Ciro Gomes: o coronel tucano que bate continência para o capitão – Coluna

Por Gabriel Araújo

Nada é por acaso, camaradas. Absolutamente nada! Existe uma cadeia hierárquica de comando que está sendo obedecida, que vamos apontar alguns fatos para que o leitor possa compreender pela raiz o que está acontecendo. 

A radicalidade da “retroescavadeira antifascista” sumiu do mapa quando a questão é a defesa de fato e nas ruas, contra os fascistas, dos direitos democráticos do povo trabalhador brasileiro. 

Quando o movimento antifascista e pela queda do governo golpista resolve botar suas bandeiras nas ruas, para defender o povo contra o fascismo, a austeridade fiscal e contra o vírus, chamam um ato online (se é que isso existe) com golpistas como FHC, Marta Suplicy, José Sarney, Luciano Hulk, General Santos Cruz, Marina Silva, Tasso Jereissati, José Anibal, Guilherme Boulos, Marcelo Freixo, Flávio Dino, Rodrigo Maia, Davi Alcolumbre SERGIO MORO, MICHEL TEMER, entre outras figuras medonhas que junto ao Ciro Gomes compõem o esgoto da política nacional, para causar mais confusão e mais divisão dentro da esquerda.

São esses os responsáveis pelo processo de destruição da indústria nacional, principalmente nossas empresas estatais que voltaram a ser saqueadas de maneira aproximada ao que ocorria com os governos FHC. Foram eles que conceberam e aprovaram o fim dos direitos trabalhistas e previdenciários, que foram conquistados de maneira heroica com anos e anos árduos de luta pelos trabalhadores brasileiros. 

O curioso é que os super-antifascistas e pseudo-nacionalistas, enchem o peito para atacar o PT de corrupto, sendo que este último tem defendido uma política verdadeiramente nacionalista, contra a intervenção norte-americana na política, no judiciário, nas FFAA e no território nacional. Mas quando se trata de golpistas e entreguistas como os citados no parágrafo anterior, que possuem profunda ligação com a ditadura militar de 1964 e o golpe de 2016, esse coronel tucano frouxo, trata de lamber suas botas e bater continência para o capitão que assaltou o poder político do país com o Marreco de Maringá.

Após o retorno da classe trabalhadora com suas torcidas organizadas e partidos políticos para as ruas, com o intuito de botar os fascistas para correr, o setor da “retroescavadeira antifascista” através do seu porta-voz Ciro Gomes lançou outra movimentação, pedindo que os atos de rua fossem adiados. Como se a direita fascista adiasse suas pautas de ataques contra os trabalhadores. Que como temos visto, tem promovido uma série de pautas que destroem a vida dos trabalhadores e a soberania nacional. Tudo isso, claro, conta com a ajuda desse setor “democrático” (golpistas cheirosos), para tocar as matérias que estão no programa político de Bolsonaro-Guedes.

O exemplo que ganhou maior atenção nos últimos dias no que se refere a ligação dos golpistas cheirosos e enrustidos junto ao governo Bolsonaro, foi o posicionamento do Senador Cid Gomes, irmão do Ciro Gomes, em relação ao PL 4162/19, que aprofunda o processo de privatização das águas e do saneamento básico no país. O PL teve como relator o padrinho político de Ciro Gomes, o Senador golpista Tasso Jereissati (PSDB). Cid Gomes seguiu a orientação do relator e votou pela aprovação da privatização da água e do saneamento básico.

Jereissati foi também o relator da reforma da previdência do governo Bolsonaro, também contou com o apoio e articulação de Ciro Gomes para acabar com o direito a aposentadoria no Brasil. 

Ciro, quando indagado por militantes de sua base semi-bolsonarista e antipetista que ficaram consternados com o posicionamento do irmão, ele que diz ser o candidato mais preparado e que possui solução para tudo, deu como desculpa que não conhecia a matéria e que ainda estava consultando especialistas. Como é que um vice-presidente do PDT e eterno presidenciável, não tem um posicionamento em relação a projetos de privatização da água e do saneamento que estão sendo tramitados há bastante tempo? Como que um dito estudioso que acaba de lançar um livro que supostamente defende um programa de nacional desenvolvimento não possui conhecimento do que se passa em relação ao controle de um recurso natural fundamental para a aplicação de um programa de nacional desenvolvimento? Pura demagogia e pirotecnia retórica para enganar trouxa!

