13 MOTIVOS PARA O PARTIDO DOS TRABALHADORES TER CANDIDATURA PRÓPRIA NO RIO

Nas últimas semanas, os militantes do Partido dos Trabalhadores, têm travado debates públicos sobre qual tática deve ser adotada nas eleições.

1.  Desmascarando os interesses

Com o Partido dividido, a pequena burguesia petista, em aliança com o aparelho burocrático, tenta forçar o apoio a Marcelo Freixo. A pequena burguesia está desinteressada de reconstruir o PT e quer que o Partido construa uma linha política específica para dar resposta às angústias da sua base social de classe média, desconsiderando todos os setores populares do partido. 

Também está interessado nessa aliança o aparelho burocrático, que atua com a pequena burguesia para conter o movimento dos militantes de base na reconstrução de núcleos e do Partido. Pois, não será possível construir núcleos petistas em bairros populares fazendo campanha para uma figura como Freixo. Além disso, sob a máscara  de ‘esquerda’, setores da burocracia querem entregar a Capital para a pequena-burguesia do partido em troca de vender a legenda para a direita no interior do estado do RJ. Ou seja, quem está entregando o PT para a direita é a aliança da pequena-burguesia e o burocracia.

Por outro lado, a militância petista presente em bairros populares e periferia, entendendo que os problemas do Rio não serão resolvidos em uma mera disputa eleitoral municipal, vão utilizar as eleições para levantar a questão da chapa própria como instrumento para defender o legado do PT, Lula e Dilma, para reconstrução do Partido no município e o enfrentamento à Lava-Jato.

A pequena burguesia pedante mente, afirmando que o problema de desmobilização do PT no Rio de Janeiro foi a intervenção de Dirceu, em 1998, na eleição do Garotinho. Porém, a desmobilização do Partido vem de muito antes, já na década de 1980, com o fim dos núcleos, resultado da política voltada a atender apenas os interesses da classe média.

Na sua defesa do apoio incondicional a Freixo, a pequena burguesia e a burocracia levantam falsas polêmicas e mentiras que tentam justificar tal apoio. Vamos às principais polêmicas levantadas por esses segmentos.

2. Crise econômica:  há condições de o Psol chegar ao 2º. turno, em meio ao golpe de Estado?  

A análise política confirma que isso é impossível sem uma concessão dos golpistas ou uma insurreição popular no estado  – fato que está fora de cogitação no momento [para conter a mobilização a burguesia pode usar as eleições para dispersar, fato que já ocorreu milhares de vezes na história]. Sem cumprir uma dessas duas condições qualquer programa minimamente contrário à agenda do golpe está fora da disputa. 

A pequena burguesia vem mentindo ao afirmar que a aliança do PSOL e PT nas eleições levaria Freixo ao segundo turno, ou, mais delirante ainda, que possibilitaria sua vitória. Essa afirmação desconsidera a crise econômica estadual e nacional e tenta transpor a situação de 2016 para a atual conjuntura. 

A luta de classes no Rio de Janeiro está em patamares extremamente reacionários. Hoje a situação da classe trabalhadora carioca é precária. O desemprego cresceu em mais de 50% da população [dados DIEESE]; ocorreram poucas greves; nenhum campo popular foi capaz de disputar a sociedade no estado; o ajuste fiscal por 21 anos inviabiliza qualquer governo municipal; o Rio de Janeiro é a segunda cidade mais cara para se viver no Brasil; a desindustrialização no estado se intensificou com o fechamento, em 4 anos, de mais de 2,5 mil indústrias [IBGE]. 

De 2016 para cá. a situação econômica se deteriorou ainda mais, em especial pelo impacto no comércio e a crise nas telecomunicações, que ainda vinham se mantendo após os ataques da Lava-Jato às indústrias de petróleo, química, construção civil e naval, pilares da economia estadual. 

Logo, se não há fatores econômicos positivos, não haverá fatores políticos positivos. O PSOL diz representar uma classe, mas essa classe não está mobilizada. Na realidade, não é daí que vêm seus votos. Vitória eleitoral, para a esquerda, não é publicidade, mas resultado de mobilização popular e política. 

3. Porque Freixo chegou ao 2º. turno na eleição passada

Em 2016, Freixo e Luciana Boiteux fizeram uma chapa que conseguiu chegar ao segundo turno. Porém, quais foram os fatores que o levaram a esse 2º. turno? As eleições foram marcadas por inúmeras greves, mobilizações, múltiplas chapas da direita, ataques à oligarquia local (representada pelo MDB) através do judiciário.

