O enfrentamento da pandemia pelos países socialistas – Coluna

Por Gabriel Araújo

Nem mesmo a imprensa burguesa consegue esconder a gigantesca superioridade na capacidade de combate ao coronavírus que possuem os países em processo de planificação econômica e em transição socialista, em relação aos países imperialistas. Esses últimos, mesmo com todo o saque que promove contra as nações do chamado terceiro mundo e com toda a exploração que pratica contra sua própria população, não vem conseguindo dar respostas à altura. Em verdade, no fundo, não possuem o menor interesse em resolver tal questão. 

Esse fato é rapidamente comprovado com exemplos como dos EUA, Itália, Espanha, Alemanha, França e Reino Unido, que estão no topo dos países atingidos pelo coronavírus, que tiveram seus sistemas de saúde colapsados e um enorme número de demissões. Esses países formam o conjunto dos principais países imperialistas.

O camarada Stalin, se valendo do método leninista, fez a pertinente colocação de que o imperialismo enquanto estágio superior do capitalismo desloca a classe operária do plano pré-revolucionário, aquilo que Engels e Marx estabeleceram como processo de constituição de classe em si mesma (que durou durante todo o século 19), para um plano revolucionário, ou seja, de assalto ao céu. Alguns revisionistas e detratores da obra do marxismo-leninismo pensaram que com a queda do muro de Berlim, esse fenômeno estaria enterrado. 

A nossa exposição nesse artigo, demonstrará o contrário, que essa etapa ainda está aberta e que a organização proletária, já atinge graus elevadíssimos, qualitativa e quantitativamente, de superioridade em relação a organização capitalista de produção, mesmo com todas as investidas do imperialismo para sabotar esses países socialistas. É nesse sentido que vamos tratar da questão do combate ao coronavírus.

Panorama comparativo: 

1 – Números gerais da COVID-19 no mundo e nos países imperialistas:

– Até o dia 09 de junho de 2020 foram confirmados 6.931.000 milhões de casos do novo coronavírus e 400.857 mil mortos em todo o mundo.

– Desse total, 2.001.721 milhões de casos confirmados e 112.648 mil mortos ocorreram nos EUA. Ou seja, algo entorno de 1/3 de todo o número global de casos e óbitos confirmados.

– No Reino Unido foram 287.399 casos confirmados e 40.000 mil mortes;

– Na Espanha 241.717 mil casos confirmados e 27.136 mil mortes;

– Na Itália 235.278 mil casos confirmados e 33.964 mil mortes;

– Na Alemanha 186.240 mil casos confirmados e 8.801 mil mortes.

– Na França 154.188 mil casos confirmados e 29.209 mil mortes.

– Todos esses países somados no número de casos confirmados chegam à 3.106.543 milhões de pessoas que ficaram e/ou estão doentes, o equivalente a 44,8% do total de todos os países juntos;

– A soma de pessoas que vieram a óbito em todos esses países foi de 251.758 mil mortos, ou seja, 62,8% do total de mortes do mundo inteiro.

2 – Números da COVID-19 nos países socialistas:

– Na China foram confirmados 83.040 mil casos e 4.634 mil mortos;

– No Vietnã foram 332 casos confirmados e nenhum óbito.

– Na Coréia Popular (Coréia do Norte) não há nenhum caso de covid-19 confirmado e portanto nenhuma morte.

– Em Cuba foram confirmados 2.200 casos confirmados e 83 mortes.

– Na Venezuela 2.473 casos confirmados e 22 mortes.

– Na Nicarágua são 1.118 casos confirmados e 46 mortes.

– O total de casos confirmados dos referidos países é de 89.163 mil, ou seja, 1,29% do total de casos no mundo todo.

– A soma dos óbitos desses países é de 4.785 mil mortes, 1,19% do total global.

Medidas tomadas pelos países socialistas:

Coréia Popular: 

Na Coréia Popular o governo socialista, de acordo com o Centro de Estudos da Política Songun (CEPS) – Brasil, implementou medidas de prevenção para combater o coronavírus antes mesmo que Wuhan na China tomasse medidas. O Ministério da Saúde Popular do país socialista determinou o fechamento de todas as fronteiras, estabeleceu o lockdown em toda a região fronteiriça com a China, determinou quarentena para todas as pessoas que estavam chegando do exterior, o treinamento do pessoal da saúde e da população para lidar com a situação, e o fechamento de todos os serviços não essenciais. Além disso também foi colocado nas ruas, nos meios de transporte e locais onde há grande fluxo de pessoas, os batalhões desinfectantes.

