Povos da América Latina tem dois inimigos: As ditaduras fantoches dos EUA e a Pandemia

O avanço da pandemia de coronavírus na América Latina, provou a incompetência dos governos golpistas da região diante de quaisquer assuntos político, social e econômico. A pandemia e o agravamento da crise capitalista revelaram que tratam-se de governos de destruição nacional, e não podem e nem vão adotar medidas para conter as mortes pelo covid-19, pelo contrário, não houve “cessar-fogo” dos ataques neoliberais e seguem saqueando a renda pública.

OMISSÃO DA OEA AJUDA NO AVANÇO DA COVID-19 NA AMÉRICA LATINA

Na data que esse artigo foi concluído, 14 de abril, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), o mundo registrou 1.848.439 casos de coronavírus e 117.217 mortes. Os números da Pandemia na América do Sul são alarmantes. A América é o segundo continente com maior número de contaminados e os cientistas apontam que, nas próximas semanas, se tornará o epicentro da pandemia.

OMS: casos confirmados / mortes

A situação da pandemia atingiu de formas distintas cada país da região. Países que possuem sistemas de saúde privatizados foram duramente afetados, enquanto isso, outros países que possuem sistemas de saúde públicos e voltados para prevenção conseguiram responder mais rapidamente a pandemia, são os casos da Venezuela, Cuba e Nicarágua. Porém, não existe nenhuma coordenação entre os países da América Latina para responder conjuntamente ao problema.

No último período, os governos golpistas trabalharam para desarticular experiências de integração regional, fato que dificulta dar respostas conjuntas. Armados de falácias, os golpistas desmontaram a UNASUL, entidade que em diversos momentos passado foi fundamental para dar respostas as crises no subcontinente, e no seu lugar colocaram entidades fantasmas, como o Grupo de Lima e a Prosul, que servem unicamente para fomentar golpes de Estado e desintegrar a relação entre os países, tornando impossível medidas conjuntas como adotaram a União Africana, por exemplo.

Esvaziada de qualquer legitimidade, a OEA se manteve omissa desde o início da Pandemia. Durante todos esses meses, o “Ministério das Colônicas”, como dizia Fidel Castro, se limitou a emitir “recomendações” para Nicarágua, Cuba e Venezuela, afim de estimular golpes de Estado.

Recentemente, no dia 04 de abril, a OEA publicou um comunicado afirmando que “concentrará esforços para conter a COVID-19”, porém não explicou quais medidas seriam adotadas. O comunicado afirmou que será realizada uma videoconferência entre os governos membros da OEA e convidou o governo imaginário de Juan Guaidó, mesmo a Venezuela não fazendo parte do organismo e Guaidó não controlando nenhum território, mostrando que não há seriedade na ação. O evento tratasse de uma peça publicitária.

No momento que é preciso coordenação entre os governos, a organização prefere ideologização da pandemia, atacando a China e Venezuela. Outro fato grave é que a OEA marcou como ponto de pauta contrair dívidas com BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), Banco Mundial e OCDE para submeter os países latino-americanos aos interesses dessas agências neoliberais.

MEDIDAS ADOTADAS PELOS GOVERNOS GOLPISTAS

Enquanto chegavam notícias do colapso do sistema de saúde italiano, os governos golpistas na América Latina esperaram duas semanas de disseminação do coronavírus para adotar as primeiras ações governamentais.

EQUADOR

O Ditador Moreno, chegou a presidência do país em 2017, logo após dar um golpe eleitoral. Seu programa neoliberal e pró-imperialista, gerou descontamento popular que resultou em uma rebelião em outubro de 2019. A má gestão do governo Federal em controlar a crise sanitária no país tem causado mortes. Centenas de corpos de vítimas fatais da COVID-19 apareçam abandonados nas ruas de todo o país. Cadáveres ficam 5 dias ou mais e estão apodrecendo nas ruas e casas sem que haja sua remoção.

