Frente Ampla (Neoliberal) quer destruir o poder eletivo para estabilizar o regime golpisTA – coluna

Por Gabriel Araújo

No dia 05 de setembro deste ano, o ex. Presidente da República, Fernando Henrique Cardoso (PSDB), em coluna de opinião nos monopólios de comunicação burgueses, Estadão e El País, divulgou sua manobra política e da Frente Ampla (Neoliberal) para estabilizar o regime político golpista e dar ares de legitimo para este último. O título do artigo é “Reeleições e crises”, e por mais incrível que pareça, trata-se de uma profunda demagogia e apologismo anticientífico, com o objetivo de colocar fim na reeleição. 

Nesse sentido, para começo de conversa, vale lembrar que FHC sob as ordens do imperialismo e do programa econômico do Consenso de Washington, comprou sua reeleição em 1998, com o objetivo de estender ainda mais a destruição do patrimônio nacional promovido em seus dois governos.

Essa orientação política dada por FHC ocorre por conta de que uma das grandes dificuldades que os golpistas vem encontrando desde que desferiram inúmeros golpes de estado fascistas em toda a América-Latina, é a de encontrar (e de criar, mesmo que artificialmente) legitimidade nas urnas para aprofundar seu programa neoliberal de destruição da soberania nacional destes países, dos direitos e das condições de vida da classe trabalhadora, e também de perseguição contra as lideranças da esquerda. 

Esse programa antipopular e ilegítimo apenas tem encontrado canais para fluir por meio de sucessivas deposições inconstitucionais e portanto, ilegítimas, dos líderes populares e respectivamente, de seus programas políticos nacionalistas ratificados pelas urnas. Os poderes não eleitos articulam-se em uma agenda política de perseguição, onde a sofisticação é tamanha, que inclusive alguns elementos representantes da própria burguesia nacional são escolhidos para servir de boi de piranha para criar um estética de imparcialidade nas ações, e também uma artificial e falsa opinião pública, popularidade e aceitação das circunstâncias das ações repressivas inconstitucionais, para possibilitar a avalanche neoliberal de extermínio dos direitos dos trabalhadores e de suas lideranças.

Ainda há outra tendência significativa que merece destaque e que é apontada no capitulo “A nova direita brasileira: uma análise da dinâmica partidária e eleitoral do campo conservador” do livro da Editora Fundação Perseu Abramo intitulado “Direita, volver! O retorno da direita e o ciclo político brasileiro” (2015), onde é demonstrado numericamente o processo de refluxo da direita golpista que hegemonizou o regime político burguês de 1988 (Nova República) e consequentemente como esse regime vem vindo abaixo.

Esse processo de desmoronamento das forças políticas que hegemonizaram o regime de 1988 e do próprio regime, apenas pode ser levada a cabo pela coordenação da coalizão política dos representantes da burguesia mais alinhados ao imperialismo como é o caso do FHC e de seu PSDB, os capachos do Departamento de Justiça Norte-Americano que se encontram em todas as esferas do judiciário, além do lixo político que restou da Quinta República (Ditadura Militar) que se encontravam nos gabinetes confortáveis dos quarteis ou em casa de pijama, e os monopólios de comunicação que se formaram graças a ditadura de 64, como também o sistema financeiro nacional e internacional. As intrigas de compadre que ocorrem nesse bloco político são apenas divergências no sentido de quem irá tomar a frente dos trabalhos de desmantelamento do patrimônio nacional construído sob os ombros dos trabalhadores brasileiros.

Se hoje Bolsonaro é um dos maiores beneficiários da política de enfraquecimento do poder eletivo, pois chegou ao cargo de Presidente por meio da fraude eleitoral que caçou os direitos políticos de Lula, além de coordenar o processo de deposição do governador do Rio de Janeiro, Witzel (PSC) e do prefeito, Crivela (Republicanos), para se beneficiar nas eleições municipais de 2020 e presidencial em 2022; com essa orientação política dada por FHC que tem como centro a tentativa de calcar o caminho do candidato dos golpistas cheirosos até o Planalto em 2022, seriam eliminadas duas pedras que se encontram no meio do caminho, que são: o próprio Bolsonaro, por sua fraqueza política e incapacidade de levar até as últimas consequências a agenda neoliberal; e o maior líder operário da América-Latina, Luiz Inácio Lula da Silva, que venceria todo o conjunto de candidatos da burguesia no primeiro turno e desmantelaria todas as mazelas do golpe, com o reestabelecimento da democracia e da soberania nacional.

