O ANTIPETISMO É FASCISTA E A FRENTE NEOLIBERAL TAMBÉM

No último dia 7 de junho, na GloboNews, a jornalista Miriam Leitão entrevistou Ciro Gomes, Marina Silva e Fernando Henrique Cardoso (FHC). O tema central do debate era “democracia”. O largo histórico desses personagens a favor do golpe de Estado de 2016 demonstra que  não possuem nenhuma legitimidade para abordar o tema; afinal, estão entre os principais cúmplices da destruição do sistema democrático no país. 

Senão, relembremos:  Marina apoiou Aécio e o golpe contra Dilma; o PDT de Ciro votou em todas as reformas neoliberais, apoiou a eleição do Rodrigo Maia (Presidência da Câmara) e Davi Alcolumbre (Presidência do Senado); seus governadores apoiaram Bolsonaro abertamente no segundo turno de 2018 e ele próprio foi para Paris enquanto os militares ampliavam seu poder político;  Ciro Gomes tinha uma aliança com Aécio Neves, aliança que ficou marcada pela declaração: “Se o governador Aécio Neves se viabilizar candidato a presidente da República, penso que sua presença é tão importante para o Brasil que a minha candidatura não é necessária mais”. Aécio retribuiu o apoio e declarou que Ciro é “amigo de uma vida”.

FHC foi responsável pela chacina de Eldorado dos Carajás e pela privatização da Vale, que soterrou em lama tóxica duas cidades – Brumadinho e Mariana.  E a Globo consagra essa alcateia de golpistas: participou do suicídio de Getúlio, do golpe de 1964, da Ditadura Militar durante 21 anos, do golpe de 2016, entre tantos outros crimes contra a democracia. 

Em 2013, a Rede Globo lançou um editorial que reconhecia seu apoio à Ditadura; Porém no ano mesmo ano já estava envolvida em outro golpe de Estado. Agora, após passarem 4 anos apoiando todo o tipo de barbaridade contra o povo brasileiro, a Globo quer que o povo esqueça o que ela fez e se subordine a ela – na autodeclarada “Frente Ampla”, que na verdade é uma Frente neoliberal- e defenda o retorno do  PSDB e dos outros liberais ao  Palácio do Planalto.

Para além de todo o show de cinismo, bajulação, autofagia e demagogia, a entrevista serviu para esclarecer a política criminosa da Frente Neoliberal. Em primeiro lugar, é bom esclarecer que essa frente é na verdade um cartel de golpistas para ressuscitar o protejo neoliberal diante da profunda instabilidade provocada pela crise capitalista internacional. É ridículo falar em frente ampla que exclui o povo, os sindicatos, os movimentos sociais, o Partido dos Trabalhadores e o presidente Lula.  

Os golpistas entrevistados disseram que é importante o diálogo e estabelecer a defesa da democracia como valor principal dessa Frente. Porém as instituições (STF, Congresso, Forças Armadas, Ministério Público, Polícia Federal, entre outras) perderam sua legitimidade, pois são parte do golpe de Estado e só trabalham contra o povo e a nação.

Nessa Frente, os neoliberais aceitam a adesão de uma “agenda ampla”, ou seja, abraçar uma série de bandeiras identitárias para congregar a pequena burguesia, porém fecham questão em apoiar a política econômica neoliberal, falando em “responsabilidade fiscal”, que nada mais é que o ajuste fiscal, a demolição do patrimônio e dos direitos sociais. Enquanto, o povo passa fome e os bancos batem recordes de lucro, FHC diz que “todos tem que pagar a conta da crise”.  

Para sustentar a nova fase do golpe de Estado, FHC aponta que os neoliberais devem apoiar uma agenda social mínima, como por exemplo a “igualdade de renda” e a “renda básica mínima”. Ou seja, dar medidas paliativas para alguns, enquanto os bancos pilham o património do povo com lucros que ultrapassaram os R$ 9,4 trilhões!

FHC também fez questão de tentar descolar o miliciano da direita. Ele afirmou: “eles não são de direita, eles são atrasados”. Todos eles apoiam o saque do patrimônio roubado pelos EUA no golpe de 2016, a legislação autoritária aprovada nesse período e a anistia dos crimes dos militares. Ora, o governo atual é fruto do golpe forjado pela Globo, PSDB, militares e Lava-Jato. Porém, apesar de toda crise, FHC deixou claro o desejo de seguir manejando o miliciano até a eleição de 2022.  

Os neoliberais querem jogar agora para a Ditadura Militar toda a responsabilidade pela crise sanitária. Entretanto, foram as medidas de sucateamento do SUS, os ataques à indústria nacional, o desmonte dos direitos trabalhistas, a explosão das desigualdades sociais, a precariedade das condições de moradia e transporte que levaram o Brasil a essa situação caótica. Os governos municipais e estaduais dirigidos pelo PSDB nada fizeram para conter o avanço do coronavírus; exemplo é a situação calamitosa do estado de São Paulo, governado há mais de 25 anos pelo  tucanos. 

