rebelião nacional contra o racismo aprofunda confronto com o imperialismo

Estão em curso as maiores manifestações contra a violência policial nos Estados Unidos. Maiores do que aquelas de 1960 e já se espalharam por 140 cidades. Os protestos que se iniciaram em Minneapolis, em resposta ao brutal assassinato de George Floyd, revelaram o caráter explosivo da crise social intensa que existe nos Estados Unidos.

Na última segunda-feira (01), a autópsia conduzida de maneira independente pela família de George Floyd indicou que ele foi assassinado por asfixia. De forma alguma o assassinato de George Floyd é um caso isolado. Nos últimos 5 anos, a policia de Minneapolis utilizou a pratica de pressionar com o joelho o pescoço dos presos por mais de 230 vezes. Em 44 oportunidades as pessoas ficaram inconscientes e 3 cada 5 foram eram afro-americanos.

As manifestações nos EUA refletem o movimentos de revolta popular, que vem de muito antes da eleição de Donald Trump. Antes de decretada a pandemia, os Estados Unidos tinham 21 milhões de desempregados, número esse que não para de subir a uma média de dois milhões de novas entradas no seguro-desemprego a cada semana e que hoje já passa dos 40 milhões de desempregados. Com suas políticas de retorno de capitais aos EUA, em 2018 Trump havia conseguido chegar à marca de 3,7% de desempregados (a melhor desde 1969). Mas essa política se mostrou insuficiente ante a crise e a posterior eclosão da pandemia. Dezenas de milhões de pessoas vivem na miséria e o Estado de Supremacia Branca ainda vigora, resultando em uma brutal desigualdade social e racial. A crise sanitária resultou na marca de 100 mil mortes alcançada no último dia 27 e quase dois milhões de contaminados pela COVID-19, sendo grande parcela negros.

Para dar uma resposta à revolta, Trump ressuscitou a Lei da Insurgência de 1807 pra convocar o Exército à ocupar as ruas e reprimir as manifestações, uma lei semelhante à GLO brasileira. Aparentemente, o papel das Forças Armadas no controle da situação política mundial não é um fenômeno meramente brasileiro. Enquanto isso, governadores e prefeitos decretariam toque de recolher e estado de sitio.

A brutal repressão policial já levou a prisão mais de 5 mil pessoas e causou a morte de pelo menos uma pessoa, segundo informação de meios de comunicação locais. O governo Trump e os governadores recorreram inclusive a franco-atiradores.

A crise política nos EUA se aprofunda e a reeleição de Trump, que já era dada como certa, agora está ameaçada. Até Obama, que não fez nada a respeito dos assassinatos policiais contra civis afro-americanos, disse que a posição de Trump favorece seu candidato nesse ano eleitoral, que já abriu 10 pontos de vantagem segundo a última pesquisa eleitoral.

Os últimos acontecimentos sucedidos nos EUA refletem uma situação global de potencial explosão social. Enquanto OEA e ONU — que sempre estão atentas a denunciar supostas violações de direitos humanos em países assediados pelos Estados Unidos — permanecem caladas, as imagens da brutal repressão nos EUA já estimulam manifestações em outros países e pode se estender inclusive ao Brasil.

A República Popular da China — cujos líderes denunciam o Estado de Supremacia Branca nos EUA desde antes de sua fundação em 1949 — afirmou que o racismo é uma doença social dos EUA e pressionou o governo Trump para acabar com a discriminação e a repressão aos negros. A chancelaria chinesa chamou o governo dos EUA para tomar medidas concretas e cumprir com suas obrigações, sob a convenção internacional sobre a eliminação de todas as formas de discriminação racial. China também reclamou para que o governo estadunidense resolva seus próprios problemas e deixem de interferir na organização e financiamento de mercenários de Hong Kong.

Declaração semelhante foi emitida pelo Irã, que condenou o racismo e a repressão policial nos EUA. Segundo o governo persa, os “EUA asfixiam seu próprio povo e outros povos do mundo”. Irã tem sido asfixiado ao longo das décadas pelas medidas de bloqueio econômico impostas ilegalmente pelos Estados Unidos.

Cuba, Nicarágua e Venezuela também manifestaram solidariedade à luta do povo negro norte-americano. Com as recentes movimentações na Colômbia, fica evidente que o imperialismo quer usar o povo negro como carne de canhão para sustentar a guerra da classe dominante branca contra o povo livre da Venezuela.

TERRORISMO ESTATAL RACIAL NOS EUA

Nos Estados Unidos existe uma longa história de segregação racial que sobrevive no país. Nos últimos 10 meses, mais de 250 afro-americanos foram linchados e mortos em pelo menos 25 manifestações de brancos nos Estados Unidos, que nunca enfrentaram punição na justiça. Além disso, nos EUA cresce a extrema pobreza, o desemprego e os negros são as maiores vítimas do genocídio através da crise sanitária do coronavírus.

A revista norte-americana Equal Justice Initiative, ligada a uma ONG de direitos humanos sediada no Alabama, relatou que quase 4 mil negros foram linchados entre 1877 e 1950 (mais de um por semana) no sul dos Estados Unidos, onde a escravidão e a segregação eram mais persistentes. Além disso, a revista revela que mais de seis milhões de americanos negros tiveram que fugir dos estados do sul entre 1910 e 1970 e se refugiaram em guetos urbanos nas cidades do norte e oeste dos Estados Unido.

Alguns dados provam o apartheid racial nos Estados Unidos. Entre 2013 e 2019, foram assassinados 6,6 negros por milhão de habitantes, 3,8 mil hispânicos-latinos e 2,5 brancos. Os negros são 24% dos mortos, apesar de serem apenas 13% da população. O perfil é quase semelhante: homens, jovens com menos de 30 anos, moradores das periferias que são assassinados por policiais brancos, e os casos tendem a ficar impunes.

A porcentagem de cidadãos negros mortos pela polícia foi de 1,3 vezes maior que a dos brancos. 99% dos assassinatos cometidos pela policia, entre 2013 e 2019, permaneceram sem julgamento e com impunidade para os policiais assassinos. No sistema carcerário, quase 3% da população masculina negra americana esta na prisão, em comparação com 0,5% dos brancos.

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