Tudo preparado para aprofundar a ditadura sob a bênção da Frente Neoliberal – Coluna

Por Gabriel Araújo

As peças estão alinhadas e em constante marcha, por meio das chamadas aproximações sucessivas. Governadores, militares, monopólios de comunicação, CIA e o centrão. A grande fraude apátrida que reivindica uma suposta e artificial unidade nacional entorno do combate ao coronavírus. 

A capa da Revista IstoÉ deixou muito claro o que toda essa ala quer no momento em que propõem saídas para a crise através de medidas por dentro das instituições do Estado Burguês que se encontram em estágio de putrefação, querem aquilo que o monopólio de comunicação revelou: “A solução Mourão”. O Governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), após se reunir com o Vice-Presidente, Hamilton Mourão, no dia 03/04, tratou de sair na frente dos demais governadores que tramam a ascensão de Mourão à Presidência da República e já declarou apoio publicamente ao ditador, tornando-se seu cabo eleitoral 

Um verdadeiro estado ditatorial foi aprofundado. De uma hora para outra, a reclusão social virou a chave principal para contornar a crise sanitária. Isso é a retórica oficial, que na realidade alinhou diversos setores do atual estado de coisas que se encontravam de certa maneira, dispersos. Não que a reclusão não seja importante, mas existem duas questões a serem tomadas para que visualizemos além da fotografia. 

A primeira é quem coordena tal processo de superação do coronavírus, que são ninguém menos que: Luiz Henrique Mandetta (DEM), Hamilton Mourão (PRTB), Sérgio Moro (Partido da Lava-Jato), General Edson Pujol (Comandante do Exército), Davi Alcolumbre (DEM), Rodrigo Maia (DEM), Ciro Gomes (PDT), Romeu Zema (Novo), João BolsoDória (PSDB), Ronaldo Caiado (DEM), Helder Barbalho (PMDB), Witzel (PSC) e entre outros.

Esses são os nomes que fazem parte da articulação e execução do processo de golpe de Estado que derrubou a Presidenta Dilma Roussef e caçou 54 milhões de votos. Além de terem fomentado a campanha difamatória e persecutória contra o Presidente Lula impedindo que ele fosse candidato em 2018. Dentro desses dois eixos, foram casando medidas inconstitucionais de retirada de direitos democráticos e uma agenda de destruição do patrimônio e da economia nacional. Algo que certamente como estamos vendo, tem se reverberado na situação da saúde pública, que está em um completo caos, com leitos em lotação máxima e sem equipamentos. Então se existem culpados pela calamidade pública no país, os culpados são estes senhores que não preveniram mesmo tendo poderes ditatoriais em suas mãos. Deram tudo aos bancos nos últimos 4 anos!

A segunda questão em relação a aglutinação dos setores golpistas que se encontravam de certa maneira dispersos no inicio da crise sanitária, se liga aos apontamentos mencionados no final do parágrafo anterior, que é a estrutura de saúde pública no Brasil. O Brasil é um país de capitalismo atrasado e portanto, em relação a qualquer outro país de capitalismo avançado, os leitos per capita disponíveis no Brasil são pífios para lidar com a situação (nos países imperialistas, inclusive, esse número não tem sido suficiente, bastando observar os exemplos dos EUA, Espanha, França e Itália).

Os leitos e profissionais que possuímos, não possuem equipamentos adequados para lidar com a situação, nem número de pessoal e isso vem sendo denunciado diariamente. Os testes são inexistentes no Brasil, indo na contra-mão da orientação da Organização Mundial de Saúde (OMS) de que a prioridade tem que ser testar para separar quem está diagnosticado e quem não está. Segundo apuração feita pelo jornal burguês The Intercept, o Ministério da Saúde adquiriu apenas 0,5% dos 15 milhões de testes prometidos. Os supostos testes rápidos doados pela mineradora Vale, tem 75% de chance do resultado negativo, ser na realidade positivo. Ou seja, essa porcaria não serve para absolutamente nada.

Outro fator é que a redução de frotas tomadas por esses senhores, apenas resultou em um maior volume de trabalhadores nos transportes públicos (indo muito mais apertados), já que a grande maioria da força de trabalho não tem direito a fazer quarentena. Vale lembrar ainda as condições insalubres no trabalho que já eram a regra antes do coronavírus, e que agora corrobora para elevar a potencialidade de contágio e propagação no local de trabalho. Nesse sentido, resta-nos compreender que a medida de deixar apenas a classe média em casa não tem efetividade alguma. 

E porque então esses senhores tem feito calorosos clamores reivindicando a tal da quarentena? Obviamente que, como vimos acima, não há uma complementação com diversas outras medidas e políticas públicas voltadas a retomar massivamente os investimentos na área da saúde pública, da distribuição de renda real (e não essa esmola de R$600,00 que já está em declínio de desvalorização por conta do inevitável crescimento da inflação), da amortização das dividas dos mais necessitados e taxação de grandes fortunas, revogação da EC 95 do teto de gastos públicos, entre outras medidas. O que logo nos leva a perceber que estão se valendo da retórica da crise sanitária para implementar as medidas de contenção não do vírus, mas da inevitável insurreição social que pode explodir de forma espontânea através do processo de degradação das condições de reprodução da vida social da classe trabalhadora. 

Sérgio Moro e Mandetta já trataram de permitir que a Força Nacional fique a postos para o cumprimento de internação compulsória e de repressão contra qualquer aglutinação, podendo acarretar em prisões. Certamente, aqui valerá o entendimento de forma subjetiva da lei e diversos militantes devem ser enquadrados nessa lei, algo aproximado ao que tem sido feito em relação a aplicação da lei antiterrorismo contra o povo trabalhador e seus quadros políticos. O GSI já está, sob o pretexto de conter as aglutinações, tendo acesso a conversas em celulares e seus respectivos aplicativos de mensagem, sem o consentimento de quem porta o aparelho. Ou seja, a parte de dentro dos traços da ditadura fascista começa a ganhar cor e vida, toda uma sofisticada engrenagem para conter o povo está sendo operacionalizada na máxima potencia.

É apenas para isso que esse senhores defendem arduamente a implementação de medidas ditatoriais que revoguem os direitos constitucionais de manifestação, reunião, liberdade de ir e vir, de se organizar. Apenas para que se estabeleçam ferramentas jurídicas e coercitivas para reprimir a resistência à ascensão do General Mourão e do GSI a ponta do poder estatal, além de ter o objetivo de dizimar aqueles e aquelas que se colocam contra a invasão militar na Venezuela. E teria pretexto melhor do que o coronavírus para o recrudescimento da ditadura implementada desde 2016? Claro que não. Esse tipo de pretexto da margem para uma campanha profundamente apelativa e que paira essencialmente pelo campo da moralidade, algo que geralmente cola com a esquerda pequeno burguesa.

Os trabalhadores não podem permitir que o processo de usurpação do poder político se perpetue. Impedir que esses golpistas e que os traidores façam avançar sua agenda repressiva, sua agenda de entrega do patrimônio nacional para os bancos, assim como impor um governo de emergência do Partido dos Trabalhadores com Lula e Dilma, são as únicas medidas que poderão salvar milhões de vidas no Brasil.

Abaixo o golpe militar!

Por um governo de emergência do Partido dos Trabalhadores!

Brasil urgente, Lula Presidente!

Obs.: As colunas não representam necessariamente os posicionamentos políticos do Editorial do Jornal Voz Operária. O Jornal está aberto as manifestações sinceras dos revolucionários no Brasil. Entre em contato para abrir uma coluna.

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