Com os golpistas só existem duas opções: vírus ou a fome – coluna

Por Gabriel Araújo

De acordo com a economista e ex. Ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello (PT), em entrevista concedida à CUT Notícias no dia 10/01/2020, cerca de 1 milhão de pessoas foram cortadas do Programa Bolsa Família em 2019.

Segundo a reportagem da TVT do dia 09/01/2020, o governo fantoche dos EUA reduziu o orçamento do Programa Bolsa Família no ano de 2020, cortando R$2,5 bilhões. Em maio de 2019, 14,3 milhões de famílias foram beneficiadas. Já em dezembro esse número caiu para 13,2 milhões.

Em outra matéria publicada pela CUT Notícias 18/02/2020, valendo-se de uma análise de dados realizada pelo jornal burguês O Estado de São Paulo, estima-se que 3,5 milhões de pessoas estavam na fila de espera para acessar o programa de transferência de renda.

Tudo isso ocorre em um momento em que, de acordo com Daniel Baladan, economista e chefe do escritório do Programa Mundial de Alimentos (WFP) da Organização das Nações Unidas (ONU), o Brasil terá um aumento de 5,4 milhões de pessoas passando para a extrema pobreza, o equivalente a 7% da população, ou seja, 14,7 milhões de pessoas. 

Esse número colocaria novamente o país no Mapa da Fome, já que o pré-requisito é possuir um quantitativo de pessoas equivalente ou maior que 5% na extrema pobreza. Antes da pandemia, o Brasil já estava beirando esse retorno, com 4,4% da população nessa situação (9,3 milhões de pessoas).

O Brasil em 2014 havia sido reconhecido em todo o mundo por ter saído do Mapa da Fome em 2011, quando atingiu o número de 4,7% e também por ter chegado em 2014 aos 2,7%, o menor percentual da história. Outro percentual recorde para o ano de 2014 de acordo com o Pnad-Continua, foi a menor taxa de desocupação da história, com apenas 4,8% da população nesse quesito.

Todo esse desastre mencionado acima é fruto da política de destruição nacional promovida pelos golpistas. Assim que assumiram com o trio Temer, Etchegoyen e Meirelles, e, com o prosseguimento dado pelo quarteto Bolsonaro, Mourão, Augusto Heleno e Paulo Guedes, foi adotada uma política de estado de burocratização de acesso a benefícios do governo como o Bolsa Família, Benefício de Prestação Continuada (BPC), Auxílio Doença, etc.

A mais nova investida dos golpistas anunciada é a mudança no Bolsa Família, que passará a ser chamado de Renda Brasil. O “novo programa” que será um plágio mal feito do Bolsa Família e constituído para dar errado, apesar de não ter sido detalhado como vai funcionar, existem indícios que os critérios para receber um benefício mais alto em alguns casos, vai obedecer as premissas da chamada “meritocracia”, através da avaliação de desempenho dos filhos (as) da família beneficiária em provas de teste do conhecimento.

Se sem acabar formalmente com o Bolsa Família, já temos um processo de desmantelamento do programa, com o corte de 1 milhão de benefícios e uma fila de espera de 3,5 milhões de famílias, imaginem o “novo programa” com critérios essenciais definidos pelos golpistas? Será um completo desastre levando milhões a miséria e a fome.

Outro fator de preocupação para a classe operária brasileira é a possibilidade de fim do Auxílio Emergencial, que só foi aprovado graças ao protagonismo dos parlamentares do Partido dos Trabalhadores e só não foi aprovado um benefício mais elevado nos moldes da Renda Mínima criada pelo PT por conta da capitulação de determinado setores burocratas da esquerda que vem vacilando em suas posições desde o início do golpe de Estado. 

Bolsonaro já flertou com a posição de não prorrogar o auxílio. Também é levantada por ele e por seu ministro da economia que faz inveja aos criadores dos campos de concentração alemães, Paulo Guedes, a possibilidade de reduzir em 1/3 no valor repassado aos trabalhadores (caindo de R$600,00 para R$200,00). O valor atual representa quase metade de um salário mínimo, um valor baixíssimo, como se as pessoas vivessem apenas 15 dias do mês. Caindo para R$200,00 seria como se as pessoas tivessem de sanar suas necessidades fundamentais por apenas cinco dias no mês, já que representa mais ou menos 1/6 do salário mínimo.

Das 96,9 milhões de pessoas que solicitaram o Auxílio Emergencial, apenas 50,52 milhões tiveram o auxílio aprovado, representando 52,1% do total de solicitações. Tudo isso sendo o fruto do processo de burocratização das políticas públicas. Apesar da imposição popular que provoca um determinado receio da burguesia com a possibilidade de um levante popular provocado pelas circunstâncias econômicas, levando-a a ter de tomar medidas como a do auxílio emergencial, a burguesia mesmo sob uma relativa derrota, continua a sabotar as políticas direcionadas a uma melhora no quadro de condições materiais de sobrevivência da classe operária.

Toda essa política de sabotagem é pensada com o objetivo de minimizar os investimentos na área de destruição de renda, enxugando o orçamento para que esse seja transferido para os banqueiros através do pagamento da criminosa e fraudulenta dívida pública, que está mais para um endividamento perpetuo que cresce mais a cada dia. Uma verdadeira política de saque ao patrimônio nacional.

Em uma política totalmente oposta aos golpistas, os petistas já possuem um projeto de lei que estabelece que o Auxílio Emergencial seja prorrogado por mais um ano. Os trabalhadores precisam intensificar sua presença nas ruas para exigir a aprovação do projeto e o aumento no valor do auxílio para um salário mínimo.

Esse tipo de política social apenas pode ser levada adiante se tiver a sustentabilidade por meio de uma ampla base social mobilizada e organizada, que tenha essa reivindicação como um meio e uma forma de abrir uma fenda na muralha do Estado burguês, que possibilite alçar voos maiores e mais ousados que possam de uma vez por todas restituir o povo trabalhador brasileiro com os seus direitos que foram retirados com as políticas golpistas da ditadura militar e que coloquem novamente o único partido que possui legitimidade sob o comando do país, que é o Partido dos Trabalhadores, o Presidente Lula e a Presidenta Dilma. 

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