A invasão militar na Venezuela já começou: derrotar o golpe, para derrotar a guerra! Coluna

Por Gabriel Araújo

A guerra de rapina contra o povo trabalhador venezuelano, e portanto, uma guerra contra todo o povo trabalhador da América-Latina e do mundo, não é mais apenas uma possibilidade futura. 

O processo de derrubada do governo constitucional, nacionalista e revolucionário, de Nicolas Maduro Moros, entra em uma etapa de aberta conspiração e intentos golpistas através de ações militares tanto nas fronteiras como o Brasil e a Colômbia, como também no próprio centro do país com a recente tentativa de assassinato de Maduro através de drones sob as ordens de Juan Guaidó, Donald Trump, Ivan Duque, Sebatian Piñera e Jair Bolsonaro.

O ex. Secretário de Defesa Norte-Americano, John Bolton, já havia deixado escapar propositalmente a intenção de financiar mercenários para violar a soberania venezuelana. O dono da BlackWater (exército de mercenários que presta serviço aos Estados imperialistas e aos grandes monopólios. Conta em suas fileiras com inúmeros ex.militares norte-americanos e é o maior personificação do processo de terceirização das próprias atividades das Forças Armadas), Erik Prince, que possui boa entrada no governo Trump, já vinha alinhando esse processo. Trump mesmo já fez menção a possibilidade de invasão militar inúmeras vezes.

O governo ianque, dada a sua debilidade e de seus fantoches locais em neutralizar a revolução bolivariana, no final de março começou a apostar também na tentativa de suborno descarada, colocando um preço pela cabeça de Maduro, do comandante da Força Armada Nacional Bolivariana (FANB) e Ministro do Poder Popular para Defesa, Vladimir Padrino López, e entre outros companheiros.

No fim de março, as autoridades venezuelanas informaram que haviam interceptado um veiculo no dia 25 que estava a caminho de um acampamento de treinamento de mercenários localizado no território colombiano que faz fronteira com a Venezuela, com o objetivo de entregar 26 fuzis AR-15 de fabricação norte-americana e sem numeração, além de outros equipamentos.

No começo de abril intensificou o processo de cerco por meio da movimentação da Quarta Frota Norte-Americana para o mar do Caribe. O Comando Sul (SOUTHCOM) movimentou navios da U.S. Navy e da U.S. Cost Guard, com seus respectivos aviões, dobrando sua presença na região. Além disso, a investida conta com a contribuição de 22 países lacaios, conforme noticiou o atual Secretário de Defesa Norte-Amerciano, Mark Esper. Esse tipo de campanha militar invadindo as águas do território venezuelano tem impedido a chegada de alimentos, insumos, medicamentos e entre outros produtos fundamentais para o desenrolar da vida quotidiana da Venezuela.

Agora no começo de maio, durante a madrugada do dia 03, a FANB, que se encontra na sua segunda fase dos Exercícios Militares “Escudo Bolivariano”, neutralizou um grupo terrorista composto por mercenários, funcionários de defesa dos EUA e desertores da FANB, que tentavam adentrar no país com forte armamento militar através da costa do Estado de La Guaira, na praia de Macuto, apenas 50km da capital Caracas. O intento golpista foi denominado como Operação Gedeón e partiu dos acampamentos de treinamentos de mercenários mencionados acima.

O grupo terrorista era comandado por Donald Trump, Ivan Duque e Juan Guaidó, além de receber suporte do narcotraficante e ex.militar venezuelano, Clíver Alcalá Cordones, que é protegido pela DEA e já disse que há colaboração de funcionários desta última, como também de funcionários do governo colombiano, no processo de recrutamento e financiamento desses terroristas. Ele também é conhecido pela sua participação na tentativa de assassinar Maduro com os drones em 2018 e por ter revelado possuir um contrato com Guaidó para matar o presidente legitimo.

De acordo com Michele de Mello em matéria publicada no Brasil de Fato: “Enquanto esse grupo atacaria pelo mar, outros contingentes estavam preparados para atacar por terra. No entanto, operação foi frustrada pela Fanb, que ainda confiscou outras seis camionetes adaptadas como “tanques de guerra”, uniformes militares, telefones de frequência satelital, vários documentos de identificação e ofícios com detalhes sobre o plano.”

A repórter Patricia Poleo divulgou inclusive um contrato assinado por Juan Guaidó, J.J Rendón, Sergio Vergara e Jorge Grondeaun, para que fosse executada uma operação militar golpista contra as autoridades legitimas do Estado Bolivariano.

Durante a tentativa de invasão do território venezuelano na madrugada, oito mercenários foram executados e dois foram presos. Dentre os mercenários abatidos, se encontrava Robert Colina, militar desertor conhecido como Pantera, que havia anunciado o início da operação golpista. 

