Gabinete de Segurança Institucional (GSI) manobra e esquerda cai – Coluna

Por Gabriel Araújo

O governo do GSI e os grandes monopólios da comunicação jogaram a isca e a esquerda pequeno burguesa fisgou. Com o evidente fiasco das mobilizações golpistas marcadas para o dia 15/03 e o receio da ampliação das manifestações contra o governo (que com o alastramento do coronavírus e a nula recuperação econômica tende a aumentar, causando o enfraquecimento do governo ilegítimo e impopular) que estava marcada para o dia 18/03. Bolsonaro fez pronunciamento na quinta-feira orientando o cancelamento da manifestação golpista sob o pretexto de evitar a aglutinação de pessoas para prevenir que exista explosão de infectados.

A esquerda pequeno burguesa em mais uma demonstração de peleguismo, chegou a um acordo com os golpistas e resolveu adiar as manifestações de rua no dia 18, sob a mesma desculpa. Toda essa esquerda já havia anteriormente de maneira institucional solicitado para aqueles que estão destruindo o Sistema Único de Saúde (SUS) e a saúde pública em seu conjunto, que tocassem para frente medidas para amenizar a crise sanitária. Ficando evidente mais uma vez as sucessivas proposições da esquerda de como enxugar gelo e sua intenção em tutelar o governo fascista, ao invés de superá-lo por meio da ação independente das amplas massas trabalhadoras nas ruas.

De fato alastramento do vírus está ocorrendo de maneira veloz e os índices de óbitos são altíssimos, principalmente nos países de capitalismo desenvolvido, o que revela que a esquerda deve se preocupar com a questão. Mas por outro lado o que também fica demonstrado é a incapacidade dos governos dos patrões em lidar com a questão. E se lá no ocidente, nas economias consolidadas, os representantes políticos do patronato estão com dificuldades enormes em dar respostas à altura da demanda social nesse caso de pandemia e de retomada do crescimento econômico. Imaginem vocês como será isso aqui, com governantes como Bolsonaro, Augusto Heleno, Sérgio Moro, Hamilton Mourão e Paulo Guedes. 

Essa crise sanitária e os casos de óbitos nos países de capitalismo atrasado onde existe um processo de arrocho fiscal que retira investimentos primários, os serviços públicos já se encontram em processo de calamidade e de baixíssimo desenvolvimento tecnológico comparado com as sociedades desenvolvidas, será o inferno na terra dentro de poucos dias.

Nesse sentido, a tese de que é melhor ficar em casa, tomar medidas individualizadas para fugir da crise sanitária nesse momento e que devemos confiar no governo golpista para resolver a questão, não se torna apenas um mero equívoco, ela adquire um caráter criminoso e portanto, deve ser ferozmente combatida! Pois passa a ser uma pedra no caminho da resolução da crise sanitária e da crise econômica. Resolução esta que perpassa fundamentalmente pela necessidade de mobilização e organização da classe trabalhadora em torno da exigência da imediata queda do governo incompetente que desdenhou da potencialidade da crise sanitária e não deu condições objetivas de prevenção do alastramento. 

Se o governo golpista não conseguiu prevenir e tampouco prever a gravidade da situação, quem dirá que ele vai conseguir acabar com a crise. Acreditar nisso talvez seja pior que acreditar em contos de fadas.

É preciso observar que a preocupação do governo em relação ao alastramento do coronavírus fica limitada apenas as manifestações, já que como mencionamos, anteriormente os fascistas que estão no poder faziam desdém da situação. Esse desdém também significa que querem deixar a população passiva ante a situação, pois sabem que para arcar com os custos da solução, eles teriam que obrigatoriamente tomar uma série de medidas que iriam mexer nos gordos bolsos dos banqueiros internacionais que nos saqueiam através do endividamento perpétuo.

Apenas muita alguém com muita ingenuidade ou muito subserviente cairia no conto de que paralisar as mobilizações populares contribuiria para evitar o agravamento da situação. Já que existe a proposta de adiamento das manifestações, porque ela não se ampliou para a paralisação dos meios de transporte público e dos locais de trabalho nos grandes centros do país, onde circulam milhões e milhões de trabalhadores diariamente em número extremamente maior do que nas manifestações?

A organização e a manifestação do descontentamento do povo na rua, pelo contrário da tese do governo golpista e adotada também pela esquerda pequeno burguesa, é na realidade a única possibilidade de derrotar a crise sanitária e a crise econômica em um prazo curto através de medidas que envolvam a ação popular em um primeiro plano. Apenas com a força material das massas nas ruas, em um sistemático calendário de atividades que derrubem o poder político extremamente limitado da burguesia, poderá canalizar as medidas, as ferramentas e o conjunto de elementos necessários para superar o aprofundamento da crise que já está aí.

Obs.: As colunas não representam necessariamente os posicionamentos políticos do Editorial do Jornal Voz Operária. O Jornal está aberto as manifestações sinceras dos revolucionários no Brasil. Entre em contato para abrir uma coluna.

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