Em um primeiro momento, o Freixo foi excluído do debate eleitoral e posteriormente se reuniu com a direção da Globo. O apoio de Freixo à Lava-Jato foi outra condicionante imposta pela Rede Globo para viabilizar sua candidatura. No segundo turno, Freixo ficou marcado como candidato da Rede Globo.

4. O programa do Psol não responde ao programa político do povo trabalhador carioca 

Além de não debater a situação econômica e de emprego do povo, Freixo desvia a atenção da esquerda para a defesa de pautas morais e reacionárias, tal como o apoio ao projeto de Lei de Sérgio Moro e as 10 medidas contra a corrupção de Dallagnol. Nas ultimas eleições, o eixo do programa de Marcelo Freixo foi perder tempo para debater a legalização das drogas, em uma eleição municipal, unicamente para atender ao projeto acadêmico da sua vice, Luciana Boiteux, que é especialista na questão. Portanto, o apoio a Freixo não é um apoio progressista, mas sim de capitulação diante do programa do golpe de Estado. 

A pequena burguesia dentro do PT, imbecilizada com falsos mapas eleitorais, tenta criar uma ilusão de que Freixo irá representar os interesses da classe trabalhadora carioca. Freixo não ganhou em nenhuma urna nas zonas Norte e Oeste do Rio. Freixo não esteve ou articulou qualquer mobilização popular ou greves desde que foi eleito deputado federal. Resume seu mandato à performance midiática em Brasília. 

Como, no meio de um golpe de Estado, onde as principais forças reacionárias do país, tal como igrejas evangélicas, militares, Rede Globo, milicias, Lava-Jato, irá conseguir se viabilizar eleitoralmente, se não faz qualquer combate real ao golpe de Estado e aos desmandos econômicos deste município? 

5. Votação: de onde Freixo vai tirar votos, se ele não passa do Túnel Rebouças?

Desesperada para justificar seu apoio a Freixo, a pequena burguesia petista delira dizendo que o Psol pode chegar ao segundo turno. Mas basta uma pesquisa rápida no TRE para vermos que o Psol estagnou eleitoralmente. 

No mapa de votação do TRE, o Psol venceu unicamente na Zona Sul, onde a abstenção foi enorme, pois a direita da Zona Sul se recusou a votar no Bispo Crivella. 

Para complicar ainda mais a situação, as leis eleitorais  mudaram duas vezes para pior, e agora os militares estão controlando o TRE, o que facilita  a fraude eleitoral. Nas últimas eleições, 4 milhões de brasileiros foram impedidos de votar pelo STF.

6. Campo de alianças: o Psol, que divide o movimento, na eleição quer unidade

O eixo dessa discussão do campo de alianças traz uma clara conotação golpista. A retórica consiste em que o PT deve abrir mão da disputa federal em 2022 para apoiar algum candidato com mais “viabilidade eleitoral”. O balão de ensaio dessa retórica é testado agora, nas eleições municipais do Rio de Janeiro. 

Sempre, mas em especial desde 2016, o Psol jamais quis a unidade com o Partido dos Trabalhadores. Quando a luta contra o golpe se intensificou, o Psol rachou a Frente Brasil Popular para viabilizar a candidatura de Boulos via Povo Sem Medo. 

A campanha de luta contra o golpe, pela liberdade de Lula ou contra a guerra na Venezuela nunca contou com o apoio do Psol. Ao contrário, Freixo afirmou que “Lula Livre” não agregava e atacou o governo Maduro. O Psol chegou ao absurdo de apoiar os mercenários salteadores de Hong Kong. 

Que unidade é essa que não é feita em nenhum lugar? Em, quais greves, movimentos estudantil ou popular o Psol se aliou ao PT?

A pequena burguesia, utilizam-se da mentira para fazer avançar o projeto de capitulação do nosso Partido ao golpe de Estado. Resume  a luta política à mera disputa eleitoral. Com debates lavatistas no campo de alianças e não com representatividade na luta de classes do Rio de Janeiro. 

O aumento do extermínio do povo negro, o recrudescimento das propostas punitivistas, a ‘saída penal’ são as políticas  a combater, o que move nossa vontade de disputar a política do Rio de Janeiro. Freixo não quer, não pode e não irá levar esse debate a campo. 

