Rússia registra a primeira vacina que vai salvar milhões de vidas

Nessa última terça-feira, dia 11 de agosto de 2020, o presidente da Federação Russa, Vladmir Putin, fez um anunciou histórico onde aponta o registro da primeira vacina contra o novo coronavírus no mundo. A Rússia está na frente da corrida internacional para oferecer uma solução para a pandemia que deixou mais de 700.000 mortes e a economia mundial devastada.

A descoberta pioneira foi a vacina batizada de Sputnik V, uma homenagem ao primeiro satélite soviético e uma clara referência à vitória da União Soviética na corrida espacial.

A análise científica da vacina está na fase 3 de testes, e será produzida em duas plantas industriais: pelo Centro Nacional de Pesquisa de Epidemiologia e Microbiologia Gamaleya e pela empresa Binnofarm.

Em conferência dedicada ao anúncio do registro da vacina, o CEO do Russian Direct Investment Fund (RDIF) explicou que já havia recebido pedidos de um bilhão de doses.

“Junto com nossos parceiros estrangeiros, estamos prontos para produzir mais de 500 milhões de doses da vacina por ano”, explicou Kirill Dmitriev. Tudo o que for produzido na Rússia será usado no mercado interno, e as doses para uso em outros países serão feitas no exterior.

Um total de 20 nações da América Latina, Oriente Médio e Ásia já solicitaram doses da vacina russa contra o covid-19, a estimativa é que a produção supere 2 bilhões de doses. Por enquanto, o governo de Vladimir Putin assegurou que serão produzidas 1,5 milhões de doses por mês com o custo que varia de 5 até 30 dólares por cada dose.

O Ministro da saúde russo, Mijaíl Murashko, afirmou que a vacina será dada em duas fases, a primeira, já em agosto, serão imunizados os profissionais da saúde e a segunda fase para toda a população estará disponível em 1 de janeiro de 2021, o que permite a imunização em massa pelos próximos 2 anos.

O que sabemos sobre a vacina:

  • Desenvolvida pelo Instituto de Pesquisa de Epidemiologia e Microbiologia Gamaleya de Moscou, a dose é baseada em uma plataforma já usada para seis outras vacinas, de acordo com o ministro da Saúde da Rússia, Mikhail Murashko.
  • O Ministério da Saúde registrou ‘Sputnik V’ como uma solução a ser injetada.
  • De acordo com os resultados dos estudos clínicos, a vacina mostrou alta eficácia e segurança.
  • Todos os voluntários desenvolveram altos títulos [níveis de concentração] de anticorpos para Covid-19, observou Murashko.
  • Ele também disse que “nenhum deles teve complicações graves” após receber a vacina.
  • Após a vacinação, a imunidade ao Covid-19 pode durar até dois anos, afirmou o Ministério da Saúde.
Como a vacina funciona?

O virologista Feliks Ershov, do Centro Nacional de Pesquisa de Epidemiologia e Microbiologia Gamaleya explicou como funciona.

Nos últimos anos, o Gamaleya desenvolveu uma tecnologia de vacinas “mais moderna do que as anteriores, que usavam o vírus inoculado”, notou Ershov.

A vacina Sputnik V utiliza o método de dois vetores, desenvolvido pelo Gamaleya desde 2015. Esse método consiste em utilizar adenovírus, presentes em adenoides humanos, e usá-los como vetores, que levam material genético de outro vírus para as células.

Como a vacina será distribuída?
  • O presidente Putin disse que a produção em massa da vacina contra o coronavírus comece em setembro de 2020.
  • A solução será produzida em dois locais: o Instituto Gamaleya do Ministério da Saúde da Rússia e a empresa biofarmacêutica nacional Binnopharm.
  • Alguns países estrangeiros já demonstraram interesse em adquirir doses da vacina russa.

Como será a campanha de vacinação?

  • Médicos e professores serão os primeiros a receber a vacina. 
  • A vacinação dos profissionais médicos pode começar no final de agosto ou setembro.
  • ‘Sputnik V’ estará disponível para o público em geral em 1 de janeiro de 2021.
  • A vacinação será voluntária na Rússia.

