Esquerda está no seu momento mais confuso desde o início do golpe de 2016

Desde o início da disseminação da COVID-19 no Brasil, o governo golpista mostrou sua oposição quanto adotar a quarentena e as medidas recomendadas pela Organização Mundial da Saúde. Hoje, o Brasil encabeça a lista de países que atualmente são mais afetados pela pandemia na América Latina, totalizando 28.320 contaminados e 1.736 mortes (dados de 15 de abril). Esses números são subestimados, uma vez que o governo só está aplicando os testes de coronavírus em pacientes com quadro clínico grave, enquanto há subnotificação dos casos. Segundo universidades brasileiras, o número de contaminados pode ser 12 vezes maior.

Em meio a este quadro, o governo vem debochando da gravidade dessa doença altamente contagiosa, sem cura e letal. A prioridade do governo é o lucro dos bancos, que ano após ano bate recorde. Desde o início da crise já foram saqueados R$ 1,2 trilhão de dinheiro público para sustentar os banqueiros. Em troca, mantêm as elevadas taxas de juros que asfixiam o mercado interno.

Com o golpe de 2016, a aplicação da agenda neoliberal acarretou o abandono de políticas sociais, em especial as relativas ao sistema de saúde, que impediram que o Brasil estivesse melhor preparado para enfrentar a pandemia. Contando com o apoio do atual ministro da saúde, Mandetta, esse governo acabou com o Programa Mais Médicos, que atendia mais de 63 milhões de pessoas. Graças à PEC 55, apoiada por Maia, o miliciano, o PSDB e outros golpistas, o SUS perdeu mais de R$ 22,5 bilhões no orçamento, e os hospitais públicos perderam 40 mil leitos.

No momento em que deveria haver solidariedade, os golpistas aproveitam essa pandemia para forçar sua agenda neoliberal. Nem no meio de uma pandemia há alguma preocupação com a agenda social. Por um lado porque são incapazes de adotar as medidas da prevenção e cuidado com a saúde das pessoas ou por outro serem psicopatas. De qualquer forma, o cenário revela que são genocidas.

A época do diálogo acabou. Não é possível constranger, apelar a razão ou a ciência para mudar a posição de um governo criminoso. Eles vêem que o povo está fraco com a pandemia, e essa fraqueza atrai a sua violência. Por isso, para os militares, o coronavírus é um aliado e visto como oportunidade pra forçar sua agenda neoliberal e neocolonial.

Por exemplo, o Congresso aprovou a Medida Provisória 905 (Lei da Carteira Verde e Amarela), que diminui o fundo de garantia, parcela o décimo terceiro salário, reduz a interpretação do que é um acidente de trabalho, além de outros ataques.

Portanto, o golpe catalisa o genocídio do povo, seja pela via da miséria neoliberal, seja pela estrutura punitivista e de repressão do Estado ou mesmo pela via da pandemia. Por isso, a Pandemia é apenas mais um elemento que vem a somar na estratégia de genocídio do povo brasileiro que já estava em curso.

O Partido dos Trabalhadores formou, na prática, um governo paralelo e está cumprindo o papel que deveria ser feito pelo governo Federal. O papel do Partido dos Trabalhadores no enfrentamento à crise sanitária, econômica, política e social tem sido fundamental. Se não fosse pelos quatro governadores e as 240 prefeituras comandadas pelo PT, não haveria quarentena.

No parlamento, dos 293 projetos referentes a pandemia, o PT é responsável por 55 projetos, cerca de 20% dos projetos totais. Junto com partidos aliados, o PT subscreve outros 34%, como por exemplo o projeto de renda mínima. Além das ações no parlamento, os 2,4 milhões de filiados ao partido estão construído diversas redes de solidariedade.

Porém, apesar de serem medidas importantes, são questões paliativas, pois só se enfrenta uma pandemia e uma crise dessa envergadura com políticas de Estado. E hoje o poder está na mão de golpistas que não estão, e nem irão, fazer nada pelo povo. Ou seja, sem colocar a necessidade de tomar o poder na mão do povo, é criar expectativas falsas para soluções que não existem. Protestos, bateção de panela e constrangimento em rede social não vão mudar nada.

