O narcoimpério: Como os EUA controlam o narcotráfico mundial

Seria hilário se não fosse tosco a acusação recente dos Estados Unidos contra a Venezuela de ser um “narcoestado”. Um relatório da própria ONU, do Escritório das Nações Unidas para Drogas e Crime (UNODC), correspondente a 2019, revela que a Colômbia é o maior produtor de cocaína do mundo e os Estados Unidos o maior consumidor de drogas.

Nenhuma menção à Venezuela aparece no relatório, enquanto os Estados Unidos aparecem em quase todos os tópicos que o UNODC apresenta como alarmantes: o aumento no uso de heroína, metanfetamina e opiáceos, bem como o crescimento de redes de distribuição de drogas que levam o número de assassinatos e mortes a cada ano nos Estados Unidos.

Colômbia, México e Afeganistão aparecem repetidamente, três países que foram atacados militarmente por Washington de várias maneiras nas últimas décadas: o primeiro com o Plano Colômbia, o segundo com a Iniciativa Mérida e o último após uma guerra que começou em 2001 e ainda não acabou. Coincidentemente, onde os Estados Unidos se envolvem militarmente, a produção de drogas cresce.

A chamada pelos imperialistas de “Guerra às drogas”, já deixou mais de meio milhão de mortos apenas no México e Colômbia. Faz parte de uma estratégia de militarização, que entende o tráfico de drogas como um elo no poder financeiro norte-americano.

Ainda na década de 1950, no governo Truman, a pedido da CIA, FBI e DEA, que milícias fascistas na Indochina (hoje território que corresponde ao Vietnã, Camboja e Laos) começaram a usar aviões norte-americanos para transportar armas e suprimentos em apoio às forças do Kuomintang que enfrentavam a revolução socialista de libertação nacional da China. As operações foram usadas para carregar a aeronave com ópio para financiar a guerra nascente no Laos e no Camboja a partir das companhias aéreas, que foram popularmente nomeadas dentro da própria imprensa norte-americana de “Air Opium”.

Posteriormente, o Presidente Eisenhower diversificou o negócio, transformando o ópio em heroína com produtos químicos importados da colônia britânica de Hong Kong.

O eterno presidente Ho Chi Minh e o povo vietnamita atrapalhou esse lucrativo mercado quando rompeu a rota do narcotráfico no sudeste asiático. Rompendo o fornecimento de heroína aos Estados Unidos. Sendo um dos grandes motivos para a intervenção norte-americana contra o país.

Foi na guerra do Vietnã, que o tráfico de drogas se tornou um instrumento para as guerras coloniais do Imperialismo, mas também em um negócio transnacional que transformou os próprios norte-americanos em escravos-clientes de imensos transportes, máquinas de importação, distribuição controlada e venda de drogas pelas agências de segurança e espionagem de seu próprio governo, enfim enchendo os bolsos dos grandes banqueiros.

A revolução sandinista e os movimentos de guerrilha na América Central nos anos de 1980 dariam uma nova oportunidade para testar o que foi desenvolvido pelo Imperialismo no Vietnã. O governo do ex-presidente Reagan implantou um plano de mercenários e de atrito contra a nascente revolução nicaraguense por meio dos Los Contras, um exército de mercenários financiado e treinado pela CIA.

A oposição do Congresso dos EUA e a ilegalidade dessa operação obrigaram a recorrer a canais irregulares para financiar o movimento que derrubaria o sandinismo. Apoiando-se em cartéis de drogas na Colômbia e no México, e através de aviões da CIA, cocaína e crack foram transportados e posteriormente vendidos nas cidades dos EUA, em especial no cinturão da Califórnia; Com o dinheiro arrecadado, os Los Contras receberiam armas e suprimentos para prolongar a guerra contra o governo sandinista.

Esse mesmo traço do narcotráfico como fator de acumulação econômica e instrumento de intervenção militar seria decisivamente reforçado com a invasão do Panamá em 1989 (para controlar a rota de drogas do Caribe a partir de então) e com o apoio aos talibãs contra a União Soviética no Afeganistão.

Politicamente, o comando da operação contra a Nicarágua estava nas mãos do vice-presidente George Bush, pai do psicopata que invadiu o Iraque e o Afeganistão, entrando no novo milênio. Dois verdadeiros criminosos de guerra o acompanhariam na linha de frente: o coronel Oliver North e Elliott Abrams, que hoje atua como secretários entre a Casa Branca e o Departamento de Estado na guerra contra a Venezuela.

Como resultado dessa operação, em Los Angeles, surgiu o que mais tarde ficou conhecido como “epidemia do crack”, devido ao desastre social e à espiral de violência e assassinatos, produto do narcotráfico, que mudou para sempre a cidade.

Durante o governo de Clinton, entre os anos de 1994 a 1999, durante a intervenção militar dos Estados Unidos na Iugoslávia. Os insurgentes financiados pelos Estados Unidos, do Exército de Libertação do Kosovo, controlava 70% da heroína que entrava na Europa Ocidental. Foram abertas linhas aéreas direta do Afeganistão para a Europa Ocidental para o trasporte de heroína. A capacidade do governo Clinton de otimizar as operações com drogas era que, ao cultivar ópio na Colômbia e contrabandear cocaína e heroína da Colômbia para a cidade de Nova York através da República Dominicana e Porto Rico, as rotas tradicionais de contrabando poderiam ser reduzidas ou mesmo eliminadas. Isso reduziu o risco e o custo, aumentou os lucros e eliminou a concorrência.

O tráfico de drogas é um novo nicho de acumulação dentro do capitalismo, e o narcotráfico não escapa à dinâmica de concentração e monopolização. Por esse motivo, nas duas últimas décadas que coincidem com o lançamento do Plano Colômbia e da Iniciativa Mérida, a invasão contra o Iraque e o Afeganistão e levaram a uma mudança na estrutura administrativa e econômica do narcotráfico.

O mesmo mencionado relatório do UNODC relata o fracasso da luta do Plano Colômbia, ou melhor, oferece provas de como empresas controladas diretamente pelos Estados Unidos que através de organizações paramilitares controla drogas e exportação de cocaína.

Há alguns anos, vazou um conjunto de mapas da DEA que demonstravam o alcance do Cartel de Sinaloa, cuja face principal era “El Chapo” Guzmán (e outros cartéis mexicanos), confirmando a cumplicidade da Agência de Tráfico de Drogas (DEA) no território de Estados Unidos.

A atuação da DEA, com os carteis mexicanos de narcotraficantes do Zambada e Sinaloa, em troca do monopólio do mercado de drogas. Os carteis trocavam informações dos negócios de cartéis rivais no México e Estados Unidos. Trabalhando a DEA como parceira desses carteis.

Os Estados Unidos é o principal motor do narcotráfico mundial e é evidente que instrumentaliza diversos carteis narcotraficantes mundiais para o controle do fluxo de drogas. Não é os EUA, sua classe dominante e oligarquia e seus sistema financeiro o maior beneficiado do narcotráfico mundial?

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