Freixo não quer a aliança com PT, quer unicamente inviabilizar a reconstrução do Partido e transformá-lo em linha auxiliar da política neoliberal moralista do Psol, e nessa tarefa conta com o apoio consciente ou inconsciente da pequena burguesia petista. 

7. Frente para ‘combater o fascismo’ com quem apoiou a Lava-Jato

A pequena-burguesia faz chantagem afirmando que Freixo é o único capaz de derrotar Crivella, Witzel e o miliciano. Não se trata de ‘frente antifascista’ é apenas uma coligação eleitoral, pois não há nenhuma mobilização real.

Não se governa, em nenhum lugar no mundo, apenas com pauta ideológica. Só se governa com pauta econômica real: emprego, moradia, problema da água entre outras. Freixo inicia derrotado sua campanha com a pauta ideológica. Além disso, quais são os critérios para participar da ‘frente antifascista’? Os neoliberais do PSDB também são contra o miliciano, Crivella e Witzel.

Essa suposta frente é o contrário do que ela diz ser, a pauta ideológica dessa frente é um instrumento de propaganda dos golpistas e do governo dos Militares.

8. PSOL braço da Lava-Jato no Rio de Janeiro.

Para proteger a Lava-Jato, o PSOL foi responsável por levantar a tese mentirosa que aponta as causas da crise no Rio de Janeiro pela concessão de incentivos fiscais a “má gestão” do MDB.

Em 2015, nós do Voz Operária levantamos uma tese oposta ao PSOL, apontando que a verdadeira causa da crise no Rio é a Lava-Jato. A base da economia do Estado sustentada no tripé do petróleo, serviços e telecomunicações foi destruída por essa operação do Departamento do Estado Norte-Americano. Tendo a crise no RJ LIGAÇÃO DIRETA com a crise nacional/internacional e o Golpe de Estado. A quadrilha de Bretas e Moro desmontou a indústria da construção civil, naval e petroquímica do RJ-, além da Política Econômica neoliberal que mantém a maior taxa de Juros do mundo e o ajuste fiscal de 21 anos contra nosso estado.

Foi a Rede Globo que criou a propaganda afirmando que o “PMDB causou a crise pela má gestão”. Sequer o PMDB do RJ fez um balanço dos seus governos. Com o apoio dos governos Lula e Dilma, o Rio de Janeiro recebeu grandes obras de infraestrutura [PAC, Comperj, Porto Maravilha, BRT, VLT etc], realizou os megaeventos [tais como Copa do Mundo e Olimpíadas] e políticas públicas [Minha Casa Minha Vida, Clinica da Família, UPA’s, Bolsa Família, Bilhete Único e entre outros programas fundamentais para o povo fluminense].

De onde o PSOL tirou que o MDB destruiu o RJ? Apenas da propaganda da Rede Globo, que usou esse discurso como ensaio [nas jornadas de junho de 2013] para o impeachment da Presidente Dilma. Os golpistas derrubaram a oligarquia local [representada pelo MDB], impuseram uma intervenção militar e na aliança com a Lava-Jato um governo terrorista.

9. PSOL ajudou a levar os terrorista militares e da lava-jato ao poder

O PSOL foi responsável por apoiar a Operação Cadeia Velha, que desmoronou a ALERJ e abriu caminho para intervenção militar no estado. Se submetendo as decisões de Bretas, o PSOL apoiou o golpe da Lava-Jato contra o legislativo carioca.

O PSOL também defendeu a prisão do Prefeito de Niterói, Rodrigo Neves [PDT], acusado sem provas pelo judiciário de Bretas. Na ocasião, deputados e vereadores PSL e PSOL promoveram juntos ato político para caçar o mandato do Prefeito.

Não bastando o largo histórico de defesa da Lava-Jato, Marcelo Freixo e a bancada do PSOL se recusa em fazer criticas as ações criminosas e lesa-pátria da operação que desmoronou a economia fluminense.

Durante a Operação Furna de Onça, a pequena burguesia petista e o PSOL atacam a postura dos parlamentares do PT na Alerj. Porém, a bancada do Partido dos Trabalhadores, na figura do seu líder André Ceciliano, Zeidan e Waldeck Carneiro de forma corajosa mantiveram a coerência ao votar contra a Lava-Jato e na defesa dos direitos políticos da população fluminense, desafiando a ditadura e a política pequeno burguesa dos setores esquerdistas que tentam usar o PT como trampolim de carreira.

