Os ataques neocoloniais à educação e ciência brasileira

Com o fim da república de 88 a partir do golpe de Estado em 2016, surgiu uma nova onda de destruição da soberania nacional que até ali tinha resistido à lava jato. Completava-se assim a completa subordinação econômica aos interesses do império estadunidense.

Porém, a dominação colonial não pode se resumir apenas na área econômica de um país, o que criaria as condições necessárias para que se houvesse uma reorganização das forças nacionalistas de cunho popular. O regime militar estabelecido no Brasil sabe disso, por isso vemos nos últimos meses mudanças significativas no Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), retirando as ciências humanas das cinco grandes áreas prioritárias para os projetos de pesquisa das pós-graduações.

Uma medida dessa visa submeter os trabalhadores de ciência e tecnologia (C&T) brasileira ao grande capital estrangeiro, em detrimento da inovação e da indústria nacional. Sem consciência crítica, atrelada ao desenvolvimento energético, científico e tecnológico, se impossibilita a resistência por um desenvolvimento nacionalista, que visaria beneficiar a pátria e o povo brasileiro.

Outro ponto para se destacar sobre a medida é que, além do seu caráter antinacional, é seu caráter antipovo. Lembremos que as ciências humanas abrigam proporcionalmente a maior parte dos estudantes de baixa renda, segundo dados das instituições de ensino federal. Se trata de um ataque que atinge milhões de futuros cientistas da periferia, muitos que não poderão continuar estudando e produzindo ciência sem a ajuda de custo que uma bolsa oferece.

Para completar a destruição desse legado — resultado de muita luta por parte dos estudantes brasileiros e de um governo de cunho nacionalista e popular como os governos petistas —, em meio a pandemia do Coronavirus o governo golpista insiste em não adiar a realização do Enem. Essa decisão, no entanto, foi revertida no Senado por absoluta maioria.

É importante lembrar que com o novo Exame Nacional do Ensino Médio e com a política de cotas, conseguimos iniciar um processo de democratização do acesso ao ensino público superior. Com a não-anulação desse exame é certo que os alunos de baixa renda não consiguirão acompanhar o ritmo de estudos dos alunos de perfil econômico mais elevado. Esse alunos podem contar com aulas onlines de seus colégios e cursinhos particulares, sem contar com a maior facilidade de acesso à internet fixa e de qualidade.

Por isso, a resistência ao golpe de Estado deve ser articulada em todas as áreas, pois os ataques serão cada vez mais fortes. A luta é pela pátria contra os traidores entreguistas. Só com desenvolvimento científico e tecnológico atrelado à uma educação popular, gratuita e de qualidade poderão salvar o nosso país e o nosso povo da destruição imperialista que vem se aprofundando desde o golpe de 2016.

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