Aliança Globo-PSOL para constranger e chantagear a candidatura Benedita

Já não é desse ano que o Voz Operária denuncia em seus editoriais a tutela intervencionista (e seus desdobramentos) do Golpe de Estado no Rio de Janeiro. A primeira intervenção, em 2018, impulsionou a operação de reestruturação do crime organizado orientado pela cartelização do narcotráfico em escala continental, associado aos militares do Alto Escalão. Foi também na primeira intervenção que foi posta em prática a substituição das antigas oligarquias pela estrutura paramilitar das narcomilícias, em associação com o Ministério Público e a força-tarefa da Lava Jato. Hoje, já em 2020, se estrutura uma nova intervenção federal não só na esfera estadual – com o afastamento e prisões de membros e funcionários do governo –, mas também na esfera municipal: quem será o operador da nova fase do golpismo para o Rio de Janeiro? Na lista estão quadros proeminentes do sionismo evangélico, e também do lavajatismo “de esquerda”.

O fato é que o terreno carioca está sendo limpo pelo judiciário, deixando cadáveres políticos por onde quer que passe. Todos os pré-candidatos a majoritária municipal estão, ora pendurados na justiça, ora sob campanha vexatória midiática e no ciberespaço. É o caso de Crivella, é o caso de Paes, e é o caso da perseguição contra Benedita da Silva na tentativa de manchar sua reputação, uma vez que, de acordo com pesquisas recentes, estariam em primeiro, segundo e terceiro lugar, respectivamente.

Para quem tinha uma fé publicitária de que a Lava Jato e seus arautos iriam caducar, essas últimas semana tem sido uma verdadeira algazarra. Junto ao canto dos tucanos e motivada pelas condições climáticas oportunas que chegam com a primavera, chegou a vez das margaridas florescerem: Freixo quer voltar à disputa de 2020. É o que conta a coluna de Lauro Jardim no jornal O Globo da última sexta (11), faltando apenas cinco dias para a convenção municipal do PT-Rio.

Como dito, algumas pesquisas já mostram Benedita da Silva como uma candidata potencial para a disputa, ocupando ora terceiro, ora quarto lugar. Já a nova antiga candidata amarela, Renata Souza, não parece ter muita relevância. Nesse contexto, Freixo ressurge das cinzas para resgatar a esperança dos cariocas em meio ao “vácuo político” que, segundo o próprio, teria sido deixado ao renunciar sua candidatura. Mas, para alcançar a vitória, o príncipe da Rede Globo precisaria do apoio inequívoco, e de uma grande “maturidade” dos partidos “de esquerda” e do “campo progressista”.

A narrativa é simplória: temos chances, mas tudo depende do PT. Logo, em caso de derrota, sabemos quem será o culpado. No entanto, a recíproca nunca será verdadeira. É um retorno à uma polêmica que, se em algum momento não foi irrelevante, está completamente atrasada após fevereiro, quando começaram a suspeitar de casos de transmissão comunitária do novo coronavirus. Com mais desempregados e um verdadeiro colapso também da economia informal, o povo está passando fome e perdendo suas capacidades pulmonares. As ações precisavam (e precisam) de urgência. Tão logo a pandemia avançava, essa narrativa ficava ainda mais mesquinha. Não é de se estranhar que hoje Marcelo Freixo dê as caras, depois de meses isolado em sua torre de marfim.

É bem verdade que esse cenário de prisões e ameaças a figuras de peso na política fluminense é um aliado em potencial da máquina de propaganda amarela. Em 2018, Tarcísio Motta acreditava que deslancharia ao segundo turno em função da prisão do ex-governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho. Tarcísio bradava em suas redes sociais que “só falta o Paes”. O fato é que na dobradinha Tarcísio-Witzel nos debates, o lavajateiro de direita – e não o “de esquerda” – foi quem levou a melhor.