O outro flanco que também possui o “Príncipe da Privataria” como garoto propaganda, é a aprovação da prisão em segunda instância. FHC já declarou ser favorável a mais esse golpe contra a constituição e orienta o legislativo federal a ratificar esse ataque ao povo. No Congresso Nacional existem dois projetos com esse objetivo e que vem avançando cada vez mais no processo de tramitação. São eles o PLS 166/2018 que se encontra no Senado e pode passar a tramitar em regime de urgência; e a PEC 199/2019, que está na Câmara dos Deputados tramitando em Comissão Especial e já teve o relatório entregue pelo relator para apreciação dos parlamentares da comissão. Nesse caso, podemos observar que o poder de alcance de tal manobra política não chegaria em Bolsonaro. Seria uma manobra para abrir a possibilidade tanto de colocar um representante dos golpistas cheirosos, como também em caso de colapso, apostar na manutenção do governo de crise e improviso de Bolsonaro.

Para se ter ideia do inferno que era o Brasil sendo governado por FHC, havia uma taxa de óbitos de 300 crianças por dia em decorrência de não ter o que comer. A fome assolava mais de 60 milhões de brasileiros, o salário mínimo eram míseros US$56,00 (nos governos petistas a política de valorização real do salário mínimo elevou o mesmo para US$272,00) e quase todo o complexo de empresas estatais estratégicas para o país foi vendido por valores criminosos. Esse senhor não possui nenhuma moral e legitimidade para ditar qual deve ser a agenda política do país, pois se trata de um genocida e golpista que deu sustentação para a Ditadura Militar, deu um golpe com a compra da reeleição e foi um dos principais articuladores do golpe de 2016 que derrubou a Presidenta Legitima, Dilma Rousseff.

Os trabalhadores devem elaborar uma política estratégica que entre em rota de colisão com as raízes do golpe de estado, que desde o começo se encontram nos diversos ataques, perseguições e manipulações que visam impedir que o Partido dos Trabalhadores, o Presidente Lula e a Presidenta Dilma, retomem a coordenação dos trabalhos políticos e coloque o país novamente de encontro com a sua soberania nacional.

Os golpistas querem reduzir a nada o poder eletivo porque sabem que mesmo esse limitado e na maioria das vezes, manipulado e controlado, meio de participação política, pode fugir do controle da burguesia e colocar no poder político um representante dos interesses dos trabalhadores. Esse fato demonstra a profunda debilidade para estabilidade golpistas, que não aceitam de maneira alguma que os interesses dos trabalhadores sejam refletidos nos poderes políticos atuais. 

Os trabalhadores nesse sentido, precisam identificar essa debilidade e focar nessa oportunidade. Porém, vale ressaltar, que essa oportunidade só vai se materializar em objetivo concretizado, se nos valermos de ferramentas com potencial de fato e não um potencial abstrato. Ou seja, se for colocado como candidato a única pessoal com chances reais de fazer essa oportunidade se efetivar na prática. E esse candidato é apenas Luiz Inácio Lula da Silva.

Sendo assim, toda a esquerda deve abrir mãos dos seus objetivos individuais e pequeno-burgueses, sem pé e nem cabeça, e passar para um terreno político onde as coisas podem acontecer de fato. Do contrário, as sucessivas aventuras eleitoreiras apenas servirão para maquiar de democrata o regime político golpista e fascista, pois estarão lançando candidaturas que nascem fracassadas e para perder, criando uma imensa confusão nas amplas massas trabalhadoras e uma tendência divisionista que apenas favorecerá os inimigos de classe.  

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