Hoje, a quarentena no Brasil é ilusória, uma vez que é inaplicável para grande parcela da população por conta da brutal desigualdade, além do fato de que 60% da população tem trabalho precário, informal ou está desempregada. O projeto neoliberal destruiu nossa indústria, acarretando a geração de empregos precários que implicam numa jornada de trabalho maior, em média um trabalhador precário cumpre jornada de trabalho acima de 48h semanais (OIT) , ou seja, a exposição dos trabalhadores à COVID-19. é maior entre os precários. No outro polo, criou-se uma classe média que acha que é empresária, mas ter uma economia baseada no varejo, serviços e especulação não é economia. A situação é tão ridícula que temos uma burguesia que faz Estátuas da Liberdade de papelão e acredita que é norte-americana.

Vamos relembrar: Em 2014, o Departamento de Estado dos EUA colocou em marcha no Brasil sua operação policial e judicial, a Lava-Jato. O objetivo dessa operação era preparar o golpe, que por sua vez ia desindustrializar o país, enquanto a operação da Lava-Jato desmontava todas as nossas empresas que demoraram décadas para se formarem. Com o golpe, o complexo aeroespacial brasileiro foi destruído pelo próprio Exército. E graças aos “patriotas” do Alto Comando, a Embraer foi entregue para a Boeing, que recentemente quebrou. E, junto com ela, quebrou a Embraer, acarretando em perda científica, empregos e material.

Em 2016, os Estados Unidos derrubaram nosso governo nacionalista, encabeçado pela companheira Dilma Rousseff, em um Golpe de Estado com os filhotes (literalmente) dos antigos ditadores de 1964. Em 2016, os EUA reativaram todas as antigas estruturas de poder que sustentaram o Regime Militar. Bolsonaro é parte de uma tática operacional, um plano B. O Plano A sempre foi o PSDB, o Alckmin e Aécio Neves, mas o plano não deu certo uma vez que o neoliberalismo não ganha mais eleição, nem aqui nem em lugar nenhum do mundo.

Bolsonaro não é o governo. O governo de fato é o Gabinete de Segurança Institucional, ou seja, a Ditadura Militar. A Ditadura militar, que foi instalada em 2016, tem como seu chefe o Ministro do GSI, em seu primeiro momento o general Etchegoyen, e agora o general Augusto Heleno. O vice-presidente assume posição de um primeiro-ministro. Portanto, por se tratar de uma tática operacional, Bolsonaro é um holograma que projeta a falsa sensação que o país está dividido, que os golpistas tem poder de massas, que houveram eleições democráticas (mesmo os golpistas tenham caçado o direito do principal candidato da disputa, fato que rendeu ao juiz do processo o cargo de ministro da justiça), para receber os ataques da população e blindar os militares. Não esperem que os golpistas façam alguma coisa! Eles são um governo terrorista que não vão fazer nada contra coronavírus. Pelo contrário, para eles o vírus é um aliado no objetivo final, no assassinato contra o povo.

Na cabeça dos militares, o Brasil não é um país real, mas apenas um espaço que eles devem administrar. E, com isso, inserir à força o país no esquema imperialista, onde o Brasil é apenas um grande fazendão. Toda essa classe burguesa, judicial, empresarial e militar, sequer vive no Brasil. O Exército foi refundado em 1964 por neonazistas treinados para trair o Brasil e servir ao seu verdadeiro país, os Estados Unidos. Porém, eles são tão covardes e inúteis que precisaram da ajuda da CIA para dar golpes.

Bolsonaro é chefe de milícia, as igrejas evangélicas estão conectadas às milícias e à lavagem de dinheiro do cartel narcosul. Quem comanda o tráfico é o Alto Comando das Forças Armadas, o qual, através do GSI do general Heleno, trafica cocaína no avião presidencial. Mandetta não é aliado, os juízes vagabundos do STF não são aliados. São todos traidores e, enquanto não acabar essa farsa, não vamos nos livrar deles.