Durante a tarde do dia 04 outros oito mercenários foram presos no Estado de Aragua, na região de Chuao, na Operação Civico-Militar “Negro Primero”, que faz parte da segunda etapa dos Exercícios Militares “Escudo Bolivariano”. Eles também faziam parte da Operação Gedeón. De acordo com depoimento de um dos presos, Jorsnars Adolfo Baduel (filho do ex.Ministro da Defesa, Raúl Isaías Baduel, que se encontra preso por conspirar e atentar contra a Revolução Bolivariana), dentre os oito presos estavam dois agentes da Guarda Presidencial do próprio Donald Trump. São eles: Luke Alexander Denman e Airan Seth Barry. Foram presos também mais cinco mercenários na região de Puerto Maya no município de Tovar, também em Aragua. 

A operação também contou com ex.agentes do setor de defesa norte-americano, que, conforme foi mencionado no começo do texto, essa é uma das características da atuação dos exércitos mercenários privados que atuam em paralelo com o governo norte-americano nesse processo de ataques militares aos países que não seguem a risca as diretrizes políticas de Washington.

Em 22 de dezembro passado em Gran Sabana no Estado de Bolivar, que fica na fronteira com o Brasil, um grupo de militares desertores e mercenários assaltou o 513º Batalhão de Infantaria de Selva Mariano Montilla, roubando 120 fuzis e 9 lança-foguetes. A grande maioria dos fuzis foram recuperados junto aos 9 lança-foguetes no momento da prisão de parte dos terroristas. Os terroristas passaram pela Colômbia, Equador, Peru e Brasil, onde receberam instruções militares, além de obter proteção dos governantes dos respectivos países. Os fugitivos conseguiram retornar ao Brasil e receberam proteção do governo golpista. 

Outro episódio envolvendo o governo golpista do Brasil contra o território venezuelano, foi a invasão dos fascistas à Embaixada da Venezuela em Brasília. A ação foi coibida heroicamente pelos militantes de esquerda de diversos movimentos sociais e do Partido dos Trabalhadores, que expulsaram os fascistas na porrada do local. Mais atualmente, em outra ofensiva, o governo do GSI expulsou os diplomatas venezuelanos do país. A medida por hora está suspensa pelo STF, mas tendo em conta a composição da suprema corte e o controle que os militares tem exercido sobre a mesma, certamente essa medida não vai durar muito. Essa ação foi inclusive denunciada pelo jornal Voz Operária, apontando que esse tipo de movimentação é algo que precede conflitos militares de maior escala.

A medida de expulsão dos diplomatas conta com o apoio aberto do Vice-Presidente golpista, General Hamilton Mourão. Este, que é tido por alguns esquerdistas como um agente moderado e que seria contra o conflito militar com a Venezuela, mais uma vez demonstra sua ferocidade contra os trabalhadores e revela sua verdadeira faceta fascista, fazendo desmoronar a tese daqueles que vêem apenas o cordeiro e não percebe que há um lobo por debaixo da pele.

Portanto, está mais do que demonstrado que a questão do conflito militar na América-Latina está extremamente avançado e que diferente dos que pensam que isso é algo futuro, que é apenas uma possibilidade, os fatos tem revelado que não é por ai.

E esse tipo de movimentação golpista e militar envolvendo o Brasil, vai atenuar ainda mais as perseguições às lideranças de esquerda, o recrudescimento da ditadura militar com a retirada das liberdades democráticas estabelecidas na constituição de 88 e o aumento da miséria da população, que certamente será quem terá de arcar com os custos da aventura belicista que será advinda por meio da retirada de direitos trabalhistas, de assistência social e investimentos primários de forma geral. E por fim, com a própria vida em uma guerra para defender os interesses do país estrangeiro (os interesses do imperialismo norte-americano).

Nesse sentido, a classe trabalhadora brasileira tem de assimilar sua tarefa histórica, por em prática um programa político que restabeleça a democracia no país e restitua nosso povo restabelecendo seus direitos através da anulação de todas as medidas do golpe. A conquista da paz, da soberania territorial e política dos povos oprimidos de nosso continente depende fundamentalmente da atividade política da vanguarda revolucionária brasileira. E tal conquista apenas pode se dar com a derrubada do golpe em seu conjunto e a devolução do direito legitimo do Partido dos Trabalhadores de governar o país, com Lula e Dilma à frente. Possibilitando assim, a retomada de uma solidariedade e articulação diplomática continental entre os povos irmãos, para uma luta contra o imperialismo e pela nossa entrada no processo ruptura completa com as forças do atraso que dominam nossos países, e se submetem aos mandos e desmandos da Casa Branca.   

Obs.: As colunas não representam necessariamente os posicionamentos políticos do Editorial do Jornal Voz Operária. O Jornal está aberto as manifestações sinceras dos revolucionários no Brasil. Entre em contato para abrir uma coluna.

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