A apresentação do processo de impeachment por Ciro Gomes contra Bolsonaro é apenas mais uma de suas manobras para ludibriar o segmento mais atrasado da esquerda e para dar uma sustentabilidade estética a sua falsa política radical, que na hora do vamos ver, sabemos o que é feito. Ciro é uma espécie de sofisticação do chamado agente cachorro do antigo SNI e atual GSI. Ele está infiltrado no movimento de esquerda apenas para confundir e dividir, com claros objetivos de enfraquecer a luta contra o golpe e contribuir para a criminalização do PT. Não é à toa que faz um pedido de impeachment, mas no momento que a luta contra o golpe e o fascismo ganha as ruas, ele pede para que os trabalhadores saiam delas, aceitem um acordo com os pais de Bolsonaro e façam a tal “mobilização online” com os golpistas.

Pouco tempo após essa pirotecnia do pedido de impeachment, o Senador Cid Gomes deixou escapar o real interesse dele e de seu irmão, que é na realidade a posição do Fica Bolsonaro. Cid se disse contrário à retirada do governo Bolsonaro. A posição de Cid não é mera causalidade. Ela é uma resposta a cadeia de comando que ele obedece. FHC, já havia tomado essa posição uma semana antes. E como sabemos que tal exposição não é meramente uma expressão ao acaso, e que na realidade se trata de um direcionamento político para uma determinada fração social, fração essa que são os representantes políticos dos interesses da burguesia. Não fica tão difícil de saber que Cid obedece a ordem de seu chefe FHC de virar sua retroescavadeira contra os interesses da população.

Essa política malabarista não é exclusividade do PDT e de Ciro Gomes, ela também ganha seus contornos de forma mais explicita no PSOL, através do Deputado Federal Marcelo Freixo, que já falou que é contra a derrubada do governo Bolsonaro e que apoia Eduardo Paes (DEM) na disputa da Prefeitura do Rio de Janeiro. 

Guilherme Boulos não satisfeito em dividir a militância, convocando um ato no Largo da Batata, onde só moram burgueses e não agrega em nada para a militância, em uma clara demonstração de que sua intenção era a de proteger os fascistas de uma surra que as organizações dos trabalhadores e principalmente as torcidas organizadas iriam dar nos fascistas. Foi responsável por fazer com que a PM, com Bruno Covas, João Dória e o Judiciário estabelecessem uma multa para quem fosse se confrontar com os fascistas na Avenida Paulista.

Todo esse segmento dito de esquerda começou a manobrar para realizar uma tentativa de estelionato eleitoral com vistas a isolar o PT, dar ar de legitimo e patriótico o programa neoliberal do PSDB, que é a essência do programa político do golpe. Esse segmento oportunista também tem o claro objetivo de criminalizar a luta dos trabalhadores por meio da relativização dos direitos democráticos de manifestação e organização. 

Por isso, as organizações de esquerda verdadeiramente democráticas e que representam os interesses dos trabalhadores, devem combater de maneira abnegada os agentes cachorros do século XXI para abrir caminho para uma agenda política independente e de mobilização que reestabeleça a democracia, a soberania nacional e o respeito as escolhas feitas pelo povo trabalhador. Agenda está que só pode ser reestabelecida com a derrubada do governo golpista do GSI, a devolução dos direitos políticos do Presidente Lula, a anulação do processo de impeachment fraudulento contra a Presidenta Dilma, o fim da Operação Lava-Jato e anulação de todos os processos da mesma, e a restituição do direito do Partido dos Trabalhadores de retomar seu programa de governo democrático-popular.

Qualquer que sejam as tentativas de retomada da democracia que não coloquem essas questões no primeiro plano, as mesmas devem ser rechaçadas e combatidas pela militância de esquerda, pois em essência se trata de mais uma tentativa de jogar areia nos olhos daqueles que querem um Brasil soberano e com políticas públicas voltadas para a classe trabalhadora, para dar um tom de legitimo para o processo de saque do patrimônio nacional.

Obs.: As colunas não representam necessariamente os posicionamentos políticos do Editorial do Jornal Voz Operária. O Jornal está aberto as manifestações sinceras dos revolucionários no Brasil. Entre em contato para abrir uma coluna.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s