Urge uma grosseira miopia para não enxergar o impedimento (até o momento) informal contra o Partido dos Trabalhadores na disputa do município. Benedita é uma candidata que retoma a base popular do Partido, base essa que o golpismo tenta a todo momento alienar das suas lideranças. Com o avanço da candidatura de Benedita, duas frentes de ataques se formam: A primeira se trata das campanhas vexatórias virtuais, com o já conhecido uso de disparos de notícias falsas em massa, que aram o terreno para uma eventual perseguição política com uso do braço jurídico. A segunda frente antipetista conforma-se ao entorno da narrativa “de esquerda”, tentando inviabilizar a candidatura da companheira. O elemento mais dramático – esse sim digno de nota – é a atuação interna no Partido dos Trabalhadores de elementos que dizem prezar pelo diálogo, aceitar a narrativa amarela e, sem o menor pudor, tentar rifar a candidatura de Benedita de maneira precoce.

Em vídeo divulgado em aplicativo de mensagens, um dirigente estadual do campo “de esquerda” do partido orienta que Marcelo Freixo converse com PDT e PSB antes de cobrar o PT, já que o PT e sua direção continuariam apoiando a tal frente de esquerda do PSOL. Aos olhares mais desatentos, pode parecer uma defesa do partido ante uma cobrança indevida. Na verdade, esse dirigente estadual não só aceita a narrativa da iminente derrota caso as esquerdas não venham a aderir à candidatura Freixo, como também entra no jogo publicitário, passando adiante a culpa pela iminente derrota para o PSB e o PDT. Ou seja, ignora a questão política envolvida e aceita a chantagem midiática d’O Globo e de Freixo.

Qualquer análise mais consequente da situação política que não leve em conta o novo estado de coisas do Regime surgido do Golpe de 2016, e seu funcionamento supraconstitucional, está fadada ou ao fracasso, ou de servir de pivô aos rearranjos golpistas. Logo, para aceitar a tese da derrota iminente em caso de uma não-unificação em torno de Freixo, deve-se ignorar completamente alguns elementos como, dentre outros: (1) a tutela intervencionista; (2) controle territorial das narcomilícias e o completo despreparo do campo patriótico para enfrentar forças paramilitares reacionárias; (3) uma possível abstenção eleitoral ainda mais colossal; (4) a preponderância do ciberespaço na campanha eleitoral; (5) limites novos e ainda mais rígidos na lei eleitoral; (6) processos jurídicos validados ainda que sem nenhuma evidência material; (7) todo o aparato para formação de consensos da mídia e do sionismo evangélico; (8) fiscalização militar de todo o processo eleitoral.

Se nas teses pequeno-burguesas do PSOL de 2016, a destruição do Rio estava condicionada à “má gestão” e à “corrupção” do antigo PMDB – e não à política destrutiva da Lava Jato – hoje, com esse tipo de narrativa infantil, o PSOL condiciona a iminente derrota da esquerda carioca ao Partido dos Trabalhadores, com uma cínica chantagem própria da política dos socialistas amarelos. Com isso, o PSOL e seus satélites trabalham para rachar a campanha do PT, tanto para a sua base eleitoral, quanto internamente. Como já argumentamos, os amarelos são a via esquerda do Golpe de Estado. Não podemos aceitar alucinações de que o destino do Rio de Janeiro seria diferente com uma improvável condução política dos lavajateiros “de esquerda”. Essa confusão deve ser denunciada e combatida.

Temos candidatos à vereança correndo o risco de repetir o mesmo destino de Quaquá, quando, na campanha para a câmara em 2018, 74.175 foram desconsiderados pelo TSE. E, caso ganhemos uma maior relevância, a fabricação de operações baseadas em delações premiadas ocupa a primeira página do currículo dos lavajateiros de marca maior, como Marcelo Bretas. Andamos com a corda no pescoço, e enquanto nós, brasileiros, não retomarmos o controle soberano do nosso país, não será a não-adesão ao lavajatismo amarelo que nos condicionará à derrota. No último Dia da Independência, o presidente Lula clamou o que fazer para superar o golpismo: um novo pacto social. Já o “como fazer” talvez não encontre eco nos marcos constitucionais – ainda respeitados apenas pelo Partido dos Trabalhadores.

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