A briga entre os militares e a ala do Bolsonaro é uma farsa. O objetivo é atrair a esquerda para o apoio à frente neoliberal. A função dessas brigas é fingir um comportamento e dizer que não são todos os militares responsáveis pelos crimes. Essa é a situação que vem desde 2016 e agora agravada com pandemia. Como pode os mesmos que querem matar o povo, agora querer salvá-lo?

Isso demonstra que não há briga entre os golpistas. Pelo contrário, todos eles concordam com as mesmas coisas. Todos são neoliberais, acreditam na vassalagem aos EUA. O golpe militar já foi dado em 2016. É um golpe continuado que no decorrer do agravamento da crise irá apresentar as Forças Armadas como salvadoras da pátria contra o caos, violência e a “insanidade do Bolsonaro” que eles mesmo criaram.

Bolsonaro quer o fim da quarentena, os empresários lançaram a palavra de ordem “trabalhe e morra”, as prefeituras comandadas pelos evangélicos e aliadas do milicia de Brasília disseram que vão reabrir o comércio, a PM (que é comandada pelo Exército) se amotinou contra os governos estaduais e diz que não vai monitorar quarentena. No meio dessa grande confusão, o resultado é a desunião, evitando o controle do Estado.

As ações dessa gente vem desde 2016, destruindo o Brasil e vendendo o nosso patrimônio para qualquer um. Eles são literalmente células terroristas do EUA aqui dentro. Os EUA não vão deixar o Brasil ser soberano e industrial sem uma guerra contra eles.

Aqueles que deveriam defender a Pátria traíram o Brasil, e aquela que deveria defender o povo dos traidores — a esquerda, está se provando inepta. A esquerda mira na “briga entre militares e o bolsonarismo” que não existe, cai no jogo duplo dos militares para confundir e angariar apoio a um dos dois lados do golpe. A esquerda se preocupa em fazer análise psicológica dos golpistas, em analisar a “sociologia de programas de televisão e novelas” e apontar saídas que colaboram com o golpe, tal como o “Fora Bolsonaro” ou “Espere as eleições de 2022”.

Em rápido balanço, a esquerda vem adotando um erro atrás do outro. Primeiro aderiu à pauta de “luta contra o ajuste da Dilma”, quando era preciso derrotar o golpe. Logo depois ao “Diretas Já e eleições gerais”, quando era preciso defender o mandato de Dilma, expresso na palavra de ordem “Volta Dilma”. Depois encabeçou o “Fora Temer”, quando era preciso defender Lula Presidente e Volta PT. Depois, com a prisão e o abandono de Lula (salvo raras exceções), se recusaram a chamar uma greve geral. Agora, parte da esquerda quer conduzir o povo para novos erros. Basta de aguentarmos seus erros! Vocês não tem capacidade de conduzir ninguém! Sempre estão a prontidão de elaborar palavras de ordem conforme a pauta ditada pelo Jornal Nacional da Rede Globo.

Para uma crise dessa envergadura não existe saída fácil, muito menos atalho. A crise só vai se aprofundar. A previsão do FMI para a atividade econômica em 2020 é de queda de 5,3%, com o desemprego batendo em 14,7%. Ou seja, só piorou o que já estava ruim. Se em 2016 tínhamos apenas uma crise política, agora por não adotar nenhuma ação concreta acumulamos uma crise econômica, social e sanitária.

A república caiu e ela só será refundada com a derrota contra o golpe. Não temos governo e sim uma milícia que prostitui o país para os EUA. Só teremos governo quando o PT, com a força que tem, assumir a tarefa de guiar um governo de emergência, assumindo as últimas consequências do que na prática já está sendo operado. Para derrotar a crise, temos que enterrar os cadáveres dos militares do Alto Comando, antes que eles nos enterrem.

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