada das rotas do tráfico internacional de drogas e armas. Sendo estas, as principais rotas do Paraguai, Peru, Bolívia e Colômbia, anteriormente controladas, respectivamente, pelo CV e Família do Norte (FDN).

Em outubro de 2016, o Primeiro Comando da Capital (PCC) iniciou uma disputa com o Comando Vermelho (CV). A origem do enfrentamento se deu pelo controle da rota do tráfico de drogas e armas na fronteira do Paraguai. 

No Brasil, o fim do pacto entre as duas maiores facções criminosas do Brasil culminou com rebeliões nos presídios do norte do país. Essa disputa resultou em: o Fortalecimento do PCC em todo Brasil e países vizinhos, e a intervenção do Exército nos presídios em rebelião.

No Paraguai, o PCC disputa com o Clã Rotela (grupo criminoso comandado por Armando Rotela) pelo o controle da maior rota de drogas da América do Sul.  A BR-463 é o corredor que liga Pedro Juan Caballero e Ponta Porã, passa por Mato Grosso do Sul e se liga a outras rodovias que levam aos principais centros: SP, RJ e DF.

O PCC participou do plano para tomar o controle dos presídios no Paraguai. Desde o ano passado o clã Rotela é alvo de ataques nas cadeias do País. Acompanhe a cronologia:

Junho de 2019 – uma rebelião liderada por integrantes da facção deixou dez detentos mortos e outros 12 feridos na penitenciária de San Pedro. 

Novembro de 2019 – o primo de Armando Rotela foi esfaqueado na penitenciária de Tacumbu.

Madrugada de 19 de janeiro de 2020fugiram do presídio em Pedro Juan Caballero, 74 integrantes do PCC. O MP local investigada  30 agentes penitenciários, o chefe de Segurança, e o diretor da penitenciária de ter recebido 370 mil reais para facilitar a fuga em massa de criminosos ligados a facção. Todos foram mantidos em prisão preventiva e posteriormente liberados. O MP aponta que a administração penitenciária tem responsabilidade pelas rebeliões e fuga de membros do PCC.

Tarde do dia 20 de janeiro de 2020 – outro membro do PCC matou um rival do Clã Rotela, no Presídio Regional de Misiones.

Autoridades de Assunção admitem que o PCC já controla grande parte do sistema penitenciário paraguaio, e conta com mais de 500 membros. 

O PCC também orquestrou fuga em presídio no Rio Branco. O Instituto de Administração Penitenciária do Acre (Iapen) disse na madrugada do dia 20/01 “os detentos fizeram um buraco na parede da cela e, com lençóis, fizeram cordas escapando pela muralha. Adalcimar Oliveira de Almeida foi recapturado ainda nesta manhã. 25 seguem foragidos”. Os presos são da facção criminosa denominada Bonde dos 13, aliada do PCC. 

Apontado como um dos principais chefes do PCC na fronteira, Timóteo David Ferreira também protagonizou polêmica entre justiça e polícia paraguaia. Depois de ser preso com fuzis e mais de mil munições, a juíza Librada Peralta liberou a internação do líder da facção em uma clínica médica mesmo com denúncias de um plano de fuga.

Na época, a polícia detectou informações sobre possível tentativa de resgate quando Timóteo fosse transferido para uma audiência no Tribunal de Justiça. Demonstra a conivência do judiciário.

No Paraguai, o crime está se reconfigurando com o domínio do PCC. Controlam os presídios e a principal rota de drogas do país.  A facção que é membro do Narcosul recebe apoio do governo oriundo de um golpe de estado, pois as autoridades do país são cúmplices de lideranças do PCC na região.  

A exemplo do Brasil, que está passando por um processo de reorganização do crime. Em todo o país se intensificou através da Garantia da Lei da Ordem (GLO) imposta pelos militares. Expandiu após a intervenção militar, principalmente no Estado do Rio de Janeiro, dando poder as milícias, a igrejas neopentecostais e organizações criminosas (PCC, TCP e ADA). Todas elas vinculadas ao projeto de carterização do crime comandada pelo militares.

No país vizinho, as organizações criminosas com menor grau de articulação e penetração nos aparatos de Estado tem perdido espaço para o Narcosul.

Facções que têm como características: a disputa pelo controle varejista de armas e drogas e uma forma anárquica de participar da mancha do crime tem sido eliminadas pelo o Estado e demais concorrentes que disputam espaço no crime e na produção da violência. 

No contexto de golpe de estado, em toda américa latina, parece exercer um mesmo padrão de gerenciamento do crime. Emerge da estrutura do Estado, uma forma modernizante de gerenciar o tráfico e o crime.

Nas periferias, grupos armados agem como células articulados com o governo central dominam os territórios. As policias e as forças armadas exercem uma força de ocupação contra a população local, dando cobertura para a extorsão e os demais crimes cometidos por grupos armados que agem com determinado grau de conivência de autoridades.  

E as forças armadas planejam e gerenciam essa estrutura do crime. Mantém o tráfico internacional de drogas e armas, sendo os principais fornecedores para os grupos armados locais.

O alto comando das forças armadas governa de fato esses países que sofreram golpes de estado. O governo comandado por militares se apropriam da riqueza nacional e do poder para impor a dominação contra o povo e a nação em favor do projeto neoliberal e neocolonial.

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