Aerococa: apreensão de 39kg de cocaína no avião presidencial continua sem respostas

No ano passado, em Sevilha, a guarda civil espanhola apreendeu 39kg de cocaína que estava escondida na mala de um sargento da aeronáutica, identificado como Manoel Silva Rodrigues. A droga estava na bagagem do segundo sargento que era tripulante do avião oficial da FAB, modelo Embraer 190, aeronave integra a comitiva oficial da presidência da República.

Após a apreensão e prisão em flagrante do traficante, o General Augusto Heleno, ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), durante a audiência pública do CREDN disse que o fato envergonha as forças armadas e está empenhado para elucidar a apreensão. A perícia espanhola avaliou que os 39kg de cocaína tinha pureza superior a 80% e foi estimada em 5 milhões euros.

Manoel Silva Rodrigues cumpre pena de 6 anos e multa de 2 milhões de euros por tráfico internacional de drogas . O sargento era tripulante do Grupo de Transporte Especial (GTE) da Força Aérea Brasileira (FAB) e traficou na aeronave presidencial a caminho do encontro do G20 em Tóquio.

Para o tribunal da Espanha, o sargento alegou que foi sua primeira carga de cocaína. Reconheceu, entretanto, que aproveitava as viagens internacionais no jato presidencial para se abastecer de mercadorias que comercializava no Brasil.

No entanto, um ano se passou, e o caso aerococa continua sem respostas. Tal demora indica que o GSI, Ministério da Defesa e Alto Comando da Aeronáutica não estão interessados em esclarecer as circunstâncias e apurar em detalhes o tráfico internacional de drogas no avião presidencial que foi denunciado pelo Ministério Público Militar no inquérito policial militar instaurado em sigilo de justiça.

O Ministério Público Militar da 2ª procuradoria de Justiça Militar em Brasília/DF denunciou por meio do Inquérito Policial Militar, n° processo: IPM no 7000267-54.2019.7.11.0011, o crime de tráfico internacional de drogas.

Heleno citou ainda, a nota técnica do comando da aeronáutica sobre a apreensão de 39kg de cocaína na aeronave da FAB (2590). A Aeronáutica diz repudiar os atos dessa natureza, também alega dar prioridade para elucidação do caso e aplicação dos regulamentos cabíveis. Diz, que o Comando da Aeronáutica apura todas as circunstâncias e busca aprimorar medidas de prevenção e em vista do ocorrido serão reforçadas. 

Há um ano atrás, Augusto Heleno se comprometeu na audiência pública na Câmara dos Deputados. Disse: “O GSI, Ministério da Defesa (MD) e o Alto Comando da Aeronáutica vão tratar a apreensão com profunda transparência e que o fato atingiu profundamente porque temos zelo pela missão institucional das forças armadas”. Demagogia pura, porque não há transparência no escândalo do aerococa, não foi esclarecido a circunstância do crime, nem detalhes porque permitiu a entrada de uma quantidade tão significativa de drogas dentro de um avião a serviço da presidência. Um episódio que demonstra a incompetência dos mandatários Augusto Heleno (GSI), Fernando Azevedo e Silva (MD) e o Comandante da Aeronáutica Antônio Carlos Moretti Bermudez. Senão fosse as autoridades da Espanha e cobertura do Jornal Diário de Sevilla, o fato não se tornaria público e as aeronaves da FAB continuariam servindo para o tráfico internacional de drogas. Inclusive, o sistema de radar ADBS da aeronave estava desligado para depistar às autoridades da Espanha.

Para eles, os militares para ocupar o cargo nas tripulações GTE são escolhidos nos mais rígidos critérios de seleção e os mesmos são conscientes, pela formação militar, do cumprimento da missão e o cargo que ocupam. Fato que afasta a hipótese do sargento ter agido intempestivamente e/ou sozinho na prática do delito de tráfico internacional de drogas. Pelo contrário, para incriminar o sargento, e afastar a culpa que recai sobre o GSI, MD e FAB reafirma que por enquanto não há notícias de participação de mais ninguém e isso será apurado pela auditoria militar e provavelmente para o superior tribunal militar. 