Vietnã

Mesmo possuindo 1,4 mil quilômetros de linha fronteiriça com a China, que foi o primeiro país a ser atingido pela pandemia, o Vietnã obteve um êxito gigantesco na sua prática no combate ao coronavírus. De acordo com a BBC, desde que descobriu os dois primeiros casos da doença no país, o governo tomou medidas de cancelamento de vôos internacionais, fechou fronteira com a China e estabeleceu o uso obrigatório de máscara. Começou em 01 de abril o confinamento social antes de diversos países, além de desenvolver uma política de testes em massa com testes produzidos pelo próprio país e de rastreamento dos contatos que as pessoas infectadas tiveram. O saldo dessa política compromissada com a sua população é que não ocorreu nenhum óbito no país até hoje. 

Cuba

Em Cuba, o sucesso de sua política de saúde popular lhe permite ocupar uma posição de destaque na vanguarda internacional de combate ao coronavírus. Tanto é que de acordo com o Ministério das Relações Exteriores de Cuba, o país enviou seus médicos para 23 países do mundo inteiro. Além disso, o êxito cubano se encontra principalmente em identificar os casos assintomáticos, com uma política de rastreamento e teste das pessoas que tiveram contato com casos confirmados, mesmo que não apresente sintomas. Às vezes, mesmo que o resultado seja negativo, o Ministério da Saúde cubano determina que a pessoa passe um tempo isolado para que haja certeza. O governo cubano também implementou um processo de pesquisa indo de casa em casa para averiguar a situação e se existem suspeitos.  

Venezuela

A Venezuela, mesmo sofrendo assédio militar e de sanções econômicas da Colômbia, Brasil, Equador, Chile, EUA e União Européia, tem sido um exemplo na região no enfrentamento ao coronavírus. O país possui mais de 10% da população militarizada através dos componentes da FANB, principalmente na Milícia Bolivariana. Esse fato somado ao processo de constantes exercícios cívico-militares, ao Sistema Comunal e a implementação dos Comitês Locais de Abastecimento e Produção (CLAP), facilitou na execução do processo de isolamento social voluntário (que difere do suposto isolamento social dos países capitalistas, que existe apenas na lei e não na prática) e na produção de outros materiais necessários para o combate ao coronavírus, que exigem um determinado grau de disciplina do povo, além de realizarem a fiscalização da empresas que estão nas mãos de opositores de direita que praticam constantes sabotagens. O governo bolivariano também realizou inúmeros testes de forma massiva, além de receber a solidariedade dos cubanos, russos e chineses, com insumos medicinais e pessoal da área da saúde. Durante a pandemia do coronavírus se estima que 30 mil venezuelanos que estavam no exterior regressaram ao país por meio do Programa De Vuelta a La Patria. Foi estabelecida a isenção do pagamento de água, energia, aluguel, proibida as demissões e estabelecido o congelamento de preços em alimentos fundamentais para o povo. Também foram formadas mais de 13 mil equipes de saúde para percorrer as comunidades e procurar pessoas suspeitas de infecção.  

Nicarágua

Na Nicarágua o governo sandinista e revolucionário adotou a implementação de um isolamento social parcial e também passou para o status de obrigatório o uso de máscaras. O Presidente Daniel Ortega já havia anunciado que o sistema de saúde do país estava preparado para encarar a pandemia e que a economia e a vida deveriam ser preservados de forma simultânea. Foi adotada a desinfecção de locais com grande circulação de pessoas. O país também implementou a visita domiciliar para identificar pessoas com suspeitas de contágio.

China

A China, primeiro país a ser atingido pela pandemia do coronavírus, teve metade dos números de mortes que a Alemanha (país imperialista, dos que destacamos aqui, que teve o menor número de óbitos). Logo que compreendeu a gravidade a situação, o governo chinês tratou de isolar Wuhan, estabelecer o isolamento social e o fechamento de setores da economia não essenciais, realizou testes massivos, tornou obrigatório o uso de máscara e levantou hospitais de campanha para tratar os pacientes, implementou um rigoroso protocolo de monitoramento daqueles que chegavam do exterior, assim como na pesquisa de assintomáticos e suspeitos de contágio. O país também se solidarizou com diversos países do mundo, fazendo doações de insumos médicos, testes, respiradores artificiais, compartilhando metodologias de tratamento e cedendo funcionários da área da saúde para ajudar no combate ao vírus em outros países. O Presidente Xi Jinping já investiu U$ 2 bilhões de dólares para a luta global contra o coronavírus e destacou que se a China vier a descobrir uma vacina para a covid-19 a mesma será “um bem público global”. Vendo todo esse comprometimento tanto do governo como do povo chinês no combate à pandemia, vemos nisso um grande exemplo de internacionalismo para com os trabalhadores seja de que país for. 

 “A revolução caminha bem, a revolução é mais forte do que nunca, o povo é mais entusiasta do que nunca”. – Fidel Castro.  

Obs.: As colunas não representam necessariamente os posicionamentos políticos do Editorial do Jornal Voz Operária. O Jornal está aberto as manifestações sinceras dos revolucionários no Brasil. Entre em contato para abrir uma coluna.

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