MP do governo precariza e expõem profissionais da saúde ao Covid-19

Entre todos os casos de contaminação por coronavírus de que temos notícias  verdadeiramente alarmantes, por inúmeras fontes, ao longo do dia, o caso dos profissionais de saúde contaminados reveste-se de especial importância e significação.

Já tivemos cerca de 40 mortes de técnicos de enfermagem no Brasil e quase 100 médicos mortos por Covid-19.  No mundo, mais de 5 mil profissionais da saúde estão afastados por haverem contraído a doença. 

Esses números refletem a insalubridade da profissão, em geral.  No entanto, as medidas de Bolsonaro e seu governo militarizado são de ataque aos agentes de saúde e ao SUS, com cortes de mais de 10 bilhões de verba até esta data. Foram criminosamente dispensados quase 4 mil médicos cubanos, que hoje fazem falta em nosso sistema de saúde, porque atuavam  em regiões onde médicos brasileiros não queriam clinicar. 

A proposta da MP 927 veio aumentar ainda mais as horas de trabalho,  reduzindo  salários, fechando os olhos para a luta pela redução da carga horária para 30 horas semanais – que já está há mais de 10 anos parada no Congresso -, não seguindo recomendações da OMS para a categoria, vetando regulamentações importantes, como a formalização da profissão de cuidador de Idosos. 

O Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), até a data desta publicação, já recebeu mais de 3,6 mil denúncias de falta, escassez ou péssima qualidade dos EPI.  Esses profissionais têm uma taxa 20% superior de contaminação mundial, devido à alta exposição.  E  tais números só pioram em cidades como as do Rio de Janeiro, Amazonas ou Pará, que já anunciaram o colapso no sistema de saúde. 

Uma situação tão caótica não ocorre do dia para noite. Chegamos a este caos sanitário por não criarmos medidas eficazes de combate à doença que ataca o sistema de saúde. Não temos um comitê técnico responsável pelo controle e gestão do problema, deixando a cargo de cada estado e município fazer como lhe aprouver o que bem entender, dificultando a manutenção do isolamento e distanciamento social. Isto além de  travar  o dinheiro do auxílio emergencial que as esquerdas conseguiram fazer aprovar  no Congresso,  que poderia ajudar a classe trabalhadora a passar por este momento de crise, e cuja ausência obriga os trabalhadores a se expor a mais riscos do que suas próprias condições de vida e trabalho já representam. 

No que diz respeito à defesa dos profissionais de saúde, temos que cobrar uma campanha unificada das centrais sindicais, exigindo imediatamente a estabilidade no emprego, aposentadoria especial, 30 horas semanais e processo criminal a todos os hospitais que expõem seus funcionários a tais condições – que equivalem a um  assassinato. E, por fim, precisamos exigir a formação de uma comissão nacional que se ocupe especialmente do combate ao Covid-19. 

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