COMPRA DE PRATELEIRA X SUPOSTA COMPRA DE CAÇAS “HORNET” DA US NAVY OU DO KUWAIT

A chamada compra de prateleira é um recurso utilizado somente por países que ainda não possuem indústria de defesa consolidada e com capacidade de desenvolver e fabricar material bélico de ponta para as suas forças armadas.

O motivo é simples: a compra de prateleira não beneficia o comprador, não gera divisas, não gera empregos, e ainda por cima aumenta a fuga de cérebros para o exterior de profissionais altamente especializados. Sendo assim, não deve-se lançar mão dela, a não ser para cobrir pequenas lacunas da defesa em áreas não-sensíveis.

As áreas sensíveis, que envolvam tecnologia de ponta, deve-se optar pelo desenvolvimento interno ou a negociação com empresa de país que esteja disposto, em contrato, a transferir tecnologia sensível. Concluída essa parceria o Brasil deve ter absorvido essa nova “expertise” para desenvolver o produto sozinho.

Os programas de aquisição de caças para a FAB e de submarinos pela Marinha do Brasil são os exemplos mais importantes e vitoriosos de transferência de tecnologia que já tivemos no Brasil.

Sobre a suposta necessidade de aquisição de caças F/A-18 Hornet pela Marinha do Brasil

Os caças de uma marinha não realizam defesa aérea do espaço aéreo nacional, eles têm duas funções básicas: 1. prover a chamada “defesa expandida” de um Grupo-Tarefa, ou seja, ser interceptor de aeronaves inimigas na camada mais distante de defesa e 2. realizar ataques ao solo. Os caças F/A-18 Super Hornet e o SU-33 da Rússia são bons exemplos.

O Brasil não tem necessidade de possuir porta-aviões. Os países que possuem esse tipo de meio o utilizam para projetar poder em áreas de interesse. Entre eles estão os Estados Unidos, China, Rússia e França, o Brasil, ao contrário, não possui grandes interesses em outros países. Grandes empresas brasileiras que rivalizaram com grupos americanos e de outros países por obras e, diversos países das Américas foram golpeadas e hoje, estão em processo de falência.

 Com isto posto, algumas questões precisam ser levantadas. Hoje não existe na Marinha do Brasil um projeto para a construção um porta aviões. Também não existe hoje no mercado NENHUM porta aviões que esteja prestas a dar baixa de alguma marinha para ser comprada por outra. Como aconteceu com a aquisição da nossa marinha em 2000 do porta aviões francês Foch (R99) que vira a se tornar o porta aviões São Paulo (A12). O único porta aviões que está prestes a sair da linha de frente é o estadunidense Enterprise, descomissionado em 2017 e em vias de ser desmantelado. Por ter muitos segredos militares, o Enterprise não será repassado a nenhuma outra nação aliada. Outras nações como Índia, China e Inglaterra estão em processos distintos de construção e testes de suas respectivas Belonaves. E temos claro, os porta aviões dos EUA em operação e o único da França o Charles de Gaulle. O único porta aviões da Rússia, infelizmente está parado com muitos problemas no estaleiro e talvez não volte ao mar.

Notem que os países que já detém a expertise para a construção desse tipo de embarcação não transferem esse Know How. No máximo, é algum porta avião ser vendido quando está prestes a sair de operação pelo seu país construtor. O estranho disso tudo é que a Marinha é uma das nossas forças que mais precisam de renovação dos seus meios. O programa das corvetas da classe Tamandaré anda a passos bem lentos e os 5 submarinos que estão em fases distintas de fabricação estão com os cronogramas atrasados. Não seria melhor a Marinha se preocupar com esses meios citados, já que eles dentro da lógica da guerra naval são meios de dissuasão?

O que a nossa Marinha pode fazer com caças perto do final de sua vida útil, que não terão utilidade dentro da lógica da guerra naval sem o “complemento” de um porta aviões? A quem interessa esse desvio de recursos que poderiam ser utilizados em prol de equipamentos que realmente necessitamos, gerando assim empregos diretos e indiretos, como também desenvolvimento tecnológico?      

O ex-ministro da Defesa do Governo Lula, Nelson Jobim disse : ‘Não somos compradores de prateleira’.

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