Golpe de Estado na Bielorrússia é preparação de guerra contra Rússia e Venezuela

A Bielorrússia possui uma posição geopolítica privilegiada. Após superar a miséria neoliberal imposta por um golpe de Estado na década de 1990, a Bielorrússia reconstruíu sua indústria nacional e recuperou o emprego. Hoje a produção de máquinas agrícolas, automóveis e tratores representa cerca de 50% do PIB dessa nação.

A nação também é fundamental para o projeto da Nova Rota da Seda, impulsionada pela China. Sua indústria provê insumos básicos que alimentam a agricultura e construção civil chinesa e russa, por exemplo. Por esse motivo, a Bielorrússia está sofrendo um golpe orquestrado pela OTAN e EUA com base em seu projeto estratégico de cercar o poder da Eurásia. Além disso, a Doutrina Monroe, que norteia a política externa norte-americana, coloca como alvo principal qualquer tipo de governo nacionalista, como é o caso do presidente Lukashenko.

Estamos vendo na Bielorrússia o modelo tradicional de uma revolução colorida é que, precedidas por eleições que são contestadas pelos golpistas como “fraudadas”, posteriormente atuam os meios de comunicação e ONGs financiados pelos Estados Unidos e União Européia para questionar publicamente os resultados das eleições antes mesmo do inicio dos comícios. Logo são criada manifestações artificiais, para aumentar o caos, alguns infiltrados disparam contra policiais e manifestantes, como foi feito na Ucrânia. A revolta termina quando é reduzida em negociação ou quando os golpistas tomam o poder.

O modelo de golpes e sabotagem permanente a governos eleitos democraticamente, mostra que na atual fase do imperialismo a era das eleições acabaram em todo o mundo. O direito ao voto da população é constantemente limitado ou suprimido e as eleições burguesas tornaram-se uma completa farsa para sustentar os regimes alinhados ao Imperialismo. As eleições somente são validas quando o candidato golpista é vencedor, os adversários nacionalistas e populares por sua vez são perseguidos e eliminados do jogo eleitoral.

Esse é o caso da Bielorrússia. Enquanto o presidente Alexander Lukashenko afirmava ter vencido com 80% dos votos nas eleições do domingo 9 de agosto, a candidata pro-imperialista Svetlana Tikhanovskaya afirmou ter sido a vencedora e levantou a tese de “fraude”. Embora ela tenha recebido menos de 10% dos votos.

O mesmo roteiro que vimos na Bolívia ocorreu lá. Os sem voto tentam tomar o poder de forma violenta para destruir o país e mais fácil entregar-lo ao imperialismo. Ainda em junho era previsto a tentativa de golpe, nesse mês a oposição pró-imperialista denunciava a fraude de uma eleição que nem tinha ocorrido e afirmava que não iria reconhecer nenhuma eleição onde eles não fossem os ganhadores. Logo com a vitória dos nacionalistas confirmada, seguiram-se protestos artificiais e motins da polícia. Com o levante derrotado, Tikhanovskaya foi instruída a deixar o país e acabou na Lituânia, país membro da OTAN.

Poucos dias antes das eleições, o serviços secretos bielorrussos mostrou evidências da chegada ao país de mais de 200 mercenários poloneses, ucranianos e letões com o objetivo de desestabilizar as principais cidades da Bielorrússia antes das eleições presidenciais.

Durante a semana, vários motins policiais foram desmantelados pelo Exército. Os jornalistas da imprensa Imperialista logo dispararam vídeos da repressão da polícia contra os grupos golpistas como um “exemplo de brutalidade policial incomum”. É como se nenhum daqueles meios de comunicação do Império jamais tivesse visto como a polícia dos EUA e Europa reagem quando há manifestações nesses países. O saldo da repressão policial contra as manifestações nos EUA deixa evidente a dupla moral dessa imprensa golpista: milhares de presos e feridos, centenas de jovens processados e dezenas de mortos nas ruas dos Estados Unidos.

Desde o inicio do levante golpistas os grupos de manifestantes continuam bastante reduzidos. A mídia imperialista inflou os números e falou sobre protestos em todo o país, quando na verdade 20 pessoas ocupavam em uma calçada em Minsk. Os meios de comunicação imperialistas ficaram bastante entusiasmados quando 200 trabalhadores da Minsk Trator Works fizeram uma curta caminhada, porém a mencionada fábrica emprega 17 mil operários.

A foto abaixo foi tirada e postada no 15 de agosto, “dia de maiores manifestações”, segundo a imprensa imperialista. Este deveria ser o protesto principal na capital. Numa manhã de sábado, dia que a maioria das pessoas daquele país não trabalham, com tempo excelente, porém apenas 2.000 pessoas compareceram. Minsk tem cerca de 2 milhões de habitantes.

O canal de Nexta, que divulgou a foto acima, é o canal de comunicação central usado nesta tentativa de golpe. Ele é dirigido por setores pró-imperialista na Polônia e Lituânia. O editor-chefe é alguém chamado Roman Protasevich. Antes disso, foi jornalista da Euroradio, que tem financiamento da Radio Liberty da CIA e de governos de países membros da OTAN.

Aparentemente quem está orquestrando mais esse golpe é a “ala democrática” do Partido Democrata dos EUA, o vice-conselheiro de segurança de Obama, Ben Rhodes, manifestou apoio ao golpe e não deixa margem para dúvidas sobre quem está por trás desta trama.

No final do ano passado, a Lukashenko permitiu a reabertura da embaixada dos EUA. O Secretario de Estado Mike Pompeo até mesmo visitou Minsk. Essa movimentação fazia parte de um acordo comercial entre EUA e Bielorrussia, visto que no ano passado o ultimo país parou de receber petróleo russo subsidiado. Cada embaixada norte-americana também é uma base para promover golpes de Estado, esse caso deixa esse fato evidente.

Para América Latina a Bielorrússia é um ponto de apoio importante. O país tem vários acordos comerciais, economicos, industriais, agrícolas, educacionais e científico-tecnológico assinados com Cuba, Venezuela e Nicarágua. Cuba e Bielorrússia mantêm relações ininterruptas desde 1992 e essa última é contraria ao Bloqueio imposto pelos Estados Unidos. No final do ano passado o presidente Lukashenko recebeu o presidente cubano Miguel Díaz-Canel Bermúdez, em Minsk.

Se a Bielorrússia cair nas mãos do Imperialismo, o país seria usado como base para a futura guerra contra a Rússia. De imediato as indústrias estatais, agora produtivas, seriam privatizadas a preços ridículos e o sistema social, que ainda funciona bem para a maioria de sua população, seria desmantelado. As relações econômicas com a Rússia e China, que já estão altamente integradas, seriam afetadas. No final, a Bielorrússia provavelmente estaria em pior situação do que a Ucrânia.

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