O general Hamilton Mourão disse na manhã do dia 26 que o sargento faria parte da tripulação no retorno da comitiva ao Brasil. Na tarde do mesmo dia foi desmentido pelo General Heleno. No entanto, consta nos autos do Inquérito do Ministério Público Militar que sim, o sargento Manoel Silva Rodrigues estava escalado na tripulação no plano de vôo Sevilha-brasilia, e regressaria com o presidente Bolsonaro.

Narra o caderno investigatório que, conforme a Ordem de Missão (evento 54, doc. 01, fls. 105/111), o denunciado viajou na condição de passageiro da referida aeronave – voo FAB 2590, no trecho Brasília/Sevilha, porém estava escalado para a função de comissário no trecho Sevilha/Brasília – voo FAB 2591, previsto para 26.06.2019, tendo se apresentado para embarque na aeronave antes mesmo da tripulação, fato estranhado pelas duas comissárias e pelo mecânico da aeronave (evento 54, doc. 15, fl. 05). (Ministério Público Militar, inquérito)

Heleno deu outras declarações sobre o Aerococa. Disse: “Foi uma falta de sorte”. E tentou se explicar: “Nenhum momento disse que o fato em si seria um azar. E sim que a apreensão de 39kg aconteceu as vesperas do encontro do G20, e que o tráfico envolvendo o avião da presidencia da república é um ponto fora da curva.” 

“Teria que ter bola de cristal para adivinhar que aquela aeronave da força aerea brasileira estava transportando 39kg de cocaína. A aeronave não era objeto de revista do GSI, pois a aeronave que vão ser usados pelo presidente e vice.”

Questionado sobre o destino. Para ele Sevilha é uma questão de apoio aéreo, reabastecimento da aeronave, não é uma escolha premeditada, e está no plano de voo. O lugar não é relevante  por isso que alterou o voo para Lisboa.  Para ele, não há constatação que a droga permaneceria em Sevilha ou seguiria viagem para o Japão. 

Quanto a política de drogas no Brasil, apresentado pelo Brigadeiro Batista, realmente está dentro do contexto do país. Nós sabemos que isso foi uma leniência dos governos anteriores, deixar que nossas organizações criminosas chegaram. É muito lamentável que isto tenha acontecido e nós estamos seriamente contaminados pelas organizações criminosas   ao ponto de transformar o problema de segurança pública em questão de segurança nacional. 

O general deveria explica como, afinal, a cocaína subiu a bordo. Mais: responsável pela segurança do presidente da República, precisa informar que providências adotou para evitar que “muambas” e drogas voltem a entrar no avião presidencial. Nada do que Heleno disser eliminará o vexame internacional.

Outros membros do governo declararam , por exemplo, o ex- ministro da Educação Abraham Weintraub foi ao Twitter, sem ter noção do escândalo do Aerococa, aproveitou para destilar o seu antipetismo: “No passado o avião presidencial já transportou drogas em maior quantidade. Alguém sabe o peso do Lula ou da Dilma?”

Agora com o status de foragido da Justiça está exilado em Miami, Abraham Weintraub, à época foi repreendido pelo Alto Comando das Forças Armadas para não falar sobre o Aerococa e advertido pela Comissão de Ética da Presidência da República por quebra de decoro .

Para o miliciano o tráfico é fruto de um complô

Bolsonaro se explica via facebook comentou, diretamente do Japão, na noite de quinta-feira (27), “muita coincidência acontecer no dia anterior a nossa viagem”, afirmou o miliciano. Enquanto general Heleno se explicava de uma declaração dada a jornalistas em que avaliou a coincidência do caso como “falta de sorte”. Deixaram no ar um possível caráter conspiratório.

O sargento Manoel Silva Rodrigues, eleitor declarado de Bolsonaro, participa do Comando da Aeronáutica e de comitivas presidenciais desde 2016. Segundo a FAB, que não quis explicar métodos de segurança, não há ocorrências anteriores com o militar detido.

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