O golpe de Estado de 2016 foi dado para matar o povo de fome e destruir o Brasil. Quem queria matar o povo antes não pode salvá-lo agora. Todos eles comemoram a abertura da economia em frangalhos, enquanto o povo morre de doença, miséria neoliberal ou pelo Estado policial. Por isso, toda crítica dos neoliberais é demagógica: serve para seguir o genocídio orquestrado pela Ditadura.  

Os entrevistados se autodeclararam defensores da ciência, porém durante o governo FHC a educação foi duramente atacada. Nenhuma universidade foi aberta no seu governo e ele é responsável pela Lei de Patentes, que estagnou e pesquisa científica na área de fármacos e deixou o Brasil refém das patentes das grandes laboratórios, por exemplo.  

Desde a eclosão das mobilizações populares no Chile, Haiti, Honduras, Equador, Porto Rico, Peru, Guatemala, acenderam o sinal de alerta para os golpistas e traidores. Por isto o General Heleno ameaça o povo brasileiro de  AI-5 caso se rebele contra as medidas neoliberais e lesa-pátria da Ditadura. A função dos neoliberais e do PIG (Partido da Imprensa Golpista) é dar repercussão a essa conversa de golpe do Bolsonaro e a todas as asneiras dos membros do governo. Entretanto, fascistas e neoliberais confluem  no neoliberalismo e ambos servem ao patrão norte-americano.

Os neoliberais não esconderam seu desejo de conduzir e utilizar as atuais manifestações para forçar o rearranjo da Ditadura. Todos os entrevistados falaram contra os protestos de ruas, dizendo que os manifestantes são potenciais vetores do coronavírus, porém as condições econômicas e sociais que impedem o isolamento social no Brasil simplesmente não são mencionadas. Isto evidencia que a pandemia é só uma desculpa usada pelos neoliberais para conter a inevitável mobilização do povo para derrubar a Ditadura Militar.  

Os neoliberais também querem ensinar como o povo deve se manifestar. Querem estimular o ciberativismo com protestos virtuais, como por exemplo: panelaço, petição online, tuitaço e outras medidas inócuas e pelegas. Todos levantaram em coro a palavra de ordem dizendo que as manifestações devem ser pacificas. Na realidade, a situação política atual no Brasil só mudará com manifestações de enfrentamento à Ditadura.

Por isso, a frente neoliberal usa o Boulos, da Frente eleitoreira Povo Sem Medo, para enquadrar as manifestações no pacifismo, no antipetismo e na confusão política. Os neoliberais querem usar a base social pequeno-burguesa para construir um campo político a fim de sustentar a reabilitação dos neoliberais para 2022.  

Essa frente neoliberal tem como marca o antipetismo, enquanto se autoproclama antifascista. Porém, no Brasil o fascismo só foi reabilitado para enfrentar o governo nacionalista do PT a partir de 2013, e essa frente neoliberal estimula o antipetismo. Ou seja, o PSDB quer dar uma nova roupagem ao antipetismo, uma vez que o antipetista  miliciano é conduzido com muito mais eficiência. O golpe de Estado levou à dissolução do “centrão” e obrigou os governadores e oligarcas neoliberais a aderir ao discurso bolsonarista para serem eleitos.  

Toda a questão se centra em como nos livrarmos da Ditadura Militar e  nos libertamos do neocolonialismo norte-americano. Todo o resto das discussões é uma farsa. Esse mesmo sistema neoliberal e pró-colonialista foi se adaptando desde 1964. A crise e instabilidade é sempre um desejo do inimigo. O objetivo do inimigo mor, ou seja, os EUA, é manejar os conflitos e extrair das crises as sínteses que eles querem. 

O Partido dos Trabalhadores, partido golpeado, deve ser restituído ao governo pela via da mobilização de massas e de enfrentamento aos golpistas. Os amplos setores da sociedade, do campo popular, nacionalista, democrático e antigolpista devem convergir na construção dos elementos para uma agenda de mobilizações e na organização política para Constituinte. O PT é a única força nacionalista com possibilidade de estabelecer essa política de Constituinte e promover as mudanças necessárias, fazendo mais e melhor do que o primeiro período nacional desenvolvimentista, já que as mudanças nesse momento serão possíveis somente através do Poder e não mais através do governo em harmonia com o atual sistema.   

O processo de mudanças deve recuperar o nacionalismo, a República e o patrimônio roubado. Cas contrário, o campo popular, democrático e nacionalista será engolido no processo de reabilitação dos neoliberais fascistas [PSDB e DEM], no enfrentamento artificial aos fascistas neoliberais, um enfrentamento que não faz o menor sentido porque ambos se locupletam e servem ambos ao imperialismo norte-americano.  

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