Abaixo a censura e o golpe militar! – Coluna

Por Gabriel Araújo

Em um recente artigo publicado na minha coluna neste órgão de imprensa operária denunciei como a censura vem avançando no nosso país por meio de sabotagens, asfixia orçamentária, perseguições jurídicas e das forças de repressão do regime golpista, contra a imprensa independente dos trabalhadores. Denunciei que o fechamento do Jornal Antifascista O Homem Livre, do Blog Nocaute e Conversa Afiada, além da invasão feita por hackers contra o Diário Causa Operária, se tratava de mais uma ofensiva dos golpistas com vistas a falsificar a história e assaltar para si o monopólio da verdade.

Durante essa semana dois casos de censura tiveram destaque no terreno de debate político. Foram eles: o caso do sumiço dos arquivos da Empresa Brasileira de Comunicação (EBC) dos arquivos sobre o golpe militar de 1964, e especificamente sobre os casos do Deputado Rubens Paiva e do jornalista Vladimir Herzog, ambos assassinados pela ditadura; e o caso da censura de uma série de matérias do Jornal GGN que revelam a falcatrua de uma negociação do banco BTG Pactual do Paulo Guedes (Ministro da Economia).

No primeiro caso o fato ocorreu no momento em que a EBC fazia a transição de alguns arquivos para um novo portal. Sob a farsa de uma possibilidade de falhas no processo de transição, o governo militar impôs a censura e aproveitou para dar sumiço justamente nos arquivos históricos que destacam a realidade de como a ditadura de 64 agia. Existem denúncias, inclusive, de portais que republicaram os arquivos da EBC e que estão com o link quebrado, o que revela que temos uma ação sistemática e planejada com vistas a impedir o acesso a informação. A EBC, assim como diversas outras empresas públicas, está sendo controlada pelos militares golpistas. Desde agosto passado, a Presidência da empresa se encontra nas mãos do General Luiz Carlos Pereira Gomes.

No segundo caso, a 32ª Vara Civil do Rio de Janeiro, por meio do juiz Leonardo Grandmasson, proibiu o Jornal GGN de publicar qualquer matéria relacionada ao Banco BTG Pactual de Paulo Guedes, além de mandar retirar do ar os arquivos que denunciam a negociação entre o BTG e o Banco do Brasil (BB), onde o BB havia vendido uma carteira de crédito avaliada em R$2,9 bilhões por meros R$371 milhões para o BTG, em um claro assalto ao patrimônio público, fazendo lembrar os tempos de governo FHC. O juiz estabeleceu uma multa de R$10 mil caso o jornal descumpra a sentença.

Nesse sentido, podemos observar que no atual estágio da situação política no país, os golpistas estão literalmente colocando em prática o processo de queima de arquivo de seus crimes contra o povo trabalhador. No parlamento brasileiro está tramitando o Projeto de Lei nº 7920/17 do ex. Senador, Magno Malta (PL-ES), conhecido como PL da Queima de Arquivo. Os arquivistas vem denunciando esse PL que sob a fachada de diminuição da burocracia e de papeladas, através da digitalização dos documentos, os golpistas querem fazer uma queima de arquivos e a adulteração de documentos que possam compromete-los. Algo no mesmo sentido foi aprovado para a área trabalhista com a Medida Provisória da Liberdade Econômica, permitindo que os patrões fraudem ou deem sumiço em documentos.

Na manhã de quarta-feira (09/09) a Operação Lava-Jato no Rio de Janeiro, por meio do juiz golpista Marcelo Bretas, promoveu mais um episódio de repressão contra o escritório do advogado do Presidente Lula, o Cristiano Zanin. A ação arbitrária de busca e apreensão tem o objetivo de queimar arquivos que Zanin possuía que poderiam colocar a Operação Lava-Jato em situação delicada. A Lava-Jato também promoveu esse circo pirotécnico sem pé nem cabeça visando desgastar a imagem de Zanin e do Presidente Lula, que há pouco tinha feito um pronunciamento anti-imperialista, pela soberania nacional e se colocando à disposição dos trabalhadores para derrotar o golpe.

Atualmente o Ministério da Comunicação é ocupado por um nome do chamado centrão, que é Fábio Faria (PSD-RN). Fábio Faria é esposo da apresentadora Patrícia Abravanel, que é filha de Silvio Santos, dono do grupo SBT. O grupo SBT desde antes da eleição biônica de Jair Bolsonaro vem prestando suporte e dando espaço para que o miliciano faça sua propaganda fascista.

A Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência da República (SECOM), foi ocupada durante algum tempo pelo General Floriano Peixoto Vieira Neto, que saiu posteriormente para entrada de Fábio Wajngarten, que é um empresário do ramo de marketing e mídia. Wajngarten é o principal sócio da FW Comunicação e Marketing, que é contratada pela própria SECOM. Ele possui o controle de 95% da empresa e sua mãe dos outros 5% restantes. Sua empresa também presta serviços a grandes monopólios de comunicação que dão sustentação ao governo fascista, como as emissoras Grupo Bandeirantes e Record, além das agências de publicidade Artplan, Nova/SB e Propeg. Esses monopólios da comunicação também vem recebendo enxurradas de dinheiro do governo para propagar fake News e dominar a narrativa histórica.

Em outro flanco, os monopólios de comunicação vem pressionando o judiciário e o parlamento para aprofundarem a censura no país com a chamada lei das fake News. Nessa manobra eles visam sacrificar alguns elementos da extrema direita para passar a boiada por cima dos organismos de imprensa independentes e de esquerda. Ou seja, vão atacar alguns poucos elementos propagandistas da extrema direita, para dar ares de democrático e de que a lei é para todos, para sob essa máscara, abrir a brecha para uma onda de ataques por meio da censura e repressão contra a esquerda revolucionária e nacionalista.

Logo, os trabalhadores e os órgãos de imprensa da esquerda brasileira precisam constituir uma Frente de Esquerda pela total liberdade de expressão e contra a censura que vem sendo imposta pelo bloco político formado pelos monopólios de comunicação, os bancos e os militares, que assaltou o poder político do país com o golpe de 2016. 

Essa agenda em defesa da liberdade de expressão e pelo fim dos monopólios do comunicação apenas poderá ser efetivada na prática através da derrubada do golpe militar e a restituição do direito constitucional do Partido dos Trabalhadores governar o país, e sendo assim, o direito desse partido de coordenar as atividades e debates nacionais que visem estabelecer um processo constituinte que efetive os anseios da classe operária tanto em relação a pauta especifica da liberdade de expressão, quanto na tarefa de revogar todas as medidas do golpe e aprofundar os direitos dos trabalhadores.

Como vemos, a censura e a perseguição aos veículos de imprensa de esquerda estão sendo desferidas contra os principais organismos de resistência ao golpe militar. Conforme citei no primeiro parágrafo, todos os veículos de imprensa de esquerda que sofreram recentes ataques ou que tiveram de fechar suas portas, são mecanismos de comunicação dos trabalhadores que educaram e organizaram a classe operária para a defesa da soberania nacional desde quando os golpistas colocaram sua campanha de destruição nacional em marcha. Sendo assim, o que se observa é que essa ação não é um mero acontecimento ao acaso. E sim, uma projeto sistemático para minar os órgãos de agitação e propaganda que vem levantando que a principal pauta dos trabalhadores brasileiros e latino-americanos, de forma geral, é a pauta da derrubada dos governos golpistas e a mutilação das garras da rapina que vem pilhando nosso continente para satisfazer os prazeres do capital financeiro internacional.

Se a situação do país está dessa maneira, imaginem se não tivéssemos a imprensa operária e independente para organizar os trabalhadores através das denúncias políticas vivas? Certamente a situação da classe operária seria a mesma dos oprimidos do período do Brasil Colônia.

Logo, apenas com a profissionalização da militância e da nossa comunicação, e uma luta profundamente abnegada na defesa da manutenção e ampliação do trabalho desses órgãos de agitação e propaganda operários, é que vamos erguer um amplo bloco nacionalista que coloque em xeque o domínio imperialista sobre nosso território. Do contrária, se deixarmos a censura se estabelecer, vamos sofrer sucessivos reveses decorrentes do domínio da narrativa por parte dos golpistas e sendo assim, da profunda confusão que a classe operária irá pairar por não possuir seus veículos de comunicação para direcionar e organizar sua luta política cotidiana. Somente a imprensa dos trabalhadores pode educar e organizar os trabalhadores!  

Obs.: As colunas não representam necessariamente os posicionamentos políticos do Editorial do Jornal Voz Operária. O Jornal está aberto as manifestações sinceras dos revolucionários no Brasil. Entre em contato para abrir uma coluna.

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