Um ano antes da pandemia, o governo de Moreno demitiu 3 mil profissionais da saúde e rescindiu o contrato com Cuba, expulsando do país 400 médicos. Apenas em 2019, U$ 67 milhões foram cortados da saúde e seguiram as demissões e precarização para responder as dívidas com o FMI. Em meio a Pandemia, o Ministro da Economia daquele país, auniciou o pagamento de U$ 324 milhões ao FMI. Fatos que debilitaram o sistema de saúde equatoriano para enfrentar a crise.

A prefeita de Guayaquil, a segunda maior cidade do país, que é conhecida por “Wuhan equatoriana” (por causa da alta taxa de contaminados), denunciou o governo federal por ter abandonado a cidade diante da pandemia. O sistema de saúde e funerário da cidade já está em colapso. A situação no Equador é de completa catástrofe pois há o maior número de contagiados e falecidos por população per capita.

Segundo o ex-presidente do Equador, Rafael Corea, o Equador tem sido o pior país do mundo a dar respostas contra a Pandemia de coronavírus, abandonando sua população a sua própria sorte. Enquanto isso, o governo federal vem endividando ainda mais o país para salvar o mercado financeiro.

COLÔMBIA

Desde o início da Pandemia, o presidente colombiano Iván Duque está relutante em tomar medidas como a quarentena total, apesar da escalada das infecções por COVID-19. Em vez de combater o Coronavírus, sua política se resume a obsessão pelo golpe de Estado contra a Venezuela. Estamos diante de um testemunho terrível, grotesco e vergonhoso em que um governo explicitamente segue as ordens da Casa Branca para tirar proveito da vulnerabilidade da Venezuela, nesse momento de pandemia.

A demora em aplicar restrições na circulação de pessoas, a falta de coordenação nos diferentes níveis da administração pública e um sistema de saúde privatizado criam um cenário catastrófico no país. Soma-se a isso o abandono do governo a grandes camadas da população que subsistem da economia informal (um terço do PIB), sem que o governo ofereça uma alternativa para se alimentar e cobrir suas despesas mínimas à medida que a pandemia se espalha.

Além disso, os problemas de falta de coordenação entre o governo federal e as administrações departamentais (estados e municípios) beneficiam o contágio da doença. Os departamentos tem, em vão, exigido que o governo Duque centralize as compras de materiais, suprimentos médicos e testes, mas o governo de Duque jogou a responsabilidades para os governadores e prefeitos nessas compras diretamente.

Na semana passada, o Instituto Nacional de Saúde ( INS) afirmou que já não tem capacidade de realizar testes para COVID-19. E para piorar, o governo federal ideologizou o coronavírus, e se negou a aceitar duas máquinas que lhe ofereceu o governo do presidente Nicolás Maduro, sob protesto dos prefeitos colombianos que pediam as máquinas.

Parece que a inaptidão das políticas usadas por Duque para lidar com a pandemia pode reabrir o ciclo de crises políticas e manifestações sociais que começaram em novembro do ano passado com a chamada para um “Desempreo Nacional”. Dias antes, houve saques e tumultos em diferentes áreas da Colômbia devido à falta de medidas de apoio para que milhões de famílias enfrentassem isolamento e quarentena.

A continuidade dos massacres contra as lideranças políticas na Colômbia confirma que a oligarquia não está apenas aproveitando a pandemia para fortalecer suas políticas extrativistas e neoliberais, mas também observa esse cenário como uma oportunidade para intensificar a repressão política e militar.

CHILE

Desde outubro de 2019, o Chile é cenário de intensas manifestações contra o Regime neoliberal. Em meio a crise sanitária do Coronavírus, o país sofre com uma seca histórica que dificulta o abastecimento de água no país, fato que cria dificuldades para higiene da população, lavar às mãos, uma das melhores medidas de prevenção da COVID-19.

No dia 14 de março, as medidas anunciadas para combater a COVID-19 foi composta de isolamentos parciais para os grupos que tiveram contato com os casos infectados. Até o dia 20 de março, o Ministro da Saúde chileno, Jaime Mañalich, afirmou que era “insensato e desnecessário” declara a quarentena total no país.

No Chile, funcionários que tiveram contato próximo comprovado com os casos de COVID-19 poderiam entrar em quarentena de 14 dias. A situação é ainda mais grave, até hoje apenas cidadãos testados com coronavírus ficam 7 dias de afastamento ou são simplesmente demitidos já que não há fiscalização no trabalho. Porém, os testes só estão sendo realizados em casos graves ou moderados.

