Colaboracionistas dos EUA são presos na China

Por volta das 10h30 (GMT+8) desta segunda, a polícia da Região Administrativa Especial (RAE) de Hong Kong (China) realizou uma operação para prender figuras já conhecidas por conspirar com potências estrangeiras, como o bilionário Jimmy Lai Chee-ying.

A operação se baseia nos artigos 29 e 30 da parte 4 (Conluio com País Estrangeiro ou com Elementos Externos para Colocar em Perigo da Segurança Nacional) do capítulo III da nova Lei de Segurança Nacional, aprovada em junho desse ano.

A lei considera ofensa aquele que “rouba, espiona, obtém mediante pagamento ou fornece ilicitamente segredos do Estado ou informações sobre a segurança nacional (…), que solicita (…) ou conspira (…), ou, direta ou indiretamente, recebe instruções, controle, financiamento ou outro tipo de apoio de um país estrangeiro ou uma instituição, organização ou indivíduo fora do continente, Hong Kong e Macau da República Popular da China” “será considerado culpado pela ofensa”.

O documento diz que são consideradas ofensas (1) “travar uma guerra contra a RP da China, usar ou ameaçar usar a força para minar seriamente a soberania, unificação e a integridade territorial da RP da China”, (2) “perturbar seriamente a formulação e implementação de leis ou políticas pelo governo da RAE de Hong Kong ou pelo Governo Popular Central”, (3) “aparelhar ou minar uma eleição na RAE de Hong Kong”, (4) “impor sanções ou bloqueios, ou engajar em outras atividades hostis (…)”, (5) “provocar, por meios ilícitos, o ódio entre residentes de Hong Kong (…)”.

Separatistas em Hong Kong com suas bandeiras dos EUA

Desde 1997, quando a ilha foi libertada do domínio colonial britânico, milhares de escritórios de inteligência continuam a operar lá, uma vez que o Governo Popular Central não tinha jurisdição lá. O fato rendeu o apelido para a RAE de “Divisão Asiática da CIA”.

Para combater esse problema, o legislativo da RAE de Hong Kong propôs uma lei de extradição, que foi rechaçada pelos países ocidentais, que financiaram atos de terrorismo na ilha, como a tortura pública do jornalista Fu Guohao, em agosto do ano passado. Milhões de dólares são injetados desde 1995, via instituições, como a NED – National Endowment for Democracy, ligadas às agências de inteligências estrangeiras e responsáveis por dezenas de operações de regime change no mundo, e também no Brasil via Lava Jato.

Mas quem é Jimmy Lai?

O bilionário é fundador do tabloide Apple Daily, famoso por suas inverdades e estímulos à secessão. Jimmy Lai já foi visto negociando com John R. Bolton (conselheiro de segurança nacional de Trump até setembro de 2019) o vice presidente dos EUA, Mike Pence, e o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, além de políticos da NED no ano passado. As conexões do conspirador são de conhecimento público, e há indícios de que processos contra ele já estavam engavetados pela inteligência chinesa. Sua prisão, baseada na nova Lei de Segurança Nacional, era uma questão de tempo.

Junto ao empresário Jimmy Lai, outros conspiradores também foram presos, como Cheung Kim-hung (CEO da Next Digital, empresa-mãe do Apple Daily), Royston Chow Tat-kuen (chefe do gabinete de finanças da empresa) e outros quatros funcionários da Apple Daily, incluindo seus dois filhos Ian Lai Yiu-yan (39 anos) e Timothy Lai Kin-yang (42 anos). A mão-direita de Jimmy Lai, Mark Simon — que estagiou na CIA e cujo pai trabalhou por 35 anos na agência—, não estava na cidade quando a operação começou e continua foragido.

Wilson Li e Andy Li (freelancer da rede de televisão britânica ITV), além de Chow Ting (sócio próximo ao golpista Joshua Wong Chi-fung) também foi preso, junto com outros dois terroristas.

Um porta-voz de Beijing para assuntos relacionados à RAE de Hong Kong disse que Lai e sua camarilha são acusados de ser uma facção que, em “conluio com um país estrangeiro”, “subverte a China e instiga o caos em Hong Kong”, o que qualifica punição severa de acordo com a lei. A sentença para esse tipo de crime varia entre uma pena-fixa de não menos que 10 anos, até a prisão perpétua.

Ryan Law Wai-kwong, editor-chefe do tabloide imperialista Apple Daily, disse que as operações do departamento editorial continuarão funcionando normalmente. Compreensível, afinal as ações da Next Digital (dona do Apple Daily) bateram 344% de aumento após a prisão de Lai.

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