No momento, a vacinação será feita de forma voluntária e a produção massiva começará em setembro. Após cumprir as fases 1 e 2 de testes em animais e humanos, 76 voluntários que participaram dos testes clínicos da vacina, todos apresentaram imunidade ao covid-19.

Durante o anúncio da nova descoberta para o combate ao covid-19, o Presidente Vladmir Putin insistiu que a vacinação na Rússia só deveria ser realizada de forma voluntária, sem que ninguém fosse forçado a aceitar a imunização. Ele também revelou que uma de suas filhas já foi vacinada.

“Pelo que eu sei, uma vacina contra a infecção do coronavírus foi registrada esta manhã (na Rússia) pela primeira vez no mundo”, disse o presidente a membros do governo.  “Agradeço a todos que trabalharam na vacina – é um momento muito importante para o mundo inteiro.

“Sei que funciona com bastante eficácia, forma uma imunidade estável e, repito, passou em todas as fiscalizações necessárias” , acrescentou o presidente.

Em coletiva de imprensa, o porta-voz da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tarik Jasarevic, afirmou que está em contato com as autoridades russas para avaliar a eficácia e segurança da primeira vacina.

Por outro lado, o imperialismo norte-americano quer impôr o poder de veto sobre a pesquisa científica, e tenciona para a OMS e os países alinhados com Washington sigam hostis à descoberta russa. A ofensiva partiu após declaração do secretário de Saúde dos EUA, Alex Azar, tratou com cetismo a façanha histórica, e aproveitou para que criticar as autoridades russas anunciaram a fase de imunização com a primeira vacina contra o novo coronavírus. Imediatamente todos os veículos de comunicação pró-imperialistas reforçaram a narrativa anti russa e colocam em dúvida a eficácia e segurança da primeira vacina. Promove o discurso ideológico entorno da descoberta para afastar a influência dos governos Russo e Chinês em todo o mundo.

A vacina Covid-19 da Federação Russa é alvo de ataques do Imperialismo norte-americano e europeu. Desde a fase de testes, os principais meios corporativos e especialistas alinhados aos países imperialistass desqualificam a iniciativa russa, na tentativa de minar a credibilidade da vacina, gerar desconfiança entre os países aliados da Federação e fechar possíveis mercados para o produto futuro.

A vacina representa hoje um ponto de confronto geopolítico e os poderes em disputa observam seu desenvolvimento, promoção e eficácia como fator essencial no equilíbrio global de poder em uma fase pós-pandêmica.

A Revista Financial Times publicou um editorial apontando que “alguns especialistas questionaram a capacidade da Rússia de desenvolver uma vacina adequada tão rapidamente, visto que os ensaios para garantir a segurança e eficácia de tais drogas normalmente levam anos” . Porém, os especialistas citados pelo jornal britânico são dos Estados Unidos e da Universidade de Oxford, onde também estão sendo feitas pesquisas de uma vacina para competir com a Rússia.

Aqui no Brasil, o general e ministro do Gabinete de Segurança Institucional, Augusto Heleno seguiu o discurso ideológico do Secretário de Saúde dos EUA e menosprezou a descoberta da primeira vacina. Enquanto o governo brasileiro trata como política pública o uso da cloroquina para o tratamento do covid-19, medicamento comprovado pela OMS como ineficaz, alcança a terrível marca de 102 mil mortes.

Se depender do governo de Vladimir Putin não medirá esforços para ajudar o Brasil. O embaixador russo no Brasil, Sergey Akopov, disse que o Brasil é um dos parceiros estratégicos da Rússia e acredita na cooperação entre os dois países para auxiliar na distribuição e nos testes da vacina contra COVID-19.

“A política do governo da Rússia consiste que todos os países devem unir esforços conjuntos para elaborar medicamentos e vacinas eficazes para combater essa doença COVID-19”, disse Sergey Akopov.

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