10. PSOL não defende nem seus militantes, como vai defender o povo carioca?

Durante a intervenção militar no Rio de Janeiro, decretada em 2017, o PSOL ficou em silêncio diante da repressão, fuzilamento, tortura e desaparecimentos realizados por militares no estado. Sob comando do general Braga Netto, a vereadora Marielle Franco foi executada por milicianos a serviço dos militares.

Em fevereiro daquele ano, Marielle estava articulando os Fóruns de Luta contra a Intervenção Militar. Foi proposto, inclusive, a criação de uma Comissão da Verdade para investigar e condenar os crimes praticados pelos militares durante a intervenção. Porém, após o seu assassinato, essas propostas foram abandonadas pelo PSOL.

Sequer o PSOL defendeu a Marielle Franco, ao contrario, aderiram a pauta da Rede Globo, que levou uma propaganda “quem matou Marielle?”, quando era obvio a responsabilidade dos Militares, nomeadamente o interventor no Estado, General Braga Netto, pela execução da vereadora.

11. PSOL defendeu greve no Comperj e ataques da Lava-Jato a Petrobras

Em 2014, sob ataques da Lava-Jato as obras do Comperj foram paralisadas. O PSOL se aliou com seu satélites do PSTU para promover uma greve de sabotagem à refinaria.

A unica fez que o PSOL foi para as ruas foi para combater o PT, foi contra a Lei da Partilha, contra a divisão dos Royaties do petróleo em favor do estado, ocuparam violentamente a sede da Petrobrás e alimentaram o discurso lavajatista “que a Petrobras estava falida e assaltada pelos governos do PT e PMDB”. E o PSOL em aliança com o PSTU e PCB, assaltaram a direção do Sindicato dos Petroleiros com esse discurso mentiroso e moralista na base.

12. “Não vai ter Copa”, PSOL sabota a economia do Rio

Lula e Dilma, realizaram grandes esforços para trazer e organizar os megaeventos no Rio de Janeiro. Entretanto, contou com a sabotagem do PSOL a estes eventos.

Novamente, pegando carona no discurso da Rede Globo, o PSOL afirmou que: não vai ter Copa porque a prioridade era saúde e educação. A demagogia partia desse partido, pois o PT destinou constitucionalmente 10% da Lei da Partilha do Petróleo para investir na Educação e Saúde.

No âmbito da educação, o PSOL sempre atacou as políticas do PT, sendo contra e promovendo campanhas ofensivas ao Reuni, Prouni, Fies, escolas técnicas, greves artificiais para sabotar a política do ministério conduzido por Haddad e ocupação de Reitorias em todo o Brasil.

No âmbito da Saúde, o PSOL foi contra ao programa mais médicos e a criação das clínicas de Família e UPA’s. O discurso demagógico afirmava que: “ter mais médicos era insuficiente para sanear a demanda, e os programas eram privatistas”. Uma mentira ! Segundo a OMS, os programas de estratégia da saúde da família atenderam mais de 60 milhões de pessoas em todo país.

13. O Partido dos Trabalhadores precisa ser defendido e reconstruído. Para isso, precisa rearticular-se com a base trabalhadora.

O Psol, partido que votou em favor das operações Cadeia velha e Furna da Onça, que fulminou a política carioca, que levantou a falsa tese de que o problema do Rio era a corrupção do MDB e não a Lava Jato, é o mesmo que em nove das doze teses congressuais, tenta superar nosso Partido.

A oposição, autoproclamada ‘esquerda’ do PT, diz ser a mudança no Partido. Mas se calou diante da retirada golpista de quase 80 mil votos do prefeito Quaquá. Além disso, em todo processo de eleição interna do PT fez coro com a grande mídia, dizendo que havia fraudes nas eleições internas, e omitiu que a retirada de votos de Quaquá foi uma campanha da Lava-Jato junto com o que há de mais reacionário no Rio. 

O que a pequena burguesia petista quer é blindar-se politicamente e resumir a luta de classes à mera disputa eleitoral. 

Não aceitaremos calados a entrega do nosso Partido a uma chapa, a uma candidatura que se resume à mera disputa moral, como foi a campanha de Freixo em 2016. 

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s