Até agora, o protocolo de saúde mantém o sistema de quarentena parcial, permitindo até a operação normal de shopping centers e supermercados em todo o país.

Não passa despercebido que Sebastián Piñera organizou uma teleconferência com presidentes de países da América do Sul com o objetivo de coordenar um esquema de trabalho regional para combater a pandemia e não permitiu a participação do presidente Nicolás Maduro. Antes da reunião, o presidente Alberto Fernández entrou em contato com Piñera e disse que “devido à seriedade do problema, no caso da saúde pública e com a Venezuela fazendo fronteira com três países da região”, todos deveriam estar presentes na teleconferência.

BOLÍVIA

A ditadura implementada na Bolívia a partir do golpe de Estado contra o Presidente Evo Morales desconsiderou o impacto do coronavírus. Até a chegada do vírus, a Ditadura rejeitou as medidas de prevenção e contenção testadas com resultados positivos pela OMS. Em vez disso, emitiu ordens desconexas proibindo, por exemplo, o fechamento de locais para festas e shows.

Cientistas bolivianos questionam a falta de acesso a dados sobre a evolução do surto. O acesso às informações sobre qualquer tipo de surto é essencial, pois permite avaliar modelos, a distribuição das equipes.

Em meio à crise de saúde causada pelo COVID-19, que já infectou 330 pessoas e deixou 27 mortos na Bolívia, há muitas críticas pelo mau gerenciamento de Áñez e das autoridades de saúde.

O governo do autoproclamado fechou as fronteiras do país aos bolivianos e impediu seu repatriamento para o país, o que, constitui uma violação da Constituição, que estabelece a proteção dos direitos dos trabalhadores migrantes.

Por outro lado, em vez de investir no setor de saúde em meio a uma pandemia, no último dia 10 de abril, a ditadura autorizou a compra em U$ 5 milhões gás lacrimogênio para reprimir os protestos contra a Ditadura.

NEOLIBERALISMO NÃO SERVE PARA NADA

O continente fragmentado e politicamente desorientado, só pode resultar em programas nacionais desordenados que colidem; alguns deles perigosos devido à sua irresponsabilidade.

Enquanto isso, a Venezuela em condições adversas, devido ao bloqueio, cerco internacional e desarticulação do bloco regional, está apostando em um modelo diferente na região para colocar o valor social acima do valor econômico em situações de emergência global.

A pandemia de Covid-19 evidenciou o resultado catastrófico da aplicação do programa neoliberal em todo o planeta. Por exemplo, como a saúde é uma mercadoria que busca sua realização no mercado, seu objetivo não é salvar vidas, mas buscar esquemas de maior rentabilidade. As leis do mercado indicam que a coisa “lógica” é privatizar ainda mais a saúde, para que apenas aqueles com dinheiro para pagar sejam salvos.

Na maior parte, os países afetados pela pandemia serraram fileiras contra a saúde pública em face da insanidade capitalista, entendendo que deixá-la à sorte da “mão invisível do mercado” nos traria um número incalculável de mortes.

O avanço do Covid-19 tem a forma de uma crise particular do sistema capitalista. Pela primeira vez na história desse sistema, a produção está paralisada, a recessão está em fúria e as finanças globais estão estourando sem a intervenção de uma guerra em larga escala.

Em estado de pânico, a economia de mercado indica que demissões em massa, redução de pessoal e a transição de fluxos de investimento para outras áreas que relatam mais lucros são necessários para salvar seu próprio projeto, enquanto milhões de pessoas buscam refúgio. O imperialismo já faz o cálculo de quem será descartados como trabalho após o término da crise. Cerca de cem bilionários jogam cassino com nosso infortúnio, decidindo, com base em seus esquemas de rentabilidade, quem permanecerá no mercado de trabalho e quem ficará de fora.

Os princípios deste projeto demonstram mais uma vez seu impulso desintegrador na sociedade humana e sua enorme tentativa de nos convencer de que não podemos fazer nada para mudá-lo.

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