Nota de contínuo pesar- Anderson Luis, Presente! – Coluna

Nota publicada pela Revista Ciência & Revolução em:

No dia 10  de abril de 2006, exatos 14 anos atrás, a vida do sindicalista Anderson Luis Souza Santos era ceifada. O assassino de Anderson o encontrou no ponto de ônibus, junto com outros operários, aguardando a condução no ritual diário que todo trabalhador executa para vender a sua força de trabalho aos patrões.

Anderson era um trabalhador consciente, presidente de seu sindicato, tinha conquistado o fim do banco de horas na fábrica em que trabalhava e estava expandindo a base de seu sindicato. Anderson combatia fortemente pela indepêndencia de seu sindicato, dava voz à sua base e organizava a luta de sua categoria. Internacionalista Anderson era militante da corrrente O Trabalho do PT – Seção Brasileira da IV Internacional.

Infelizmente o assassinato de Anderson não foi um caso isolado, o livro Plantados no Chão da jornalista Natalia Viana discute o assassinato de lideranças populares no primeiro governo do PT. afinal, o entulho autoritário da ditadura militar não tinha sido varrido por uma Constituinte Soberana.

Hoje a situação escalou, o Brasil ocupa a quarta posição mundial em assassinato de lideranças populares, sendo que após o golpe de 2016 o número de assassinatos disparou, incluindo a companheira Marielle. A revista Opera Mundi faz uma lista dos companheiros (ver aqui) e se pode ver que a perseguição contra lideranças se generalizou: prisões em processos forjados como a lava jato; sindicatos são multados por fazerem greve e têm suas condições de existência postas em cheque; o judiciário se volta contra as lideranças populares em casos típicos de “lawfare” como os que se vê com as lideranças petistas. A lista é enorme e não pára nos ex-presidentes da república. Haddad, Gleisi e mesmo Lindberg Farias entre muitos outros são vítimas de processos forjados com o fim de impedir o PT de se apresentar ao voto popular.

O endurecimento do Imperialismo contra a existência de organizações operárias

A crise econômica do capitalismo é de tal magnitude, que para manter as taxas de lucros dos patrões, é necessário elevar a exploração do trabalhador a níveis jamais praticados, para tanto não é concebível que existam organizações que defendam os trabalhadores e é neste marco que é feito o pedido de cancelamento do registro do Partido dos Trabalhadores.

O imperialismo destrói as forças produtivas, em particular, a mais importante entre todas, a classe trabalhadora

Durante a pandemia a classe que vive do seu trabalho precisa ainda mais das organizações que construiu, seus sindicatos e partidos.  Quem poderá defender o direito dos trabalhadores em prestação de serviços não essenciais se recusarem a trabalhar e exporem a si, suas famílias e comunidades ao risco de contaminação, senão os sindicatos? Quem poderá defender as classes que vivem de seu trabalho, da exploração dos capitalistas que está custando suas vidas e empregos senão as organizações construídas por nós mesmos? Quem lutará para que as pessoas tenham condições financeiras, de alimentação, de higiene e saúde para aplicar o isolamento social necessário ao achatamento da curva de contaminação senão os partidos que representam o povo explorado? Quem poderá defender a população e os trabalhadores e trabalhadoras essenciais organizando a reconversão industrial para a produção de máscaras, respiradouros, testes para o atual coronavírus, reagentes e vacinas, senão um governo que coloque em primeiro lugar a vida do povo? De fato, muitos dos riscos que brasileiros e brasileiras estão expostos durante a pandemia poderiam ter sido evitados se o golpe de 2016 não tivesse levado a frente cortes nos orçamentos públicos de pesquisa científica, de saúde e em sistemas sanitários.  Mas o golpe tinha o objetivo de apertar o torniquete sobre o povo para garantir ajustes que atendam as necessidades fiscais das instituições financeiras. Como isso enfrenta resistência popular, lançam mão do endurecimento da perseguição política através de ameaças, processos, prisões e assassinatos com o objetivo de intimidar e silenciar as classes populares e suas organizações. Daí que defender líderes e militantes perseguidos é defender a existência e a liberdade política das organizações que fazem parte de serem utilizadas pelo povo em seu movimento de resistência e auto-defesa. 

Em homenagem a Anderson Luis

Lamentamos profundamente que quatorze anos depois do assassinato de Anderson, que dá nome ao círculo que edita este Blog, seus assassinos continuem livres para seguir ceifando vidas. Se o caso de Anderson tivesse sido apurado, com certeza outros assassinatos de lideranças populares poderiam ser prevenidos. A impunidade alimenta o genocídio que vitimou Marielle e seu motorista, também chamado Anderson. 

Neste aniversário de morte de Anderson Luis, sindicalista, petista, militante do movimento negro, a homenagem que podemos prestar a ele é seguir lutando pela vida e pela liberdade dos que só tem suas horas para vender. E isto passa por negar o direito aos que usurpam o poder do estado em benefício próprio, dos banqueiros ou do governo dos EUA de prosseguirem com o massacre ao povo negro e pobre. Este direito de recusa a morrermos se materializa no combate para que as organizações construídas para defender o povo, como o PT, governem se livrando do entulho autoritário e parasita que os inimigos da classe trabalhadora insistem em transformar em leis para legitimarem a rapinagem sobre recursos naturais e humanos brasileiros. Eles combinaram de nos matar, mas nós, através de nossas organizações, podemos combinar de não morrer.


Anderson Luis, presente!

Obs.: As colunas não representam necessariamente os posicionamentos políticos do Editorial do Jornal Voz Operária. O Jornal está aberto as manifestações sinceras dos revolucionários no Brasil. Entre em contato para abrir uma coluna.

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